Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

23 de julho de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

Que tal um jogo que mistura ninjas urbanos, bullying, parkour e pizza? Este jogo se chama Ninja Pizza Girl, chegou recentemente aos consoles e é bem divertido, confira nossa análise!

Contextualizando

Ninja Pizza Girl surgiu como um projeto modesto, que buscou financiamento coletivo via Kickstarter para ser produzido. O game arrecadou mais de 38 mil dólares, o que garantiu que o game chegasse ao Steam em setembro do ano passado, e mais recentemente aos consoles da geração atual (a versão Wii U segue no forno, mas deve sair logo).

Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

Testamos o game no PS4, e ainda que ele seja bem simples, ele oferece um bom nível de diversão para quem curte jogos de plataforma 2D (ou 2.5D, no caso) com ênfase em parkour e no timing dos seus pulos. Bora conferir mais sobre o game.

Um negócio de família

Ninja Pizza Girl se passa em um futuro distópico onde o trânsito está tão caótico que a única maneira de entregar pizzas pela cidade é saltando pelos telhados. Nesta realidade bizarra, você controla uma adolescente chamada Gemma, que usa suas habilidades atléticas para entregar as pizzas que seu pai — que largou um emprego burocrático para virar pizzaiolo —  com muito esmero.

Porém, o “negócio da família” é ameaçado por uma mega-corporação de pizza que espalhou seus ninjas entregadores pelo cenário. Eles irão azucrinar a sua vida, falar mal das suas roupas (?!), te derrubar ou jogar coisas em você… tudo para atrasar suas entregas. E como o tempo está sempre contra você, qualquer segundo perdido faz muita falta!

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No papel de Gemma, cabe a você evitar quedas, ninjas adversários e obstáculos enquanto salta através de telhados, andaimes e plataformas em geral, coletando QR Codes e ícones aleatórios (que são o “dinheiro” do game) e correndo contra o tempo na busca do melhor caminho para entregar sua pizza o mais rápido possível.

Pizza é a solução de todos os problemas

O game é dividido em capítulos, e cada um deles conta uma historinha com começo, meio e fim. Estas historinhas envolvem pequenos dramas, com Gemma tentando melhorar a auto-estima de uma colega do colégio, ou fazendo o possível para unir um casal de jovens tímidos que se amam.

A questão do bullying também se faz presente o tempo todo: Gemma é constantemente hostilizada pelos ninjas da pizzaria concorrente, e embora tente rebater os insultos, ela ocasionalmente acaba sendo afetada pelo bullying. Claro que há a famosa “volta por cima” da personagem, e o jogo realmente se esforça para passar mensagens positivas sempre que possível.

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Sempre mesmo: as telas de loading trazem citações dos personagens que são hora engraçadinhas/bobinhas, hora mensagens de auto ajuda dignas de um biscoito da sorte (ou uma pizza da sorte, talvez). Então, apesar de ser essencialmente um jogo sobre saltar por telhados e entregar pizzas, fica claro que houve um esforço em passar uma mensagem bacana para o jogador. Tudo é meio raso, mas está ali.

Saltando pelos telhados

O gameplay de Ninja Pizza Girl lembra bastante Bit Trip Runner e outros games do tipo. Você está sempre correndo contra o tempo, então o segredo aqui é estar sempre em movimento, saltando, se dependurando e deslizando enquanto passa rasteiras em ninjas rivais e tenta não ser atingido por eles.

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Conforme as fases avançam, novos desafios vão surgindo: ninjas que saem de trás de caixas ou caem do teto, camas elásticas e enormes ventiladores que te dão um boost para cima, entre outros tipos de elementos que podem tanto ser obstáculos quanto abrir novas possibilidades de exploração.

Como em Mirror’s Edge, o timing dos seus pulos é essencial para que seu parkour se mantenha fluido, e você também deve se habituar a deslizar para evitar obstáculos altos e rolar nas quedas para não perder o ritmo. Há certo “peso” na personagem que gera um ligeiro delay nos comandos, de modo que você precisa estar realmente “no ritmo” para não errar alguns pulos que demandam mais precisão.

Confira abaixo o gameplay de uma fase completa:

Criando seu próprio caminho

Um detalhe muito legal em Ninja Pizza Girl é a liberdade que ele concede ao jogador: na maior parte das fases existem setas apontando seu caminho, mas como estamos falando de telhados e plataformas, pode acontecer de você errar o pulo e acabar caindo… mas isso não é necessariamente ruim: todos os cenários são construídos com diversas possibilidades de progressão, de modo que uma queda pode acabar revelando um caminho mais simples e rápido até seu objetivo.

Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

Em termos de level design, isso é bem interessante, pois não delimita as possibilidades do jogador, ao mesmo tempo que aumenta o fator replay de cada fase: você recebe notas de A até F conforme seu desempenho, então se você recebeu um D usando o caminho mais óbvio, talvez consiga um A explorando um caminho alternativo mais ágil.

Além disso, os coletáveis estão realmente bem espalhados pelo cenário, então você nunca vai encontrar todos de forma linear: se quiser juntar grana para comprar outros trajes para a personagem (há uma boa variedade deles) ou até uns extras que vão de artworks até habilidades in-game — como pulos duplos — até um modo de jogo em primeira pessoa (?!), vai precisar revisitar as fases e descobrir novas rotas.

Audiovisual

Ninja Pizza Girl é um jogo esteticamente muito simples. Isso não significa que ele é feio, é só que faltou um pouco mais de capricho. Os cenários oferecem backgrounds urbanos genéricos, e os personagens até são bem modelados e animados, mas também são bastante simplórios. Pelo menos ele roda em 1080p a 60fps, o que sem dúvida é um ponto a favor.

Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

As pequenas histórias se desenrolam através de cenas estáticas com cara de desenho animado que também não são exatamente bonitas, mas possuem alguma personalidade. Os diálogos do jogo (só texto, nada de vozes) são cheios de piadinhas e trocadilhos envolvendo pizza, mas nem todos funcionam.

Aí vai mais um pouco de gameplay:

Os menus com visual graffiti mantém essa vibe “urbana” do game, mas também não são lá muito bonitos. As músicas até são boas, mas se repetem mais do que deveriam. No geral, o jogo todo parece um pouco “cru”, ainda que se esforce para construir uma identidade.

Conclusão

Ninja Pizza Girl é um jogo simples em vários aspectos, mas que consegue oferecer uma boa diversão com seu gameplay e principalmente com seu level design. O game tenta ser mais profundo do que realmente é — com suas discussões sobre bullying e suas mensagens de auto ajuda — mas no geral “tudo acaba em pizza” e as resoluções dos “dilemas” são super simplórias.

Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza

Apesar dessa simplicidade, gostei da vibe positiva do jogo, e tirar nota A em todas as fases é um desafio que demanda muita determinação — seja na busca pelo caminho mais rápido, seja na execução de saltos que precisam ser super precisos. Um pouquinho mais de polimento cairia bem, mas no geral o game entrega um bom desafio e uma experiência rápida e satisfatória de free run e parkour.

Ninja Pizza Girl chegou aos consoles da atual geração no dia 19 de julho. O game também já está disponível no Steam e no Wii U.

Uma resposta para “Análise Arkade: Ninja Pizza Girl mistura parkour, bullying e (claro) pizza”

  • 23 de julho de 2016 às 19:26 -

    Abrahao Lopes

  • Sim, tem no XBOX ONE! Já que a matéria cita o ps4, WiiU e Steam e não toca no nome do Xbox, apenas diz “consoles da atual geração”. Se liga Arkade!

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