Análise Arkade: Road Rage derrapa feio tentando ser um novo Road Rash

28 de novembro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Road Rage derrapa feio tentando ser um novo Road Rash

Quem cresceu jogando Road Rash sem dúvida sente falta do mix de velocidade e pancadaria sobre 2 rodas que a franquia oferecia. Este ano já tivemos Road Redemption ressuscitando um pouco deste feeling, e agora, Road Rage chega prometendo uma experiência similar, mas com mundo aberto. Será que o jogo presta? Vamos descobrir!

Briga de gangues

Road Rage se passa em um futuro distópico onde a ordem social das coisas foi para o limbo e os subúrbios são dominados por gangues de motociclistas, que resolvem suas diferenças na base da porrada. O game se passa na cidade de Ashen, e nós assumimos o controle de um motoqueiro novato, que tentará ganhar a vida cumprindo objetivos, formando alianças e subindo na hierarquia dos pilotos, o que lhe concede acesso a novas áreas e distritos da cidade.

Análise Arkade: Road Rage derrapa feio tentando ser um novo Road Rash

Além de ser clichê, a história é apresentada de forma muito sem graça. Há um panorama gera mostrado no início, depois você recebe novas missões basicamente por mensagem de celular, então o jogo nunca nos mostra a cara destes motociclistas fodões que instauraram sua própria lei nas ruas, o que deixa tudo apático e impessoal.

Mundo aberto sem graça

Road Rage é um jogo de mundo aberto, mas sem a variedade e profundidade que se espera de um representante do gênero. Você não pode descer da sua moto, e não há nada para fazer pela cidade além de ir de um “evento” a outro — que nada mais são do que ícones coloridos que iniciam as corridas.

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Ok, existem os eventos principais que desenvolvem a narrativa e outras que são basicamente “side quests”, mas é só isso. Entre um evento e outro, você pode ser perseguido pela polícia caso invada um distrito que ainda não podia acessar ou atropele pedestres, mas fora isso, o mundo aberto em si não tem muita utilidade.

Confira abaixo um vídeo que mostra pouco mais de 10 minutos de gameplay. Nele, exploro um pouco do mundo aberto, faço algumas corridas menos importantes e um evento principal:

Se este fosse o único problema, beleza, mas infelizmente não é: Road Rage não consegue entregar de maneira satisfatória nada do que ele propõe… Vamos aprofundar mais o assunto nas próximas linhas.

Corrida e pancadaria capengas

Vamos por partes: o gameplay em si é bastante familiar para quem jogou qualquer game de corrida nos últimos anos, mas nada aqui é responsivo e fluido como deveria. A dirigibilidade das motos é péssima, dura e desajeitada, o que torna o ato de correr em si um suplício.

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Por conta disso, você vai bater muito enquanto pilota, mas isso acaba não sendo realmente um problema, afinal, o sistema de colisão do jogo é uma piada (de mau gosto): você pode dar de cara em postes e carros sem acontecer absolutamente nada… mas também pode ser lançado para fora da sua moto ao colidir com uma moita — vai entender. Não há lógica, simplesmente parece que alguns objetos são tangíveis e outros não, e há ainda aqueles que só são tangíveis de vez em quando. É uma bagunça.

Este sistema de colisão bizarro também se aplica à pancadaria do game: sem opções de chutes, agarrões (como em Road Redemption) ou roubos de armas (como em Road Rash), só o que temos são ataques comuns com a arma equipada. A questão é que você muitas vezes nem precisa acertar o inimigo para ele cair, ou mesmo acabar caindo junto sem razão aparente.

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Com direito àquele ragdoll maroto que a gente adora.

Para piorar, não basta chegar dando porrada e pronto. Em uma esquema meio Full Throttle, você precisa emparelhar sua moto com a do inimigo para entrar em “modo de combate” e então poder acertá-lo. Além de deixar a corrida engessada, isso nem sempre funciona, e é normal você ser derrubado por um terceiro piloto que chega pelo lado oposto, enquanto você estava em “modo de combate” com outro.

Isso para não mencionar as quedas de frame rate e travadinhas que rolam quando há muita ação acontecendo na tela. É normal você estar tentando acertar alguém em um “bolo” de 3 ou 4 motociclistas, aí a tela dá uma congelada e de repente seu personagem está rolando pelo chão, e você nem sabe o que houve.

Modos de jogo

Somado a tudo isso, temos o fato de que a maioria das corridas é simplesmente sem graça. O jogo até tenta contextualizar os eventos, dizendo que você vai espalhar explosivos ou entregar mercadorias, mas no geral quase udo se resume a passar por checkpoints. Sequer vemos as encomendas sendo entregues, o que torna os “diferentes tipos de corridas” essencialmente iguais.

Confira abaixo uma corrida completa:

Sendo justo, Road Rage também traz modos como Assassination (derrube um número X de inimigos) ou Elimination (o último colocado de cada volta é tirado da corrida), mas tudo isso acaba comprometido pela péssima jogabilidade, de modo que nenhum evento consegue se sustentar por si só.

Também temos desafios do tipo “direção perigosa” que são especialmente sem graça simplesmente porque o jogo não oferece manobras muito elaboradas, de modo que você deve simplesmente empinar sua moto, saltar em rampas ou tirar uma fina do tráfego. E (pasme) mesmo isso consegue ser problemático, pois a cidade do jogo é um tanto morta, podendo acontecer de você falhar em um destes eventos simplesmente porque deu o azar de não encontrar nenhum carro para tirar uma fina.

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Ah e vale ressaltar que o jogo possui multiplayer tanto online quanto local em tela dividida, o que pode ser considerado um ponto positivo, afinal de contas. Eu não consegui achar outros jogadores disponíveis para as partidas online, mas em tela dividida o jogo cumpre o seu papel, ainda que todos os problemas apresentados acima continuem valendo.

Armas e motos

Conforme avança na história e completa os (nem tão) diferentes eventos, você vai destravando novas motocicletas e armas, que devem ser compradas com o dinheiro que você acumula cumprindo missões. Não há uma garagem, nem nada do tipo, você deve pausar o game e escolher no menu a opção de ir para o seu “Clube”.

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Até aí tudo bem. A questão é que não há uma real sensação de evolução entre uma moto e outra: a dirigibilidade de todas é péssima, e mesmo investindo em trocas de peças e aprimoramentos, nenhuma delas é realmente gostosa de dirigir. Você é obrigado a trocar de moto conforme evolui (certos eventos demandam motos específicas), mas não pense que destravar a “melhor” moto do jogo vai melhorar alguma coisa na experiência como um todo.

Isso também se aplica às armas. Road Rage tem uma boa variedade delas, e algumas são bem legais — você pode bater nos outros com um pau-de-selfie, por exemplo, algo que não lembro de ter visto em outro game –, mas mudar de arma é algo simplesmente estético, pois basta uma porrada com qualquer arma para derrubar outros motoqueiros.

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Então, não importa se você está usando um bastão, uma espada ou uma motosserra, na prática é tudo a mesma coisa.

Audiovisual

Ainda que não seja um jogo genuinamente feio, Road Rage também está longe de ser bonito. Ele tem efeitos de iluminação interessantes, bons efeitos de asfalto molhado e uma boa modelagem de motos e personagens, mas no geral o que temos é um visual pouco inspirado. A cidade é dividida em distritos simplesmente “porque sim”, não há nada que acrescente um mínimo de identidade a cada área, como se elas fossem realmente territórios dominados por diferentes gangues.

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Alguns efeitos de iluminação e asfalto molhado são bem bonitos.

E se o visual qualquer coisa não for o suficiente para te desanimar, espere até ver os bugs: Road Rage está cheio deles, e o sistema de colisão é responsável pela maioria. Já descrevi alguns lá em cima, mas além daqueles você também pode bater em um muro e cair do cenário, ou mesmo ver pilotos inimigos atravessando casas para “cortar caminho”, ou ser esmagado pelo respawn de um inimigo, que literalmente cai do seu na sua cabeça.

Veja um breve vídeo de um evento de Assassinato que acabou sendo resolvido graças a um bug maroto + a IA estúpida do outro piloto:

A trilha sonora traz um mix genérico de faixas instrumentais rockeiras e de new metal, que vão se repetindo em um loop eterno que muda de faixa sem a menor cerimônia mesmo durante as corridas. Nada de fade out ou qualquer elegância, uma música acaba de forma brusca, rola um silêncio de 2 segundos, aí começa a próxima faixa.

O ronco dos motores é competente, e é na prática o que mais difere uma moto da outra. Um detalhe curioso é que, embora nosso personagem receba todas as missões como mensagens de texto, elas são “lidas” pelos personagens, o que agrega um fiapo de personalidade aos pilotos.

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Um ponto super positivo é que o jogo possui menus e legendas em português brasileiro, em um trabalho de localização surpreendentemente decente.

Conclusão

Como fã de Road Rash que estava esperançoso que Road Rage seria um substituto digno da franquia, infelizmente tenho más notícias: Road Rage não é um bom jogo, e definitivamente não é indicado para quem, como eu, está “órfão” desse tipo de jogo. Na real, Road Rage não é indicado para ninguém, seja fã de Road Rash ou não.

Análise Arkade: Road Rage derrapa feio tentando ser um novo Road Rash

Aqui na Arkade, a gente sempre tenta exaltar os pontos positivos dos jogos que analisamos, mas têm jogos que realmente não dá pra salvar. Road Rage é um desses: Fraco, sem graça, bugado e repetitivo, o game só se destaca mesmo por ter bons efeitos de luz e textos em português, algo que, convenhamos, não é lá um grande diferencial hoje em dia.

Simplesmente não dá para dourar a pílula, muito menos enganar você, leitor, que, talvez pela nostalgia, pode ficar tentado a gastar seu suado dinheirinho com Road Rage. Não faça isso. Ele é um jogo de corrida de motos ruim, com um sistema de combate tosco e um caminhão de bugs absurdos… tudo isso coroado por uma falta de capricho e polimento que comprometem ainda mais a experiência.

Road Rage foi lançado em 14 de novembro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One.

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