Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

28 de maio de 2014
Autor: Henrique Gonçalves

Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

Confira todos os detalhes de mais um excelente jogo independente brasileiro e como Aritana e a Pena de Harpia se sobressai enquanto eleva os jogos indies nacionais a um novo patamar de qualidade.

Para continuar a primeira leva de jogos independentes brasileiros na Arkade — que começamos falando sobre Mr. Bree+ — apresentamos agora o esplêndido Aritana e a Pena de Harpia, um sidescroller que nos leva ao impressionante mundo dos índios tupi-guarani enquanto desafia o jogador a cada minuto com sua jogabilidade.

O gênero sidescroller já apresentou vários jogos desde suas origens nos primeiros consoles já criados, passando pelos grandes ícones de nossa cultura gamer como Mario, Donkey Kong e Sonic. Porém, o gênero foi perdendo espaço com a evolução dos consoles. Mas acabou ganhando uma nova casa na cena independente graças aos “grandes pequenos jogos”, como Braid, Super Meat Boy, Bit Trip Runner, incluindo títulos nacionais, como Oniken da Joymasher e o já citado Mr. Bree+ da TawStudio.

Eis que para somar, temos também a Duaik Studios, composta pelos irmãos Pérsis e Ricardo Abrahão Duaik ao lado de Rafael de Almeida Morais e Vitor Ottoni de Alencar que ajudaram com a design em 3D e a trilha sonora, respectivamente. Aritana e a Pena de Harpia é o primeiro projeto de todos eles e desde o início dá para notar como eles fizeram este jogo com paixão e muito trabalho, desde os pequenos detalhes, passando pela jogabilidade fluída e completando com uma trilha sonora que consegue provocar todos os tipos de emoções possíveis durante o seu percurso.

Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

A história de Aritana é rica em seu tema sobre a cultura dos índios tupis-guaranis, desde seus personagens, inimigos, mundos e itens colecionáveis. A história conta a jornada do índio para encontrar a pena da harpia conhecida como Uiruuetê, que é o ingrediente crucial para tirar o Espirito da Floresta que apossou o corpo do Cacique Tabata.

Para alcançar o objetivo, é necessário que o jogador passe por cenários laterais com vários obstáculos, monstros e diferentes caminhos pela floresta para encontrar a pena, tudo isto enquanto foge do monstro Mapinguari, que te caça incessantemente.

A estética e todo o ambiente das florestas brasileiras é levada graciosamente para o jogo graças a criativa direção de arte da Duaik Studios, desde utilizar frutas de guaraná como moeda principal, pequenos potes de urucum simbolizado o número de vidas e diferentes itens, como escaravelhos colecionáveis.

Tudo isto cria um ambiente indígena interessante, criando um senso de imersão com a tribo e a civilização tupi-guarani, que convenhamos, dificilmente é visto hoje em dia nos videogames.

A misteriosa floresta, o mundo dos Espíritos, diversos insetos brilhantes e uma dificuldade brutal é somente um gosto do que está por vir em Aritana, colocando em foco sua jogabilidade e intensa dificuldade que remete aos antigos sidescrollers, com Donkey Kong Country sendo uma das maiores fontes de inspiração que Duaik Studios bebeu para o desenvolvimento deste jogo.

Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

Enquanto estava jogando eu não conseguia parar de pensar e comparar em minha cabeça com os primeiros jogos da série Donkey Kong Country que foram lançados para o Super Nintendo. Desde seu cenário, obstáculos, jogabilidade e as inúmeras partes escondidas repletos de itens importantes que os maiores fãs da série conhecem de cor e salteado, tudo nos faz lembrar dos três lendários jogos dos anos 1990.

Mas isto não quer dizer que Aritana é um mero clone dos jogos dos macacos da Rare/Nintendo, pelo contrário, os desenvolvedores conseguem utilizar este saudosismo ao seu favor. Com vários momentos icônicos e situações de pura tensão em querer arriscar sua vida para encontrar uma parte secreta enquanto prepara o pulo perfeito em cima de um inimigo, tudo que alguém experiente com sidescroolings está familiarizado.

Seus controles utilizam poucos botões, mas não diferencia de sua complexidade, as teclas A e D movem o personagem para esquerda e direita enquanto as setas funcionam para os ataques. A grande estrela é o Cajado do Pajé, a arma que Aritana utiliza e vai ganhando novos poderes com ela em certos pontos do jogo. Além de atacar normalmente, o Cajado tem outros poderes, por exemplo, ao levanta-lo apertando para cima no teclado ele pode te ajudar em encontrar setores escondidos e segredos durante a fase, um prato cheio para os curiosos de plantão.

Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

O Cajado também cria a estrutura óssea da jogabilidade, criando uma revezamento de poderes entre Força e Agilidade. Como ambos nomes referenciam, a Força (simbolizada em uma luz roxa no jogador e não, nada de Star Wars por aqui) foca no dano e impacto de combate com a desvantagem de correr lentamente e pular em um nível bem menor, além de dar mais detalhes nos monstros em relação ao formato e o ponto certo para matá-lo.

Enquanto a Agilidade (luz verde) desabilita qualquer tipo de ataque e foca na velocidade mais rápida complementando com os pulos que podem alcançar pontos mais altos, e os monstros são trocados por pequenas chamas de cores diferentes, criando mais um ponto de dificuldade para te forçar em alternar várias vezes entre os poderes de Força e Agilidade.

A jogabilidade pode parecer simples quando a gente explica, mas seu intuito é impor diferentes obstáculos que só serão possíveis serem ultrapassados na parceria agilidade-cérebro. Nenhum obstáculo é realmente simples e sua complicação cria momentos de tensão em que um simples pulo errado poderá custar sua vida.

Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia

Como se não bastasse os obstáculos, diferentes monstros também tiram sua vida — incluindo aqueles que não dá pra matar, podendo apenas fugir — além de que uma plataforma escondida que pode te salvar de um pulo errado para o buraco da fase mas ainda te tira um ponto de vida pelo dano de cair em uma altura alta demais, que até pode resultar em morte mesmo com esta plataforma existindo para te salvar.

Cada sessão acrobática é como se fosse um puzzle, colocando o jogador para parar e pensar qual será o seu próximo passo. Serão várias as tentativas que o jogador terá que fazer até que crie uma maestria naquele setor, resultando em várias mortes.

Este jogo não é recomendado para a galera que não tem muita paciência com desafios, mas Aritana consegue uma incrível proeza: o jogo simplesmente tira sua culpa o seu personagem perde uma vida, afinal as mortes acontecem por causa de várias razões, menos por deficiência de controles ou mecânicas do jogo, que é bem fluído.

Com tudo isto comentado, podemos afirmar que Aritana e a Pena de Harpia não é apenas um indie sidescroller com dificuldade elevada, assim como os já mencionados Super Meat Boy, Braid e Oniken. Trata-se na verdade de um jogo com um tema bem original e que também é bem divertido.

Tudo isto é parte de um novo nível na qualidade de jogos nacionais: desde sua impressionante trilha sonora, vívidos cenários e sua desafiadora jogabilidade. Graças a todos estes elementos Aritana consegue competir como um dos melhores jogos independentes deste ano, disputando lado a lado com grandes nomes do gênero.

Aritana e a Pena de Harpia já está disponível para PC e está a venda no SplitPlay, a marketplace brasileira com muitos outros bons jogos a disposição. A Duaik Studios também está em campanha para ganhar a famosa luz verde do Greenlight e você pode ajudar visitando a página do jogo na Steam.

Nosso conselho: se tem saudades de bons jogos de plataforma e terminou de “cabo a rabo” todos os clássicos, dê uma chance a Aritana e a Pena de Harpia e nos conte depois o que achou do jogo.

6 Respostas para “Análise Arkade: A cativante cultura tupi-guarani é apresentada em Aritana e a Pena de Harpia”

  • 28 de maio de 2014 às 16:29 -

    Babebiba

  • Esse lance de um bicho que te caça durante o game todo me traz na cabeça a imagem do Daraka, de PoP.

    Socorrr! Hahaha! ^^

    O visual de Aritana certamente já vale a experiência, patza jogo bonito! Interessante saber dessa sensação ‘DK’… saudades de jogabilidades simples e jogos fluídos. <3 haha

  • 28 de maio de 2014 às 17:22 -

    Wellinton

  • Lindo Jogo

  • 28 de maio de 2014 às 18:23 -

    Dactar

  • Ótimo jogo!Meu lado retrogamer aprovou 100%.Parabéns mesmo!

    Henrique
    obs:Faltou o “N” em DKC,após a terceira foto.

    • 28 de maio de 2014 às 19:01 -

      Junior Candido

    • O lado bom desses jogos é que eles nunca morrem e com boas ideias sempre trazem novidades!

      Quanto ao N, valeu o toque, está corrigido. Valeu!

  • 28 de maio de 2014 às 20:36 -

    Diana Cabral

  • Meu verdinho é só uma folha nessa imensa floresta, mas está dado!
    Gostei do visual, da movimentação do personagem e da temática nem se fala! Uma riqueza sem fim se bem explorada. Todo sucesso para os devs. *-*

  • 29 de maio de 2014 às 08:30 -

    Edimartin martins

  • Se o jogo está a venda no SplitPlay, porque os desenvolvedores estão esperando o sinal verde no Steam Greenlight?
    Se eu posso jogar o jogo pelo steam (o que eu faço a muito tempo) , porque eu compraria o jogo no SplitPlay?

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