Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

15 de abril de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

Gosta de jogos desafiadores, que colocam seus reflexos à prova o tempo todo? Talent Not Included é um destes jogos, mas suas fases são apresentadas de forma bem diferente, confira nossa análise!

Uma peça de teatro bem maluca

A interessante abertura em live action de Talent Not Included mostra um roteiro todo rabiscado, claramente envolvendo personagens e ideias discrepantes para formar uma peça de teatro. Basicamente, um Cavaleiro, um Mago e uma Ladina estão em suas respectivas jornadas para conseguir algo, mas terão que enfrentar armadilhas e chefes para cumprirem suas missões.

O jogo é divido em Atos, e cada ato é protagonizado por um personagem. Ainda que nenhum deles tenha uma baita história, cada um tem uma motivação, e os poucos diálogos do jogo são pontuados por piadas bem sacadas e ótimas referências à cultura pop. Por exemplo, quando um ogro pergunta para a Ladina o que ela foi fazer no deserto, ela diz que foi “procurar cartuchos de E.T. enterrados”.

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

No mais, cada herói terá que cumprir os desafios e eliminar o chefe (mais de uma vez) para conseguir o que quer, em uma sucessão de desafios que vão ficando progressivamente mais difíceis, até chegar o ponto de você arrancar os cabelos e querer tacar o controle na parede!

Um palco, mil possibilidades

Você já jogou Super Meat Boy? O estilo de gameplay de Talent Not Included é essencialmente o mesmo: você pode pular, atacar e tem ainda um movimento de dash/esquiva que varia conforme o personagem. Também é possível saltar entre paredes e deslizar por elas. O segredo está em usar tudo isso de formas inventivas para escapar de trechos insanos de plataforma, serras giratórias, espinhos, lobos famintos, arqueiros, canhões e mais uma infinidade de armadilhas e perigos!

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

Mas este não é um jogo de fases tradicional, pois, respeitando a temática proposta, toda a ação de Talent Not Included se passa em um só lugar: o palco. Você fica indo e voltando nele, da direita para esquerda e vice-versa, enquanto o cenário vai se transformando e se modificando para trazer ou carregar para fora de cena novas plataformas, armadilhas e desafios. Em um passe de mágica, o palco vai de floresta para deserto, geleira e mais!

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

É uma escolha estética bem diferente, mas que funciona muito bem. Lembra um pouco LittleBigPlanet e principalmente BattleBlock Theater, ainda que aqui o simpático visual 2.5D torne tudo ainda mais bonito. Só não vá achando que o espaço limitado oferece pouca variedade, pois o que temos aqui são dezenas de mini-fases que vão se tornando cada vez mais difíceis!

Confira no vídeo abaixo meu gameplay completo de uma Cena com o Cavaleiro e entenda melhor como essa mecânica de “vai e vem” funciona na prática:

Legal, né? Isso torna a cadência do jogo bem acelerada e imprevisível, sem muito tempo para você simplesmente parar e ficar pensando no que fazer. Talent Not Included é um jogo que testa suas habilidades, mas principalmente os seus reflexos, pois seus desafios são puro game design, afiado e muito bem planejado.

Felizmente, aqui temos um jogo gostoso de jogar: o gameplay é ágil e super responsivo, então nem adianta culpar o jogo caso não consiga dar conta! Ah, e um detalhe muito interessante: ao contrário de Super Meat Boy, N+ e outros jogos do tipo, aqui temos a possibilidade de jogar em coop local… mas arrume um bom “player 2”, senão seu companheiro vai acabar virando uma âncora (e o respawn do morto consome um coração de vida do sobrevivente).

Audiovisual

Talent Not Included é da Frima Studios, mesmo pessoal que em 2014 nos entregou o simpático Chariot. E, se tem uma coisa que esses caras sabem fazer, é jogo com visual fofinho. Claro, temos espinhos, serras e armadilhas mortais… mas é tudo extremamente bonitinho e colorido.

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

Como cada Ato é composto de várias Cenas, a trilha sonora tende a se tornar repetitiva, pois ela permanece a mesma por todo o Ato. O jogo não possui diálogos falados, mas os personagens murmuram, gritam e riem de forma simpática. Não há legendas em português, mas temos poucos diálogos, então isso não necessariamente um problema.

Conclusão

Talent Not Included chegou meio de mansinho, sem fazer alarde, mas sem dúvida é uma pérola do mundo dos games. Acho pouco provável que ele se torne tão popular quanto N+ ou Super Meat Boy, o que é uma pena, pois ele é tão bom quanto estes jogos que, arrisco dizer, foram algumas de suas inspirações.

Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included

Com visual teatral fofinho e bem executado, desafio hardcore e design super criativo, Talent Not Included é um game muito gostoso de jogar, mas também muito desafiador. Se essa mistura te agrada, vai fundo, que você não vai se arrepender!

Talent Not Included já estava disponível para PCs desde o ano passado. Ele chegou ao Xbox One em 5 de abril.

Uma resposta para “Análise Arkade: o frenético vai e vem teatral de Talent Not Included”

  • 17 de abril de 2017 às 11:42 -

    Glauco Lima

  • Caramba que conceito legal kkkkk!!!!
    Me interessei muito pelo jogo!!!! Alguma chance dele chegar ao PS4?!??!?!
    Valeu arkade otimo review

Deixar um comentário (ver regras)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *