Análise Arkade: Chaos Code é pancadaria 2D como nos tempos dos fliperamas

18 de março de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Chaos Code é pancadaria 2D como nos tempos dos fliperamas

Hora de cair na porrada em um game que pode parecer “apenas mais uma remasterização”, mas entrega uma das melhores experiências em fighting games 2D dos últimos tempos! Confira agora nossa análise de Chaos Code!

Contextualizando

Chaos Code não é um jogo novo. Ele foi originalmente lançado para arcades nipônicos em 2011, e depois, em 2013, chegou ao ocidente em uma conversão para o Playsation 3. Porém, por conta de uma campanha de marketing quase nula, não houve muito barulho sendo feito pela chegada do game, que passou batido por muita gente.

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Agora, Arc System Works e FK Digital uniram forças para revitalizar o game, que chegou esta semana remasterizado à PSN e ao Steam. Como fã de jogos de luta 2D que perdeu a primeira passagem do game por aqui, fiquei muito empolgado para testá-lo neste relançamento.

Um legítimo jogo de fliperama

Ainda que 2011 não tenha sido a tanto tempo assim (ou foi?), Chaos Code não esconde que é um jogo de fliperama. Aqui não há lugar para um Modo História com roteiros mirabolantes e muitas cutscenes, como vemos em Mortal Kombat e outros games atuais. O foco aqui é a pancadaria, e ela chega de muitas maneiras, todas muito diretas e sem frescuras.

O principal modo de jogo é o Arcade Mode — que traz uma historinha curta e sem graça para cada um dos 16 personagens selecionáveis. Nada de cutscenes e cenas épicas, apenas 2 ou 3 slides parados com um bocado de texto. Fora isso, também temos outros modos tradicionais do estilo, como Survival Mode, Mission Mode e Versus Mode, e todos rolam “sem frescura”, sempre priorizando o gameplay.

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Personagem que luta em dupla? Tem sim, senhor!

Como de 2011 para cá o mundo dos videogames deu uma boa evoluída no aspecto online, é claro que agora temos a possibilidade de entrar em partidas online, para testarmos nossas habilidades em lutas contra players do mundo todo. Os lobbys andam bem vazios, mas acredito que seja porque o jogo acabou de ser lançado, e espero que uma comunidade seja formada com o tempo.

Jogando Chaos Code

Como este jogo é um tanto quanto desconhecido para muita gente, acho válido traçar paralelos com jogos já existentes para deixar claro para você como é o gameplay propriamente dito. Ainda que tenha a Arc System Works envolvida — apenas como distribuidora — e tenha a maior cara de BlazBlue, o que temos aqui é um jogo menos acelerado, com um gameplay que lembra um pouco os clássicos da série The King of Fighters.

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Temos dois botões de soco e dois de chute (light e heavy), bem como um para dashes e esquivas, outro para agarrões e um outro que serve basicamente para se recuperar instantaneamente de quedas — consumindo um pouco da sua barra de especial no processo. Como de praxe, comandos do tipo “meia lua” e “ziguezague” + botão de ataque desferem magias e golpes especiais.

Confira abaixo um pouco do meu gameplay com a personagem Celia II:

Um detalhe curioso é que antes de cada luta você deve escolher duas — entre 4 habilidades — para “equipar” o seu personagem, podendo ser tanto magias e especiais simples como os Destruction e Exceed Chaos, os especiais que consomem a barra específica. Lembra o Ultra Street Fighter IV, ou os diferentes estilos de luta de um mesmo personagem em Mortal Kombat X: cada escolha, uma renúncia. Ah, e você também pode escolher se prefere um gameplay focado em “run” ou “step”, o que torna o jogo mais rápido ou mais técnico.

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Como bom jogo de fliperama que é, fico feliz em dizer que jogar Chaos Code usando um arcade stick é uma delícia! Quem leu minha análise de Ultimate Marvel Vs. Capcom 3 sabe que investi em um modelo básico da Hori para curtir meus fighting games, e este aqui não decepciona: seu gameplay fica ótimo tanto no arcade stick quanto no DualShock que todos têm em casa.

Um mix de influências

Ainda tentando exemplificar Chaos Code através de jogos mais famosos, eu diria que Chaos Code tem o feeling de um cruzamento de The King of Fighters com DarkStalkers, e um pouquinho de Jojo’s Bizarre Adventure. Não tenho como comprovar se estes jogos realmente influenciaram os produtores, mas explico: em se tratando de mecânicas, temos um gameplay relativamente complexo e bem cadenciado, pautado mais pela técnica do que pela velocidade, como é a série KoF.

Confira abaixo mais um pouco de gameplay, agora com a personagem Hermes:

O lado Darkstalkers e Jojo’s vem do design, que nos apresenta personagens — e, principalmente magias e poderes especiais — um tanto quanto bizarros e até absurdos. Por exemplo, Street Fighter IV tinha um lutador metido a cozinheiro (El Fuerte), mas você lembra de ver ele arrumando uma mesa no meio da luta, ou enfiando o inimigo em uma chaleira gigante? Pois é, isso tudo acontece aqui.

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O grandalhão Bravo usa panelas…

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E leiteiras gigantes em seus golpes.

Eu gosto muito desse tipo de bizarrice nonsense — saudades de Marvel Super Heroes Vs. Street Fighter e seu invocado Norimaro <3 — e acho que tudo isso cria muita identidade para o jogo. E, por mais que em uma primeira olhada ele pareça BlazBlue e seus derivados, Chaos Code sem dúvida tem estilo de sobra.

Audiovisual

Jogos de luta feitos totalmente com sprites 2D estão cada vez mais raros hoje em dia — até The King of Fighters se rendeu ao visual 3D, e mesmo jogos que “parecem 2D” hoje em dia são feitos com engines tridimensionais, o que nos entrega o famoso 2.5D. Chaos Code foge de tudo isso, entregando sprites 2D “puros” e cenários belíssimos desenhados à mão repletos de elementos animados.

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Por ser um jogo de 2011, ele encontra-se no formato letterbox 4:3, mas você pode ir até as opções sem medo e alterar o modo de visualização para widescreen. Nada parece “esticado” e o jogo fica muito bonito em tela cheia. Talvez as coisas pareçam um pouco mais “embaçadas” do que em um jogo mais atual pensado para rodar em 1080p, mas esse detalhe não desmerece o trabalho incrível dos artistas e animadores da FK Digital.

No departamento sonoro temos o que se espera de um jogo de luta: vozes dando gritos, risadas e exclamações, e os sons de pancadaria típicos do gênero. A trilha sonora envereda para um techno pontuado por batidas com ar mais tribalístico — bem diferente do metal e das guitarras distorcidas dos jogos da Arc System Works — mas no geral cumpre bem seu papel.

Conclusão

Se eu não soubesse que Chaos Code é o relançamento de um jogo de 2011, jamais perceberia, pois ele não parece datado de forma nenhuma: seu visual é ótimo e seu gameplay é super bem calibrado. Talvez a falta de uma “história cinematográfica” aborreça algumas pessoas, mas eu cresci jogando Mortal Kombat II e Street Fighter II — jogos que tinham um pingo de história — e acho que isso não é algo imprescindível em um fighting game.

Análise Arkade: Chaos Code é pancadaria 2D como nos tempos dos fliperamas

Saudoso que sou dos jogos que utilizam os bons e velhos sprites 2D, gostei muito da estética de Chaos Code, que parece muito com os jogos de luta dos anos 90, extremamente charmosos. O design inspirado de personagens e cenários enriquece ainda mais o visual do game.

Se você curte jogos de luta como “os de antigamente”, pode investir em Chaos Code sem medo. É um baita jogo, e espero que este relançamento dê a ele a mais do que merecida oportunidade de brilhar.

Chaos Code: New Sign of Catastrophe foi lançado em 15 de março, com versões para PC e Playstation 4.

2 Respostas para “Análise Arkade: Chaos Code é pancadaria 2D como nos tempos dos fliperamas”

  • 22 de março de 2017 às 09:15 -

    Glauco Lima

  • Caracaaaa nem sabia da existencia desse jogo parece muito legal!!!!!!!
    Vou ver quanto ele esta custando na psn, valeu pela dica arkadeeee!!!!!!

    • 20 de agosto de 2017 às 17:46 -

      Anthoni Vedovato

    • Gostei também! Muito bom!

      Das Garotas desse Jogo,Uso mais a Kagari e a Hermes!

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