Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

5 de maio de 2013
Autor: Renan do Prado

Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

Os games de aventura eram bem diferentes nas antigas. Você jogava por “texto”, e eles não eram tão emocionantes como os games atuais, mas um deles fez história como o adventure mais aterrorizante já lançado… Conheça agora a sinistra lenda de Pale Luna!

Os adventures de antigamente estão praticamente extintos. Eles eram games simples ao extremo: a história era contada através de textos e perguntas que pediam que o jogador tomasse decisões para seguir adiante, como abrir uma porta, andar para determinada direção, coletar itens, etc. Normalmente estes games sequer possuíam imagens, mas apesar da simplicidade o gênero fez um enorme sucesso entre os jogadores da década de 80.

Antes do surgimento da internet, ter acessos a esses jogos era bem mais complicado. Ou você comprava o disco em alguma loja ou, mais comumente, conseguia uma cópia com amigos. Os camaradas trocavam desde os games mais conhecidos até aqueles que poucos tinham ouvido falar.

Até games independentes apareciam vez ou outra, feitos por programadores com o intuito de se divertir e compartilhar suas criações. Às vezes, as cópias acabavam se espalhando por todo o país.

Entre esses games independentes, havia um muito curioso que surgiu perto do fim da “era” dos adventures e ficou conhecido apenas na região de San Francisco. O nome desse game era Pale Luna (Lua Pálida).

Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

Imagem meramente ilustrativa

Pale Luna é um game que não existe mais, por conta da maneira estranha com que foi produzido. Tecnicamente, era um game muito mal feito – ou então propositalmente criado para ser dessa forma. Todas as cópias foram descartadas, assim como os computadores em ele chegou a ser instalado – hoje em dia nada mais do que pilhas de sucata. Isso porque, já naquela, época o game era considerado “enigmático, sem sentido, e completamente injogável”. Palavras de um antigo reviewer.

Ao iniciar o game, o jogador começava a “aventura” em uma tela contendo apenas o seguinte texto:

“- Você está em um quarto escuro. O luar brilha através da janela.

– Há OURO no canto, junto com uma PÁ e uma CORDA.

– Há uma PORTA para o LESTE.

– Comando?

Os únicos comandos aceitos pelo game eram: PEGAR OURO, PEGAR PÁ, PEGAR CORDA, ABRIR PORTA e IR PARA LESTE. Nenhum outro comando funcionava. Após executar as ações disponíveis, o game prosseguia, mostrando a próxima mensagem:

– Colha sua recompensa.

– LUA PÁLIDA SORRI PARA VOCÊ.

– Você está em um floresta. Existem caminhos para o NORTE, OESTE, e LESTE.

– Comando?

A partir desse ponto, a crítica do reviewer (“enigmático, sem sentido, e completamente injogável”) se fazia valer. Dali em diante, somente uma ação era considerada correta pelo game: escolher a direção correta para ir. Qualquer outra opção resultava no travamento total do computador, e apenas uma reinicialização forçada o fazia voltar a funcionar. Resumindo: era acertar o caminho ou travar o PC.

Para piorar, da segunda etapa em diante o game se resumia a uma sucessão de telas iguais. A única coisa que mudava era a direção que o jogador deveria tomar. Fora este comando de movimento, todas as outras opções recebiam respostas negativas:

“USAR OURO  – aqui não”, “USAR PÁ – agora não”, “USAR CORDA – Você já usou isso”. A maioria das pessoas que jogou Pale Luna desistiu de seguir em frente, cansadas de reiniciar o PC inúmeras vezes e ter que retirar e inserir novamente o disquete para continuar jogando.

Sem falar no aborrecimento com a sucessão interminável de telas idênticas. Mas nem todos os jogadores desistiram: Uma pessoa, que literalmente tinha bastante tempo livre (ou nada mais importante para fazer), resolveu ir até o fim do estranho adventure e descobrir se havia algo mais além da repetição de telas e travamentos.

Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

Imagem meramente ilustrativa

Um jovem chamado Michael Nevins conseguiu sair do loop sinistro de Pale Luna.

Depois de cinco horas seguidas de tentativa e erro para percorrer trinta e três telas, tendo que reiniciar seu computador incontáveis vezes, Michael saiu da repetição e finalmente chegou em uma nova sequência de textos – que “para variar” pareciam não fazer sentido algum.

“- LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Não há caminhos

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– O chão está macio

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Aqui

– Comando?

Depois de mais uma hora de tentativas e travamentos, Michael encontrou a combinação correta de comandos para prosseguir no game: CAVAR BURACO, JOGAR OURO e por fim TAPAR BURACO. Após esses comandos, o game mostrava sua última mensagem:

“- Parabéns

—— 40.24248 ——

—— -121.4434 ——”

Após isso, o game não aceitava mais comandos e só podia ser fechado reiniciando o computador. Depois de pensar um pouco, Michael descobriu que os números que apareceram ao fim do game eram na verdade coordenadas de latitude longitude.

Incrivelmente para sua “sorte” – e com uma boa dose de pesquisa – ele descobriu que as coordenadas apontavam para um ponto na floresta do Lesse Volcanic Park, localizado perto de onde ele morava. Então Michael, como realmente tinha muito tempo livre, decidiu ir por conta própria ao parque e chegar ao final “real” de Pale Luna. Quem sabe ele não encontraria um “prêmio” escondido por lá?


Exibir mapa ampliado

Os códigos de localização de Pale Luna realmente apontam para um lugar real! (Se o mapa não aparecer, recarregue a página)

Equipado com um mapa, uma bússola e uma pá, Michael seguiu floresta adentro para procurar a localização que o game apontou. Inicialmente ele se sentiu arrependido de ter trazido a pá consigo, já que ele sequer sabia se encontraria algo, mas durante o percurso ele percebeu que os caminhos que ele seguia pela bússola eram muito parecidos com o que o game seguia, e se animou pela possibilidade de realmente encontrar algo.

Depois de uma boa caminhada, ele chegou ao ponto exato das coordenadas e tropeçou num pedaço de terra elevada no chão. Ele realmente tinha encontrado o “tesouro” de Pale Luna! O jovem começou a cavar com muita animação, com tanta animação que sua reação foi cair para trás horrorizado quando ele finalmente encontrou o “tesouro”: Uma cabeça em processo de decomposição de uma pequena garotinha loira.

Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

 Imagem meramente ilustrativa

Michael, aterrorizado por sua descoberta, avisou a policia sobre a cabeça da garota morta, que investigou o caso. A garota foi identificada como sendo Karen Paulsen, de 11 anos, dada como desaparecida pelo Departamento de Polícia de San Diego havia um ano e meio.

A polícia iniciou investigações para encontrar o programador do game Pale Luna, que se tornou imediatamente o principal suspeito pelo sequestro e assassinato da jovem Karen. A polícia entrou em contato com diversas pessoas que haviam jogado o game, atrás de amigos e conhecidos que pudessem ter notícia de outras cópias trocadas e seus donos.

Mas – fazendo jus ao sinistro Pale Luna – os caminhos seguidos pela polícia não levaram a lugar algum, e o criador do game jamais foi identificado. Colecionadores passaram a caçar cópias originais do game após esse terrível caso, oferecendo enormes quantias em dinheiro em troca deste que passou a ser considerado um game lendário.

O resto do corpo de Karen nunca foi encontrado.

(Via: Creepypasta Wiki)

38 Respostas para “Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!”

  • 5 de maio de 2013 às 11:19 -

    Dayan Valente

  • CARACA!!! Isso me arrepiou!!!

    Eu amava os jogos antigos, cheguei a jogar dois jogos nesse estilo antes da época do 386 no TK3000 (acho que esse era o nome) que meu pai tinha:
    – Dracula
    – um jogo na Serra Pelada

    Era MUITO foda e MUITO emocionante!!!
    *-*

  • 5 de maio de 2013 às 12:37 -

    Kubrick Stare Nun

  • A parte mais horripilante foi o jogo dar pau.

  • 5 de maio de 2013 às 13:17 -

    Bruno Gabriel

  • Realmente muito sombrio a história desse jogo.

  • 5 de maio de 2013 às 13:28 -

    LSSiqueira

  • Muito boa essa história.

  • 5 de maio de 2013 às 13:30 -

    Arthur

  • O sujeito matou uma criança, enterrou a cabeça no mato, anotou todos os passos para chegar no lugar onde enterrou, voltou pra casa, fez um jogo com todas as informações para achar o lugar onde enterrou a cabeça e distribuiu o jogo entre os amigos e conhecidos para que alguém termina-se ele, sem contar o fato que ele fez um jogo que quando você erra uma ação o computador trava.

    realmente, não sei dizer quem nessa historia tinha mais tempo livre, o garoto que virou o jogo ou o assassino.

    (tudo isso em um período de um ano e meio)

  • 5 de maio de 2013 às 13:36 -

    LSSiqueira

  • Achei uma versão em flash.
    Essa versão não trava o pc, mais se você errar vai ter de recarregar a pagina:
    http://www.kongregate.com/games/supersnail200/pale-luna

    • 5 de maio de 2013 às 15:57 -

      Kubrick Stare Nun

    • A sequência correta (até onde minha paciência deu):

      pick up gold
      pick up shovel
      pick up rope
      open door
      go east
      go north
      go east
      go north
      go west
      go north
      go west
      go south
      go west
      go north
      go west
      go north
      go south
      go east
      go east

      • 6 de maio de 2013 às 17:04 -

        Ana Clara

      • HOLY LORD! Tentarei quando chegar em casa :3

  • 5 de maio de 2013 às 15:15 -

    Renan do Prado

  • O melhor (ou pior) de tudo é que o local realmente existe!!!

  • 5 de maio de 2013 às 15:18 -

    leandro leon belmont alves

  • pena que jogos como esse não se façam mais. mas se caso fizessem, seria bom um manual com TODAS as possibilidades a serem feitas no gameplay

    • 5 de maio de 2013 às 16:01 -

      Kubrick Stare Nun

    • Na verdade existem sim uns “text-adventures” mais recentes, um exemplo é Trilby’s Notes.

  • 5 de maio de 2013 às 18:20 -

    Ian Szot

  • Caralho, muito bom o artigo.
    Espero que façam mais

  • 5 de maio de 2013 às 15:31 -

    Diana

  • Porra, daria um filme bacaninha de thriller policial. Pena que eu já sei o final. >(

    • 5 de maio de 2013 às 16:14 -

      Daniel Zimmermann

    • Pensei a mesma coisa! Daria um bom suspense policial mesmo!

  • 5 de maio de 2013 às 18:33 -

    Matheus Jantz Longhini

  • fodaaaaaaaaaa

  • 5 de maio de 2013 às 16:33 -

    Babiro

  • Meio psicótica essa história, será que o cara realmente matou uma garota pra esconder o crânio e depois fazer um jogo com as coordenadas pra que alguém jogasse e descobrisse aquilo? Sinistro, mas o que será que ele queria com isso?

    • 7 de abril de 2014 às 09:13 -

      juniordmj

    • Queria saber qual o jogo que conta onde ta o resto do corpo.

  • 5 de maio de 2013 às 18:07 -

    Nymer

  • Imagina como seria esse jogo hoje com os gráficos do Crysis 3 ou Farcry 3? Huhauahuaha

  • 5 de maio de 2013 às 21:38 -

    Anderson Marques Ribeiro

  • WTF

  • 5 de maio de 2013 às 23:22 -

    Igor Feitosa

  • Achei legal a historia, mas sei llá, tava meio que nacara que não é real. Mas otimo texto.

  • 6 de maio de 2013 às 00:43 -

    Daniela Mattos

  • Muito bom, adorei!

  • 6 de maio de 2013 às 14:10 -

    Mattheews Potter

  • me lembrou um jogo de aventura chamado ZORK…

  • 6 de maio de 2013 às 17:11 -

    Ana Clara

  • 1. Fazer “final” num jogo que trava a cada erro seu
    2. Matar uma guria, enterrar a cabeça da guria, sumir com o corpo da guria, voltar pra casa, fazer um jogo com as coordenadas para a cabeça da guria.

    Ainda tô tentando decidir quem mais tava sem o que fazer/tinha muito tempo livre nessa história.

    Em tempo, tem tantas Karen Paulsen, indo de acadêmicas à bailarinas, que fica complicado achar qualquer informação a mais sobre essa história. Só quando se adiciona “Karen Paulsen Pale Luna” é que vem páginas relacionadas. Tenso.

    • 6 de maio de 2013 às 17:30 -

      Renan do Prado

    • Ana, você não sabe como me ajudou!!!!! <3

      Pesquisei o Google inteiro pelo nome Karen Paulsen mas não encontrei muitas páginas relacionadas, e não tentei essa pesquisa que você fez!!!!

      Farei isso hoje!!!!!

      • 7 de maio de 2013 às 12:50 -

        Ana Clara

      • :”D

        Karen Paulsen é um nome deveras popular. Isso pq eu nunca tinha ouvido falar no sobrenome.

        Americanos, sempre me fazendo ler reportagens e procurando por “ele” ou “ela” para saber o gênero dos entrevistados!

  • 6 de maio de 2013 às 20:12 -

    Chinalia

  • Tenso.. ñ teria paciência, Mas sempre é legal saber da história.

  • 5 de junho de 2013 às 13:02 -

    Marjorie

  • Excelente matéria.
    Renan do Prado, mandei uma mensagem pro seu facebook, acho que foi pra sua pasta “Outros”, se puder leia :).

    • 5 de junho de 2013 às 15:27 -

      Renan do Prado

    • Obrigado Marjorie!!!!

      Li sua mensagem e já te respondi :D

  • 7 de abril de 2014 às 01:43 -

    Luiz Ferreira

  • Li uma creepypasta dessa merda de jogo há alguns dias, me arrependo até agora de ter feito isso

  • 7 de abril de 2014 às 01:43 -

    Ryan Vandresen Dacoregio

  • Isso é fake, mas é legal.

  • 7 de abril de 2014 às 01:43 -

    Natan Maxwell

  • Creendeuspai chama o bills!

  • 7 de abril de 2014 às 01:43 -

    Diana Cabral

  • Ave minha mãe. @_______@’
    A curiosidade é maior que a autopreservação…

  • 7 de abril de 2014 às 03:43 -

    Denny Naka

  • Jogo do capiroto

  • 7 de abril de 2014 às 08:43 -

    Raquel Cavagioni

  • foi esse que falei, alem do LSD :3 Guilherme LucasMarcela Carlos

  • 7 de abril de 2014 às 10:43 -

    Beto Campos

  • Pqp isso que é retrogames ! A cada dia mais vocês me surpreende !

  • 7 de abril de 2014 às 21:47 -

    Marcio Vinicios

  • se for minecraft coloca /time set day

  • 31 de julho de 2014 às 15:28 -

    Akemi

  • OMG,…… Pesquisei sobre esse jogo….Se ele ainda existe,fiquei sabendo que destruirão todos os que sobraram,antigamente da década de 80,quando esse jogo fazia ‘sucesso’ e ainda existia os nerd’s da época pagariam 6MIL pra ter esse jogo.Foi feito um cálculo se esse jogo existisse,                                                                   (e acho que ainda existe pelo menos um) E foi descoberto que ele valeria no “MÍNIMO” 600Mil. *O* Meu Deus com 600MIL dá pra compra uns 50 jogos de PS3  

  • 17 de março de 2015 às 21:55 -

    gui26

  • Não sou dessa época… ainda bem… macabro demais… kkkkkkkk

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