Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction

10 de novembro de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction

Uma das melhores franquias de luta 2D está de volta! Arc System Works e PQube lançaram recentemente BlazBlue Central Fiction, e você confere nossa análise agora!

A história continua

Quem acompanha a série BlazBlue de fora, talvez fique meio perdido com tantos títulos disponíveis, cada um com um subtítulo maior e mais confuso do que o anterior. Para piorar, a série não é numerada, o que torna as coisas ainda mais confusas.

Para deixar bem claro: BlazBlue Central Fiction é o quarto jogo canônico da série (se contar versões estendidas e relançamentos), e ele dá continuidade a uma trama que começou lá em 2008, quando a Arc System Works lançou BlazBlue: Calamity Trigger, e nos apresentou à uma narrativa dramática e rocambolesca, com toneladas de diálogos e interações entre os lutadores.

Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction

O principal modo de jogo (para os fãs mais afoitos, pelo menos) é justamente o Story Mode, que continua acompanhando a busca por Ragna the Bloodedge, que é o protagonista oficial da série, que é perseguido por quase todos os outros lutadores e cujo destino está emaranhado com o de vários outros personagens.

O Story Mode é longo, e possui toneladas de diálogos e interações entre os personagens. Para você ter uma ideia, apenas o diálogo que resume a história dos jogos anteriores dura mais de 30 minutos (você pode pular isso se já está familiarizado com a trama), ou seja, quem quer ficar por dentro da história precisa estar preparado para acompanhar muito “blá-blá-blá”.

Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction

A Arc System Works (e os fãs, provavelmente) se importam tanto com a história de BlazBlue que o PS4 bloqueia a gravação, captura de tela ou transmissão por streaming do modo história do game. Se eles estão tão preocupados em guardar segredos, quem sou eu para entregar spoilers, né? Mas, quem vem acompanhando a série desde os primórdios não vai se decepcionar, pois a trama reserva um arco dramático respeitável e com bom número de surpresas e reviravoltas.

Pancadaria refinada, acessível e atualizada

Se o que você busca é simplesmente um bom jogo de luta 2D com gameplay afiado, dezenas de personagens e muitos modos de jogo, fique tranquilo, pois BlazBlue Central Fiction também foi feito para você: o game conta com mais de 30 personagens selecionáveis, entre velhos conhecidos e novos rostos, e possui diversos modos de jogo tanto online quanto offline.

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São mais de 30 personagens, alguns com nomes bem difíceis de lembrar.

O gameplay em si mantém o padrão da série, com 3 botões diferentes que podem realizar tanto ataques normais quanto magias golpes especiais. Os mais “profisisonais” em jogos de luta irão se deliciar com as diversas possibilidades de contra-ataque, defesa, esquiva, quebra de defesa, cancelamento de golpe especial, e tudo mais.

Para quem não é tão conhecedor na arte da pancadaria 2D da série, mas também quer jogar bonito, o game manteve o padrão de controle chamado Stylish Mode que é uma mão na roda. Jogando assim, seu  personagem consegue emendar combos e até mesmo Distortion Drives quando você faz um “button mash” aleatório qualquer. Nesta configuração o botão X serve basicamente para soltar magias e especiais, o que facilita muito a vida dos n00bs.

Abaixo, um pouco de gameplay do Stylish Mode jogando com o protagonista, Ragna the Bloodedge:

Claro que nem todo personagem se sai tão bem assim no modo Stylish, mas é aí que mora a beleza de um bom jogo de luta: para realmente mandar bem com um personagem, você precisa praticar, treinar e se dedicar; entender como é o timing de seus golpes e a fluidez de suas habilidades para a formação de combos. Quando você estiver mais habituado com um determinado personagem, pode abandonar o Stylish Mode e jogar no Technical Mode, onde as regalias acabam e você precisa realmente dominar as mecânicas do jogo para vencer.

Ah, e se você é daqueles “retranqueiros” que fica só na defesa esperando para contra-atacar, talvez queira repensar sua postura de jogo: ao invés de penalizar o jogador defensivo, o novo BlazBlue adota o Active Flow, que serve justamente para dar um boost ao jogador que é mais ativo e está realmente a fim de mostrar uma briga bonita, aumentando o dano de seus golpes e a taxa de preenchimento da Burst Gauge.

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Em resumo, o que quero dizer é o seguinte: o gameplay de BlazBlue continua excelente, dinâmico e responsivo como sempre. Ele possui abertura para quem está só começando no gênero sem deixar de lado a profundidade para quem quer se especializar no game. As novidades incorporadas ao gameplay são evoluções naturais do que já vimos, e sem dúvida acrescentam um tempero extra ao game.

Muitos modos de jogo

Eu falei ali em cima do Story Mode, mas BlazBlue oferece muito mais do que aquilo. Temos coisas básicas que todo jogo de luta que se preza deve ter — Arcade Mode, Versus Mode, etc — e um robusto modo online cheio de possibilidades tanto para partidas rankeadas quanto casuais.

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Porém, acho válido ressaltar aqui alguns modos de jogo um tanto diferentes dos padrões dos jogos de luta. O antigo Abyss Mode agora virou Grim of Abyss, e é meio que um dungeon crawler disfarçado de jogo de luta: você visita “dungeons” enfrentando diversas batalhas sucessivas, e conforme progride, vai destravando melhorias, perks e habilidades, além de distribuir pontos de experiência (imagem acima) que melhoram seus atributos para este modo de jogo.

Outro modo de jogo bacana é o Speed Star: a partida começa em 180 segundos, e você deve ir o mais longe que puder com esse tempo. Você não perde energia quando apanha, mas perde tempo. Jogar bonito, aplicar counters e combos lhe garante alguns segundos extras, o que torna este modo de jogo bem aditivo e desafiador. Confira um pouco de gameplay abaixo, com gameplay em modo Stylish:

Isso para não mencionar um amplo sistema de Treinamento, com tutoriais que te ensinam os pormenores do jogo e (claro) também são cheio de diálogos e piadinhas, pois outros personagens estão servindo de tutores para o jogador. Com tudo isso quero deixar claro que, ao contrário de outros jogos de luta recentes, BlazBlue Central Fiction tem muito conteúdo, tanto para jogar sozinho quanto online.

Audiovisual

Para mim, jogos de luta 2D são os melhores. Embora eu compreenda a evolução que acometeu franquias como Street Fighter e Mortal Kombat, eu simplesmente acho que sprites 2D são mais charmosos para este tipo de jogo, e geralmente possibilitam gameplays mais acelerados e dinâmicos. E BlazBlue entrega um belíssimo 2D desenhado à mão, que casa muito bem com cenários 3D que possuem muita profundidade, e tudo isso roda suave em 60fps.

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O mix de cenários 3D com personagens 2D cria belas composições.

Tanto o character design quanto o level design do jogo são incríveis. A Arc System Works sempre foi caprichosa, e mantém a qualidade esperada. Os backgrounds são incrivelmente vivos e coloridos: há crianças correndo, cachorros latindo, letreiros piscando e muitos outros elementos. Antes de cada luta, a câmera dá uma “passeada” pelo cenário, evidenciando a complexidade e profundidade de cada arena.

O áudio está todo em japonês, gritado e empolgado como deve ser. Temos legendas em inglês, e se prepare para ler muito pois, como já dito, BlazBlue realmente leva sua história a sério, e há toneladas de diálogos, compêndios e abas informativas sobre tudo. A trilha sonora pauleira da série volta com tudo, oferecendo um heavy metal acelerado de ótima qualidade tanto nas faixas instrumentais quanto nas cantadas.

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Esse é o jeito BlazBlue de dizer “Round 1: Fight”.

Sendo bem honesto, 2 coisas me incomodam neste jogo: a tipografia é muito poluída (exemplo na imagem acima) — cada letreiro parece uma catedral gótica cheia de arabescos, pontas e voltas — e a narradora tem uma forma “empolgada” de anunciar certas coisas que me irrita um pouco. Mas isso é questão de gosto pessoal, e estes detalhes sem dúvida não desmerecem o excelente trabalho de arte e design do game como um todo.

Conclusão

BlazBlue Central Fiction é um jogo de luta 2D capaz de agradar tanto quem já acompanha a série há anos quanto quem não está familiarizado com o lore da série, mas está a fim de um fighting game caprichado e muito bem polido, com vários personagens, modos de jogo e um gameplay que consegue ser acessível para os novatos sem desrespeitar a técnica dos veteranos.

Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction

Se a história é um tanto confusa e rocambolesca para quem não está familiarizado, nada te impede de simplesmente deixar ela pra lá e curtir o Grim of Abyss, o Speed Star, ou qualquer outro modo de jogo que tenha mais pancadaria e menos “blá-blá-blá”. O gameplay é muito bem calibrado, o visual é muito bonito, e a trilha sonora é “pra ouvir no talo”, de tão boa.

Nada contra Street Fighter V, Mortal Kombat X ou qualquer outro jogo de luta 3D disponível no mercado, mas para mim, gameplay frenético e visual 2D sempre vão sair na frente. Ao lado de Skullgirls, os jogos da Arc System Works se tornaram os meus preferidos dos últimos anos, e BlazBlue Central Fiction mantém esta tradição. Se o estilo também te agrada, você com certeza não vai se arrepender.

BlazBlue Central Fiction foi lançado em 1º de novembro de 2016, com versões para PS4 e PS3. O áudio do game está em japonês, e as legendas estão em inglês.

Uma resposta para “Análise Arkade: BlazBlue Central Fiction”

  • 12 de novembro de 2016 às 19:45 -

    Aspira

  • Na torcida pra que lancem a versão Extended logo e que saia pro One T_T

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