Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

23 de julho de 2016
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

O segundo capítulo da história épica e catastrófica de The Banner Saga foi lançado, dando continuidade a trama, e as consequências que os jogadores enfrentaram no primeiro game, nos trazendo além da continuação de sua impactante história, várias novidades para o mundo desolado e de pouca esperança que encaramos em The Banner Saga 2.

Temos aqui um mundo diferente, e se você não conhece a série, um mundo completamente diferente do que você pode já ter visto até agora. Um mundo que existe por si só, um mundo que não se curva a você, mas te joga de joelhos a sua frente, e te deixa de joelhos de frente a você mesmo. E agora é hora de falarmos mais a fundo sobre esse mundo que se impõe sobre nós, e as consequências que tornam The Banner Saga 2 uma experiência única, mais uma vez!

O colapso do mundo e as consequências da sobrevivência

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

Quando joguei The Banner Saga pela primeira vez, não sabia o que esperar de seu enredo, na realidade, eu sequer tinha consciência sobre o que ele se tratava. Me aprofundando no game, fui completamente imerso por uma história contada em duas frentes, a do caçador Rook e sua filha Allete, ao lado de Iver, um gigante com chifres da antiga raça dos Varls, desesperadamente guiando seu próprio povo em fuga de sua cidade, para tentar sobreviver ao súbito ressurgimento da antiga raça dos Dredges, há eras aprisionados no norte. E na outra frente, o Varl Hakon, em uma missão para escoltar Ludin, filho do rei dos humanos para a capital dos gigantes, em uma cerimônia que se repete há séculos, marcando a amizade entre ambas as raças.

As duas caravanas se tornaram uma eventualmente, seguindo as transformações que todo o mundo estava passando, sem que ninguém entendesse: O sol parou de girar no céu, e o mundo está em um inverno eterno em que o sol nunca se põe. Os Dredges, uma raça incrivelmente cruel e poderosa, protegidas em suas aterrorizantes armaduras de pedra ressurgiram em força total, atacando tudo e todos o que veem pela frente, num exército maior que tudo o que humanos e Varls jamais viram, extermínio. Quando tudo isso já era terror o suficiente, uma serpente gigantesca surge, destruindo a terra a seu bel prazer. Abrindo fendas colossais e derrubando montanhas inteiras. Mas agora, há algo ainda pior, a escuridão se aproxima.

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The Banner Saga 2 nos coloca no exato ponto onde o primeiro game termina, se você chegou ao final do primeiro game, então pode começar sua aventura mantendo o seu save, e todas as decisões que tomou até aquele momento. Se você não jogou o primeiro game, então começará a sua aventura no meio do caminho, precisando escolher com qual herói começará a aventura. Evitaremos spoilers, mas no final do primeiro game, uma batalha imensa e desesperadora aconteceu, e sua consequência foi a morte de alguém muito querido, esse alguém foi decidido pelo jogador em suas decisões, e aquele que sobreviveu não tem escolha, a não ser seguir tentando sobreviver.

E assim, devemos continuar tentando manter a caravana viva, alternando entre uma nova caravana ao qual somos apresentados, a caravana do exército mercenário dos Ravens, liderados pelo feroz varl Bolverk, seguindo seu próprio caminho, afastando-se da caravana principal por desavenças, e para concluir um trabalho ao qual foram incumbidos, enquanto enfrentam muita desconfiança e mistérios relacionados a esse próprio trabalho. E assim, o objetivo do game é claro: Faça suas caravanas sobreviverem até chegarem a seus destinos.

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E que você jamais se engane, a jornada aqui não é fácil, não é segura, e principalmente, não é manipulável. É claro, é você quem caminha a frente de seu povo, é você quem vai para as batalhas, decide formações e toma decisões. Mas não é você que vai dizer como o seu povo reagirá a suas escolhas, como as batalhas terminarão, e muito menos, como será o caminho a frente. O mundo e as consequências são quem te dirão isso, e de uma forma firme e impiedosa.

Tal como comentei em minha análise do primeiro The Banner Saga, lá em janeiro deste ano, este é um RPG com uma experiência única, pois não somos nós que moldamos o mundo, o mundo é quem nos molda. Tal como o antigo ditado, “se a vide lhe der limões… faça uma limonada”, é você quem deve reagir as situações a sua volta, e não as situações que devem se adequar de acordo com suas decisões. E tudo isso se resume nas consequências.

The Banner Saga 2 gira em torno de como o mundo responde as suas ações. A curto, e longo prazo. Enquanto as caravanas seguem adiante, tal como um RPG de mesa, o game te trará diferentes situações para você tomar decisões. Por exemplo, você será emboscado por camponeses famintos e sem lar. Você poderá chamá-los para se juntar a você, partilhar um pouco de seus suprimentos e deixá-los ir. Ameaçá-los ou partir pra briga. Toda ação no game tem consequências, imediatas e a longo prazo. Algo que você julga ser o melhor a se fazer pode tanto se tornar em problema logo em seguida, como pode acabar se voltando contra você lá na frente, quando você já deixou essa decisão pra trás. Ou podem se tornar vantagens muito maiores do que você jamais poderia supor que seriam.

E quais serão as consequências? Não há como saber, e é isso o que torna a experiência do game algo diferente. Não se tratam de consequências binárias: Seja bom com aquela pessoa, e ela será boa com você, seja mau, e ela te atacará. Tome as decisões de acordo com suas interpretações da situações, jamais esquecendo a lei deste game: tudo voltará para você, se será bom ou ruim, é o mundo que decide.

As caravanas, a sua vida

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Mantenha sua caravana viva, sua principal preocupação é essa. E a principal forma de cuidar de seu povo se dá por suas decisões. Mas além disso, você deve gerenciá-la. A progressão do game é muito simples, as caravanas do game já possuem um destino fixo: A caravana que continua sua viagem desde o primeiro game ruma para Arberrang, a capital dos humanos, levando consigo os últimos varls, os gigantes de chifres, fugindo de sua capital assolada pela guerra, junto de seu grupo. Os varls são todos homens, por isso, não podem gerar filhos. A única forma de um novo varl nascer, é ser criado pelo deus de seu povo. Mas em The Banner Saga, os deuses que criaram o mundo e todas as suas espécies morreram há eras, o mundo está por conta própria, e os varls se aproximam da extinção com cada membro de seu povo morrendo em combate.

E a nova caravana que acompanhamos alternadamente, liderava pelo rigoroso líder dos RavensBolverk, ruma para o norte, carregando consigo um imenso esquife de maneira, sem sequer saber o que há dentro dele. Sua missão: Jogar esse esquife no ponto mais fundo de um rio, para jamais ser recuperado.

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Sendo assim, as caravanas seguem por conta própria, sem que o jogador precise decidir seu curso (exceto quando o game pedir, mas são raros momentos), as caravanas seguem adiante em perspectiva 2D, sempre viajando da direita para a esquerda, em direção inicial para o oeste do mundo, assim as caravanas se movem por conta própria, e nós temos que manter todos vivos, gerenciando três pontos principais: O número de pessoas na caravana, as provisões, e a moral.

A população é dividida em três tipos: pessoas comuns, os Clansmen. Lutadores, os soldados que protegem a caravana, e os Varls, os gigantes de chifres que nos acompanham. Para manter todas essas pessoas vivas, precisamos das provisões, que conseguimos comprando de mercadores em cidades e vilas pelas quais passamos, ou caçando, quando a oportunidade surge. As provisões são contabilizadas em dias, mostrando para quantos dias as provisões que você tem durarão. Quanto maior sua população, maior o consumo de provisões. A cada dia que passa, um dia de provisões é consumido, e a moral de sua caravana cai.

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A moral influencia diretamente em tudo. Quanto melhor a moral, mais rápido a caravana viaja, e mais bônus de batalha você tem. Moral baixa deixa sua população infeliz, correndo o risco de ter pessoas abandonando a caravan, enfraquecendo o grupo todo. Por isso, sempre cuide bem de sua caravana, para mantê-la saudável e forte. Para proteger todos, você pode treinar soldados a partir do número de Clansmen que você. Mais soldados significa mais força, porém mais provisões consumidas, e menos pessoas capazes de gerar mais provisões.

Suas decisões influenciam diretamente a caravana, certas decisões podem melhorar ou diminuir a moral, das mais diversas formas. Convide pessoas no meio do caminho para se unir a você, e seu número aumenta, porém, aqueles que á o acompanham podem não gostar de ter mais gente se unindo a você, e ficarão chateados. Portanto jamais esqueça, toda e qualquer decisão sua influenciará sua caravana, que responderá de alguma forma quando as consequências virem.

Jogabilidade e as Batalhas

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Como já dito, a caravana se move por conta própria sem necessitar de seu controle. O que você pode controlar no entanto é o que fazer quando ela para, ou quando uma batalha se inicia. Você pode ordenar sua caravana montar acampamento para descansar. Nos acampamento, e nas vilas e cidades por onde você parar você poderá realizar algumas ações: Você pode descansar, fazendo isso, um dia de provisões é consumido, a moral de sua caravana melhora, e se houver algum personagem ferido em combate, ele irá se recuperar.

Você pode treinar seus personagens, para poder testar táticas novas, ou somente para se divertir com uma batalha. Mas uma bem-vinda novidade são os desafios. Nas tendas de treinamento você pode realizar certos desafios, que são batalhas com objetivos específicos, e bem desafiadores para se concluir. Esses desafios te ensinam a usar as habilidades únicas de cada personagem, te ensinando por exemplo a montar situações vantajosas e combinar habilidades de personagens diferentes para abrir um novo leque de estratégias de combate.

Você pode gerenciar seus personagens. Você pode ir para batalha com seis lutadores, que podem ser evoluídos pelo jogador. Ao matar determinado número de inimigos, um personagem pode ser promovido. Sendo promovido, ele recebe pontos de upgrade que podem ser colocados nos status, além de aprender uma habilidade nova após ser promovido algumas vezes. Você ainda pode equipar os personagens com um item de bônus passivos, como aumentar força, defesa, chance de esquiva e etc.

Por fim, temos as batalhas, que rolam ao estilo RPG tático. Após selecionar os personagens que irão a combate, primeiramente você deve posicioná-los no campo de batalha, que é um tabuleiro gigante dividido em pequenos quadrados. As batalhas acontecem em turno alternadamente. Começando pelo jogador, seguido pelo inimigo, e de volta ao jogador, um personagem por vez. O jogador pode executar duas ações por turno: Caminhar pelos blocos do cenário e atacar.

A barrinha de vida de cada personagem é dividida em dois status: Escudo, o número da bandeira azul, determina a resistência a golpes diretos, atacando o escudo, menos resistência o personagem terá. E a Força, o principal elemento, mostrado no número da bandeira vermelha, é tanto a vida, como o poder de ataque do personagem. Se o personagem tem 10 pontos de Força, significa que seu HP é 10, e seu poder de ataque é 10. Se ele for atacado e ficar com 7 pontos, ele tem 7 de HP e 7 de poder de ataque.

Confira aí abaixo um vídeo de um combate para entender um pouco melhor desses dois atributos:

E graças as habilidades de cada personagem, a estratégia de combate no game está muito melhor do que no primeiro, com o jogador podendo criar diferentes situações a seu favor, com o posicionamento e ações certas de cada personagem na hora certa.

Outra coisa muito importante é queem The Banner Saga 2 temos mais batalhas do que no primeiro game. Com isso, aqueles que sentiram falta de ação no primeiro game, e gostam de batalhas estratégicas estão bem servidos. Temos várias batalhas acontecendo na viagem das duas caravanas, batalhas que tanto o jogador já pode esperar que aconteçam, como algumas batalhas surpresa nos momentos mais inesperados. Batalhar, inclusive, é algo que em certos momentos o jogador pode decidir ou não encarar. Pense sempre no melhor para sua caravana, as vezes fugir é a melhor solução, ou em outro momentos, é melhor batalhar agora mesmo correndo riscos, do que ter uma surpresa pior mais pra frente.

Gráficos e Sons

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

The Banner Saga 2 possui os mesmos gráficos do primeiro game, com uma belíssima arte em 2D que parece até feita a mão. Os cenários são obras de arte, com florestas, montanhas, rios e diferentes paisagens conforme viajamos. Alguns cenários são tão belos que chegam a nos distrair momentaneamente do caminhar da caravana, que aliás, é algo extremamente tenso de se assistir, pois sempre ficam aquelas sensações de “Tá tudo muito quieto, algo ruim vai acontecer”, ou então “falta pouco, estou chegando em um lugar onde poderei me reabastecer (assim espero)”.

O game possui algumas cenas animadas, do mais puro e belo estilo de desenho animado que raramente se vê hoje em dia, com desenhos que parecem feitos a mão, em cenas visualmente belíssimas.

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

The Banner Saga 2 possui uma belíssima trilha sonora, normalmente com um clima de urgência. Afinal, as caravanas não estão viajando a laser, estão em fuga constante de todos os perigos que incessantemente perseguem os personagem, encrustados nas faces vazias e terríveis dos Dredges e com um novo perigo catastrófico que surgiu.

Os sons de combate também são muito bons, com sons realistas de espadas se chocando, escudos sendo golpeados, fogo e raios. Os personagens do game não falam, exceto no final de cada capítulo, ou ao se chegar em pontos importantes da viagem, como as Pedras dos Deuses, monumentos de incrível beleza, uma última lembrança de que um dia os deuses existiram naquele mundo a beira do colapso.

Conclusão

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

The Banner Saga 2 conseguiu melhorar tudo o que o primeiro game nos havia apresentado, melhorando os combates e trazendo mais batalhas pelo caminho, dando mais opções de gerenciamento de recursos e da caravana, e o principal: Conseguindo ser muito, muito mais cruel do que o primeiro game.

O primeiro game terminou em desgraça, e aqui, começamos a aventura na desgraça, observando enquanto tudo a nossa volta só piora cada vez mais e mais. As decisões estão mais difíceis e mais imediatas, e as consequências estão muito mais impactantes, em todos os sentidos, tanto para o bem, tanto para o mal. The Banner Saga 2 é um game que não vai estender a mão para você, caso você falhe, é um game que vai tentar, e vai conseguir, te fazer tropeçar enquanto está de pé, que vai pisoteá-lo se você for imprudente o bastante para se deixar cair. Mas afinal, a vida real também não é assim?

Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2

Com seu estilo único de contar sua história e de nos colocar sobre a cruz e a espada a todo momento, The Banner Saga 2 é, assim como o primeiro, um game que parece estranho para quem o vê de fora, para quem só vê uma ou outra imagem, ou um trailer na internet. Mas é um game que surpreende totalmente aqueles que se entregarem à ele. Portanto se você quer uma experiência muito impactante, e bem diferente do que você está acostumado, The Banner Saga 2 é um game que definitivamente merece a sua atenção. Se você está buscando algo novo, diferente do “comum”, eu lhe convido a encarar essa nova experiência. E vai ter The Banner Saga 3, então não se acostume com o sossego!

The Banner Saga 2 foi lançado no dia 19 de abril para os PCs, e foi lançado no Xbox One no dia 1º de julho, e no Playstation 4 no dia 5 de julho.

2 Respostas para “Análise Arkade: Um mundo aos pedaços e as cruéis consequências de The Banner Saga 2”

  • 23 de julho de 2016 às 19:36 -

    Abrahao Lopes

  • Assinantes Xbox Live Gold pode baixar este jogo GRATUITAMENTE até 31/07/2016. Aproveitem!

    • 23 de julho de 2016 às 22:16 -

      Renan do Prado

    • E baixem mesmo pois vale muito a pena!!

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