Análise Arkade: revisitamos o dia-a-dia de um detetive em LA Noire remasterizado

22 de novembro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: revisitamos o dia-a-dia de um detetive em LA Noire remasterizado

LA Noire pode não ser o jogo mais famoso da Rockstar, mas sem dúvida é um dos mais revolucionários. Lançado originalmente em 2011 para Playstation 3 e Xbox 360, o título chamou atenção por utilizar MotionScan, técnica inovadora de captura de performance que colocava as expressões faciais realistas de atores em personagens digitais. 6 anos depois, o game está de volta, remasterizado e com versão também para o Nintendo Switch. Vamos ver como ele se sai em 2017?

Contextualizando

Sendo justo, LA Noire não é um jogo feito pela Rockstar; que foi apenas a publisher do game. A desenvolvedora foi a Team Bondi, que fechou suas portas no ano em que o game foi lançado, em um processo complicado que envolvia sérias acusações sobre condições de trabalho precárias.

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Como proprietária da IP, a Rockstar teve carta branca para relançar o game, e é o que ela acabou de fazer, e é sobre esta “nova versão” do game que iremos falar agora.

Uma história de detetive

LA Noire nos apresenta a Cole Phelps, um herói da Segunda Guerra Mundial que começa sua carreira na polícia de Los Angeles em 1947, na patrulha. Honesto, trabalhador e sempre disposto a fazer o seu melhor, Phelps rapidamente começa a crescer profissionalmente e a ganhar notoriedade. Isso atrai atenção positiva e negativa: não só os olhos dos detetives e policiais mais experientes se voltarão para você, como também a atenção dos criminosos mais poderosos da região.

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Ao longo do jogo, Phelps passará por cinco delegacias diferentes, subindo na hierarquia policial enquanto resolve casos dos mais variados — começando por roubos de carros e indo para assassinato, extorsão e crime organizado. LA Noire é um jogo de mundo aberto dividido em fases: cada caso representa uma fase, mas enquanto circula pela cidade resolvendo as missões principais, você pode se engajar em pequenas sidequests, os crimes de rua, que são basicamente casos menores que podem ser resolvidos de forma mais rápida.

LA Noire é um jogo peculiar, diferente, e mesmo 6 anos depois continua se destacando por sua abordagem analítica sobre o trabalho de campo dos detetives. Aqui não basta resolver puzzles ou encontrar pistas, é preciso colher depoimentos, estudar a linguagem corporal de testemunhas e suspeitos, ter sensibilidade para bancar o “good cop” e sangue frio para assumir uma postura mais “bad cop” conforme as situações demandam.

Expressões reveladoras

Lá em 2011, LA Noire chamou a atenção de todo mundo pela sua tecnologia inovadora de captura de interpretação. Chamada MotionScan, a tecnologia desenvolvida pela empresa Depth Analysis transfere com muita precisão as expressões faciais dos atores para suas contrapartes digitais.

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Considerando que o mote do game é composto de perguntas e interrogatórios, a tecnologia aplicada aqui foi algo realmente revolucionário. Movimentos de boca, sobrancelha, desviadas de olhar, tudo isso foi captado por um conjunto de 32 câmeras, de modo que o jogador deve não apenas ouvir o que cada personagem tem a dizer, mas também “ler” as expressões faciais de quem está falando, em busca de pistas que revelem mentira, ansiedade e incerteza.

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Esta é uma legítima cara de quem está escondendo alguma coisa.

Claro que, de 2011 pra cá, empresas como a Naughty Dog já nos entregaram coisas muito mais refinadas, mas a qualidade dos modelos de LA Noire ainda impressiona, ainda mais se considerarmos que games muito mais recentes — como Mass effect Andromeda, por exemplo — viraram piada justamente pelas expressões faciais bizarras de seus personagens.

A nova versão

Este LA Noire que chega aos consoles atuais é essencialmente o mesmo jogo de 2011, mas com melhorias. Para começar, o que temos aqui é um pacote completo, que traz o jogo base e todos os casos extras que foram disponibilizados via DLC para o jogo original.

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Além disso, a Rockstar deu um tapinha no visual do game: LA Noire traz “uma série de aprimoramentos técnicos” que o tornam mais atrativo aos consoles atuais, “incluindo iluminação e nuvens melhoradas, novos ângulos de câmera cinematográficos e texturas em alta resolução”. Ainda que ele pareça um tanto datado se comparado a títulos atuais, sua direção de arte estilosa ainda mantém o charme noir do game. Ah, e agora temos um Photo Mode que é um tanto limitado, mas permite bons cliques com filtros e efeitos de profundidade de campo.

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Filtros do tipo “filme velho” não poderiam faltar.

E não para por aí: quem jogar no PS4 Pro ou no Xbox One poderá curtir o clima noir do game em resolução 4K, com suporte ao contraste marcante da tecnologia HDR. Já os jogadores de Nintendo Switch poderão curtir o game com recursos específicos, tais como o modo Joy-Con com controles giroscópicos baseados em gestos, novos ângulos de câmera e controles na tela de toque (jogando em modo portátil) quando Phelps manipula objetos e interage com seu bloco de anotações.

Confira abaixo um trailer que apresenta os recursos da versão Switch:

Outra mudança é a nomenclatura das ações que podemos executar durante os interrogatórios. As opções “Truth“, “Doubt” e “Lie” (Verdade, Dúvida e Mentira) agora são “Good Cop“, “Bad Cop” e “Accuse” (Policial bom, Policial mau e Acusar). Ainda não é a melhor maneira de apresentar todo o espectro de emoções que Phelps usa em suas abordagens, mas meio que direciona melhor o jogador para a mensagem que ele quer passar.

Infelizmente, faltou um carinho por parte da Rockstar na localização do game: tal qual em 2011, LA Noire ainda está disponível somente em inglês. Como este é um jogo pautado por diálogos, pistas, verdades e mentiras, é fundamental que você tenha um bom conhecimento do idioma para honrar o seu distintivo.

Conclusão

LA Noire continua sendo um jogo único. Ele definitivamente não é um game perfeito — sua progressão é um tanto engessada, a direção dos veículos é problemática –, mas sua forma diferenciada de abordar o dia-a-dia de um detetive sem dúvida o transforma em um ponto fora da curva. Já se passaram 6 anos desde seu lançamento original, e a indústria ainda não nos entregou nada parecido com LA Noire, que apesar de suas escorregadas, ainda oferece uma experiência autêntica e diferenciada de investigação.

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Se estivesse legendado em português, seria indispensável para qualquer fã de histórias Noir de detetive. Como não está, a indicação fica restrita aos gamers que possuem um bom domínio do inglês. Se você faz parte deste grupo, vista seu melhor terno, coloque seu fedora e mergulhe no submundo pulp do crime dos anos 40. LA Noire é um retrato visceral de uma época cheia de glamour e sangue.

LA Noire foi lançado para PS4, Xbox One e Nintendo Switch em 14 de novembro de 2017.

Uma resposta para “Análise Arkade: revisitamos o dia-a-dia de um detetive em LA Noire remasterizado”

  • 22 de novembro de 2017 às 23:23 -

    Guto

  • Caramba, gostei muito desse jogo na geração passada, e achei até que ele foi meio que pouco reconhecido. Como disse o responsável pelo texto, esse foi um jogo único e revolucionário!

    Ótimo review, parabéns! Não vejo a hora de jogar LA Noire novamente!

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