Análise Arkade: Pylon Rogue é um “Diablo-like” genérico com elementos roguelike

28 de outubro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Pylon Rogue é um "Diablo-like" genérico com elementos roguelike

Estamos em uma época onde elementos de roguelike — tais como permadeath e geração aleatória de ambientes — estão se tornando cada vez mais comuns. Muitos jogos fazem um bom uso destes elementos, outros nem tanto. E Pylon: Rogue infelizmente faz parte deste segundo grupo.

Quase um Diablo

Assim que você coloca Pylon: Rogue para rodar, vai se sentir jogado novamente nos anos 90: ele se apresenta como um RPG de ação isométrico com temática dark fantasy, classes de personagens e monstros um tanto clichês deste tipo de universo.

Não há uma história aqui, temos basicamente 4 heróis diferentes — um Paladino tradicional de espada e escudo, um enorme Golem de pedra, uma Assassina e uma Arqueira. Todos eles são caçadores de recompensas, e irão atravessar portais para matar monstros variados. Claro que isso vai tornar o mundo um lugar mais seguro, mas na prática eles só estão atrás do loot, mesmo.  Inclusive, o nome do Paladino é LOOTICUS MAXIMUS, só para você ver a audácia dos desenvolvedores.

Análise Arkade: Pylon Rogue é um "Diablo-like" genérico com elementos roguelike

Esta falta de história torna Pylon: Rogue muito mais simples do que jogos como Diablo ou Torchlight. Na prática, o que temos aqui está mais para um hack ‘n slash isométrico com um sistema de evolução típico dos RPGs. Não chega a ser um “action RPG”, mas tá quase lá.

Entre. Lute. Colete seu loot. Repita.

Quando tiver escolhido seu herói, é hora de ir para a pancadaria. O mapa do jogo se resume a linhas que ligam diferentes portais, e cada um destes portais o leva a uma “dungeon” procedural, onde você sai na porrada com diversos inimigos e coleta algum loot. As dungeons são divididas em “quartos”, faça a limpa em um para poder acessar o próximo, e assim sucessivamente.

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O gameplay é meio hack ‘n slash, mas sem muita variedade. Os personagens possuem combinações básicas de ataques, mas não há muito espaço para inventividade. As magias, por outro lado, são legais: o Paladino, por exemplo, possui um “Toque de Midas” que transforma todos os inimigos ao redor em reluzentes estátuas de ouro, deixando-os paralisados e vulneráveis e o melhor: cada porrada dropa tesouros para você coletar

Um detalhe curioso que dificulta bastante as coisas aqui é que não há poções de cura, nem nada do tipo. Vez ou outra pinta um coração de energia, mas isso é bem raro. Mesmo ao terminar uma dungeon sua vida não regenera, você precisa gastar dinheiro na lojinha para comprar itens de cura de uso único. Com isso, o que deveria ser um hack ‘n slash acaba se tornando algo mais estratégico, mas você sempre estará em (enorme) desvantagem numérica, o que não dá muita margem para abordagens muito elaboradas.

Confira um pouco de gameplay abaixo:

Ao limpar todos os quartos de uma dungeon, você retorna ao mapa, onde pode visitar uma lojinha para dar um upgrade no seu personagem. Magias são consumíveis, então é recomendável que você reponha seu estoque de pergaminhos antes de ir para a próxima fase. É possível equipar diferentes armas — mas não há inventário, então você deve obrigatoriamente largar uma para equipar outra — e comprar habilidades passivas que podem (ou não) facilitar um pouco a sua vida. Upgrades e melhorias são caros, e nem sempre parecem valer tudo o que custam.

O maior problema de Pylon: Rogue é sua repetitividade. O subtítulo acima — Entre. Lute. Colete seu loot. Repita. — resume basicamente tudo o que há para se fazer no game. E quando o nível de dificuldade é alto e há permadeath, essa repetição acaba não sendo lá muito estimulante.

Para pior, há pouca variedade de cenários: existem basicamente duas áreas diferentes — Vilarejo no Deserto e Floresta –, cada uma com um chefe no final, mas só ir até o final do cenário deserto já dá um baita trabalho, e olha que esta região é mais tranquila que a floresta!

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Para você ter uma ideia, este é aquele tipo de jogo que destrava alguns elementos conforme você morre — até aí tudo bem, Binding of Isaac também faz isso. O problema é que, enquanto em outro jogos a morte é um incentivo, aqui ela é frustrante, e não necessariamente te dá vontade de continuar jogando — pelo simples fato de que o jogo não é divertido.

Audiovisual

Embora tenha essa cara de “jogo dos anos 90”, Pylon: Rogue é um jogo relativamente pesado. A área da floresta especificamente, exige um bocado do hardware, e se quiser jogar com 60fps, talvez você tenha que baixar alguns assets de folhagem. Os heróis até são bem diferentes entre si, mas os inimigos são uma miríade de monstros genéricos — zumbis, dinossauros, gosmas mutantes, dragões, aranhas, vermes e insetos gigantes — sem qualquer carisma.

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A trilha sonora simplesmente cumpre seu papel, mas não necessariamente se destaca, o que também se aplica a todo o conjunto audiovisual do game, que traz gritos, grunhidos, explosões e coisas do tipo. Ele não é feio, mas também não é realmente bonito, limitando-se a ficar em um meio-termo insosso.

Verdade seja dita, embora já esteja sendo ofertado como produto final, Pylon: Rogue tem a maior cara de Early Access: tudo parece meio “cru”, e há bugs que te deixam travado em uma área sem poder prosseguir e outros probleminhas que, somados, mancham a imagem — que já não era lá muito boa — do game.

Conclusão

Pylon: Rogue tenta misturar o estilo clássico de Diablo com os elementos de roguelike que andam em alta hoje em dia, mas não consegue fazer bem nenhuma das duas coisas. Difícil, punitivo e um tanto “rústico” em sua apresentação, o game simplesmente não consegue ser realmente divertido, algo que é essencial em games que primam pela repetição.

Análise Arkade: Pylon Rogue é um "Diablo-like" genérico com elementos roguelike

Sei que há muitos fãs de roguelikes por aí, mas a saturação deste nicho acaba gerando jogos “sem alma”, que não fazem um bom uso destes elementos e são genéricos e esquecíveis. E genérico definitivamente é uma palavra que define Pylon: Rogue muito bem.

Pylon: Rogue foi lançado em 21 de setembro. O game é exclusivo para PCs, e não está traduzido para o nosso idioma.

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