RetroArkade: Metal Slug e a primeira revolução das guerras nos videogames

27 de novembro de 2016
Autor: Junior Candido

RetroArkade: Metal Slug e a primeira revolução das guerras nos videogames

As guerras sempre foram muito fáceis de se transportar para um videogame. O conceito de sair atirando em tudo que se move, tomando cuidado para não ser atingido existe desde os primeiros games, se popularizou demais nos anos 80 e na era dos arcades. Commando, os jogos de Rambo, ou mesmo jogos mais fantasiosos, como Contra, tiraram dos jogadores o sonho das aventuras no espaço e os colocaram nos fronts de batalha.

Em 2007, tivemos uma revolução quanto a maneira de se combater no mundo virtual, com a chegada de Call of Duty 4: Modern Warfare, que redefiniu a maneira de se guerrear e até hoje, dita as tendências dos games, sejam eles FPS ou não. Mas onze anos antes, em 1996, uma primeira revolução estava aparecendo: trata-se de Metal Slug, game que uniu ação arcade, bom humor, e ao contrário do game da Actvision, não ditou tendências, mas encerrou um ciclo de ouro juntando tudo o que seus antecessores tinham de melhor.

De volta para a Segunda Guerra, mas no Futuro

RetroArkade: Metal Slug e a primeira revolução das guerras nos videogames

Uma das primeiras grandes coisas que Metal Slug oferece ao seu jogador é o seu universo. Embora games de ação contavam apenas com uma “desculpa” para descerem chumbo em seus inimigos, o jogo da Nazca, que foi publicado pela SNK em seus dias de glória para o seu saudoso Neo Geo, contava com algo bem intrigante, especialmente para um título feito para comer fichas dos arcades do planeta.

Com analogias à Segunda Guerra Mundial e aos conflitos globais que existiam até o momento, com destaque para a Guerra do Iraque, o título nos leva para o ano de 2028, onde dois grupos estão em guerra pelo controle de tudo: algo como um grupo que representa um grupo militar focados em garantir a paz, e um grupo rebelde, que usa da força para seus fins, incluindo ataques terroristas. Os nossos inimigos, comandados pelo General Morden, ou um sósia do Saddam Hussein, precisam ser parados a todo custo.

E o que chama atenção logo de cara, é o fato de estarmos no futuro, mas com cenários, veículos e personagens que nos remetem aos anos de 1940. Até o Super Vehicle-001, o avançado sistema de combate que inclusive está no nome do game, nos lembra mais os icônicos tanques de guerra das guerras envolvendo Hitler e seus contemporâneos. Mas, também temos referências a conflitos modernos, com o já mencionado lance do terrorismo. E é em meio ao caos, que você, como Marco Rossi e Tarma Roving, parte em investida para acabar de vez com esta história e restaurar a paz no planeta.

Seis mundos, seis histórias

Em meio ao conflito, temos seis cenários bem diferentes, que refletem as já mencionadas referências aos conflitos globais e servem de cenário para a caça ao General Morden.

Na primeira fase, começamos em uma área que lembra muito os ambientes no Vietnã, ou nas batalhas no Pacífico, durante a Segunda Guerra. Após passar pelo rio, vamos adentrando a fortaleza, que mistura rochas e cachoeiras com os soldados e o primeiro chefe, uma enorme máquina de disparar tiros. Na segunda fase, em uma estação de trem com estandartes vermelhos, nos fazendo lembrar do ambiente nazista, o tiroteio segue para uma típica cidade europeia, com pontes e barcos atrapalhando sua jornada.

Na fase 3, subimos uma montanha de neve, e depois de destruir uma criativa máquina, que tem até um botão para apertar e subir a parte vulnerável, entramos em outra cidade, quase que uma fortaleza, em que somos impressionados com uma destruição de um prédio, com soldados inimigos voando por todo o lado. Enquanto na quarta fase, saímos da cidade e vamos para as rochas, em um cenário árido com uma riqueza de detalhes na vegetação e nos tanques destruídos.

Na quinta fase, temos uma grande cidade, que lembra muito Berlim, em outra referência óbvia a Segunda Guerra, em que em um trajeto curto, nos leva até uma floresta, a fortaleza de Morden, que simboliza a última fase, que termina em um combate contra o avião do terrível general, que termina com uma animação sensível e fantástica com um aviãozinho de papel rodando por todos os cenários, em uma mensagem de paz. O que nos deixa impressionado com o fato de que, mesmo com as limitações da época, os milagres de animação de Metal Slug eram evidentes a todo momento.

A jogabilidade de sempre com a diversão de nunca

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Metal Slug convidava seus jogadores a se aventurar em sua guerra através de uma simples, porém eficaz fórmula: andar e atirar, desviando dos tiros inimigos e somando pontos, para “dominar” a máquina com suas iniciais.

Você, jogando sozinho ou com um parceiro, começa com uma pistola simples e rapidamente, ao resgatar um dos muitos prisioneiros espalhados pelas fases, vai ganhando upgrades, que variam entre uma metralhadora, um lançador de foguetes e um lança-chamas. Para ampliar seu arsenal, importantes granadas vão sendo adicionadas também durante o processo, que “desaparecem” junto com você ao perder uma vida, tendo que começar o processo novamente. E, para deixar o dinâmico gameplay mais variado ainda, o Super Vehicle-001 aparece em alguns momentos, permitindo um “acesso de invencibiidade”, já que você não perde sua vida imediatamente enquanto o tanque aguentar.

E algo tão simples, consegue ser bem divertido, com as animações dando um show a parte, o que inclui explosões, prédios caindo, pontes sendo rasgadas por bombas e todo o caos que um confronto desta natureza causa em seu ambiente. Em meio a tanta coisa acontecendo, os controles sempre são ágeis e ajudam o jogador a ter o máximo de controle possível, especialmente no maior terror dos games de plataforma: os temíveis saltos em distâncias longas. Tudo isso garante o sucesso de Metal Slug até hoje, com versões e mais versões que foram sendo lançadas, para vários consoles, isso sem falar de suas continuações.

A chuva de tiro nos consoles

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Com o sucesso do game no Neo Geo, logo foi a vez do arcade receber uma versão, fundamental para a sua popularidade. Logo, casas de arcade por todo o mundo tinham que ter um gabinete de Metal Slug entre as suas opções, para servir de opção quando o jogador cansasse de lutar em Street Fighter ou The King of Fighters.

Logo após, foi a vez do Neo Geo CD, Saturn e Playstation receberem suas versões, todas bem fieis ao original, e que elevaram o já imenso gosto do público, pois, apesar de ser um game de Neo Geo, foi nos arcades que o título se popularizou, fazendo com que os jogadores tivessem a chance de curtir o tiroteio no conforto de seus lares, em consoles mais populares.

Dez anos se passaram e a popularidade do game, mesmo já passada a febre dos arcades — estávamos vivendo a era das lan houses –, ainda era muito alta. Com isso, tivemos então o lançamento de Metal Slug Anthology, primeiro para o Playstation 2, e depois para o Wii e o PSP, que contém todos os games da franquia já lançados. Não contente, o game ainda chegou ao mesmo Wii via Virtual Console e em uma coletânea de clássicos da SNK, que inclui o épico Super Sidekicks 3. E ainda assim, tivemos também uma versão para os smartphones Android e iOS, que oferece um novo modo, adaptado para a dinâmica móvel: o Mission Mode, que permite que ao passar uma fase, você possa selecioná-la em outra oportunidade.

Isso só serve para mostrar uma coisa: como tem jogo que não envelhece nunca. Já se passaram vinte anos desde a primeira vez que trocamos tiros com os inimigos de Metal Slug, e a série, que gerou diversas continuações e ainda chama atenção com sua animação de alta qualidade, continua sendo querida e jogada por várias pessoas pelo mundo. Acreditamos que não há, de fato, espaço nas mesas de reuniões sobre um remake, mas, ninguém aqui acharia ruim ver o game totalmente redesenhado, aproveitando ainda mais os recursos atuais, não é mesmo?

Uma resposta para “RetroArkade: Metal Slug e a primeira revolução das guerras nos videogames”

  • 28 de novembro de 2016 às 12:34 -

    Felipe Tostes

  • Metal Slug não pode falta naquela lista básica de games quando você começa a montar um emulador.

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