Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

12 de setembro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Beat The Game é um jogo musical diferente: ele não traz músicas licenciadas, nem é um jogo de ritmo tradicional, no estilo SuperBeat Xonic. É uma experiência rasa e superficial, mas muito estilosa, confira nossa análise.

Música no deserto

Beat the Game não tem lá muita história. A cutscene inicial nos mostra o protagonista sofrendo um acidente de moto — uma moto voadora, como os carros de Full Throttle , saca? — que o deixa “preso” em um deserto pra lá de psicodélico, cheio de objetos estranhos enterrados na areia e criaturas variadas orbitando o local.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Psicodelia define esse jogo.

Nosso protagonista — que eu descobri na internet que se chama Mistik, pois o jogo em si nunca me disse isso — é meio que um DJ, e carrega um gadget que lhe permite escanear o ambiente em busca de sons maneiros, gravá-los e transformá-los em música. E já que ele está preso naquele pedaço surreal de deserto, de bobeira, ele resolve colecionar uns barulhos para fazer um som.

Colecionando sons

Como fã de jogos de ritmo do tipo Aaero, eu estava bem curioso para ver qual é a e Beat the Game, pois os releases de imprensa sempre chamavam ele de Music Adventure, e o fato de termos um personagem controlável em um mapa aberto é, por si só, bem diferente do que vemos em outros jogos musicais.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Capturando sons.

A boa notícia é que sim, ele é diferente de outros jogos com temática musical. Eu joguei usando um controle de Xbox, e realmente temos liberdade para controlar o personagem e explorar o cenário. A má notícia é que não há nada para fazer no cenário além de coletar sons e brincar com eles.

Confira abaixo nosso vídeo com 16 minutos de gameplay:

Nosso protagonista não é capaz de pular, escalar, nem interagir com quase nada de forma não-musical. Assim, o grosso do gameplay é composto basicamente de mirarmos o cursor do “scanner de sons” do personagem para captar e gravar os diferentes barulhinhos que os objetos e criaturas do cenário emitem.

Conforme capta sons, você vai montando uma pequena biblioteca, que pode ser mixada em tempo real em uma “mesa de som digital” para criar sua própria versão da trilha sonora, que pode ser alterada quantas vezes você quiser.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Criando música.

Nem todos os sons são “musicais” — alguns são só barulhos, mesmo –, e ainda que não haja muita profundidade de customização, a variedade de sons permite combinações bem diferentes.

Uma experiência breve (até demais)

Acho que o maior problema de Beat the Game é quão curto ele é. Segundo o marcador do Steam, eu joguei por 73 minutos, e nesse tempo (pouco mais de uma hora) já zerei o jogo. A questão na real não é nem o quanto ele dura, mas a maneira abrupta como ele termina.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Alguns sons só podem ser coletados durante a noite.

Em nenhum momento o jogo dá uma pista de que aquele cenário — o deserto — é o único ambiente disponível. E quando fazemos tudo o que há para ser feito ali e bancamos o DJ com todos os sons que coletamos, surge um carrinho muito louco para nos dar uma carona.

Eu achei que ele me levaria até a próxima fase, ou sei lá… mas não, o carrinho foi embora, subiram os créditos e o jogo acabou. Assim, do nada. Eu não tenho nada contra jogos com narrativas subjetivas e interpretativas — pelo contrário, sou um grande fã de Journey, Bound, Abzû, etc. — mas aqui sequer há uma narrativa que justifique o que fazemos.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Ao contrário dos jogos citados acima — que passam uma mensagem, e possuem uma jornada que vai crescendo em emoção e significado –, Beat the Game não tem nada disso, e a forma como ele termina “do nada” deixa uma forte impressão de que estamos diante de um jogo incompleto, o que, até onde sei, não é o caso, visto que ele não é um jogo em Early Access, nem nada do tipo. O que é uma pena, visto que ele tinha potencial.

Audiovisual

O que falta em conteúdo, sobra em estilo: Beat the Game é um jogo de visual muito estiloso. Tudo é torto, caricato, esquisito, de um jeito que parece misturar as animações do Tim Burton com as obras surrealistas de Salvador Dali. É uma mistura que parece quase louca demais para ser real, mas funciona.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Olha esse visual, que viagem!

O jogo não tem vozes, e a trilha sonora literalmente é você quem faz, juntando e remixando os sons coletados da forma que quiser para formar um loop musical. Enjoou da sua criação? Simplesmente abra seu remixer e crie algo novo!

Conclusão

O material promocional de Beat the Game evidencia que o jogo foi aclamado em feiras e festivais e angariou prêmios e elogios da imprensa. E por mais que eu ache que o game merece este reconhecimento por ser criativo e diferente, a falta de conteúdo em si é um balde de água fria em quem está curtindo o jogo e do nada é surpreendido com os créditos subindo, logo depois do que parecia ser apenas a primeira fase.

Análise Arkade: a breve jornada musical de Beat the Game

Na prática, Beat the Game é um jogo de uma fase só, que parece inacabado. Uma pena, pois ele parte de uma premissa muito boa, e seu pequeno universo é estiloso demais, o que reforça a sensação de potencial desperdiçado. Uma pena que sobra estilo, mas falta conteúdo.

Beat the Game foi lançado em 7 de setembro, exclusivamente para PCs.

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