Melhores Jogos do Ano Arkade 2017: The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Há algo muito especial em Breath of the Wild. A principal razão do sucesso desse capítulo de Zelda está no fato de que a Nintendo observou diversos fatores nos mais diversos gêneros ocidentais, pegou os melhores elementos de cada experiência e melhorou essa fórmula. Não é exagero nenhum dizer que Breath of the Wild criou um novo paradigma para a indústria dos games, e isso por si só já vale um lugar em qualquer lista de Melhores do Ano que se preze.

Em função da empresa japonesa não fazer distinção entre seus estúdios internos e assinar sempre como Nintendo, não podemos destacar a equipe específica que fez essa obra de arte, mas podemos nominar Hidemaro Fujibayashi e Eiji Aonuma, diretor e produtor respectivamente, que foram corajosos ao criar algo com uma proposta sutil deixando a complexidade da história por conta do interesse do jogador.

Em Breath of the Wild, podemos fazer literalmente o que quisermos. Se você quiser criar uma narrativa em sua cabeça e se tornar um andarilho pelo mundo de Hyrule você pode porque o mundo criado vai te dar ferramentas o suficiente para isso. Se decidir seguir a missão principal transmitida através da voz misteriosa de Zelda, você também pode e a partir daí personagens não jogáveis, memórias e o próprio universo do game vão te guiar nessa jornada.

Há basicamente quatro missões principais antes de enfrentar o último chefe, mas se você quiser ignorá-las e tentar a sorte na batalha final desde o começo você tem tal liberdade. Estou acostumado a jogar RPGs ocidentais e orientais e nunca tinha vivenciado tamanha grandeza em um mundo.

Realizei praticamente só as missões principais e finalizei o jogo com algo em torno de 40 horas, fazendo pouquíssimas ações secundárias, explorando mais ou menos 40 shrines e pegando pouco mais de 30 Korok Seeds (que servem para aumentar o espaço de itens no inventário). O game possui 120 shrines e mais de 900 Korok Seeds.

Na prática o que isso quer dizer? Basicamente que o mundo de Zelda Breath of the Wild é provavelmente o maior mundo aberto que existe. Não é que eu encontrava shrines e optava por não explorar; não faço ideia de onde estão todos esses lugares. Destaco isso para dar uma ideia do quão enorme é Hyrule.

E o gameplay é muito gostoso. É extremamente divertido apenas ficar andando a esmo, colhendo maçãs, matando criaturas e descobrindo mais sobre aquele mundo que mudou muito durante os 100 anos em que Link esteve adormecido. Os personagens secundários são muito interessantes e as Divine Beasts, que são as shrines principais, são muito desafiadoras. Quem não está acostumado com jogos de puzzle vai sofrer certamente nessas partes.

E o que é mais gostoso em Zelda pode parecer uma coisa simples e até mesmo boba: podemos ir em qualquer lugar do mapa. Quando digo qualquer lugar é literalmente qualquer lugar. Não há paredes invisíveis e não há montanha que não possa ser escalada. Tudo é possível, basta você querer explorar.

Depois de Zelda comecei Horizon: Zero Dawn que também é um excelente título e como estava acostumado com as mecânicas do game da Nintendo, ao me deparar com a primeira montanha que não pude escalar senti uma certa frustração. Não tem outro jogo atualmente que dê essa liberdade ao jogador. Não é aquela falsa sensação de que tudo é possível, pois tudo é possível de verdade. Joguei Skyrim, Dragon Age: Inquisition, Horizon: Zero Dawn, Final Fantasy XV e nenhum deles tem um mundo tão amplo e permissivo como Breath of the Wild.

Qualquer game que tenha a proposta de ser um RPG de mundo aberto vai ter que se inspirar em Zelda, caso contrário já vai nascer defasado. E essa evolução merece ser valorizada e estimulada… e jogada, claro The Legend of Zelda: Breath of the Wild está disponível para Wii U e Switch.