Análise Arkade: Dungeon Punks é pancadaria e RPG 2D para curtir com os amigos

30 de julho de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Dungeon Punks é pancadaria e RPG 2D para curtir com os amigos

Se você jogou os arcade games de Dungeons & Dragons que a Capcom lançou na década de 90, acho bom prestar a atenção em Dungeon Punks, game que mistura beat ‘em up com RPG de forma bem nostálgica!

RPG e Pancadaria

O release de imprensa define Dungeon Punks como um “Tag Team Side Scrolling Brawling Beat ‘Em Up Action Role Playing Game… o que talvez ele seja, mas resumindo, ele é um RPG beat ‘em up 2D que lembra muito aqueles arcade games de Dungeons & Dragons que a Capcom lançou nos anos 90.

A história é uma bagunça, mas é bem-humorada. Tem algo a ver com os segredos sombrios de uma corporação de ressuscitação (?!) chamada RezCorp. O roteiro também envolve uma capitã pirata que possui um barco voador, uns monarcas reclamões, uns elfos e tudo mais.

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É difícil acompanhar — ou mesmo se importar — com a história simplesmente porque, como em todo bom jogo old school que se preza, ela serve simplesmente como justificativa para você descer a porrada em uma variedade insana de monstros, zumbis, mutantes e outras criaturas sinistras.

Party variada e multiplayer “de sofá”

Você possui 6 personagens diferentes para escolher, e o elenco é realmente variado: saindo de clichês tipo “guerreiro musculoso” ou “amazona com pouca roupa”, aqui temos como formar um time composto por um cavaleiro, um gênio, um lobisomem, uma divindade egípcia, um anão e até um bizarro homem-lagarto.

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Eles não são necessariamente de classes diferentes, mas cada um utiliza uma arma específica, indo de espadas e machados até adagas, cajados e maças. Você começa com uma party de 3 personagens, mas vai ampliando-a enquanto avança, acabando com 6 personagens que lutam alternadamente.

Você pode jogar sozinho — a IA assume o controle do restante da party, e você pode alternar entre eles a hora que quiser — mas é claro que Dungeon Punks foi pensado para se jogar com os amigos. No mesmo sofá, aliás, pois ele só aceita multiplayer local, e 3 jogadores podem cair na pancadaria juntos (uma dica: desative o friendly fire).

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Jogando com a galera, cada um assume um personagem, e conforme você avança, cada player fica com 2 personagens, podendo alternar entre eles sempre que necessário. Há até um modo “Justa” para multiplayer, que é basicamente uma arena para os jogadores se digladiarem.

Distribuindo porradas e magias

Em termos de gameplay, Dungeon Punks é basicamente um beat ‘em up 2D. Ao contrário dos RPGs atuais, esse é basicamente um jogo de fases: entre na fase, bata em todo mundo, derrote o chefão e pronto. A pancadaria em si é um pouco repetitiva — não rolam combos super elaborados, nem nada do tipo — cabendo às magias a missão de deixar os combates mais variados. Ah, e você pode usar certas criaturas como montaria, no melhor estilo Golden Axe.

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O gameplay funciona assim: use ataques físicos até encher sua barra de mana. Quando tiver mana o suficiente, use suas magias. Repita isso de novo e de novo e de novo. Você pode se defender também — todos podem carregar escudos — e os personagens possuem habilidades tipo rolamento, corrida ou teleporte, mas no geral você vai estar o tempo todo distribuindo porradas e magias.

Confira abaixo nosso gameplay contra um dos chefes do game:

O legal é que com o tempo você vai adquirindo mais magias, e cada personagem possui seu próprio arsenal mágico, e todas são variadas e interessantes: de magias de área que congelam inimigos até chuvas de relâmpagos, “hadoukens” mágicos e neblinas venenosas. Você pode improvisar combos mágicos com seus amigos, o que abre possibilidades de combinação interessantes.

Por mais simplórios que sejam mecanicamente, os combates se tornam frenéticos simplesmente pela quantidade de inimigos que entope a tela. Eles sempre vêm em bandos grandes, e nos chefes a coisa fica ainda mais caótica, pois eles possuem suas próprias magias, atacam com projéteis e estão o tempo todo dando respawn em seus minions.

“Upando” e “grindando”

Se a pancadaria em si é bem beat ‘em up, a evolução dos personagens é onde o jogo se torna RPG. Você encontra armas e equipamentos em baús, os inimigos dropam algum loot  e também há grana para você gastar em lojinhas de armas. Como em um RPG que se preza, as armas tem estatísticas que afetam não só o poder dos personagens, mas também a velocidade.

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O calcanhar de aquiles de Dungeon Punks está justamente no seu sistema de upgrade e grinding. Upar os personagens é uma tarefa árdua, e é normal você ser dizimado por chefes que são só 1 nível mais alto que você, e acabar tendo que jogar a mesma fase mais de uma vez simplesmente para upar mais sua party e poder derrotar o chefe e seus incontáveis capangas.

O game tenta amenizar isso com as “saídas de emergência”, literalmente portais que você pode usar caso a situação fique feia para o seu lado. Se usar uma dessas passagens, você terá que recomeçar a fase do início novamente, mas pelo menos não será penalizado perdendo loot e dinheiro (o que acontece caso seu time inteiro morra).

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Refazer fases já completadas não te dá muita experiência, de modo que você é praticamente obrigado a rejogar a fase atual mais de uma vez até estar forte o bastante para derrotar o chefe. É uma maneira chata e preguiçosa de “esticar” a longevidade do jogo. Se ele não abusasse dessa repetição, sem dúvida seria bem mais aprazível.

Audiovisual

Dungeon Punks é todo desenhado à mão, o que lhe concede um charme todo especial. Porém, ao contrário de outros jogos “artesanais” do tipo — como Dragon’s Crown ou Child of Light — aqui o visual sai do estilo “pintura aquarelada” e vai por um caminho mais cartoon, com cores fortes, personagens musculosos e cenários coloridos. A história progride através de cutscenes estáticas que mantém a qualidade do traço. Na prática, o game parece muito uma história em quadrinhos animada.

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O character design é extremamente inspirado, variado e bem executado. Ainda que não se esforce para conceder personalidade aos heróis, o traço por si só concede muita autenticidade ao jogo. A trilha sonora, por sua vez, é bastante apática e até meio lúgubre, não combinando muito com as batalhas intensas que se desenrolam na tela.

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Uma coisa que me incomodou um pouco é que as animações são meio truncadas. A movimentação é meio lenta, e os personagens possuem “articulações” que lhes faz parecer action figures de papel, o que deixa a movimentação meio dura e esquisita. Falta mais variedade de animações, também, pois cansa fazer sempre o mesmo combinho básico de 3 hits.

Conclusão

Dungeon Punks é um jogo pensado para o mutiplayer de sofá com os amigos. Se você tentar encará-lo sozinho, talvez acabe ficando frustrado e entediado com ele depois das primeiras horas. Com mais players ele fica mais divertido e até mais justo, afinal, a IA nunca é uma boa substituta para um amigo player.

Análise Arkade: Dungeon Punks é pancadaria e RPG 2D para curtir com os amigos

O game tem suas limitações e abusa da repetição, mas ele até consegue divertir, e é especialmente recomendado para os players que curtiram os arcade games de Dungeons & Dragons nos anos 90 e estão em busca de um pouquinho mais de pancadaria misturada com RPG.

Dungeon Punks foi lançado para PS4 e XOne em 26 de julho. Nas próximas semanas, ele sairá também para PC e PS Vita. O game está 100% em inglês.

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