Notícia triste: Nintendo encerra oficialmente suas atividades no Brasil

Pois é, Nintendistas. Por culpa das “altas tarifas” e dos “desafios no ambiente local de negócios”, a Nintendo está levantando acampamento do Brasil por tempo indeterminado.

Ao contrário de empresas como Sony, Ubisoft e Microsoft, a Nintendo não está “oficialmente” no Brasil há vários anos, e há quem diga que ela não se importava muito com seus fãs brasileiros, visto que nem suas lojas virtuais (eShop) se adequaram às normas bancárias daqui, dificultando a vida dos fãs.

Porém, seus consoles, jogos e periféricos chegavam até aqui graças à Gaming do Brasil, empresa subsidiária da Juegos de Video Latinoamérica, que vinha cuidando da distribuição dos produtos da Nintendo por aqui nos últimos quatro anos.

Hoje até mesmo isso chega ao fim. Em comunicado de imprensa oficial, Bill van Zyll, Diretor e Gerente Geral para América Latina da Nintendo of America informou que a Gaming do Brasil não distribuirá mais os produtos da Nintendo por aqui.

O motivo? Impostos, claro. Quem é gamer sabe que nosso passatempo é uma coisa extremamente cara por aqui, pois pagamos impostos abusivos que elevam drasticamente o preço de qualquer coisa relacionada a videogame.

Isso não dói só no nosso bolso, mas também no das empresas, que esbarram em impostos de importação, tarifas alfandegárias e outros obstáculos que acabam encarecendo seus produtos para o consumidor final.

Com a palavra, Bill van Zyll:

“O Brasil é um mercado importante para a Nintendo e lar de muitos fãs apaixonados mas, infelizmente, desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição atual no país insustentável.

Estes desafios incluem as altas tarifas sobre importação que se aplicam ao nosso setor e a nossa decisão de não ter uma operação de fabricação local. Trabalhando junto com a Juegos de Video Latinoamérica, iremos monitorar a evolução do ambiente de negócios e avaliar a melhor maneira de servir nossos fãs brasileiros no futuro.

Somos profundamente gratos pelo trabalhado duro e pelas muitas contribuições feitas por cada valioso membro da Gaming do Brasil. Nos últimos anos trabalhamos juntos para apresentar os consoles Wii U e o Nintendo 3DS para os fãs brasileiros, assim como nos lançamentos de nossos títulos mais populares”.

Claro que isso não quer dizer que não teremos mais consoles e jogos da Nintendo por aqui: além das importadoras terceirizadas de grandes redes de varejo, a Juegos de Video Latinoamérica continua a ser a distribuidora da Nintendo para a América Latina, e promete ficar de olho no cenário brasileiro.

Bernard Josephs, CEO da Juegos de Video Latinamérica, tenta ser otimista, mas se mantém cauteloso:

“Somos parceiros da Nintendo na distribuição de seus produtos na América Latina há 14 anos e continuamos comprometidos com a marca. E, enquanto nenhuma outra mudança está planejada para outros mercados da região, estamos em uma posição em que precisamos reavaliar nossa abordagem na distribuição no Brasil. Continuaremos a monitorar o ambiente no país para que possamos avaliar futuras oportunidades”.

Apesar disso, a saída da Nintendo é um retrocesso e tanto, especialmente se pararmos pra pensar que as outras empresas também devem sofrer para manterem suas atividades no Brasil. Ou você acha que os 4 mil reais do PS4 foram somente culpa da Sony?

Vivemos em um país corrupto — independente de qual partido esteja no poder — e mesquinho, que não se digna a oferecer incentivos fiscais para trazer para cá grandes empresas, que no final das contas gerariam emprego e renda para o país. Com isso, mesmo gigantes como a Nintendo acabam perdendo o interesse de se firmar por aqui.

Triste começar 2015 com uma notícia dessas, mas convenhamos, a postura da Big N é compreensível. Boa sorte às empresas guerreiras que continuam por aqui, e que “o gigante acorde” pra valer no coração do povo brasileiro, antes que outras empresas muito queridas por nós (nem só de games) acabem debandando também…

(Via: Assessoria S2Publicom/Nintendo)