Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

10 de fevereiro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

Fãs de Final Fantasy, preparem-se para o embate definitivo ventre os maiores heróis e vilões da saga! Dissidia Final Fantasy NT chegou recentemente ao ocidente — exclusivamente no Playstation 4 — e trazemos agora nossas impressões sobre o game para você!

Dissidia é uma série que existe desde 2008, mas até agora só tinha dado as caras no Ocidente em plataformas portáteis — especificamente no PSP. Em 2015, um novo título da série chegou aos arcades japoneses, e é este jogo que, na semana passada, a Square Enix trouxe ao Playstation 4.

A história

A trama do game parte de uma premissa no mínimo estranha, que serve como desculpa para os encontros de personagens que são da mesma franquia, mas de universos completamente diferentes eles foram transportados ao World B pela deusa Materia. Aquele mundo está em colapso, e é a energia dos combates que irá mantê-lo nos eixos.

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

A deusa Materia.

O que deveria ser uma disputa pacífica entre heróis logo vira um combate de vida ou morte quando Spiritus, uma divindade maligna, recruta vilões do universo Final Fantasy para canalizarem suas energias justamente na destruição do World B. Assim, a pancadaria vai comer solta tanto para gerar energia quanto para impedir a destruição daquele universo.

A história é estapafúrdia e até lembra um pouco a de Peach Beach Splash, aquela versão “para maiores” de Splatoon. Embora estejamos falando de Final Fantasy, narrativa definitivamente não é o foco aqui, de modo que essa trama digna de fanfic só serve mesmo é para justificar encontros altamente improváveis, mas mágicos de se ver por quem é fã da saga.

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

O elenco é estrelado e nostálgico.

Desbloqueando a história

Apesar de bobinha, a história em si não é o problema: o que incomoda mesmo é a forma como ela vai sendo liberada: o Story Mode apresenta-se como um diagrama de pontos interligados por linhas — mais ou menos como uma árvore de habilidades. Cada ponto corresponde a um pedacinho da história, mas você precisa de consumíveis chamados Memories para liberá-los.

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Tipo assim.

A única forma de conseguir Memories é… jogando outros modos de jogo! Entre em partidas online ou encare os desafios offline contra a IA para subir de nível: a cada novo nível, você ganha uma Memorie para usar no modo Story.

Entendo que isso é uma forma criativa de “forçar” o jogador a se manter jogando e experimentando outros personagens, mas ao mesmo tempo isso complica a vida de quem queria simplesmente curtir a campanha antes de se aventurar por outros modos de jogo — algo que eu e mais um monte de gente faz. Em outros jogos, as brigas fáceis da campanha servem de tutorial para encararmos outros jogadores online, mas aqui rola meio que o oposto: você apanha no online para “ganhar o direito” de ver a história.

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Falando em online, confira aí meu gameplay em 2 partidas rankeadas seguidas, jogando de Cloud:

Isso se torna especialmente chato quando percebemos que existem 2 formas distintas de se ganhar níveis — online e offline — e quanto mais você upa, mais XP precisa para upar novamente, o que torna o progresso lento e quebra totalmente a fluidez narrativa do modo história.

Também é válido ressaltar que nem todos os “pontos” da história são jogáveis: você vai gastar suas primeiras 5 ou 6 Memories desbloqueando breves cutscenes que mostram basicamente os personagens chegando ao World B e sendo apresentados uns aos outros. Podia ser uma cutscene só de uns 4 ou 5 minutos, mas nããão, são várias cutscenes de menos de um minuto que você vai ter que comprar.

Pancadaria caótica

Deixando de lado este jeito pentelho de nos manter jogando, o que importa em Dissidia Final Fantasy NT é a pancadaria, e aqui o jogo acerta a mão, oferecendo poucos mas divertidos modos de jogo onde 2 equipes de 3 personagens correm, saltam e flutuam, brandindo armas antológicas e aplicando golpes que ficaram famosos em seus respectivos games.

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

Existem basicamente dois tipos de jogo: no modo Gauntlet, os jogadores vão se digladiando até aparecerem cristais que lhes permite evocar os poderosos Summons — que ficam quase 1 minuto na tela soltando ataques poderosos no time inimigo. A barra de energia é compartilhada por todo o time e dividida em 3 partes, quem perder as 3 primeiro, perde.

O outro modo de jogo é ainda mais caótico, pois cada time deve proteger sua “base”, representada por um cristal. Não há energia para os heróis, apenas para os cristais, mas o cristal só sofre dano se não houver um inimigo dentro da “redoma” que delimita  um perímetro de defesa. Ou seja, para causar dano ao cristal inimigo, você antes precisa literalmente chutar os oponentes para longe dele… só lembre que o seu cristal também deve ser protegido da mesma maneira!

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É confuso? Sim! Caótico? Muito! O hud extremamente poluído e o monte de linhas coloridas correndo pela tela definitivamente não ajudam, de modo que, em uma primeira olhada, fica difícil entender o que realmente está rolando na tela. Depois que a gente pega o jeito, porém, a coisa fica mais fácil, e ainda que a tela continue explodindo com tanta informação, logo você vai estar deslizando para lá e para cá com muita naturalidade.

Confira mais um pouco de gameplay aí embaixo, desta vez jogando de Squall o modo Gauntlet contra a IA:

O lance aqui é (tentar) ter foco: você pode travar a mira em um inimigo — o que é essencial — e se concentrar apenas nele, fazendo seu melhor para evitar ataques dos outros enquanto corre, pula, plana e ataca. É engraçado como uma série que nasceu como um RPG por turnos deu origem a um jogo tão caótico e acelerado, mas não se pode negar que há muita diversão em meio ao caos.

Audiovisual

Ainda que não seja o jogo de luta mais bonito do momento, Dissidia Final Fantasy NT tem gráficos competentes, e ganha pontos por atualizar o visual de heróis e vilões que fizeram história na franquia. Personagens que nasceram no 2D — como o Warrior of Light, Cecil e Kefka — agora ganham corpo e substância, não devendo nada aos personagens  mais atuais da saga, como Vaan, Lightning e Noctis. Cenários igualmente nostálgicos de diversos capítulos da saga transformam-se em arenas tridimensionais para receber os embates.

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4 gerações de heróis em apenas uma imagens. <3

Somado a isso, agora todos tem vozes, algo que só foi introduzido nos games da série ali pelo Final Fantasy X! Agora todos falam, e as dublagens tanto em japonês quanto em inglês são muito boas. Aliás, é interessante notar que Tidus, Lightning e outros heróis que já tinham vozes em seus respectivos games mantiveram os mesmos dubladores, que causa associação imediata.

A trilha sonora é a cereja do bolo, contando com faixas exclusivas e dezenas de temas clássicos tanto em suas versões originais quanto em novos arranjos. A qualidade das composições de Final Fantasy dispensa apresentações, e o que temos  aqui é um eclético mix que condensa 30 anos de história de forma ao mesmo tempo nostálgica e moderna.

Conclusão

Dissidia Final Fantasy NT é um jogo de luta bem diferente do convencional: acho que é mais fácil compará-lo com os jogos 3D do Naruto ou de Dragon Ball, ainda que ele possua mecânicas e condições de vitória muito destoantes do que vemos em outros jogos.

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

Como já dito, é um jogo caótico e confuso em uma primeira olhada, mas que te estimula a aprender se quiser ficar realmente bom. O lance das Memories para avançar a história é um tanto arbitrário, mas te mantém jogando, e quanto mais você joga, mais você entende como o jogo funciona e como pode-se encontrar ordem e diversão em meio ao caos.

Dissidia Final Fantasy NT quer te manter jogando o tempo todo, e se por um lado não traz tanto conteúdo para justificar isso, por outro, premia sua perseverança: além do seu level como jogador, cada personagem sobe de nível de forma independente, o que rende novas falas, trajes, armas e golpes especiais específicos para cada um.

Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT

Recomendado especialmente para fãs das antigas de Final Fantasy, o que temos aqui é um jogo diferente, com uma curva de aprendizado um tanto íngreme, mas que está o tempo todo recompensando seu esforço com um novo ícone de jogador, ou uma nova faixa clássica para você ouvir enquanto espanca (ou é espancado) por alguns dos personagens mais emblemáticos dos JRPGs.

Dissidia Final Fantasy NT foi lançado em 30 de janeiro, exclusivamente para Playstation 4. O game possui menus e legendas em inglês.

Uma resposta para “Análise Arkade: a pancadaria caótica de Dissidia Final Fantasy NT”

  • 10 de fevereiro de 2018 às 10:03 -

    Carlos Schneider

  • Eu já me forcei a gostar dos Dissidias desde o PSP, mas n consigo.

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