Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

28 de maio de 2016
Autor: Henrique Gonçalves

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

O críptico jogo da Heart Machine finalmente chegou e você pode conferir a nossa análise do excelente Hyper Light Drifter!

Hyper Light Drifter é um jogo de mistérios e descobertas. Com uma interface minimalista e sem uma tela de tutorial propriamente dita, você recebe a primeira tarefa para entender suas mecânicas por conta própria. Este mesmo trabalho que se estende em sua história e universo, com o jogador sendo deixado no escuro e com o mínimo de informação possível para colocar as peças do quebra-cabeça na posição correta, e torcer para que faça algum sentido na hora do desfecho.

Acompanhado por uma tocante trilha sonora de Disasterpiece e um visual cativante que mescla arte retrô com animações modernas, Hyper Light Drifter se torna uma experiência necessária para os amantes de aventura.

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

UM ANDARILHO ATRAVESSANDO O DESCONHECIDO

A premissa de Hyper Light Drifter é simples a primeira vista, porém com bastante espaço para compreender o que está por trás dela. Nós temos o nosso Andarilho e sua missão de explorar este vasto e agressivo mundo para encontrar uma cura para sua doença, que o ataca com grande intensidade e força.

Para isso ele precisa ir aos quatro cantos do mapa para entender o que está acontecendo com este mundo e essa ameaça que parece não afetar somente ele, mas toda a população deste continente. Assim você parte para uma jornada a lá The Legend of Zelda onde encontra diversos inimigos, regiões de climas diferentes e desafios que vão se intensificando até encontrar o chefe daquela respectiva área.

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

Em uma escala maior vemos a atenção aos detalhes que compõem o mistério em torno de Hyper Light Drifter. Vemos carcaças de seres gigantescos dominando certas áreas que só criam dúvidas sobre o passado deste mundo, animais antropomorfos que claramente tiveram uma batalha e agora se tornaram a raça dominante daquele lugar, laboratórios subaquáticos que escondem um antigo momento vívido e repleto de experimentos, florestas repletas de cristais gigantescos e maiores que as próprias árvores, uma área deserta e quase inóspita se não fosse pelos lagartos bípedes que habitam pela superfície e os robôs nas fábricas subterrâneas, completando o misterioso ecossistema que funcionava antes da chegada desta estranha calamidade.

UM DETALHADO E EXPANSIVO UNIVERSO

O jogador tem liberdade total para andar nesses lugares na ordem que quiser, não existe um guia que indique o caminho mais fácil dos quatro cantos deste mundo, com uma única restrição pelo sul, onde está bloqueado até que você derrote os chefes das outras regiões. Comecei meu caminho pelo leste e segui pelas regiões no sentido anti-horário, sendo que a dificuldade nunca teve uma guinada a ponto de deixar o jogo insuportável, mas não me entenda errado, Hyper Light Drifter é bastante desafiador e vai te colocar em situações estressantes logo no inicio, com cada região possuindo uma curva de dificuldade gradativa a ponto de deixar o combate satisfatório e te fazer querer tentar mais uma vez até acabar com todos os inimigos daquela área, mesmo após morrer cinco, dez ou até quinze vezes para conseguir.

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Hyper Light Drifter complementa essas regiões com inúmeros segredos e locais escondidos que te dão melhorias e um desenrolar maior da história. Paredes com entradas que dão espaço para corredores escondidos, pontes invisíveis que te forçam a ter uma confiança cega em precipícios, rotas alternativas que te ajudam a atravessar pelos lugares e partes mais importantes da história deste mundo que podem ser descobertas para um maior entendimento do que está acontecendo por trás de tudo isso.

Por ser um universo bastante detalhado e rico, andar pela mesma área mais de uma vez não se torna uma tarefa, mas sim uma forma bastante agradável de descobrir seus maiores segredos. Me encontrei várias vezes andando por lugares que já havia completado para encontrar novos fragmentos da história e pequenos esconderijos. E com certeza seu visual e trilha sonora ajuda bastante para trazer uma experiência satisfatória em andar por este mundo.

ATENÇÃO NOS PIXELS E NA MÚSICA

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

Este é um dos jogos mais bonitos que joguei em anos, os artistas da Heart Machine tomaram seu devido tempo para trazer vida em praticamente tudo que é visível em Hyper Light Drifter. Cada passo dado neste universo é um momento de esplendor graças aos pequenos detalhes nos lugares mais improváveis, com aquele pequeno pixel fazendo toda a diferença na variedade dos inimigos, nos cenários e no tema futurista, porém com nuances medievais, que há no jogo.

A fluidez nos movimentos do nosso protagonista combatendo os diversos monstros é algo de tirar o fôlego, criando cenas dignas de filmes de ação a cada ataque e esquivada do Andarilho durante a luta. Detalhes como o rastro de poeira deixado quando um golpe é desferido, o impacto visual e sonoro de um ataque certeiro e a movimentação nítida de todos os componentes em jogo dão uma sensação indescritível e viciante em todos os duelos de Hyper Light Drifter.

É tudo bastante estiloso e original, desde sua interface até as diferentes ambientações nos cenários. As paletas de cores acentuam os cenários e trazem vida nesta pintura pixelizada em cada screenshot tirado. Para complementar temos a trilha sonora de Disasterpiece, que segue uma rota similar de um de seus trabalhos mais conhecidos, Fez.

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A trilha sonora de Hyper Light Drifter traz uma atmosfera melancólica que combina com os amplos cenários que o nosso protagonista caminha. Em certos momentos a música se torna apreensiva e sons eletrônicos aparecem mais disruptivos que o normal, dando uma sensação de urgência a cada passo dado em direção às áreas mais desafiadoras.

A trilha sonora na hora de lutar contra um chefe é mudada rapidamente para uma música mais frenética, com batidas repetitivas em cima dos sons mais longos e calmos. Já em outros momentos a sensação é de terror, te isolando do universo com notas mais sombrias que intensificam a descoberta do inimigo. É uma complementação interessante que adiciona uma camada de imersão que envolve o jogador e quase te obriga a utilizar fones de ouvido para escutar cada nota musical acompanhada dos passos, ataques e sons dos personagens.

TRATAMENTO DE SILÊNCIO

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Todos esses elementos que mencionei até agora são cruciais para a história de Hyper Light Drifter por um grande motivo. O jogo é contado inteiramente sem palavras, fugindo de diálogos tradicionais em troca de imagens e sons para contar tudo, incluindo as mecânicas do jogo.

É um desafio interessante que a Heart Machine tomou e que é bastante recompensado pela sua criatividade. Tudo é baseado na dedução do próprio jogador, com os desenvolvedores confiando na experiência e inteligência do indivíduo para entender o que aquele objeto, cena ou um simples sinal significa no contexto do jogo. Logo no inicio a história é contada por cenas mais detalhadas e animadas que o próprio jogo, utilizando movimentos de câmera para entregar um objeto mais coeso, porém complexo pela natureza fragmentada da animação. Em seu percurso as cenas iniciais começam a fazer mais sentido e o jogador vai conhecendo novos personagens, que te dão dicas e explicam um pouco mais sobre a região e o que aconteceu com ela, mas sem uma única palavra, contando somente com escrituras pictográficas.

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A interface e jogabilidade tomam rotas similares. Após entender os movimentos básicos de ataque e esquiva, o jogo te indica o funcionamento básico do sistema de melhorias, assim como a variedade de armas disponíveis após matar um chefe do jogo. Para manter o nível de dificuldade nivelado, Hyper Light Drifter foge do sistema de níveis aplicados no jogador e em troca dá novas habilidades e poderes diferentes que são completamente opcionais para completar o jogo. Após o upgrade na espada, o Andarilho consegue fazer um ataque que atinge uma área circular, por exemplo.

Nas armas o jogador ganha mais espaço para munição e na esquiva ele recebe um dash muito mais rápido e complexo, podendo ativar várias vezes para se esquivar com mais velocidade, se o jogador conseguir compreender o timing por trás de cada movimento. Essas melhorias podem ser adquiridas ao trocar um item encontrado no mapa do jogo, que após conseguir quatro desses itens ele te dá um ponto para gastar nessas habilidades mencionadas.

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Já as armas se diversificam de acordo a cadência e poder de cada uma delas, temos uma versão futurista de uma escopeta, uma arma que desfere uma espécie de raio laser e até o mais básico – e uma das armas mais convenientes -, a simples pistola dada logo no inicio de sua jornada.

UM COMBATE FRENÉTICO PORÉM ESTRATÉGICO

Estes mesmos itens e armas são bastante necessários na hora do combate. Em Hyper Light Drifter há uma mistura de um combate mais comedido e estratégico em torno de um pensamento rápido quando as coisas começam a apertar para o protagonista. Os duelos se alternam entre uma luta corpo a corpo e a distancia com os inimigos, sendo que cada um deles funcionam de maneiras diferentes. Temos soldados com armas, pequenos seres que parecem amebas, inimigos mais agressivos que te atacam sem pensar e monstros maiores que são tão estratégicos quanto o próprio jogador.

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

Em todos esses casos o dash é uma de suas melhores armas. A esquiva é perfeita para desviar de ataques repentinos, ir para pontos de vantagem, atravessar por cenários com mais rapidez, e manter o jogador pronto para qualquer perigo. Entender o funcionamento de seus equipamentos servem de uma grande ajuda, saber o alcance máximo de sua espada e os melhores momentos para utilizar a arma correta no inimigo, assim como entender os padrões de ataque de cada um deles, algo que fica bem mais difícil quando aparecem cinco inimigos diferentes, todos com padrões e ataques diversificados.

Porém,  o mais importante é entender o quanto que você irá morrer. Hyper Light Drifter é um jogo impiedoso que não te dá saídas fáceis como um modo Easy ou inimigos mais fracos após várias mortes, enquanto os golpes especiais e as melhorias, que por mais sejam úteis, nunca irão te dar uma vantagem tão grande sobre os inimigos. Isto quer dizer que resta somente a sua habilidade em aprender o jogo e os inimigos, te colocando contra a parede e testando sua paciência nas áreas mais complexas e desafiadoras.

CONCLUSÃO

Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter

Sua dificuldade e maneira críptica de contar a história pode ser um verdadeiro obstáculo para o divertimento de algumas pessoas. Não espere sair de Hyper Light Drifter entendendo tudo que aconteceu porque o jogo não está interessado em te contar nada, somente em mostrar alguns elementos e deixar na mão do jogador para conectar os pontos.

Mas são por esses mesmos motivos que gostei tanto de Hyper Light Drifter, sua natureza enigmática acompanhada por visuais impressionantes, trilha sonora atmosférica e um combate responsivo me deixaram fascinado do começo ao fim. Hyper Light Drifter é um jogo intrigante que serve como uma homenagem competente de RPGs e jogos de aventura dos anos 90 em cima do pensamento atual do desenvolvimento de jogos, utilizando conceitos modernos na jogabilidade e ideias criativas para contar sua história com restrições propositais que aumentam ainda mais sua complexidade.

Posso ter saído do jogo com mais perguntas do que respostas, mas isto não quer dizer que tive uma experiência ruim, é muito pelo contrário na verdade, Hyper Light Drifter é um dos jogos mais interessantes que tive a oportunidade de tentar compreender e que suas perguntas se mantém até hoje na minha cabeça, e para mim, isto é um ponto extremamente positivo.

Hyper Light Drifter está disponível para PC, PS4 e Xbox One.

3 Respostas para “Análise Arkade: Explorando o belo e enigmático Hyper Light Drifter”

  • 28 de maio de 2016 às 18:16 -

    sunjponpon

  • Me apaixonei pelo jogo por causa desta análise, parabéns ao Henrique, e vou caçar o Wallpaper da última cena do trailer. (Logo depois da explosão)

    • 28 de maio de 2016 às 19:10 -

      Henrique Gonçalves

    • <3 <3 <3. Eu fico de cara do jeito que esse jogo consegue fazer wallpaper de TODAS as cenas hahaha

  • 30 de maio de 2016 às 05:47 -

    Diogo Volpi

  • Ótima review, como sempre! Estou só esperando uma promoção da Steam para poder começar a jogar.Só uma correção: o nome do compositor é Disasterpeace, e não Disasterpiece.Mais uma vez, ótimo trabalho!

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