Análise Arkade: Soldiers of the Universe traz uma guerra contemporânea e genérica

Os jogos de tiro em primeira pessoa andaram passando por algumas reformulações curiosas nos últimos anos: franquias famosas foram tanto para o futuro que acabaram perdendo sua essência, de modo que acabaram retornando ao “roots”, revisitando as maiores gerras mundiais em suas últimas versões.

Guerra contemporânea

Porém, entre a guerra de trincheiras de 1914 e os tiroteios em gravidade zero que rolam centenas de anos de futuro, existe o presente. A gente acaba meio que se importando menos do que deveria com conflitos contemporâneos, mas é fato que o mundo está em guerra HOJE: há guerras civis em países do Oriente Médio, há Estados Unidos e Coréia do Sul trocando farpas, e muitas outras tretas de diferentes escalas destruindo cidades e tirando vidas.

Apesar de seu título, Soldiers of the Universe é um game bem pé no chão, totalmente focado no presente: obra do estúdio turco Rocwise Entertainment, o game é ambientado na Turquia, e nos coloca na pele de Hakan Kahraman, fuzileiro que morava nos Estados Unidos, mas após receber a notícia da morte de seu pai, resolve voltar para sua terra natal em busca de vingança.

Ao chegar lá, Hakan assume o papel de seu pai junto à Akinci Warriors, um grupo de elite especializado em missões militares secretas. Ao lado de seus novos companheiros deste super grupo, Hakan irá encarar os dramas e terrores de uma guerra civil que não tem nada de legal como a dos Vingadores: aqui, pessoas morrem, famílias perdem suas casas, cidades e vilarejos são dizimados.

Verdade seja dita, a história do game não só é bem clichê, como se apoia em conceitos exagerados de patriotismo que parecem saídos diretamente de certos filmes hollywoodianos. Porém, o fato deste patriotismo não estar refletido em heroicos soldados estadunidenses loiros de olhos azuis é uma mudança de tom muito bem-vinda. Não representamos uma superpotência bélica, mas um sujeito de um país historicamente marcado por conflitos terríveis. A história continua sendo manjada, mas soa menos piegas quando vista por outros olhos.

Um FPS genérico e sistemático

Depois de ser introduzido ao mundo bélico e tecnológico dos Akinci Warriors, você começará a se engajar em confrontos armados contra terroristas em vilarejos e cidades destruídas. Seu esquadrão está sempre ao seu lado, ajudando na troca de tiros, no fogo de cobertura e na reposição da sua munição.

Ao invés de seguir o rumo mais “explosivo” da coisa, Soldiers of the Universe apresenta um gameplay bem sistemático: siga em frente até começar a tomar tiros, então busque cobertura e tente acertar os inimigos que geralmente estão a uma distância bem considerável. Elimine todos (morrendo um bocado), siga em frente e repita o processo.

Nosso personagem não é o sniper do grupo, mas a impressão que dá é que Soldiers of the Universe é um jogo de snipers: os inimigos sempre estão mais longe do que deveriam, e sem uma mira telescópica decente, só o que podemos fazer é tentar acertá-los com um scope meia boca, enquanto eles nos alvejam sem muito esforço. Claro que ocasionalmente descolamos um rifle de precisão, mas nem sempre temos uma boa mira à disposição.

O gameplay é simples e básico, o que por um lado é até bom, visto que o game não se esforça muito para nos apresentar suas mecânicas através de tutoriais, nem nada do tipo. O game não oferece muita variedade de situações, o que faz com que ele se torne meio repetitivo no decorrer da campanha.

Audiovisual

Soldiers of the Universe parece muito bonito em trailers e screenshots, mas na prática ele deixa a desejar: texturas pobres e muitos tons de marrom dominam os cenários, que vistos de perto são bem menos interessantes do que vemos nas imagens, e o pior: cheios de paredes invisíveis. Por outro lado, a recriação de uma área urbana de Istambul que vemos na reta final do game é bem competente.

Verdade seja dita, o game possui efeitos de lens flare bem cinematográficos, e no geral sua qualidade está acima da média — se considerarmos que ele é um jogo indie produzido por um pequeno estúdio turco. A questão é que ele parecia ser mais do que isso: Soldiers of the Universe é um jogo que fica bonito visto de longe, mas de perto suas imperfeições saltam ao olhos.

Mas se tem algo que realmente incomoda aqui são as vozes: as dublagens são muito fracas, extremamente artificiais e sem um pingo de emoção. A sincronia labial também é péssima, mas sabe o que é mais bizarro? As legendas muitas vezes mostram mensagens completamente diferentes do que está sendo dito, deixando alguns diálogos totalmente sem sentido.

Talvez eu esteja sendo muito exigente com um jogo indie, mas a verdade é que o material promocional de Soldiers of the Universe deixou uma impressão de que ele seria muito mais polido. Vale ressaltar que, mesmo rodando na sempre versátil Unreal Engine 4, ele não é lá muito bem otimizado, e mesmo em uma máquina boa ele ainda roda meio capenga.

Conclusão

Soldiers of the Universe parte de uma ótima premissa, mas infelizmente deixa a desejar no que realmente importa, que é o gameplay. Sua campanha torna-se engessada e punitiva, com trocas de tiro sistemáticas e pouco inspiradas que resultam em mortes confusas e repetições pentelhas.

Considerando que nem sempre vemos games de estúdios turcos ganhando visibilidade, Soldiers of the Universe sem dúvida possui seu valor. Poderia ser melhor, mais dinâmico e divertido, mas é um bom começo, e uma abordagem minimamente digna das guerras contemporâneas no mundo dos games.

Soldiers of the Universe foi lançado em 5 de dezembro, exclusivamente para PCs.