Análise Arkade: NieR Automata é RPG, hack ‘n slash e até jogo de navinha, e faz tudo isso muito bem

15 de março de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: NieR Automata é RPG, hack 'n slash e até jogo de navinha, e faz tudo isso muito bem

Hack n’ slash e RPG open world se encontram no mais novo jogo da Platinum Games. NieR: Automata é mais uma ótima surpresa deste início de ano, e nossa análise dele você confere na sequência!

Contextualizando

Para quem caiu de paraquedas no hype por este jogo, aí vai uma breve contextualização. NieR: Automata é uma sequência de NieR, de 2010, que por sua vez era meio que um spin-off de Drakengard, uma outra franquia de RPG, cujo título mais recente — Drakengard 3 — foi lançado em 2013. Complementam o universo da franquia uma série de contos (Novells), assinados por Jun Eishima.

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A verdade é que, embora os fãs mais afoitos certamente irão encontrar referências aqui e ali, é perfeitamente possível curtir NieR: Automata sem conhecer absolutamente nada da(s) franquia(s). O jogo apenas se passa em um universo já estabelecido, mas possui uma história com começo, meio e (mais de um) fim que funcionam muito bem de forma independente.

O mundo é das máquinas

NieR: Automata se passa na Terra, centenas de anos no futuro, época em que ela está bem diferente do que conhecemos: fomos invadidos por uma raça alienígena, que trouxe suas máquinas de guerra para o nosso mundo. Subjugada, a humanidade acabou abandonando seu lar, indo buscar refúgio na Lua.

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As tropas da YoRHa em treinamento.

Isso não quer dizer que a raça humana simplesmente abriu mão da Terra: é criada a YoRHa, uma força-tarefa de androides que são enviados novamente ao planeta na esperança de recuperá-lo para seus criadores. Ainda que não sejam humanos, os androides da YoRHa são dotados de inteligência e personalidade, o que os torna indivíduos muito diferentes uns dos outros.

Você assume o papel de 2B, uma androide de combate ágil e poderosa, extremamente focada em cumprir sua missão. Ela é acompanhada de 9S, androide de reconhecimento que é muito mais curioso, tagarela e interessado em descobrir coisas novas. Juntos, eles irão explorar um mundo que é dominado por máquinas… que acabam se mostrando mais “humanas” do que parecem em uma primeira vista.

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9S e 2B prontos para o combate.

Como assim? Basicamente, no decorrer da campanha você vai conhecendo robôs que estão se comportando quase como seres humanos. Robôs que formam comunidades pacíficas e criam laços familiares, elaboram questionamentos e ideologias filosóficas e até mesmo reencenam clássicos de Shakespeare (?!) tornam o universo do game ainda mais rico e complexo… afinal, eles são mesmo as máquinas de matar impassíveis que a YoRHa quer que você elimine? Quem é o real vilão nesta história?

Como já é de praxe neste tipo de jogo — e nas franquias Drakengard e NieR –, você pode chegar a diversos finais diferentes em NieR: Automata, e nem todos são “bons”. Você precisa zerar o jogo diversas vezes, fazendo coisas diferentes e bem específicas para ver outros finais. O legal é que isso lhe dá oportunidade de explorar e aprender cada vez mais sobre o universo do jogo, o que é uma experiência bem reveladora. Ou seja, além do fato da primeira campanha em si passar das 20 de horas, ela tem um fator replay altíssimo.

Hack ‘n slash + RPG de mundo aberto

NieR: Automata é um jogo da Platinum Games, e se você já jogou algum jogo deles, sem dúvida vai reconhecer muitas das mecânicas de gameplay que temos aqui. A produtora de Bayonetta, Vanquish e Transformers Devastation criou seu próprio estilo de hack ‘n slash, que vai sendo moldado e aprimorado em diferentes games da empresa.

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Na hora do combate, NieR: Automata segue um pouco da cartilha estabelecida pela Platinum Games: temos dois botões de ataque diferentes e um de dash/esquiva, que, quando pressionado na hora certa, desencadeia um poderoso contra-ataque. Há também um pequeno bot voador que te acompanha o tempo todo, e é muito útil em combate pois atira projéteis e pode até mesmo se tornar um martelo gigante ou um escudo que protege o jogador por alguns segundos.

O sistema já conhecido ganha profundidade pelas possibilidades de variação: se por um lado não temos uma grande variedade de armas, isso é compensado pelo fato de que seus ataques mudam dependendo de como você as equipa. Por exemplo, uma lança equipada no ataque rápido (quadrado) desfere ataques completamente diferentes de uma lança equipada no ataque forte (triângulo). E as animações de golpes e combos são simplesmente incríveis, tipo assim ó:

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Um gif é pouco, né? Então confira mais um vídeo de gameplay para sacar um pouco melhor qual é a dos frenéticos e intensos combate de NieR Automata:

Mas, ao contrário de outros jogos da Platinum Games, NieR: Automata não é “apenas” um hack n’ slash. Ele também é um RPG de mundo aberto cheio de lugares para visitar, loot para coletar e NPCs para ajudar. Missões primárias e sidequests vão se emaranhando de forma contínua e o progresso vai sendo feito de forma leta, porém constante.

Sendo bem honesto, ainda que haja muito o que se fazer no mundo aberto de NieR: Automata, o mundo em si não é tão interessante assim. Existem castelos escondidos em florestas, vilarejos perdidos no deserto e decrépitos parques de diversões abandonados… mas entre um lugar interessante e outro, você vai encontrar apenas cenários genéricos e abandonados, nada muito empolgante de ser explorado. Por mim este poderia tranquilamente ser um jogo mais linear — ou com um hub central interligando diferentes áreas –, pois a exploração em si se torna meio enfadonha.

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Entre uma área genérica e outra, temos ambientes bem mais inspirados.

Reconheço, porém, que a forma com que alguns objetivos “conversam” entre si é bem interessante. Em dado momento alguém pode pedir para você coletar peças específicas de robôs nômades do deserto. Posteriormente, uma robozinha desesperada vai lhe pedir para você encontrar sua “irmã” que está perdida no deserto. Se você já tiver cumprido a missão de coletar as partes dos robôs, provavelmente aquela área vai estar bem mais tranquila de ser explorada na missão de resgate. Não é sempre que há essa sinergia, mas quando rola, é bem bacana, pois mostra como o mundo do game está coeso e conectado.

Chips, armas e habilidades

Como 2B é uma androide, ela pode ser melhorada através de chips que turbinam seu desempenho e lhe concedem perks e habilidades. A interface do menu de customização é um bocado confusa  — e você pode preencher tudo automaticamente, se quiser — mas recomendo que você gaste um tempinho estudando esta área, pois ela fará uma diferença e tanto conforme o game avança.

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Estes chips vão desde coisas bem simples — como mostrar o dano dos seus golpes, por exemplo — até aumento de sua barra de vida e utilização automática de itens de cura (essa é muito útil). Até coisas que normalmente são opções de jogo — como as legendas dos diálogos ou o minimapa — estão atrelados aos chips, e irão consumir o limitado espaço que você tem, podendo ser substituídos (caso você não sinta falta deles).

Basicamente, você possui um número limitado de slots para equipar novos chips, e cada chip ocupa um número de slots específico. Chips maiores geralmente são os que lhe concedem as melhores vantagens, mas em contrapartida, “comem” mais o seu espaço. O desafio está em criar um set de habilidades balanceado e homogêneo dentro do espaço que você tem disponível. Felizmente, é possível expandir o espaço e manter mais de um set montado — um mais ofensivo para ataque, outro para defesa, por exemplo — e alternar entre eles quando necessário.

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Na prática, essas listras coloridas são os chips equipados.

Também é possível manter mais de um set de armas e mais de um bot equipados o tempo todo, e é possível alternar em tempo real entre tudo isso mesmo no calor dos combates. No caso dos bots isso é especialmente útil, pois existem inimigos voadores que são bem mais fáceis de derrubar com tiros do que com porradas.

Online, caça, pesca e save

NieR: Automata traz de forma inovadora alguns elementos bem característicos dos RPGs atuais. A primeira é o seu online… que na verdade não é bem um online. Você não pode jogar junto com algum amigo, nem nada do tipo. Porém, você vai encontrar (dezenas de) corpos de outros jogadores que morreram enquanto jogavam. Ao interagir com esses corpos e rezar por eles, você pode tanto extrair itens e chips deles quanto “ressuscitá-los” para que lutem ao seu lado (controlados pela IA, não pelo jogador).

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O corpo de outro jogador caído em combate.

Como em Dark Souls, você também pode reencontrar seu próprio corpo e recuperar seus chips, caso morra. Não é nada assim espetacular, mas dá um charme extra ao jogo, e é um forma criativa de tornar aquele mundo menos vazio. Outro detalhe bacana é que você pode customizar o “epitáfio” do seu personagem, e o jogador que encontrar seu corpo poderá ler sua mensagem. Combinando as palavras que o jogo fornece, é possível tanto dar pistas do que o levou a morte… ou simplesmente criar uma frase nonsense.

Também é possível caçar e pescar em NieR: Automata. Estas atividades são mais bônus do que úteis de fato, afinal, como androides que são, seus personagens não precisam realmente se alimentar nem fabricar bolsas ou coisas do tipo. A pescaria é bacana simplesmente porque funciona de um jeito muito mais moderno, bem diferente de Final Fantasy XV e outros jogos.

Ficou curioso? Então confira como é a pescaria robótica de NieR Automata no vídeo abaixo:

Por fim, acho muito importante avisar uma coisa: NieR: Automata NÃO POSSUI AUTO-SAVE. Não me pergunte porque, ele simplesmente não tem. Se você está “mal acostumado” com a “regalia” do salvamento automático, pode acabar esquecendo de dar um save manual no seu jogo. É possível fazer isso estando próximo das vending machines (que também funcionam como fast travel) espalhadas pelo mundo.

O jogo vai te dizer isso várias vezes já no tutorial, mas não custa relembrar: em NieR: Automata VOCÊ DEVE SALVAR SEU PROGRESSO MANUALMENTE. Depois não diga que eu não avisei. ;P

Audiovisual versátil

NieR: Automata está longe de ser um jogo “top” em aspectos audiovisuais, mas cumpre bem seu papel. Ainda que os cenários em geral sejam um tanto genéricos (e, em pleno 2017, há muitas barreiras e paredes invisíveis), os protagonistas são muito bem modelados, e as animações muito fluidas e criativas, especialmente nos combates. E, claro, você deve ter acompanhado o furor que a bem modelada bunda da 2B causou pela internet nos últimos meses. Há inclusive um troféu que você pode ganhar por tentar dar aquela espiadinha por debaixo da saia dela…

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Pra que ficar espiando por baixo da saia quando você pode simplesmente sumir com a saia? ;P

Mais do que isso porém, NieR: Automata realmente brilha por sua versatilidade. Ele é uma mistura de hack ‘n slash com RPG de mundo aberto, mas passeia por outros gêneros com muita segurança, e faz isso muito bem. Vez ou outra ele se torna um jogo de plataforma 2.5D, o que agiliza bastante a exploração e facilita a sua vida em saltos mais complexos.

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A exploração do jogo em 2.5D é bem bacana.

E não é só isso: em certos momentos, o jogo se torna até mesmo um “jogo de navinha”, e faz isso com muita competência! Confira um destes momentos no vídeo abaixo e tente não se empolgar, ou se lembrar dos clássicos do gênero:

Admiro a coragem da Platinum, que conseguiu reunir tantos gêneros diferentes sob a aba de um só game, e na maioria dos casos fez tudo muito bem. As transições são criativas e bem executadas, sem que haja inversões de controle malucas que deixem o jogador perdido.

A trilha sonora — novamente assinada por Keiichi Okabe e Keigo Hoashi — é nada menos que sensacional, com arranjos serenos, corais épicos e até mesmo vocalizações com vozes infantis que dão um tom infantil e “bonitinho” a algumas cenas. Você pode curtir o game com o áudio original (japonês) ou em inglês. Infelizmente, o game não possui nenhum suporte ao nosso idioma, então se quiser jogar, é bom que seu inglês esteja em dia.

Conclusão

Ainda que eu não seja realmente versado no universo de Drakengard ou no de NieR, sou um grande fã da Platinum Games, e as escorregadas recentes da empresa me deixaram com medo de que ela estivesse perdendo o jeito de produzir bons games.

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Felizmente, NieR: Automata mostra a Platinum em sua melhor forma, e a parceria dela com a SquareEnix (e com o time de responsáveis pelo NieR original) entrega um jogo envolvente e dinâmico, com gameplay afiado, história surpreendente e um mundo repleto de personagens que são tão esquisitos quanto carismáticos.

Seja você fã de hack ‘n slash ou de RPG, aqui você encontrará doses generosas de ambos, com uma pitadinha de side scroller e até de “jogo de navinha” aqui e ali. NieR: Automata pode parecer “indeciso” ao atirar para tantos lados, mas ele sem dúvida tem a mira boa o suficiente para acertar o alvo em quase tudo o que se propõe a fazer.

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NieR: Automata é um jogaço que vai lhe render dezenas de horas de combates intensos e emoções mais fortes do que muitos jogos protagonizados por humanos são capazes de nos entregar. Agora se me dão licença, eu tenho mais um punhado de finais para fazer! ;)

NieR: Automata foi lançado em 7 de março para Playstation 4. Nesta sexta (17/03), ele chegará aos PCs. O game possui suporte aos idiomas inglês e japonês.

* Nota do editor: estamos cientes que as versões em disco de NieR: Automata estão dando problemas e impedindo os jogadores de atualizarem o game com os patches mais recentes. Esta análise foi feita com base em uma cópia digital do game, que nos foi cedida pela publisher, e que não está sujeita aos bizarros problemas da versão em disco.

3 Respostas para “Análise Arkade: NieR Automata é RPG, hack ‘n slash e até jogo de navinha, e faz tudo isso muito bem”

  • 15 de março de 2017 às 17:09 -

    Glauco Lima

  • Adorei esse review pessoal da arkade parabens
    Na real todas as analises de vcs sao enoormes, mas bem detalhadas kkkkk
    Espero que esse bug da midia fisica seja consertado logo pq fiquei com mta vontade de jogar kkkkkkkkk

  • 15 de março de 2017 às 20:48 -

    Humenhuk

  • Acessava esse site lá pra 2010, saudades da revista. Incrível ainda estarem com a mesma redação, e ainda mais incrível as pessoas daquela época ainda comentarem aqui.

  • 15 de março de 2017 às 21:44 -

    Lc93

  • Ótima análise. Vou dá uma chance ao jogo, mesmo não gostando tanto da ambientação dele.

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