Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

22 de março de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

Punch Club é um jogo indie de “gestão de carreira” de um boxeador que foi lançado em janeiro e vem fazendo bastante sucesso. Infelizmente, porém, o número de cópias ilegais do game supera — e muito — o número de vendas.

Para quem está por fora, Punch Club foi produzido pela TinyBuild e lançado para PCs e smartphones em janeiro. No game, você assume o papel de um um lutador iniciante que precisa construir uma carreira enquanto investiga o assassinato de seu pai.

Começando lá de baixo, o game te faz trabalhar para pagar por seus treinos: você precisa, por exemplo, entregar pizzas para levantar uma grana, ou mesmo se envolver em “Clubes da Luta” ilegais para ganhar dinheiro com apostas… tudo para poder investir em sua carreira.

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

Porém, nem só os Clubes da Luta são ilegais nesta história: ontem a produtora TinyBuild fez uma postagem comemorando que o game já tinha vendido mais de 300 mil cópias pelo mundo. Parece muito, não é? Não quando comparado com o número de vezes que o game foi pirateado: foram mais de 1 milhão e 600 mil downloads piratas do game.

Trocando em miúdos, de acordo com as estimativas dos desenvolvedores:

  • Para cada venda no Steam há 4 cópias piratas
  • Para cada venda no Android há 12 cópias piratas
  • Para cada venda no iOS há 2 cópias piratas

Mas os caras da TinyBuild não pararam por aí: eles quiseram descobrir onde seu jogo andou sendo pirateado. E, para surpresa de praticamente ninguém, o Brasil lidera a lista dos países que mais piratearam o game. Houve inclusive um pico de downloads ilegais perceptível quando o game recebeu suporte ao nosso idioma:

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

Se liga no comentário abaixo, que traduzimos da postagem oficial:

“A China (gráfico verde) começou a piratear o jogo logo depois do lançamento, e o índice foi crescendo, eles estavam pirateando a versão em inglês sem problemas.

Porém, assim que adicionamos suporte à língua portuguesa, o Brasil (gráfico amarelo) disparou em número de instalações… mas não em número de vendas. O Brasil prefere piratear games localizados”.

E isso não é tudo: eles conseguiram estipular também os números de cópias vendidas e downloads ilegais do game no dia em que o suporte ao nosso idioma foi lançado. Neste período, pouco mais de 370 cópias do game foram vendidas por aqui, contra mais de 11 mil downloads ilegais.

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

O site oficial da TinyBuild tem mais um bom punhado de gráficos e tabelas que ilustram a situação da pirataria do game. Porém, o que chama a atenção é que, baseado nas estimativas de compra X pirataria, eles chegaram à conclusão que vale mais a pena localizar games para países europeus (como Alemanha, por exemplo), onde o índice de pirataria é menor. O que, obviamente, excluiria o Brasil em quaisquer esforços futuros de localização dos games da empresa.

Quem é gamer das antigas sabe que o Brasil demorou para entrar no “radar” das empresas, e hoje em dia já temos grandes lançamentos chegando legendados ou até dublados em nosso idioma, o que é uma prova de que várias empresas estão dispostas a investir no Brasil e oferecer um tratamento adequado aos gamers brasileiros.

Porém, o estudo da TinyBuild mostra que o brasileiro não parece tão disposto a investir em seus games nem em reconhecer o esforço das empresas. E olha que estamos falando de um jogo que custa 20 reais na Steam, não é nem um jogo em disco que chega aqui por abusivos R$279 e que realmente pesa no bolso para — atenção às aspas — “justificar” a picaretagem.

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

R$ 19,99 é um preço bem acessível, mas ainda assim a pirataria domina.

Pense que um jogo não surge do nada. Seja ele um triple A produzido por centenas de pessoas ou um indie programado em uma garagem por 2 ou 3 amigos, existe trabalho envolvido em todas as áreas: design, animação, programação, trilha sonora, dublagem, tradução, distribuição, etc. Produzir games é trabalho e como tal, gera despesas.

Os estúdios pequenos mais do que ninguém dão duro para produzir e lançar seus jogos, tendo que ainda dividir seus lucros com lojas como o Steam, a PSN ou a Xbox Live — que abocanham boa parte da grana por cada compra. E quando seu jogo tem 12 cópias piratas para cada 1 vendida de forma correta, fica a dúvida: até que ponto valeu a pena produzir o game?

Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia

Protestar na rua sempre é válido… mas o que mais estamos fazendo para combater a corrupção?

Aí quando se fala em Lava-Jato, triplex de um ou impeachment de outro, vai todo mundo fazer textão indignado no Facebook ou bater panela na rua, mas esquece que corrupção não se aplica só à política. A corrupção também é esse “jeitinho brasileiro”, essa mania de querer ser o malandrão e tirar vantagem sempre que possível, em cima de tudo, o tempo todo.

A corrupção do gamer “HUEBR” que se acha esperto está aí, estampada site oficial da TinyBuild, para o mundo todo ver. E, como diria o Boris Casoy, “isso é uma vergonha”.

19 Respostas para “Os números da pirataria brasileira de Punch Club e a corrupção nossa de cada dia”

  • 22 de março de 2016 às 14:44 -

    Jeferson Rocha

  • Parabéns pela postagem. Não me conformo com candango que baixa jogo pirata, arriscando a integridade do PC que usa, não ajudando quem produz, e ainda sendo o máximo do pão-duro não pagando R$ 10,00 (ou menos, paguei R$8 no Tomb Raider de 2013) em promoção de jogo AAA na Steam. Hipocrisia lazarenta…

  • 22 de março de 2016 às 14:47 -

    Onigumo

  • Meio inocente demais essa materia do arkade, como se pirataria fosse de hoje, ok vamos la…. 1) Nossa que jogo bom como nao conhecia esse game?. 2) “Mesmo com o preço de 20 reais”, voce espera oque? Que o consumidor fique esperando migalhas das empresas? A pirataria existe por causa dos preços abusivos! Se normalmente os jogos tivessem um preço bom essa cultura de baixar tudo na net ja tinha acabado faz tempo. Ta errado? Sim claro! Mas dai dizer que nao justifica e moralismo demais nao acham?

  • 22 de março de 2016 às 16:27 -

    Cilon Mello

  • “Corrupção só é errado se eu não estou levando nada nisso” – eu e você (eu ia dizer “o brasileiro”, mas falar de si mesmo na terceira pessoa é muito autismo).Nada acontece e feijoada.

  • 22 de março de 2016 às 17:03 -

    Leonardo

  • Eu sou contra a pirataria! Mas foi graças à ela, que consegui jogar o clássico Shenmue, atavés de emulação. Já que conseguir um Dreamcast é praticamente impossível. Mas piratear um jogo de 10 reais, cuja distribuição é facilmente acessível, aí sim é sacanagem!

  • 22 de março de 2016 às 17:11 -

    Parrior1

  • é claro amiguinhos vamos comparar piratear um jogo de 50 reais com um roubo de triloes vai dar certo sim

    • 24 de março de 2016 às 04:21 -

      leandro leon belmont alves

    • Cara, se tu parar pra pensar, faz sentido sim. se para nós um jogo pirata não é nada, para um politico, um milhão ou dois é troco de pão para ele. não “vai fazer falta” sabe? a cabeça do brasileiro tem de mudar radicalmente para haver mudanças. eu comprei o jogo legalmente e nem é caro. 

      • 24 de março de 2016 às 15:40 -

        Caiebes

      • sim ,acredito que o brasileiro baixa pirata por causa do preço sim ,pelo menos falo por mim ,PS1 ,PS2 era quase impossivel comprar original .agora com o PS3 que tem a Playplus o android com sua carteira virtual fica bem mais fácil  e barato .e nunca quis passar ninguem pra trás ou era isso ou não teria video game .Tinha o Master System e o Super Nintendo e era tudo original, agora querer cobrar muito mais de R$150,00 num jogo é sacanagem .o estado é o grande culpado por ter essa taxação abusiva o estado nos rouba todo dia ,temos os políticos mais caros do mundo e a maior taxação tambem ,o impostômetro vai as alturas .enquanto não colocarmos gente honesta e competente e honesta para comandar esse Brasil ,jamais sairemos do fundo do poço .

  • 22 de março de 2016 às 17:24 -

    Roney Colella De Souza

  • Ao ver a imagem do crocodilo antropomórfico, por um instante eu pensei que fosse um jogo das tartarugas ninja. 

  • 22 de março de 2016 às 18:03 -

    Roney Colella De Souza

  • É um arquivo digital e para realizar o download no site oficial a pessoa precisa pagar R$ 20,00.O visual do jogo está interessante, mas é importante ressaltar que os gráficos dele são da época do Mega Drive.Para ter esse jogo em uma mídia física é necessário gastar mais R$ 1,00 comprando um CD virgem e depois tem que gravar usando algum programa como o Nero.Se tivessem vendido cópias originais desse jogo em capinhas feitas de papel cartão por R$ 7,00 provavelmente teriam vendido bastante.

  • 22 de março de 2016 às 18:18 -

    Alexandre Kikuchi

  • Enquanto continuar com este pensamento, nada muda, “jeitinho brasileiro” daqui é uma merda. Não tem grana pra comprar? Espera promoção… não teve promoção na Steam? Uma hora aparece num Bundle… e etc… tem “N” formas de comprar, e vocês “pirateiam”… quer ajudar desenvolvedores brasileiros? Não comprem jogos piratas, simples assim. Não quer ajudar devs brasileiros, mas pelo menos ter jogos mais acessíveis? Não “pirateiem” tmbm… quanto mais este tipo de notícia existir mundo à fora, mais os devs e Publishers de fora verão o Brasil como “mal pagador” e péssimo consumidor, não incentivando assim a indústria daqui, em todos os sentidos. Tenho dados, contatos e experiência própria pra provar isso.Culpar governo e impostos não muda merda nenhuma se a gente já faz errado Emoticon wink e claro, eles tem a parcela de culpas deles (assim como vários outros fatores)Outro detalhe: existem vários videos, reviews, etc, sobre o jogo… se mesmo assim você comprar errado, você tem o reembolso da Steam… e se mesmo assim você jogar mais de 2h, depois reclamar do jogo, preço, etc… me desculpe, mas o problema é você.

    • 22 de março de 2016 às 18:52 -

      Roney Colella De Souza

    • Fiz as contas e ao conclui-la me veio em mente a expressão “reclamar de barriga cheia”. Com procedimento que eu mencionei a pirataria seria praticamente nula, mas os lucros decairiam para R$ 2177000,00. Com o procedimento que eles utilizaram o lucro deles foi R$6000000,00. Provavelmente foi uma ação planejada, com o tanto que lucraram nem sei porque estão reclamando tanto. 

    • 22 de março de 2016 às 22:09 -

      Guipson

    • Depois param de localizar os jogos no Brasil ai o povo reclama, como podemos ver nesses gráficos mostrados pelo site que a corrupção começa na nossa, não serei hipócrita em dizer q nunca pirateei um jogo, pois não sou santo, mas desde 2010 quando comprei meu segundo Xbox 360 esse foi bloqueado do começo ao fim e até hoje tenho ele, aprendi a comprar jogos no mercado cinza, usados mais baratos, aprendia a esperar promoções e a valorizar mais minha grana e os jogos que comprava com meu sofrido suor e antes que alguém chegue aqui pra dizer q sou barão que teho grana nessa época que comecei com os jogos originais, eu estava morando na casa da sogra com duas filhas pequenas pra criar a mulher desempregada e eu ganhando um pouco mais que um salario mínimo dai vc me pergunta que malabarismo era esse q vc fazia, trocava meus jogos, esperava promoções como Dark Souls q comprei por míseros R$ 8 na Live BR, como o amigo bem falou existem “N” formar de comprar um jogo e incentivar o mercado, mas se vc continua na pirataria achando que é o “Cara” que pode passar a perna em todo mundo ai vc se engana, olha os gráficos ai, perceba que esses caras sabem que vc não comprou o jogo original, estamos em um mundo cada vez mais conectado, então não se engane que o produtor lá pode muito bem saber quem é vc, uma ultima coisa tenho meu Xbox 360 original bloqueado a 6 anos e nunca tive problemas com ele já meus amigos com os consoles desbloqueados não conheço um que já não tenha visitado uma loja para o reparo do console.

  • 22 de março de 2016 às 20:02 -

    Dehom

  • Bom acho necessário fazer uma consideração: Só compro jogos originais e antes de alguém reclamar de preços, há muitos jogos acessíveis para qualquer orçamento. Não considero válida tal afirmação de que os jogos estão sempre caros. Parabéns a desenvolvedora do Witcher 3 : Wild Hunt obra prima, com suporte ao português (BR). Temos que mudar esses dados vergonhosos, com atitudes pessoais… O Brasil vive apenas o reflexo agravado de péssimos hábitos de nossa população… Claro que não vou generalizar e cometer injustiças, porém a regra geral é a grande falta de honra e honestidade, cidadania e civilização.

    • 24 de março de 2016 às 04:50 -

      leandro leon belmont alves

    • “Só compro jogos originais e antes de alguém reclamar de preços, há muitos jogos acessíveis para qualquer orçamento. Não considero válida tal afirmação de que os jogos estão sempre caros.” o problema de grandes lançamentos ao meu ver é todo mundo quer jogar o jogo do momento e comentar com os amigos sobre o game. a pessoa resolve ser ponderada e aguarda uma promoção, compra o game, e até que jogue e conte sua experiencia aos colegas, eles já vão estar numa outra onda…aí fica nisso de sempre querer o mais novo jogo disponivel

  • 22 de março de 2016 às 20:41 -

    Fernando

  • Amigão, não é todo mundo que pode pagar, eu não tenho nenhum jogo pirata nem no pc, nem em nenhum dos meus consoles, meu Wii não foi destravado, não destravei meu 3DS quando ele saiu, não destravei meu ps3 e tampouco tentarei destravar o ps4 ou o wii u quando, ou se sair destravamento para eles. Mas você não pode ser imbecil de dizer que alguém que pirateou está sendo “malandro”, porque eu duvido que você nunca baixou nada de maneira “ilegal” da internet, que seja filme, música, ou até mesmo um software, tem gente que não tem condições de pagar 200 reais num jogo AAA, ou, na pior das hipóteses, pagar 400 pilas, que é o caso atual de alguns jogos de 3DS e Wii U, eu mesmo, depois de bayonetta 2 e super smash bros nunca mais comprei jogo algum, comprei o console só pra jogar Xenoblade Chronicles X e não comprei o jogo, me recuso a pagar quase 1/3 do valor do meu console, que foi bem caro, diga-se de passagem num jogo, que provavelmente não foi feito completo, pois terá dlcs e/ou será cheio de microtransação, só pra te fazer gastar mais dinheiro ainda, esse mercado mercenário tem que quebrar mesmo!

  • 24 de março de 2016 às 16:38 -

    Ricardo

  • Não adianta discutir, isto está em nosso DNA. Somos malandros e sempre seremos. Certo dia estava assistindo a um documentário sobre comunidades de brasileiros no Japão.  Os japas sempre olham desconfiados, pois brasileiro fala alto, bebe muito, joga lixo pela janela, picha muros, briga por qualquer coisa, não respeita o espaço alheio, entre muitas outras coisas. A mesma coisa nos EUA e Europa. Temos que admitir que nós só queremos saber de carnaval e futebol e nosso país sempre será subdesenvolvido. Aqui nas terras brasilianas, a ascendência social é peculiar. Quem é pobre e enriquece esquece das origens e humilha os que não tem condições. Não existe o interesse coletivo, apenas o individual. É como se fosse vida de circo. Todos gostam de ver o espetáculo, mas ninguém pensa na vida dura dos artistas! E só pra finalizar, quem levaria a sério uma nação onde o sonho de toda população é ser funcionário público!!!

  • 28 de março de 2016 às 15:27 -

    mikemwxs

  • Muitos usam o discurso furado do preço elevado dos jogos… O mercado indie está aí para provar que não é bem assim e o espírito de porco da maioria destes indivíduos é o que prevalece. Existem jogos muito bons pelo preço de uma cerveja, até mesmo pelo preço de uma passagem de ônibus! Melhor ainda, existem jogos de graça!Mas não… A graça é “ser esperto” e piratear. Afinal, para que pagar se qualquer um pode baixar “na faixa”?Não falo isso só de vídeo games. Música, livros, RPGs e quadrinhos também tem muitas opções alternativas baratas ou gratuitas. Basta interesse em garimpar. Além de não incentivar a exploração indevida do suor dos outros, você dá uma força pra galera que tá ralando (as vezes sem lucrar nada) em busca do seu lugar ao sol.O hobby agradece.

  • 29 de março de 2016 às 10:58 -

    Hemerson Braga

  • Eu fico triste com essa situação, 20 reais é uma boa merenda em um shopping mas tem que cara que é teimoso, o superhot que saiu agora também, tem gente chorando dizendo que o jogo é muito caro por ter 5 horas de modo single, porra tem modo infinito lá e talz e outra, o trabalho que o cara teve pra programar, pra desenhar, pra testar e localizar.Tudo isso conta, mas infelizmente é isso.Só sabe o quão chato é ter seu trabalho “desprezado” quem passa por isso, as pessoas acham que quando pagam é pelo custo de “matéria prima” somente, claro que não está embutido o conhecimento e o tempo pra terminar tudo aquilo.

  • 29 de março de 2016 às 12:16 -

    Artur

  • Tomara que parem de legendar os games pra PT-BR. Os gamers de verdade aprenderão inglês.

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