Análise Arkade: PES 2018 dá mais um drible na direção certa

20 de setembro de 2017
Autor: Paulo Roberto Montanaro

Análise Arkade: PES 2018 dá mais um drible na direção certa

Setembro chegou e, junto com ele, a já tradicional dobradinha das edições anuais das principais franquias de futebol virtual. Pro Evolution Soccer, ou PES para os mais íntimos, mais uma vez aposta na evolução e no refinamento do seu sistema de jogo, que depois de algumas derrapadas nas edições de 2014 e 2015, parece ter voltado aos trilhos dos tempos áureos.

Já sabemos que a Konami enfrenta algumas questões com licenciamento de alguns times, seja por exclusividade (os times existem apenas no jogo rival) ou por problemas de negociação, porém a edição deste ano trouxe um fator bem inesperado: Lembra que o Neymar era o jogador da capa e motivo de toda a publicidade? Pois bem, a sua ida para o Paris Saint German “quebrou as pernas” do estúdio japonês, já que o jogador ainda estampava o uniforme do Barcelona, e a saída foi correr atrás de Phillipe Coutinho, para que uma capa sem problemas e, com ela, o trabalho de marketing, não ficasse comprometido.

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Paciência… Porém, é preciso de uma atualização para colocá-lo no PSG, mas ainda é possível ver que o trabalho foi apressado, como se ele ainda estivesse ao lado de Messi e Suárez. Nada, contudo, que atinja de fato aquilo que interessa no jogo, que é a bola digital rolando, e também, pelo fato de tudo isso não ser esperado pelos lados da Konami. E, nesse quesito, PES 2018 consegue avançar naquilo que tem proposto nas últimas edições.

Que beleza!

O bordão inconfundível do atual narrador da versão brasileira do jogo, Milton Leite, se torna um trocadilho tão fácil quanto necessário em termos de sistema de jogo. De forma ainda mais evidente que na versão anterior, PES 2018 segue focando na solidez das partidas e investe na diversão, na diversidade de possibilidades e em um modo mais arcade de futebol. O jogo se tornou mais dinâmico, com uma dose extra de emoção, algo que parecia perdido nas edições mais burocráticas dos anos anteriores.

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Isso não significa, porém, que esteja fugindo de um pretenso realismo. Ao contrário, a movimentação dos jogadores e o sistema de domínio de bola, o tal do Real Touch +, é um dos bons diferenciais da edição deste ano, trazendo sofisticação à forma como os jogadores interagem com a bola. Se a inserção na edição 2017 criou alguns problemas de mecânica e de movimento, frustrando em alguns momentos, a edição deste ano apara as arestas e entrega algo muito mais refinado. As diferenças entre os jogadores mais badalados (sobretudo, os dos times licenciados) e os demais são notáveis em termo de precisão, beleza plástica e estilo.

Assim, para um jogo nos níveis mais altos de dificuldade, saber lidar com o domínio de bola, o uso do corpo na proteção contra investidas adversárias e até mesmo o equilíbrio do corpo para passes e chutes é fundamental para não jogar o controle na TV. Já quem só curte uma partida no modo normal vai se dar bem com o jogo mesmo se a última versão que jogou foi a do Winning Eleven 3 lá dos tempos do PSOne, já que a base da jogabilidade é a mesma – inclusive o mapeamento dos comandos.

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A inteligência artificial do jogo, ainda que melhor que nas edições anteriores, acaba derrapando um pouco. Os goleiros variam entre santos milagreiros e frangueiros detestáveis em segundos, ás vezes na mesma jogada. Os companheiros ainda se posicionam mal e esse problema fica mais evidente quando se joga cooperativamente com humanos que sabem onde ir. E a dificuldade do jogo, quando aumentada, parece só mudar o mapeamento do adversário, que sempre se posiciona convenientemente entre a bola e o jogador que irá receber a bola.

Ainda assim, é muito interessante experimentar jogadas novas, passes em profundidade e triangulações. O cabeceio melhorou muito no jogo, a plasticidade de algumas jogadas está muito bacana e muitas vezes as soluções são bem criativas. Poucas são as vezes que os gols saem sempre do mesmo jeito. Isso torna as partidas mais imprevisíveis e as repetições de jogadas menos frequentes. Felizmente, será menor a apelação daquele seu primo que só aposta nos cruzamentos ou nos passes longos pro Neymar driblar e chutar no mesmo canto.

Modos de jogo

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Tal como nos outros aspectos do game, não há grandes novidades em termos dos modos disponíveis. Além do sistema de amistosos e jogos únicos, há os torneios licenciados, com o destaque óbvio para a exclusividade da UEFA Champions League, e também a Copa dos Campeões da Ásia, que tem ganhado notoriedade nos últimos tempos com a ascensão de times chineses e árabes. Só que, desta vez, nada de Libertadores. Talvez tenha sido pelas mudanças que o torneio sofreu neste ano, e pode ter ocorrido problemas com o licenciamento. Contudo, se for apenas este o problema, esperamos que em 2019 tenhamos a atual Conmenbol Bridgestone Libertadores de volta.

Há também como disputar muitas ligas nacionais, sendo que algumas são licenciadas, mas sem os times oficiais. No caso das menos badaladas no mundo, como o próprio Campeonato Brasileiro, os times estão todos lá, inclusive com 3 exclusividades: Flamengo, Corinthians e Vasco. Ainda assim, o visual dos jogadores, de forma geral, não é dos melhores, ás vezes sem nenhuma semelhança com os reais. As transações também são bem mais lentas de se atualizar. Portanto, nada de Hernanes no São Paulo, por exemplo.

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Já o Rumo ao Estrelato volta reciclado, com algumas boas melhorias na carreira de um jogador só. É um modo muito particular de construção de personagem que continua funcionando, mas não é tão divertido quanto os demais. Afinal, pode ser enfadonho e até monótono controlar um único jogador que pega na bola meia dúzia de vezes dentro do jogo, ou jogar com o time todo forçando valorizar a atuação deste em específico. Nesse sentido, o modo Journey do concorrente FIFA acaba se tornando mais relevante nos dias atuais.

De qualquer forma, o grande investimento continua nas maiores estrelas e certamente os modos onde os jogadores passarão a grande maioria das suas madrugadas: o tradicional Master League e o myClub, ambos formatos pautados em uma construção de carreira do jogador. O primeiro não tem segredo: escolha um time e faça a sua carreira como técnico, assumindo o comando total (ou quase isso) dentro e fora do campo. Assim, compra e venda de jogadores, montagem de elenco, finanças e as partidas em si ficam na mão do jogador. Nada que os veteranos já não tenham visto nas inúmeras versões do game.

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Por sua vez, o myClub é mais novo e tem crescido muito nos últimos anos, com uma versão mais moderna da carreira. O jogador cria seu time com base em algum já existente e o administra de forma parecida (mas diferente) do Master League. Contudo, são os torneios e as disputas o maior diferencial, já que enfrentando a IA do jogo ou pessoas de verdade, o objetivo é crescer nos rankings pelo mundo em um sistema multiplayer muito bem estruturado e arranjado, favorecendo o crescimento e incentivando o investimento no planejamento junto ás partidas em si. Fica claro que é de fato o carro-chefe da franquia e não há esforço nenhum em esconder isso.

De modo geral, PES2018 aposta no que está dando certo e funciona tanto para aquele que só quer jogar uma ou duas partidas na hora do almoço com um amigo no sofá quanto para aquele que quer investir mais tempo na administração do que nas partidas em si. As partidas coop para até 3 pessoas dão um frescor aos diferentes modos e, nesse aspecto, o jogo se mantém completo e agrada a todo tipo de freguês, sem sustos ou inovações complicadas demais.

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O visual é lindo, a interface nem tanto…

Um dos maiores problemas da edição 2018 de PES é a organização da interface dos diferentes modos de jogo. Não são exatamente complexos, nem daqueles que você se perde o tempo todo, mas são pouco práticos, muito descritivos e organizados de uma forma confusa. A Konami aposta em quadros mais descritivos do que icônicos, menus e sub-menus intrincados e informações demais em cada tela. o objetivo parece o de oferecer o maior número de dados possíveis para o jogador, mas com o tempo, só fica tudo meio amarrado mesmo.

Ao contrário, a estética in game é definitivamente a melhor da franquia até hoje. A expressão dos jogadores mais conhecidos é impressionante, as animações e movimentos são cada vez mais fluidos e um mundo vivo diminuem muito a sensação de um monte de cadáveres em movimento que havia em edições anteriores. A torcida é um espetáculo a parte, deixando de ser só uma textura ao fundo para ganhar personalidade e diversidade visuais. As vezes, os famigerados replays são bem-vindos mais por conta de ver a torcida e o entorno do jogo do que necessariamente as comemorações dos jogadores em campo.

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Já em termos sonoros, porém, o jogo brilha menos. A atmosfera do jogo está longe daquele ruído de estádio cheio, de torcida gritando e fazendo a ambientação aumentar a adrenalina do jogador em uma jogada ofensiva ou um apuro na defesa. Mesmo tentando equalizar o som, a impressão é uma ambiência morna e massificada. A narração, um dos elementos mais legais de jogos de futebol, também não faz jus às constantes melhorias na franquia e parece pior até mesmo que na versão do ano passado.

As falas são muito repetitivas, os comentários são cópias do que já visto em outras edições e a mixagem é problemática. Por vezes, os diálogos se sobrepõem e a conexão entre elas acaba ficando estranha, com tonalidades diferentes. Imagine o narrador falando o nome de um jogador de forma séria, como se ele estivesse na defesa, e depois encaixasse um chute emocionante para o gol. Por vezes, parece atendimento telefônico automatizado de telemarketing. O talento de Milton Leite e Mauro Beting até ajudam, mas pouco fazem além de trazer ótimos bordões e falas engraçadinhas. A versão gringa é até um pouco melhor, mas não tanto assim. Uma pena.

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Conclusão

PES 2018 é, sem dúvidas, o melhor jogo da franquia até aqui. O sistema de jogo está fluido e permite uma variedade de jogadas mais diversa dentro das partidas, mesmo as mais difíceis. O sistema de controle de bola é um destaque que pode passar despercebido pelos jogadores mais casuais, mas pode fazer diferença para os veteranos e os modos myClub e Master League aumentam o engajamento infinito no gerenciamento de equipes.

O visual do jogo está bem polido e muito vívido, com destaque para a torcida e para expressão facial dos jogadores mais conhecidos. Texturas de gramado, efeitos de luz e de clima completam um ótimo pacote. A parte sonora não é tão brilhante, com alguns problemas na narração em português e com pouca vivacidade na ambiência, mas nada grave ou que diminua a experiência.

Análise Arkade: PES 2018 dá mais um drible na direção certa

Disponível para Playstation 4, Playstation 3XBox One, XBox 360 e PC, PES 2018 segue firme o seu caminho de recuperação e é bastante consistente na sua eterna disputa com a franquia da EA, FIFA. Em termos técnicos, parece ter condições de brigar de igual para igual novamente. Quem agradece é o boleiro de sofá.

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