Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad

13 de maio de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad

Hora de embarcar em 4 grandes aventuras que se entrelaçam em uma épica jornada: Wolrd to the West é um “pequeno grande jogo” que merece ser apreciado, confira nossa análise!

Contextualizando

Você jogou Teslagrad? O puzzle game 2D de 2013 tornou-se meio que um clássico cult, e — PASME — World to the West é nada mais nada menos que a sequência de Teslagrad! Você sabia que Teslagrad estava para ganhar uma sequência este ano? Pois é, nem eu, mas aqui está ela!

Basta bater o olho rapidamente em World to the West para percebermos que muita coisa mudou: o que era um puzzle game 2D com um protagonista mudo agora é um jogo de aventura isométrico, com uma pitada de MetroidVania e nada menos que 4 protagonistas (bem tagarelas). Mudou um bocado, não?

Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad

Verdade seja dita, mesmo que você não tenha jogado Teslagrad, poderá jogar World to the West sem problemas. Ele se passa no mesmo universo, mas vários anos depois do primeiro game, e conta uma história independente. Claro que quem jogou irá ter uma experiência mais completa — com muitas referências e easter eggs –, mas quem não jogou pode aproveitar o game sem ficar perdido.

4 heróis, uma profecia

World to the West se passa em um mundo de fantasia que está sendo consumido pelas sombras. Neste clima de mistério, uma antiga profecia pode ser a salvação de todos, e 4 heróis bem diferentes terão seus destinos entrelaçados de formas curiosas, enquanto seus caminhos se cruzam e acabam lhes colocando no rumo da tal profecia por razões bem diferentes.

Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad

Cada personagem tem sua própria história, bem como motivações e habilidades únicas: Lumina é uma Teslamancer capaz de se teleportar em curtas distâncias e empunha um Tesla Rod. O pequeno orfão Knaus pode cavar com sua pá, e é o único personagem pequeno o bastante para se espremer por passagens pequenas. Miss Teri é atlética e pode usar seu cachecol para se pendurar e hipnotizar inimigos. Por fim, temos o grandalhão Lord Clonington, que é pura força bruta, podendo nocautear inimigos e destruir portas e obstruções na porrada.

Confira abaixo um momento bem desafiador que aproveita as habilidades de teleporte de Lumina:

A questão é que, na maior parte do jogo, não teremos acesso aos 4: World to the West se divide em capítulos, e após conhecermos cada personagem nos capítulos iniciais, vemos eles se encontrando — e se desencontrando — conforme a história avança, de modo que as narrativas dos 4 vão correndo em paralelo, sem que eles necessariamente precisem estar juntos. Na maior parte do tempo, serão 2 personagens de cada vez, e você precisará ser criativo na hora de usar as habilidades de cada um para prosseguir.

Um vasto mundo a ser explorado

O mapa do game é enorme, e vai se descortinando conforme você explora novas áreas. O mix de exploração, dungeons e environmental puzzles lembra os primórdios da série Zelda, especialmente A Link to the Past: o mapa é abeto e amplo, mas ramifica-se em templos, cavernas, florestas, desertos e outros ambientes. Você invariavelmente vai passar pelos mesmos lugares com diferentes personagens, e parte do desafio é justamente entender como superar os obstáculos com as habilidades e limitações de cada um.

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Assim, o game acaba assumindo ares de MetroidVania, mas com um diferencial: ocasionalmente você vai ficar “travado” não porque não tem a habilidade certa, mas porque não está com o personagem certo para aquela situação. Na dúvida, tente encontrar outro caminho e revisitar aquele lugar mais tarde, com o personagem certo. A história do jogo foi bem amarradinha, de modo que mesmo esses momentos de confusão foram planejados para acontecer e deixar o jogador com a pulga atrás da orelha.

O gameplay resume-se basicamente à exploração e resolução de environmental puzzles, ainda que o jogo tenha até algumas boss battles bem sacadas. Direcionar correntes de energia para abrir portas, coletar chaves, operar mecanismos e desobstruir passagens são seus objetivos mais comuns, mas sempre repaginados para se adequar a cada personagem. Não serão poucos os casos onde você terá que usar até mesmo inimigos a seu favor para solucionar um puzzle.

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Confira uma destas situações abaixo, onde Miss Teri usa seu cachecol hipnotizante, permitindo que o jogador controle a criatura hipnotizada para dar um help:

Repare que tudo isso — quase 20 minutos de jogo — foi basicamente para resolver um enorme puzzle e conseguir chegar ao “baú do tesouro”. World to the West é cheio disso: cenários amplos com áreas interligadas que juntas formam um enorme puzzle. O jogo nunca te pega pela mão, você precisa entender como cada puzzle funciona e como aproveitar ao máximo as habilidades de cada personagem. É gratificante conseguir superar tais obstáculos, mas demanda um bocado de paciência e perseverança.

Audiovisual

Colorido e cartunesco, World to the West é aquele tipo de jogo que cativa a gente rapidamente. Ainda que os inimigos se repitam mais do que deveriam, o character design é fofinho e expressivo e, embora não tenham vozes, os personagens são cheios de trejeitos que lhes concede muita personalidade. O vasto mapa do jogo oferece cenários dos mais variados, e todos são muito bonitos e detalhados.

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Sem diálogos falados, sobra para o jogador a missão de acompanhar a história lendo muitos diálogos, painéis, placas e outros elementos. É engraçado como a continuação de um jogo “mudo” mostra-se tão cheia de textos e conversas. A ausência de vozes é compensada por uma trilha sonora instrumental muito boa, que combina totalmente com o clima aventureiro do game. Infelizmente o game não recebeu localização para o nosso idioma: menus e legendas, tudo está em inglês.

Conclusão

World to the West é um joguinho carismático e corajoso, que não usa Teslagrad “de muleta” em momento nenhum, e funciona por seus próprios méritos. O fato dele sequer se chamar “Teslagrad 2” já deixa claro que os desenvolvedores quiseram criar algo realmente novo, e os dois jogos são tão diferentes que fica até difícil associá-los.

Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad

Uma das poucas referências óbvias é a presença do protagonista de Teslagrad na tela inicial do game.

Felizmente, ambos tem algo em comum: são bons jogos, com boas mecânicas e puzzles criativos e bem integrados ao contexto. A história aqui é instigante, mas esse é o tipo de jogo que você continua jogando principalmente porque ele é gostoso de jogar, e sua(s) campanha(s) pode facilmente passar das 10 horas. Recomendado para quem curte MetroidVanias, e sente falta da simplicidade de um bom jogo de aventura.

World to the West foi lançado pela SOEDESCO em 5 de maio, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One.

4 Respostas para “Análise Arkade: World to the West, a inesperada (e boa!) sequência de Teslagrad”

  • 14 de maio de 2017 às 11:22 -

    André Lima

  • Caaaaaaraaaaa… Aquele vídeo de 20 min… Sério… Me deixou nervoso… Mó puzzle simples e vc andando com aquele esquilo pra lá e pra cá… Pelo amor.. hahahahaha.. mas me convenceu a comprar!! Vlw maaan

    • 14 de maio de 2017 às 21:36 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Hahaha desculpa, man.

      Realmente não era lá um puzzle muuuito complexo, mas me deu um bocado de trabalho. :P

      Maaas, que bom que se interessou pelo jogo, haha. É bem divertido, vale a pena. ;)

  • 14 de maio de 2017 às 11:39 -

    Bruno

  • Não achei na Playstore BR… Só na americana?? :(

    • 14 de maio de 2017 às 21:39 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Cara, dei uma checada aqui e parece que ele realmente não saiu na loja brasileira. :(

      Como a gente lida com assessorias de diferentes países, mantemos ativas contas de outras regiões. Esse jogo aí foi resgatado em nossa conta européia, pra vc ter uma ideia.

      Não sei te dizer quando (e se) ele vai chegar oficialmente na loja BR, mas vamos torcer. É um joguinho simpático que realmente vale a pena. :)

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