Arkade Séries – Stranger Things volta a surpreender com o enredo como personagem principal!

29 de outubro de 2017
Autor: Junior Candido

Arkade Séries - Stranger Things volta a surpreender com o enredo como personagem principal!

Há um ano atrás, todos nós estávamos falando de Stranger Things. A série, que foi considerada uma das maiores surpresas de 2016 chegou sem muito barulho, porém foi conquistando um a um seus espectadores, através das mais variadas formas: seja pela sua história envolvendo terror, ficção científica e teorias da conspiração, seja pelos muitos elementos dos anos 80 presentes na série, ou mesmo pelo carisma de seus personagens mirins, a verdade é que a série não apenas conquistou o direito de mais uma temporada na Netflix, como também recebeu uma “missão”: precisava surpreender seu público.

E, felizmente, os Irmãos Duffer mostraram que sabem sim contar uma ótima história! Sabendo evoluir o seriado, e reconhecendo que o universo de Hawkins é muito mais do que a aventura de quatro garotos (e uma menina), Stranger Things surpreendeu mais uma vez, desta vez com uma ótima história, evoluções importantes em todos os seus personagens, além de nos trazer mais um banho de referências aos anos 80, sempre muito bem vindos!

Evolução para todos os lados!

Arkade Séries - Stranger Things volta a surpreender com o enredo como personagem principal!

Hawkins passou por uma experiência bem traumática em 1983, por isso, o natural era que seus habitantes, cada um em seu nível de envolvimento, tivessem que evoluir devido ao que passaram. Com isso, podemos ficar felizes em conferir que Stranger Things conseguiu evoluir todo o seu conceito, amadurecendo as questões que a série discute e trazendo personagens melhor desenvolvidos.

Com isso, temos agora um maior entendimento sobre o que significa o laboratório de Hawkins na cidade, os temores com os russos, afinal, era época de Guerra Fria, algumas teorias da conspiração dentro da própria série, além de personagens que precisam, de um jeito ou de outro, amadurecer para se adaptar com suas novas realidades.

Novos personagens também mostram essa vontade de evoluir na série, com seus próprios mistérios e personalidades, o qual são apresentados episódio por episódio, que nos oferecem um conteúdo bem interessante de se assistir. Seria muito pouco da parte dos Irmãos Duffin focar apenas nos garotos novamente, quando eles tem à disposição um universo tão rico, tão bem feito, e cheio de mistérios e histórias para se explorar.

A unica coisa que não evolui são seus aspectos de terror. Embora a série beba da fonte dos clássicos de terror, como Alien, por exemplo, temos uma sensação de segurança na série em relação aos personagens que nos tira qualquer tensão, mesmo nas cenas mais dramáticas. A impressão que temos é a de que “sempre vai ficar tudo bem”, e que nada de mais grave pode acontecer, afinal ninguém pode mexer com nossos personagens queridos. Apenas alguns traumas em quem viveu determinadas experiências e bola pra frente. Alguma ousadia em uma série que mexe com o medo se faz necessária e ajudaria e muito a continuar a fazer um show melhor.

O personagem principal: o enredo

Arkade Séries - Stranger Things volta a surpreender com o enredo como personagem principal!

Sim, nós amamos a Eleven, adoramos os garotos e nos surpreendemos com a atuação de Winona Ryder no ano passado, porém este segundo ano de Stranger Things tirou o holofote de todos eles e direcionou o foco sabiamente para o verdadeiro protagonista da série: o enredo. Tudo bem, as aventuras de Dustin, Lucas, Will e Mike eram legais e elas continuam presentes, porém, desta vez, era preciso ampliar todas as coisas. Começando por novos personagens: a garota MadMax, seu irmão valentão Billy, e o “bobão” Bob, além do Dr. Sam Owens. Todos eles contam com personalidade suficiente para melhorar o que já era bom, cada um em sua função.

Com isso, tivemos ganhos e perdas. Começando pelas perdas, sim, isso quer dizer que os garotos recebem menos atenção na série e até a Eleven, destaque máximo do ano um, perdeu demais com isso, sendo resumida a uma garota rebelde em busca de uma razão para a sua existência. Joyce e Hopper também começam devagar, mas embalam seus personagens mais para o meio e fim da série. Porém, o mesmo enredo dá maior liberdade para Nancy, Jonathan e Steve, que crescem muito em seus personagens e chamam muita atenção com suas evoluções, já que estão na adolescência e passam por outras questões, além dos eventos na cidade. Também é merecido o destaque de Noah Schnapp, que, com maior participação devido a presença de Will na cidade durante esta temporada, dá show em viver o garoto que mais sofreu em relação aos eventos passados. Pra mim, a melhor atuação, e, especialmente nos episódios finais, o moleque é a maior surpresa de toda a série!

A história nos leva a compreender um pouco mais de Hawkins, seus eventos, seus traumas sobre quem foi influenciado por ela, e também nos faz querer questionar mais os eventos. Enfim, os Duffer sabiam que contar uma “nova aventura” dos garotos seria pouco em frente as expectativas, e apostaram em levar a atenção do espectador para a sua história, e pelo menos para mim, acertaram em cheio. E, claro, as muitas referências aos anos 80 continuam lá. O trabalho de ambientação é impecável e você continua achando que está assistindo um filme da época na Sessão da Tarde. Só faltou mesmo disponibilizar a série em VHS. Fica a dica, Netflix. Eu compraria.

Devagar, mas sempre

Arkade Séries - Stranger Things volta a surpreender com o enredo como personagem principal!

Confesse: o público em geral, ainda mais nos dias de hoje, é afobado e desesperado. Isso gera séries que precisam inventar moda o tempo todo, para atrair sempre a atenção de espectadores ansiosos, que reclamam de pausas, de demoras e coisas do tipo. Bem, se você é ansioso, o ano 2 de Stranger Things é um desafio e tanto! A série não tem pressa nenhuma em se desenvolver, se preocupando apenas em ir, ao seu ritmo, contando sua história.

Para muita gente motivo de reclamação, mas para mim, um ponto positivo, a série começa em um ritmo meio morno, mostrando, além dos traumas recorrentes da primeira temporada, o dia a dia de seus habitantes, as adaptações dos novos moradores da cidade, e a busca pela volta da “vida normal”, comum a pequena cidade, que estava prestes a comemorar mais um Halloween.

Mas, a partir do meio da série, que as coisas começam a ficar mais intensas, com revelações acontecendo a todo momento, porém sem nenhum “boom”, para atrair o espectador, elas são apenas reveladas e ponto. Os Irmãos Duffin confiam em seu espectador e deixam para ele a tarefa de assimilar as revelações, os pontos de impacto, acreditando que nós não somos apenas espectadores passivos, tendo alguma participação frente aos acontecimentos.

O ritmo mais devagar, com certeza vai afastar algumas pessoas da série, e fará com que algumas outras reclamem, mas foi exatamente isso que fez com que Westworld, no ano passado, fosse uma série tão brilhante: sem pressa nenhuma de querer impactar toda hora seu espectador, a história vai sendo contada e no momento certo, pelo menos para o enredo, os momentos de impacto vão sendo exibidos, um a um.

Uma boa surpresa, de novo

Em nosso review do ano passado, destacamos Stranger Things como uma grande surpresa. Sem muito alarde, a série virou um fenômeno e conquistou um público gigante, e agora, neste segundo ano, a série consegue ser uma boa surpresa, de novo, porém por razões diferentes. A forma de contar sua história, o envolvimento de todos os personagens, transformando a todos em uma espécie de protagonistas, com um enredo que evolui de maneira significativa a tudo o que nos foi apresentado em 2016 agradam, fazendo com que a série continue chamando atenção e nos deixando atentos para um terceiro ano, que com certeza terá suas datas confirmadas em breve.

Não tivemos o mesmo impacto do ano passado, pela razão óbvia de que agora existiam expectativas frente ao seriado, mas tivemos um produto bem caprichado, feito com muito cuidado e entregue para um público que agora, está bem exigente. As introduções de novos personagens, embora não tenham sido espetaculares, também funcionaram bem, e só temos boas expectativas para o terceiro ano da aventura dos habitantes de Hawkins. O que será que nos aguarda em 1985? Ou será que tem surpresa vindo por aí? O jeito é esperar…

Stranger Things está com suas duas temporadas completas disponíveis na Netflix.

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