Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew

20 de dezembro de 2014
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew

Que tal transformar todo o território dos Estados Unidos em um playground de velocidade para você e seus amigos? É isso o que The Crew promete, confira nossa análise na sequência!

Sinopse em jogo de corrida? Tem sim, senhor!

The Crew é um jogo, no mínimo, ambicioso. Ele reconstrói (salvas as devidas proporções) todo o mapa dos Estados Unidos para você acelerar enquanto mergulha no submundo das corridas ilegais, dos rachas e das gangues de corredores que se espalham pelo país.

Na trama, assumimos o controle de Alex Taylor, o “melhor piloto da região” que se envolve da pior maneira possível com a obscura gangue 510, grupo que usa a fachada de um clube de corrida para esconder tráfico, assassinato e outras atividades criminosas.

Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew

Ao ser vítima de uma emboscada, Alex é acusado do assassinato de seu próprio irmão e vai para a cadeia. Porém, suas habilidades ao volante chamam a atenção do FBI, que promete limpar a sua ficha se você der um jeito de se infiltrar na 510 para desmantelar toda a criminalidade que há ali. De quebra, você ainda terá a chance de vingar a morte do seu irmão.

Esta é a premissa básica de The Crew, e é o que vai motivar seu personagem a cruzar os Estados Unidos desafiando outros corredores, perseguindo, sendo perseguido e cumprindo missões para subir na hierarquia da 510 para chegar aos “cabeças” da gangue, que, não por acaso, são os verdadeiros responsáveis pelo assassinato de seu irmão.

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Como você percebeu, a história é bem clichê e tem a maior cara de filmes como Velozes e Furiosos. Mas, como em outros jogos de corrida, a história aqui é um mero pano de fundo, o que importa mesmo é pisar fundo enquanto pilota e customiza carrões, certo?

Gameplay

A jogabilidade default de The Crew tem uma pegada bem arcade: câmbio automático, um leve auxílio na direção e outros recursos “facilitadores” tornam o gameplay bem acessível. Porém, para quem busca algo mais realista, o jogo oferece várias opções customizáveis que podem ser alteradas para garantir uma experiência mais próxima de um simulador.

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Essas opções envolvem detalhes técnicos bem aprofundados, como a definição da sensibilidade do ponto cego da direção, linearidade do acelerador e do freio, nível de ajuda na dirigibilidade, entre outros aspectos. Nada disso vai transformar The Crew em um Gran Turismo da vida, mas consegue mudar relativamente a pegada do game.

The Crew conta com dezenas de carros licenciados de grandes marcas — Ferrari, BMW, Chevrolet, Lamborghini, Aston Martin, entre outras. A variedade de carros é grande, e todas as máquinas são visualmente deslumbrantes e muito detalhadas.

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O que não é tão variado assim é o “feeling” da direção. Independente se você está pilotando uma enorme picape Ford F150 Raptor, um Camaro amarelo ou uma incrível Lamborghini Murciélago LP640, a física e o peso dos carros não é realmente perceptível. A própria sensação de velocidade — algo tão importante em um game de corrida — não é tão significativa quanto deveria.

Embora você logo se habitue com estes problemas, a impressão que dá é que simplesmente falta à Ubisoft e à Ivory Tower o know how de produzir um jogo de corrida. Pelas mãos de gente mais acostumada à velocidade — como a Codemasters ou a Criterion Games — o jogo sem dúvida seria melhor naquilo que ele se propõe a fazer, que é oferecer uma boa experiência de velocidade.

Pimp my Ride

Se The Crew deixa um pouco a desejar no quesito gameplay, por outro lado ele oferece uma ótima diversão para quem curte customizar carros. Existem dezenas de opções de para-choques, aerofólios, saias, rodas, etc. Você também pode mudar a cor e adesivar seus carros, e há inclusive um menu de customização só da parte interna, onde você muda o material e as cores dos bancos e painéis.

Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew

Além da aparência, você pode melhorar também a performance do carro, fuçando no motor e adquirindo novas peças — injetor de combustível, caixa de câmbio, exaustores, freios, e muito mais. Além de peças que podem ser compradas, você adquire novas peças conforme participa de eventos e corridas, ganhando prêmios melhores de acordo com seu desempenho nas pistas.

Fizemos um vídeo do menu de customização de alguns carros, confere aí:

Além disso, The Crew tem um outro lance bem bacana: você pode adquirir kits de tunagem que alteram completamente o “estilo” do carro. Isso quer dizer que você pode pegar um Camaro e meter umas rodonas, um protetor de cárter e uns amortecedores bolados para rallys e corridas off-road, como também pode rebaixá-lo, retirar todo o peso extra, acrescentar umas entradas de ar e umas rodas mais leves para melhorar seu desempenho em corridas de circuito e velocidade.

Na prática, temos 5 estilos diferentes para quase todos os carros, além do padrão “de fábrica”: Rua, Terra, Rally, Desempenho e Circuito. Novamente, a diferença vai mais para a parte estética do que para o gameplay, ainda que a diferença de “feeling” entre os estilos de carro seja mais pronunciada que a diferença entre carros de diferentes marcas/modelos.

Confira abaixo a variação de estilos do bom e velho Camaro:

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Camaro “Padrão”.

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Camaro “Rua”.

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Camaro “Terra”.

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Camaro “Rally”.

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Camaro “Desempenho”.

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Camaro “Circuito”.

Legal né? E esse é o visual de cada estilo em seu kit básico, e cada kit possui seus próprios modelos diferenciados de para-choques, rodas, saias e tudo mais, o que oferece uma ampla variedade e torna bem difícil de vermos dois carros iguais, mesmo que sejam da mesma marca e modelo.

Acelerando pelos EUA

Se tivesse que rotular The Crew, eu diria que ele é um jogo de corrida em mundo aberto que tenta ser um MMO. Desde o início você pode ir para qualquer canto do mapa — nada de “destravar novos locais”, o mapa todo está liberado desde o início –, mas, obviamente, as missões obedecem a um certo timing, que está atrelado ao desenvolvimento da campanha, que se divide em missões principais e outras menores.

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Na prática, você pode ir da Costa Leste (onde o jogo começa) até a Costa Oeste a hora que quiser, mas isso irá valer só pela viagem, pois você deve seguir “o roteiro” e completar as missões de uma região para liberar objetivos e lojas na próxima, e assim sucessivamente. O bom e velho Fast Travel só é ativado depois que você visita o aeroporto, a estação rodoviária ou as lojas de carros e tuning de cada região.

O mapa do game é absurdamente grande. Claro que recriar o mapa em escala real seria impraticável (e injogável) mas, salvas as devidas proporções, o que temos e The Crew é uma versão sintetizada dos EUA, com muitas cidades famosas “recheadas” com suas regiões mais importantes e pontos turísticos.

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A fidelidade da recriação impressiona, mas com ressalvas: quem já fez uma “road trip” pelos Estados Unidos vai reconhecer muita coisa, mas também vai reparar que, na maioria dos casos, tudo é meio “genérico” e diminuído, e nunca passa aquele feeling de uma cidade real e cheia de vida que já vimos em outros jogos.

O lado MMO

Mais ou menos como em Destiny, sempre que você entra em The Crew, vai estar em uma “sala” com outros jogadores, que estão indo para lá e para cá em seus próprios jogos, seguindo com suas próprias campanhas e correndo em suas próprias missões.

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Apesar disso, todas as missões e corridas podem ser cumpridas em modo singleplayer: você não pode jogar The Crew offline, mas pode simplesmente não jogar com outros players, encarando as corridas contra pilotos controlados pelo inteligência artificial. O lado ruim é que, em caso de queda de servidor, você simplesmente não pode entrar em missões, ficando basicamente vagando pelo mapa enquanto espera  a conexão voltar.

Falando nisso, a polícia de The Crew (que vai te perseguir em missões, ou caso você atropele pessoas e cause muita destruição enquanto dirige em modo livre) é uma das mais implacáveis que já vi no mundo dos games: ela bate forte para te tirar da ação e demora para ser despistada. Como em GTA, quanto maior o seu índice de “procurado”, maior é a força policial que irá ficar na sua cola.

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Se tiver 3 amigos para jogar contigo, você pode criar um Crew, que é basicamente um clubinho privado de corredores sem muito propósito prático além da simples exploração em grupo. Jogar com um Crew completo não agrega em praticamente nada, e pode inclusive dificultar sua vida, caso você esteja em um grupo de corredores mais experientes, visto que os avisos de “este evento está acima do seu nível atual” serão constantes.

No geral, fica aquela sensação de que The Crew é basicamente um jogo de corrida com uma campanha singleplayer que é jogado em um servidor online onde outros jogadores estão sempre presentes. Provável que o objetivo das produtoras fosse criar uma experiência muito mais social, mas o que temos aqui não estimula essa sociabilidade.

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Audiovisual

The Crew é um jogo muito bonito, com carros bem modelados — os controláveis, pelo menos, os “carros NPCs” são bem simples — e um mapa que consegue ter um nível de detalhes bem impressionante, considerando seu tamanho. A taxa de framerate se mantém estável na maior parte do tempo, e bugs só são vistos quando você está realmente jogando com outros players, com carros que “se teleportam”, colisões que atrasam e outras bizarrices.

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Mesmo tendo um visual bacana, porém, é fato que, no geral, The Crew fica atrás de outros games de corrida recentes, como Forza Horizon 2 ou DriveClub. Além disso, as cenas de colisão tentam ser bacanas, mas são patéticas: Burnout fazia melhor há uma década, ainda no Playstation 2. Ah, e você sequer precisa gastar dinheiro consertando seus carros, pois eles possuem um “fator de cura” digno do Wolverine: fique sem bater que os riscos e amassados irão sumindo gradativamente. Quem dera fosse assim na vida real!

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O departamento sonoro é competente, com roncos de motores bacanas e uma ótima dublagem, encabeçada pelo sempre talentoso Troy Baker no papel de Alex. The Crew não possui dublagem em português, mas é 100% legendado em nosso idioma. A trilha sonora incidental que rola em missões e perseguições é bem bacana, mas as músicas que tocam no rádio do carro são techneiras e hip hops um tanto genéricos.

The Crew é um jogo estiloso e cinematográfico quando quer: como você viu no vídeo que fizemos, enquanto você tuna seu carro, ele se desmonta de um jeito muito legal, parece um ser vivo, um Transformer. Em certas missões, você verá aviões dando rasantes sobre a pista ou helicópteros acompanhando de perto a corrida. Esse tipo de detalhe é interessante e mostra que houve um trabalho criativo muito bem elaborado em certos aspectos secundários do game.

Conclusão

The Crew é um jogo de corrida que poderia ser muito bom, mas só consegue ser mediano se comparado a outros títulos recentes do gênero. Sua premissa é ousada e inovadora, mas sua execução deixa a desejar em elementos que são bem importantes em um game de corrida.

Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew

Se o que você busca é um racing game de mundo aberto bem vasto para explorar com os amigos, The Crew pode ser uma ótima pedida. Mas se o que você quer é um jogo bem calibrado e competitivo, onde a sensação de velocidade e o feeling de pilotar diferentes carros é realmente notável, sem dúvida existem opções melhores no mercado.

Apesar disso, estou curioso para ver o que o futuro reserva para este game (o produtor do game nos contou que a ideia é transformá-lo em uma franquia), pois ele tem potencial de se tornar maior e melhor em uma próxima empreitada, se feito da maneira correta. Vamos esperar para ver.

The Crew foi lançado no dia 2 de dezembro, com versões para PC, Playstation 4, Xbox One e Xbox 360.

4 Respostas para “Análise Arkade: acelerando pelos Estados Unidos com The Crew”

  • 20 de dezembro de 2014 às 17:53 -

    Paulo Dias

  • Olhando bem na base, é um Test Drive Unlimited com mais possibilidades e estilos de corrida. Test Drive Unlimited também entregava menos do que prometia, mas rendia “altos rolês” pela ilha. Para quem quer passar um tempo em um jogo de corrida apenas dirigindo sem se preocupar com muita coisa, acho que The Crew também será uma boa pedida.

  • 21 de dezembro de 2014 às 07:47 -

    hudson

  • Esse jogo e uma farsa, um lixo de gráfico envolvido em publicidade enganosa. Comprei o meu ontem e já estou me desfazendo só com meia hora de jogo pois chega a a ser ridículo o gradico.

  • 22 de dezembro de 2014 às 16:30 -

    henriqueblg

  • Não defendo o jogo, mas o game tem ótimo gráfico, o Paulo não entende de nada de game, o game é muito acima do esperado na parte gráfica, o que ficou faltando para mim neste game é dirigir e sentir as diferentes física do carro em relação a outros game se tornando muito árcade neste aspecto, no geral é um excelente jogo, faltando ser mais um jogo de corrida.

    • 22 de dezembro de 2014 às 16:32 -

      henriqueblg

    • desculpa errei na pessoa não é o Paulo e sim o Hudson.

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