Terror nostálgico: conheça Pale Luna, o adventure dos anos 80 mais sombrio que já existiu!

Os games de aventura eram bem diferentes nas antigas. Você jogava por “texto”, e eles não eram tão emocionantes como os games atuais, mas um deles fez história como o adventure mais aterrorizante já lançado… Conheça agora a sinistra lenda de Pale Luna!

Os adventures de antigamente estão praticamente extintos. Eles eram games simples ao extremo: a história era contada através de textos e perguntas que pediam que o jogador tomasse decisões para seguir adiante, como abrir uma porta, andar para determinada direção, coletar itens, etc. Normalmente estes games sequer possuíam imagens, mas apesar da simplicidade o gênero fez um enorme sucesso entre os jogadores da década de 80.

Antes do surgimento da internet, ter acessos a esses jogos era bem mais complicado. Ou você comprava o disco em alguma loja ou, mais comumente, conseguia uma cópia com amigos. Os camaradas trocavam desde os games mais conhecidos até aqueles que poucos tinham ouvido falar.

Até games independentes apareciam vez ou outra, feitos por programadores com o intuito de se divertir e compartilhar suas criações. Às vezes, as cópias acabavam se espalhando por todo o país.

Entre esses games independentes, havia um muito curioso que surgiu perto do fim da “era” dos adventures e ficou conhecido apenas na região de San Francisco. O nome desse game era Pale Luna (Lua Pálida).

Imagem meramente ilustrativa

Pale Luna é um game que não existe mais, por conta da maneira estranha com que foi produzido. Tecnicamente, era um game muito mal feito – ou então propositalmente criado para ser dessa forma. Todas as cópias foram descartadas, assim como os computadores em ele chegou a ser instalado – hoje em dia nada mais do que pilhas de sucata. Isso porque, já naquela, época o game era considerado “enigmático, sem sentido, e completamente injogável”. Palavras de um antigo reviewer.

Ao iniciar o game, o jogador começava a “aventura” em uma tela contendo apenas o seguinte texto:

“- Você está em um quarto escuro. O luar brilha através da janela.

– Há OURO no canto, junto com uma PÁ e uma CORDA.

– Há uma PORTA para o LESTE.

– Comando?

Os únicos comandos aceitos pelo game eram: PEGAR OURO, PEGAR PÁ, PEGAR CORDA, ABRIR PORTA e IR PARA LESTE. Nenhum outro comando funcionava. Após executar as ações disponíveis, o game prosseguia, mostrando a próxima mensagem:

– Colha sua recompensa.

– LUA PÁLIDA SORRI PARA VOCÊ.

– Você está em um floresta. Existem caminhos para o NORTE, OESTE, e LESTE.

– Comando?

A partir desse ponto, a crítica do reviewer (“enigmático, sem sentido, e completamente injogável”) se fazia valer. Dali em diante, somente uma ação era considerada correta pelo game: escolher a direção correta para ir. Qualquer outra opção resultava no travamento total do computador, e apenas uma reinicialização forçada o fazia voltar a funcionar. Resumindo: era acertar o caminho ou travar o PC.

Para piorar, da segunda etapa em diante o game se resumia a uma sucessão de telas iguais. A única coisa que mudava era a direção que o jogador deveria tomar. Fora este comando de movimento, todas as outras opções recebiam respostas negativas:

“USAR OURO  – aqui não”, “USAR PÁ – agora não”, “USAR CORDA – Você já usou isso”. A maioria das pessoas que jogou Pale Luna desistiu de seguir em frente, cansadas de reiniciar o PC inúmeras vezes e ter que retirar e inserir novamente o disquete para continuar jogando.

Sem falar no aborrecimento com a sucessão interminável de telas idênticas. Mas nem todos os jogadores desistiram: Uma pessoa, que literalmente tinha bastante tempo livre (ou nada mais importante para fazer), resolveu ir até o fim do estranho adventure e descobrir se havia algo mais além da repetição de telas e travamentos.

Imagem meramente ilustrativa

Um jovem chamado Michael Nevins conseguiu sair do loop sinistro de Pale Luna.

Depois de cinco horas seguidas de tentativa e erro para percorrer trinta e três telas, tendo que reiniciar seu computador incontáveis vezes, Michael saiu da repetição e finalmente chegou em uma nova sequência de textos – que “para variar” pareciam não fazer sentido algum.

“- LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Não há caminhos

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– O chão está macio

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Aqui

– Comando?

Depois de mais uma hora de tentativas e travamentos, Michael encontrou a combinação correta de comandos para prosseguir no game: CAVAR BURACO, JOGAR OURO e por fim TAPAR BURACO. Após esses comandos, o game mostrava sua última mensagem:

“- Parabéns

—— 40.24248 ——

—— -121.4434 ——”

Após isso, o game não aceitava mais comandos e só podia ser fechado reiniciando o computador. Depois de pensar um pouco, Michael descobriu que os números que apareceram ao fim do game eram na verdade coordenadas de latitude longitude.

Incrivelmente para sua “sorte” – e com uma boa dose de pesquisa – ele descobriu que as coordenadas apontavam para um ponto na floresta do Lesse Volcanic Park, localizado perto de onde ele morava. Então Michael, como realmente tinha muito tempo livre, decidiu ir por conta própria ao parque e chegar ao final “real” de Pale Luna. Quem sabe ele não encontraria um “prêmio” escondido por lá?


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Os códigos de localização de Pale Luna realmente apontam para um lugar real! (Se o mapa não aparecer, recarregue a página)

Equipado com um mapa, uma bússola e uma pá, Michael seguiu floresta adentro para procurar a localização que o game apontou. Inicialmente ele se sentiu arrependido de ter trazido a pá consigo, já que ele sequer sabia se encontraria algo, mas durante o percurso ele percebeu que os caminhos que ele seguia pela bússola eram muito parecidos com o que o game seguia, e se animou pela possibilidade de realmente encontrar algo.

Depois de uma boa caminhada, ele chegou ao ponto exato das coordenadas e tropeçou num pedaço de terra elevada no chão. Ele realmente tinha encontrado o “tesouro” de Pale Luna! O jovem começou a cavar com muita animação, com tanta animação que sua reação foi cair para trás horrorizado quando ele finalmente encontrou o “tesouro”: Uma cabeça em processo de decomposição de uma pequena garotinha loira.

 Imagem meramente ilustrativa

Michael, aterrorizado por sua descoberta, avisou a policia sobre a cabeça da garota morta, que investigou o caso. A garota foi identificada como sendo Karen Paulsen, de 11 anos, dada como desaparecida pelo Departamento de Polícia de San Diego havia um ano e meio.

A polícia iniciou investigações para encontrar o programador do game Pale Luna, que se tornou imediatamente o principal suspeito pelo sequestro e assassinato da jovem Karen. A polícia entrou em contato com diversas pessoas que haviam jogado o game, atrás de amigos e conhecidos que pudessem ter notícia de outras cópias trocadas e seus donos.

Mas – fazendo jus ao sinistro Pale Luna – os caminhos seguidos pela polícia não levaram a lugar algum, e o criador do game jamais foi identificado. Colecionadores passaram a caçar cópias originais do game após esse terrível caso, oferecendo enormes quantias em dinheiro em troca deste que passou a ser considerado um game lendário.

O resto do corpo de Karen nunca foi encontrado.

(Via: Creepypasta Wiki)