Análise Arkade: Wolfenstein II The New Colossus traz uma bela história em meio à guerra

6 de novembro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Wolfenstein II The New Colossus traz uma bela história em meio à guerra

É hora de retomarmos os Estados Unidos do controle dos nazistas. Wolfenstein II: The New Colossus é um jogo que mistura realidade e fantasia para contar uma história surpreendentemente humana sobre os horrores da guerra, confira nossa análise!

O domínio nazista continua

Wolfenstein II: The New Colossus começa imediatamente após o final do reboot, The New Order, de 2014. Os planos de B.J. Blazkowicz para impedir o avanço nazista não deram tão certo quanto ele esperava, e após os graves ferimentos sofridos na derradeira batalha do primeiro game, ele já começa o novo jogo gravemente ferido, acordando de um coma com seu corpo seriamente avariado e dependendo de uma cadeira de rodas para se locomover.

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A Resistência possui uma nova base — o Martelo de Eva, um enorme submarino nuclear — e é dali que eles traçam planos de retornar a algumas das principais cidades norte-americanas para enfraquecer a presença nazista na terra do Tio Sam. Quando os nazistas invadem o submarino e demandam que Blazkowicz entregue-se, ele faz isso para salvar seu grupo — inclusive Anya, enfermeira que está grávida dele.

Claro que esta captura não é uma rendição, e após uma tensa escolha inicial — mais ou menos como aquela que tínhamos de fazer no trem em The New Order –, Blazkowitz estará mais uma vez abrindo caminho entre hordas de nazistas e suas máquinas de guerra, utilizando as habilidades da armadura de Caroline para restabelecer o controle de seu corpo.

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Falar mais do que isso estragaria as boas surpresas que a campanha guarda para você, mas espere por momentos intensos e plot twists surpreendentes!

Uma história humana

Conforme a resistência avança em sua campanha de retomar os EUA, vai fazendo novos aliados — minorias revolucionárias que vivem sendo caçadas pelos nazistas. Entre negros, deficientes, desajustados e baderneiros, o grupo de Blaskowitz acaba virando um instável amontoado de pessoas de etnias, crenças e princípios bem discrepantes.

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Isto acaba por se revelar um dos maiores pontos positivos do game: por mais que se passe em uma absurda versão alternativa da história onde cabeças são transplantadas entre corpos e nazistas possuem absurdos mechs de combate, Wolfenstein II: The New Colossus é um jogo surpreendentemente humano, e aborda assuntos espinhosos como racismo e preconceito com muita sensibilidade.

Uma prova disso são os flashbacks da infância de Blaskowitz, cujo pai violento e preconceituoso sempre foi um péssimo modelo. O pequeno B.J. até teve uma amiguinha negra, em uma relação que começou cheia de diálogos inocentes sobre a forma com que brancos e negros enxergavam o mundo.

Confira um pouco desse trecho no vídeo abaixo:

E não é só neste quesito que o jogo brilha: o grupo de Blaskowitz acabas incorporando a filha de uma da principais vilãs da história, e, mesmo tendo ajudado o grupo, ela é vista com desconfiança por ser alemã (logo, nazista). A conturbada relação de Blaskowitz com Anya e os demais conflitos que envolvem a tripulação são muito autênticos, e fazem com que o jogador realmente crie empatia pelos personagens.

Chega a ser engraçado que um jogo com uma premissa tão “absurda” consiga ser mais humano do que jogos que apoiam-se em fatos históricos, como Battlefield 1, por exemplo, e (na teoria) teriam embasamento para tocar muito mais fundo nas feridas sociais que envolvem um conflito de proporções globais.

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A campanha de Wolfenstein II: The New Colossus é sangrenta cheia de maluquices, mas o cerne aqui está nas relações humanas. E a Machine Games conseguiu criar algo realmente único, uma história tão sensível que faz contraponto com o gameplay frenético e visceral característico de Wolfenstein.

Metralhando nazistas

O gameplay segue a mesma linha do que conhecemos em The New Order: Blaskowitz pode carregar um punhado de armas simultaneamente, e também é capaz de equipar duas armas diferentes ao mesmo tempo, o que é extremamente badass. Nada de energia que se regenera sozinha, aqui você precisa coletar alimentos e medikits para se curar.

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Mais importante que a barra de saúde, porém, é o medidor de armadura: como no primeiro game, sua barra de saúde não é lá muito grande (embora aumente no decorrer da campanha), de modo que é altamente recomendável que você esteja o tempo todo acumulando coletes, capacetes e peças de armadura para se proteger dos tiros inimigos.

Veja quase 30 minutos de puro gameplay e muito tiroteio novídeo abaixo:

Os soldados serão o menor dos seus problemas em Wolfenstein II: de drones equipados com lasers até enormes mechs de combate, os nazistas estão muito bem equipados para o combate. A vantagem é que você pode usar algumas dessas armas a seu favor, desmontando turrets ou mesmo cavalgando um dos enormes panzerhunds cuspidores de fogo!

Uma coisa que me incomoda nestes novos jogos da série Wolfenstein II é a falta de feedback dos tiros: é comum a gente simplesmente “não sentir” os tiros, e acabar morrendo de bobeira por não estar de olho nas barras de vida/armadura. Parece que os tiros não tem peso no protagonista, e a falta de recursos visuais que demonstrem que estamos tomando dano — tipo tela ficando avermelhada, visão embaçada, ou algo do tipo — faz muita falta.

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Somado a isso, temos o fato de que Wolfenstein II é um jogo difícil. Eu comecei a campanha no que seria a dificuldade normal, mas acabei indo para a casual, e o jogo ficou mais jogável e menos frustrante. Acho que boa parte desta dificuldade vem justamente desta falta de feedback de dano, e chega a ser engraçado como a franquia que praticamente inventou o gênero FPS deixe um pouco a desejar justamente em termos de gameplay.

Que fique claro: as mecânicas em si funcionam, só não são tão boas quanto poderiam ser, e se comparado com Destiny 2 e outros lançamentos recentes, Wolfenstein II sem dúvida fica abaixo da média. Tenho a impressão que isso é mais uma escolha da produtora do que um problema propriamente dito, mas eu realmente gostaria que o gameplay do jogo fosse tão bom quanto sua história.

Audiovisual

Wolfenstein II é um jogo belíssimo, com visual realista — ainda que bastante estilizado — e direção de arte inspiradíssima em termos de cenários e personagens. E ele ainda roda em 60fps em todas as plataformas. Eu queria entender qual é a “mágica” que a Machine Games faz que outras empresas não sabem fazer, pois há outros games nem tão impressionantes que não rodam a 60 frames nos consoles, enquanto Wolfenstein II faz isso de forma fluida e sem engasgos.

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Este é mais um jogo da Bethesda que chega ao Brasil 100% em português brasileiro, e embora a qualidade das dublagens em geral seja boa, a sincronia labial é péssima, o que tira um pouco da carga dramática das ótimas cutscenes que desenvolvem a narrativa.

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Felizmente, o time de localização foi sábio o bastante para manter os diálogos em alemão dos nazistas (ainda que alguns ganhem dublagem em português) e considerando que neste Wolfenstein enfim vemos o Fürher em pessoa, é minimamente decente que ele fale o idioma de sua nação.

Conclusão

Ao contrário de tantos outros jogos de tiro em primeira pessoa que só valem pelo seu multiplayer, Wolfenstein II: The New Colossus é um FPS que merece ser jogado por sua história. Ele sequer tem multiplayer — a Machine Games preferiu focar seus esforços em uma campanha decente –, mas sua campanha dura mais de 15 horas (e merece ser jogada pelo menos 2 vezes, pela bifurcação gerada pela escolha inicial), e possui ótima cadência e algumas reviravoltas insanas que irão explodir sua cabeça!

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Considerando o quão raro é um FPS focado em sua campanha single player, a qualidade da narrativa que temos aqui compensa totalmente a falta de jogatina online. E, acho válido repetir: mesmo ambientado em uma linha temporal fictícia e cheia de absurdos, Wolfenstein II: The New Colossus consegue entregar uma história muito mais humana do que muitas outras obras que são inspiradas em fatos históricos.

Wolfenstein II: The New Colossus é sangrento, frenético e visceral, mas também é corajoso e sensível, abordando temas polêmicos com delicadeza e autenticidade. Matar nazistas continua sendo extremamente divertido, mas acompanhar os dramas humanos de Blaskowitz e seus companheiros de revolução sem dúvida é a cereja do bolo deste grande game.

Wolfenstein II: The New Colossus foi lançado em 27 de outubro de 2017, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. O game está 100% em português brasileiro, e no ano que vem deve receber uma versão para Nintendo Switch.

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