Análise Arkade: The Evil Within 2 reinventa-se para se tornar um jogo muito melhor

19 de outubro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: The Evil Within 2 reinventa-se para se tornar um jogo muito melhor

The Evil Within 2 foi anunciado meio de repente na E3 deste ano, e poucos meses depois, já está nas prateleiras. Mas isso não quer dizer que o game foi feito às pressas, muito pelo contrário, confira nosso review e entenda como este é um dos jogos de terror mais legais dos últimos tempos!

Bem-vindo à Silent Hill Union City

Quem jogou o primeiro The Evil Within sabe que seu protagonista — o (agora ex) detetive Sebastian Castellanos — é um sujeito amargurado pela morte de sua esposa e de sua filha. Mas… e se a pequena Lily não tiver morrido de verdade? Até onde Castellanos está disposto a ir para salvá-la?

É isso que Juli Kidman, sua ex-parceira e agente da igualmente misteriosa Mobius, oferece para Castellanos: uma chance de salvar sua filha. Porém, para isso ele terá que embarcar em um passeio nada agradável pela cidade de Union, uma simulação digital gerada dentro do STEM — que é basicamente uma Matrix dos infernos.

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A Mobius usa crianças como cobaias para gerar o STEM, porém o sistema está sendo corrompido, e com isso a agência perdeu o contato com aquele mundo, com seus agentes lá dentro e com a própria Lily. Se quiser rever sua filha, Castellanos terá que encontrá-la lá dentro… e sair de lá com vida, claro.

The Evil Within 2 é aquele tipo de jogo que tem mais uma premissa do que uma história: o protagonista é impelido a entrar em um mundo de pesadelo, e irá passar pelas mais terríveis provações lá dentro. Há uma narrativa que vai ganhando complexidade da metade para frente, mas ela não é tão memorável assim. O que importa é: explore Union City, sobreviva ao inferno e salve Lily. Aliás, isso não te lembra um certo survival horror da Konami, não?

Maior e melhor

O primeiro The Evil Within era um jogo competente em criar uma atmosfera de terror, mas pecava um pouco em seu gameplay, que era um tanto “duro”, e lembrava um bocado Resident Evil 4 — que é um ótimo jogo, mas tem mecânicas bem datadas. A boa notícia é que o pessoal da Tango Gameworks ouviu os feedbacks e deu uma baita melhorada em praticamente tudo, mantendo o que funcionava e acrescentando boas novidades.

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Prepare-se para encontrar monstros ainda mais horripilantes.

The Evil Within 2 é um survival horror, então não ache que você pode sair bancando o Rambo e distribuindo tiros para todos os lados, pois sua munição é sempre contada. O stealth é parte fundamental da experiência, e em muitos casos vale mais a pena tentar evitar os confrontos, especialmente contra grupos grandes de inimigos.

Coisas como a besta — que continua sendo a melhor arma do jogo — voltam, bem como o submundo que fica além do espelho e os upgrades, que são administrados pela mesma enfermeira esquisitona e lhe concedem boas vantagens em diferentes aspectos de gameplay.

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Também é bom revê-la, Tatiana!

Uma boa novidade é que agora podemos coletar tranqueiras (pólvora, pregos, peças, fusíveis) para fabricar não apenas os dardos da besta, mas munição para qualquer arma e até mesmo plantas para criar injeções e medkits. Você pode criar itens em qualquer lugar, mas isso consome mais matéria-prima, então é recomendável que você estoque em suprimentos e espere até encontrar uma mesa de criação para manufaturar suas munições e melhorar suas armas.

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Esta é a tela de criação de itens.

Outra coisa que volta com força total são os chefes: maiores e mais variados, eles renderão batalhas muito emocionantes. Entre aberrações monstruosas gigantes e seres humanos com “super poderes” (um deles é um fotógrafo sádico com habilidades bem interessantes), Castellanos não terá sossego em sua nova jornada.

Agora com mundo aberto

Em jogos de terror tradicionais tudo é muito linear, de forma que não há muito espaço para inventividade, mas The Evil Within 2 resolve isso ao apresentar ao jogador trechos de mundo aberto, onde você é livre para explorar e coletar recursos, e pode até cumprir sidequests, que aprofundam o bizarro mundo que há no STEM e até lhe rendem armas e equipamentos melhores.

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O pequeno grande mundo aberto de Union City.

É uma abordagem corajosa — terror e medo são coisas que precisam ser direcionadas, conduzidas — mas os produtores acertaram a mão com o que fizeram aqui. Se você reparar, há pouquíssimos jogos de terror em mundo aberto, justamente porque a temática demanda que o jogador não tenha tanta liberdade assim, e o ambiente obscuro e claustrofóbico da maioria dos games do gênero é cuidadosamente construído para potencializar o “cagaço”.

Mas, mesmo em seus trechos de mundo aberto, The Evil Within 2 consegue te deixar tenso, sem saber o que vai encontrar ao virar a esquina. E há vários prédios públicos, casas, oficinas e instalações que você pode desbravar em busca de espólios e segredos. O game mantém a qualidade do micro mas capricha no macro, formando um todo coeso que funciona muito bem.

Confira abaixo um pouco de gameplay desta área open world do game:

Que fique claro: The Evil Within 2 NÃO é um jogo de mundo aberto. O que temos aqui é parecido com o que a Naughty Dog fez recentemente em Uncharted: The Lost Legacy. O jogo em si é bastante linear, mas há trechos onde temos um mapa amplo para explorar. Você pode tanto ir direto à missão principal e gastar só 20 minutos ali, como gastar horas explorando e cumprindo sidequests. A escolha é sua, e o jogo é honesto em deixar você passar batido por isso, se preferir.

Audiovisual

Usando sua engine “exclusiva” STEM Engine, o estúdio Tango Gameworks entrega um jogo muito bonito, com visual digno de um triple A, animações muito fluidas e alguns dos melhores efeitos de iluminação que vi nos últimos tempos (algo que, é bom lembrar, já era impressionante no primeiro game). Temos mais variedade de cenários — até pelos trechos em mundo aberto –, o que também enriquece a experiência.

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Mais do que bonito, The Evil Within 2 está cinematográfico: o game é cheio de cutscenes muito boas, que dão um show de visual e desenvolvem a narrativa com muita competência. As expressões faciais também estão muito boas e ainda que Castellanos continue não sendo lá um cara muito carismático, ele sem dúvida deu uma boa melhorada de 2014 para cá.

The Evil Within 2 é mais um jogo da Bethesda que chega 100% localizado em nosso idioma — isso mesmo, temos dublagens e legendas em português brasileiro! A dublagem nacional é competente e conta com vozes bem conhecidas, mas eu preferi manter meu jogo com o áudio original (em inglês) só por purismo, mesmo.

Confira um trailer dublado abaixo:

A trilha sonora combina com o tema e com o teor cinematográfico do game, entregando faixas que acentuam o suspense e mantém o jogador “na ponta da cadeira”. Melhor do que isso são os efeitos, que funcionam quase como um sistema de ecolocalização: com um bom sistema de som, você vai saber exatamente onde está o perigo, podendo antecipar sua abordagem.

Conclusão

Enquanto muitas franquias se acomodam no sucesso e lançam sequências tão parecidas que poderiam ser apenas expansões (cof, cof, Destiny 2), The Evil Within 2 faz o oposto, e se reinventa quase completamente para oferecer um jogo que supera — e muito — o original, aprimorando o que já funcionava e implementando muitas novidades.

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Castellanos usava um lampião no primeiro game, agora carrega uma lanterna, e isso pode ser metaforicamente comparado à evolução que tivemos de um jogo para outro. Tudo está maior, melhor, mais fluido e dinâmico, e isso tudo torna a experiência muito mais agradável.

Quando joguei o primeiro The Evil Within, eu ficava comparando-o com Resident Evil 4 em minha cabeça. Com The Evil Within 2, eu só conseguia pensar em Silent Hill, pois eles têm uma pegada bem parecida: um pai desesperado procurando sua filha em uma cidade “deserta” cheia de monstros. E Silent Hill ainda é para mim um dos melhores survival horrors de todos os tempos, então comparar The Evil Within 2 com ele é um grande elogio!

Análise Arkade: The Evil Within 2 reinventa-se para se tornar um jogo muito melhor

Fala sério, isso não é MUITO Silent Hill?

The Evil Within 2 foi lançado em 13 de outubro (sexta-feira 13, claro), com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. Se você é PC gamer, aproveite o link abaixo para garantir sua cópia por um precinho mais do que camarada com os nossos parceiros da Nuuvem!

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2 Respostas para “Análise Arkade: The Evil Within 2 reinventa-se para se tornar um jogo muito melhor”

  • 30 de novembro de 2017 às 20:23 -

    Milton Brest

  • Realmente é um jogo de terror, o que muitos das ultimas gerações pos resident e silent hill não conseguiram fazer, com exceção de fatal frame que bem que poderia voltar pros consoles que já estao em 4k, tew 2 deixa ate o mais experiente jogador com um pé atras pra explorar union sem estar o tempo todo incomodado com o que pode surgir, criaturas deformadas furiosas, aberrações e até mesmo aparições fantasmagóricas, o legal tmbm foi darem uma pitada de matrix ao game, que por ser em um mundo irreal faz todo o sentido as coisas absurdas que acontecem no jogo como a demolição da cidade com pedaços meio que flutuando, a dificuldade dos suprimentos para mim é o principal de um survival, nada de ação desenfreada, o estilo furtivo é muito importante, vc ter opção de eliminar um inimigo ao menor vacilo ou ver que nao te oferece vantagem um confronto e passar despercebido, a graça do jogo não é passar de nivel simplesmente e nem matar inimigos mas sim explorar e decidir qual caminho e como vc irá prosseguir, uma estrategia de traçar uma rota “menos dificil” usando da melhor maneira sua munição sem ficar de calças curtas mais adiante, isso significa horror de sobrevivencia (o que muitos jogos ficam so no nome) mas the evil within 2 não promete nada que não possa cumprir, sua unica fraqueza é não ter uma atenção mais merecida por parte dos criticos !!!

  • 30 de novembro de 2017 às 20:29 -

    Milton Brest

  • Esqueci de dizer…esse jogo merece uma edição de colecionador, tem tantas porcarias so por um hype bobo teem o seu, porque não essa obra ???

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