RetroArkade – Alcançando os limites do primeiro Playstation em Vagrant Story

12 de fevereiro de 2017
Autor: Junior Candido

RetroArkade - Alcançando os limites do primeiro Playstation em Vagrant Story

O fim de ciclo de um console é muito injusto: as atenções de todos estão em seus sucessores, e a partir dali, a tendência é de que games mais simples sejam lançados, não oferecendo a mesma qualidade de títulos consagrados lançados anos antes. Porém, é nesta época também que os desenvolvedores acabam alcançando os limites do sistema, podendo oferecer jogos que nunca seriam imaginados em seu lançamento.

Um exemplo gigantesco desta situação aconteceu com o primeiro Playstation. Lançado em 1994, contou com seu auge entre os anos de 1997 e 1998 com games como Resident Evil 2, Metal Gear Solid e Final Fantasy VII, mas chegando ao ano 2000, já observava a chegada do Playstation 2 e as grandes franquias fazendo as malas e se mudando para o 128-bit da Sony. Com isso, o console ficou reservado para títulos infantis e os games de esporte, como a série FIFA, que até 2004, continuou lançando jogos regularmente para o já veterano sistema.

Mas, nesta falta de atenção, a Square, já familiarizada e consagrada com o sistema que lhe deu um impulso ainda maior do que o status de grande que já tinha nos tempos de Nintendo, acabou por optar pelo 32-bit para lançar uma de suas obras de arte: Vagrant Story. Injustiçado pelo seu lançamento tardio, mas repleto de qualidades, pudemos conferir um game muito a frente de seu tempo, com a união de RPG e ação, além de imagens espetaculares, levando aos limites a caixinha branca que decorou a sala de muita gente entre os anos 90 e 2000.

Tudo o que a Squaresoft tinha de melhor

Vagrant Story trouxe praticamente tudo o que a Squaresoft já havia apresentado de melhor em sua época nos 32-bits. O gameplay, com combates livres pelo cenário, com movimentação dos personagens e escolha de alvos específicos, como cabeça ou pernas, para ganhar vantagem na luta, foi emprestado — e melhorado — de Parasite Eve; Os gráficos, são no melhor padrão Final Fantasy — especialmente o VIII — possível, enquanto o enredo, embora não tenha os mesmos tons dramáticos, é tão profundo como o que havíamos conferido em Xenogears, alguns anos antes.

Até a forma de abertura do jogo impressiona. De maneira semelhante ao que já havia acontecido em Metal Gear Solid, o vídeo de abertura se mistura com os créditos iniciais, ao mesmo tempo em que algum gameplay é oferecido ao jogador, até como forma de tutorial. Isso, hoje, é até considerado padrão, mas em 2000, eram pouquíssimos os jogos que contavam com este tipo de início, ainda mais em plena era de cenas em computação gráfica, que faziam com que os estúdios deixassem em segundo plano a utilização dos próprios gráficos para este fim.

E, falando em gráficos, o game contava com uma adição criativa e diferente: além do visual extravagante de praticamente todos os personagens principais, a utilização de balões de histórias em quadrinhos para as falas dos personagens deram um pouco mais de vida ao jogo, já que a tela ficava mais limpa, e aquelas barras “sérias demais” desapareceram quase que por completo, já que os combates, por ser mais dinâmicos, também não necessitavam de menus, como nos RPGs tradicionais.

O som era demais, e já mostrava a nova direção da Square para trilhas sonoras de seus jogos, como iríamos começar a perceber melhor a partir de Final Fantasy X e os outros games para Playstation 2. Os sons sintetizados, comuns nos jogos até aquela época, começaram a dar lugar para trilhas orquestradas e que dariam espaço para futuros games dublados. Vagrant Story ainda não conta com dublagens e fica meio “vazio” com os balõezinhos contendo as falas, mas já conta com uma questão sonora melhor trabalhada que seus antecessores “na firma” e mantém mais uma vez seu status de “laboratório” da Square para o que ela faria na geração seguinte.

O único “problema” encontrado aqui, está no gameplay. Sim, ele é muito bacana e é legal de se jogar até hoje, porém, para a época, era muito complexo. Começando pelas câmeras, que, como não contavam com a praticidade do analógico direito como temos hoje, acabavam atrapalhando, pela liberdade que oferecia ao jogador. Outro problema é que o jogo é inciado praticamente sem nenhum tutorial, e por se tratar de um gameplay diferente do usual da Square, havia uma enorme dificuldade inicial para aprender seus comandos, o que certamente afastou muita gente do game.

New Game +

RetroArkade - Alcançando os limites do primeiro Playstation em Vagrant Story

Vagrant Story têm indícios de que deveria ter sido mais explorado pela Square. Seu mundo, Ivalice, é o mesmo mundo de Final Fantasy Tactics e Final Fantasy XII, o que significa que, ou estamos diante de um Final Fantasy que acabou ganhando novidades em gameplay que não justificavam o nome, ou que a Square planejava utilizar este mundo para lançar outros jogos.

Mas, após o lançamento do game e sua repercussão, nunca mais ouvimos falar de mais nada envolvendo o jogo, como uma sequência, ou mesmo remake, se for considerado os dias de hoje. Uma pena, pois temos aqui um jogo excelente, que pouca gente teve a chance de conhecê-lo e que merecia uma segunda oportunidade. Seu visual extravagante, trilha impecável e um gameplay que seria facilmente corrigido nos dias atuais, com certeza garantiria um excelente game no catálogo dos fãs de RPG hoje, seja nos consoles mais atuais, ou mesmo nos smartphones, ambiente que já conta em seus catálogos com diversos games da companhia.

 

13 Respostas para “RetroArkade – Alcançando os limites do primeiro Playstation em Vagrant Story”

  • 12 de fevereiro de 2017 às 12:50 -

    WebBlack

  • O Jogo é tão bom que nunca vi amante de RPG mencionar ele, conheço esse jogo e apesar do enredo ser bom, não vejo nada que venha tornar ele memorável. isso é coisa de Sonysta

    • 12 de fevereiro de 2017 às 14:00 -

      Irandi Brasil

    • “O Jogo é tão bom que nunca vi amante de RPG mencionar ele” que método incrível de avaliar a qualidade de um game. Me faz imaginar se vc usa as menções do seu seleto círculo de amigos especialistas pra definir a qualidade de outras coisas na sua vida.

    • 12 de fevereiro de 2017 às 14:14 -

      Matheus Fernandes

    • Vagrant Story não é tão mainstream como outras séries de RPGs, mas com certeza é memorável. O jogo exige muito do jogador e é bem complexo em seu gameplay.
      A história deixou um ar de continuação, infelizmente ainda não foi vista. :/
      Sem clubismo.

    • 13 de fevereiro de 2017 às 11:01 -

      ze

    • EEsse jogo é uma obra prima .ms como ninguém fala muito dele né então não deve ser… santa ignorância

    • 15 de fevereiro de 2017 às 19:27 -

      C

    • Gente, popularidade e qualidade são coisas diferentes.

    • 27 de maio de 2017 às 05:41 -

      Douglas

    • WebBlack: chora mais otário, da para ver que você não entende merda nenhuma mesmo!

  • 12 de fevereiro de 2017 às 14:20 -

    ze

  • Da pra ver que vc não entende merda nenhuma mesmo

  • 13 de fevereiro de 2017 às 00:19 -

    Robson Rodrigues F.

  • O sétimo paragrafo esta incompleto!Sempre tive vontade de apreciar esse game mas nunca tive chance de joga-lo!

  • 13 de fevereiro de 2017 às 11:13 -

    SanitariaPlays

  • Eu ja ouvi falar desse game, e ja tive a oportunidade de jogar, porém não joguei porque o game era do meu tio, e eu nao manjava direito a gameplay dele XD
    Mas esse jogo como voces disseram, recebeu pouca atençao, pelo fato do gameplay nao aquele RPG de turno que todo mundo jogava nos Final Fantasy. Se a Square tivesse focado nesse game, dado chance à ele, mesmo que o publico fosse pequeno(no caso por exemplo do Dark Souls, uma comunidade pequena, mas que a franquia teve 5 jogos lançados, fazendo com o que o Miyazaki(criador do game)tivesse dado uma chance ao game mesmo com a comunidade sendo pequena)eles deveriam ter dado muita chance à esse game. Eu gostaria muita de ver um Vagrant Story II, e compraria nos dias atuais sem problema algum.

  • 13 de fevereiro de 2017 às 13:51 -

    Carlos Schneider

  • Meu Deus cara, como eu gostava desse jogo. Pra mim um dos melhores RPGs de Ps1.

  • 14 de fevereiro de 2017 às 22:11 -

    Onigumo

  • Sem duvidas uma das obras primas dos jogos e principais titulos do ps1, Vagrant e belissimo, aliais ivalice e maginifica. Me lembro da alegria ( e decepçao) quando lançou last story! “Ela voltou!” era tudo que se passava na minha cabeça.

  • 15 de fevereiro de 2017 às 22:25 -

    Willian Antonio Calixto de Oliveira

  • joguei muito esse jogo detonei ele mais de 2 vezes e até hoje tenho kkkkk pra mim uma obra de arte da época pena que não teve continuação.

  • 19 de fevereiro de 2017 às 02:19 -

    Roney Colella de Souza

  • Eu não conclui esse jogo. Na época em que eu comprei o meu Playstation 2 eu fui sumariamente parando de jogar os meus jogos antigos. Como eu precisava de dinheiro, vendi vários dos meus jogos de Playstation por preços mínimos, alguns até mesmo por R$ 3,00. Se eu não me engano parei de jogar Vagrant Story pouco depois de confrontar um chefe que consistia em uma armadura medieval possuída.

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