Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

15 de abril de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Uma garotinha amaldiçoada e um enorme golem terão que unir forças para escapar dos corredores de um castelo sombrio. E eles terão que resolver muitos puzzles no processo. Esta é a premissa básica de A Rose in the Twilight, e nossa análise dele você confere agora!

A maldição dos espinhos

Sabe aquele papo de que os contos de fadas em suas versões originais dos irmãos Grimm eram muito mais sombrios do que as versões Disney? Pois então, A Rose in the Twilight parece exatamente isso, um singelo conto de fadas corrompido por sangue, escuridão e uma pitada de sadismo.

Controlamos uma garotinha chamada Rose, que possui uma rosa presa em seu corpo e está sozinha em um enorme castelo em ruínas. Incontáveis ramos de espinhos se espalham pelo local, drenando a cor e a vida daquele mundo. A própria Rose foi tocada pela maldição, e a rosa que ela carrega lhe concede a habilidade de absorver e transferir a cor — ou o sangue — de outros objetos.

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Logo encontramos um silencioso golem de pedra, que acaba se tornando um valoroso aliado para Rose, pois é capaz de carregar objetos pesados, acionar mecanismos e pode até carregar a própria Rose, quando necessário. Juntos eles irão se aventurar pelas galerias, masmorras e corredores sombrios do castelo enquanto buscam uma saída.

Lembranças de sangue

Sabe aquele tipo de jogo que não tem exatamente uma história, mas tem um lore? A Rose in the Twilight é assim. O jogo não perde tempo te explicando muita coisa, porém, conforme você explora o castelo, vai descobrindo detalhes muito interessantes sobre o local, a maldição e os pobre coitados que já passaram (e pereceram) ali.

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Ao encontrar poças de sangue ou cadáveres, você pode usar o “poder” de Rose para interagir com o sangue, o que lhe rende também um pouco da memória daquele indivíduo. E é assim, através de lembranças e flashbacks, que descortinamos a sombria história daquele lugar, da maldição e das terríveis provações pelos quais passam os “amaldiçoados”.

Explorando e resolvendo puzzles

Ainda que seja fruto da maldição que acomete Rose, seu “poder” de absorver o sangue e a cor das coisas se mostra bastante útil, pois é o vermelho que faz as coisas funcionarem por ali. Quando estão brancos, os objetos não funcionam, as alavancas não se movem, tudo fica estático, quebrado, morto. Ao transferir o sangue de sua rosa para algum elemento do cenário, ele volta a funcionar, ou pode ser carregado pelo golem.

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A Rose in the Twilight traz os chamados environmental puzzles, ou seja, puzzles que estão integrados ao cenário em si. Existem barricadas e trincheiras que impedem o seu progresso, portões trancados, abismos, amontoados de espinhos e outros obstáculos que deverão ser superados usando as habilidades de Rose, a força do golem, mas, principalmente, o raciocínio lógico do jogador.

Trabalho em equipe é fundamental: é possível alternar entre os personagens ao pressionar de um botão, o que se mostra muito útil para progredirmos, visto que há uma sinergia entre a dupla de protagonistas. Rose precisa dar cor aos objetos para que o golem os levante, enquanto ele pode carregá-la através de espinhos ou arremessá-la até lugares inacessíveis. Vez ou outra os dois se separam, mas um vai abrindo caminho para o outro, seja despistando inimigos ou acionando mecanismos que liberam portões.

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Rose e o golem precisam trabalhar juntos para progredir.

Alguns destes puzzles são relativamente complexos, e vão exigir que você exercite seu cérebro — e sua perseverança — para superá-los. Falo em perseverança porque a movimentação dos personagens é lenta, e quando você está no estágio “tentativa e erro”, experimentando algumas possíveis soluções, inevitavelmente acaba se aborrecendo com a lerdeza com que Rose caminha ou sobe escadas. e olha que o mapa é bem expansivo…

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Sacrifícios de sangue

Ainda que você passe a maior parte do tempo drenando o sangue de outras coisas, há momentos em que você deve dar o sangue para prosseguir: as portas que garantem acesso a novas áreas do castelo geralmente estão tomadas de espinhos, e eles demandam um sacrifício de sangue de Rose para lhe concederem acesso.

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

Um dos sinistros sacrifícios de sangue.

Antes destas portas há um “Execution Room”, onde alguma invenção maquiavélica estará lhe esperando: de forcas de arame farpado até guilhotinas, o jogo te obriga de maneira sádica a sacrificar a protagonista para prosseguir. Ok, ela renasce no botão de rosa mais próximo (eles são os checkpoints), mas todo o ritual envolvido é bem macabro.

Audiovisual

A Rose in the Twilight traz em seu visual um visual que condiz muito com a atmosfera melancólica do game. As vezes fica até a impressão que a telinha do Vita está suja, mas essa sujeira é proposital do game, um elemento sutil que torna o aparência mais carregada e sombria. Os personagens são animados de forma um pouco “dura”, mas acredito que isso seja mais uma escolha estilística do que uma limitação.

Análise Arkade: os puzzles e sacrifícios de A Rose in the Twilight

A “sujeira” na tela é proposital.

As animações dos personagens são simples, mas cumprem seu papel. O “poder” de Rose desacelera o tempo em um pequeno raio de ação ao seu redor, o que rende alguns efeitos interessantes. As cutscenes que desenvolvem a história tem uma vibe teatral muito interessante, toda trabalhada em contrastes e silhuetas. Não temos diálogos falados, mas a lúgubre trilha sonora instrumental preenche o vazio e cai como uma luva na “bad vibe” do game.

Conclusão

A Rose in the Twilight é um jogo melancólico que funciona especialmente bem no Vita, pois seu ritmo lento é ideal para que seja jogado um pouquinho de cada vez. Seus puzzles vão se tornando bem elaborados com o tempo, o que torna o jogo um bom exercício para o cérebro — e, como já dito, para a perseverança.

Em alguns aspectos, ele até lembra um pouco Limbo: temos environmental puzzles inseridos em um universo sombrio, que trata de temas pesados. Ainda que não possua a mesma qualidade do título da Playdead, ele sem dúvida é um bom game, e quem curte jogos com environmental puzzles e histórias sombrias certamente vai se amarrar.

A Rose in the Twilight foi lançado em 11 de abril, com versões para PC (Steam) e PS Vita. O game está 100% em inglês.

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