Análise Arkade: ADR1FT é uma jornada intimista e solitária no espaço inóspito

22 de julho de 2016
Autor: Fernando Floriano

Análise Arkade: ADR1FT é uma jornada intimista e solitária no espaço inóspito

Você acorda em meio a escombros de uma estação espacial, com pouco oxigênio e sem memória. Essa jornada de sobrevivência se chama ADR1FT, e as nossas impressões sobre o game você confere agora! 

Desenvolvido pela Three One Zero e publicado pela 505 Games, ADR1FT destaca-se no mercado de games por ser um jogo de gênero First Person Experience (FPX), utilizando subterfúgios não tradicionais para contar uma história.

Primeiramente vale ressaltar que para aproveitar a experiência total que o game proporciona é necessário um dispositivo de realidade virtual, neste caso o Oculus Rift, pois isso aumenta (e muito) a imersão proposta pelo game. Claro que, sem o Oculus ainda é possível aproveitar o jogo sem problema algum, perde-se apenas o teor de novidade que a VR oferece.

Análise Arkade: ADR1FT é uma jornada intimista e solitária no espaço inóspito

ADR1FT nos coloca em um cenário que é pouco explorado em games atualmente: o espaço. Na pele de um astronauta que se encontra em uma situação de morte eminente, que logo de cara, no início do game, desperta, “largado” no espaço, ao relento, em meio aos destroços da estação espacial, com um traje de proteção avariado e pouco oxigênio.

O game tem como carro chefe a sobrevivência através do gerenciamento de recursos, oxigênio em especial, que pode ser encontrado em pequenos frascos espalhados pelo cenário, além da mais óbvia missão em uma circunstância dessas: encontrar uma forma de se manter vivo. Como fazemos isso? Encontrando outra base espacial? Voltando para a Terra se assim for possível? A resposta dessa questão é o que move ADR1FT.

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Conceitualmente é isso, somos literalmente arremessados em tal contexto e temos que sobreviver. Em meio a essa jornada encontramos fotografias, arquivos de áudio e outras pistas — se assim podemos chamar — que dão mais senso de humanidade ao jogo, tentando inserir no espaço inóspito um pouco de familiaridade, e um pouco de clareza no que aconteceu ali para deixar você naquela situação.

Graficamente o game é lindíssimo. Jogamos a versão de PC e a versão PS4 e em ambos o jogo impressiona. É real, belo e incrível. Muitas vezes dei uma pausa no game e investi tempo apenas para olhar detalhes gráficos, tais como o planeta Terra ao fundo e a beleza melancólica dos cenários internos.

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O enredo é bom. Nada de reviravoltas incríveis ou algo do gênero, mas é pé no chão e parece ser crível, porém um grande problema do game é a forma repetitiva que devemos avançar através dos cenários e fazer as mesmas coisas muitas vezes. Os cenários são muito parecidos e como o gameplay em si é de certa forma repetitivo, não existe um grande senso de progressão, o que torna a jornada em muitas vezes monótona.

Sendo um dos games no lançamento do Oculus Rift, ADR1FT é moldado para tal dispositivo e perde muito sem a inclusão desse recurso tecnológico. Além disso, o game tem um tom muito mais contemplativo do que outros títulos semelhantes, pois o cenário limita muito as opções do jogador. A jornada é praticamente linear, com alguma verticalidade e horizontalidade, mas explora-se isso pouco, mesmo encontrando-nos em uma espécie de base espacial. Resumindo: a escala interna do jogo é tímida.

Análise Arkade: ADR1FT é uma jornada intimista e solitária no espaço inóspito

Para finalizar, entendo que ADR1FT é moldado para a realidade virtual, pois apesar de ser graficamente impecável, ele peca muito ao narrar a história e principalmente ao nos instigar no quesito exploração. A linearidade combinada com os movimentos lentos advindos da falta de gravidade tornam o game arrastado e em certas partes cansativo.

É um game completamente de nicho, pois quem gosta de introspecção e reflexões tais como – “Por que a estação espacial explodiu?” Ou “Quem eram essas pessoas?” e por aí vai, pode sentir-se feliz com a ausência de informações concretas jogadas em nossa cara. Paciência é essencial, pois ao longo das cerca de 5 horas de campanha, devemos exercê-la tal quanto um astronauta perdido no espaço.

ADR1FT foi lançado dia 28 de março e está disponível para PC. Futuramente o game deve chegar também ao PS4 e ao Xbox One.

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