RetroArkade: relembrando Q*bert, um dos primeiros mascotes do mundo dos games

7 de fevereiro de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

RetroArkade: relembrando Q*bert, um dos primeiros mascotes do mundo dos games

Quando se fala em personagens icônicos do mundo dos games, de qual você lembra? Super Mario? Pac-Man? Sonic? Existem várias respostas para esta pergunta, mas é bem pouco provável que alguém cite o Q*bert. Vamos relembrar esta simpática criaturinha?

De volta ao tempo dos fliperamas

Ao contrário de Mario e Sonic que já nasceram nos consoles domésticos, Q*bert veio ao mundo nos bons e velhos arcades, no longínquo ano de 1982. Pois é, ele “nasceu” antes de vários ícones do mundo dos games, e apenas 1 ano após o Donkey Kong (o primeiro, aquele onde o Mario era apenas chamado de Jump Man e tinha que escalar o prédio para salvar Pauline).

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Sdds fliperamas. <3

Q*bert foi lançado pela Gottlieb e idealizado por apenas dois caras: Warren Davis and Jeff Lee. Ainda que o jogo em si seja simples, ele trouxe algo extremamente inovador ao mundo das games naquela época: perspectiva. Ainda que o cenário fosse todo feito apenas de pixels 2D, a maneira como os blocos eram distribuídos na tela emulava um ambiente tridimensional.

O que isso quer dizer? Que Q*bert foi o primeiro game com perspectiva isométrica da história dos games! Claro que hoje em dia os jogos do gênero usam ambientes poligonais 3D na concepção dos cenários, mas o que Q*bert conseguiu fazer em 1982 foi um avanço e tanto, e serviu de base para outros títulos do gênero nos anos seguintes.

A complexa simplicidade dos cubos

Q*bert é um jogo com uma premissa extremamente simples: você assume o controle do personagem título — uma bolota bípede alaranjada com  olhos grandes e um “nariz” molenga em forma de corneta — em um tabuleiro em forma de pirâmide, e deve basicamente pular em todos os blocos para trocar a cor deles.

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Fácil, né? Não necessariamente. Como todo jogo que se preza, Q*bert faz de tudo para dificultar a vida do jogador: em algumas fases, o tabuleiro possui abismos, por onde Q*bert pode cair se não tomar cuidado. De cada lado da pirâmide, pranchas podem transportá-lo diretamente para o topo do cenário, mas cada uma delas só pode ser usada uma vez.

Além disso, logo aparecem bolas que quicam pelos degraus, e alguns são ovos de cobras (Coily o nome delas) que te perseguem incansavelmente. Mas os piores sem dúvida são Slick e Sam, uma dupla de odiosas criaturinhas verdes que saltitam pelo cenário, revertendo à cor original os cubos que você já mudou!

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Por não ter armas (nem braços), tudo o que Q*bert pode fazer é fugir de todos estes perigos no espaço limitado do tabuleiro. Sempre que ele é atingido, pragueja em alto e bom som e um balão de fala com caracteres típicos de xingamentos de gibis — @!#?@! — aparece sobre sua cabeça, evidenciando que o protagonista é um sujeitinho nervoso e de pavio curto.

Curiosamente, a ideia original era que o personagem soltasse frases reais, mas a parca tecnologia da época acabava comprimindo o áudio gravado de formas bizarras, sobrepondo fonemas de modo que eles acabavam gerando arquivos ininteligíveis. Assim tudo o que sobrou foi o praguejar sem sentido, que acabou se tornando marca registrada do personagem.

O legado dos cubos

Depois de fazer considerável sucesso nos arcades, Q*bert foi levado para uma grande variedade de plataformas domésticas: o Atari 2600 recebeu um port terrível do game, que tirava boa parte de seu charme por conta das limitações do console, com gráficos ruins e cores escuras.

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Mas era feio esse Q*bert do Atari 2600, hein?

O Atari 5200 também recebeu Q*bert, bem como o ColecoVision, o Intellivision, o Commodore 64 e o bom e velho Nintendinho. Aqui vai um comercial do port do game para os consoles domésticos:

Como todo bom mascote de sucesso, ele também ganhou uma grande variedade de produtos licenciados, entre pelúcias, lancheiras, bonecos, quebra-cabeças, canetas e outros. Saca só a “pirâmide do sucesso” mercadológico do personagem:

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Q*bert foi um astro na década de 80.

Já em 1983 ele deu as caras também na televisão, em um desenho animado chamado  Saturday Supercade que continha vários quadros diferentes, todos inspirados em diversos games da época. No desenho, ele ganhou braços (?!) e “aprontava altas confusões” na escola com “uma turminha da pesada”.

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Essa é a capa do DVD com os melhores episódios de Q*bert.

Nos anos seguintes, Q*bert ainda ganhou algumas sequências e remakes, com destaque para a versão de GameBoy, lançada em 1992, e o Q*bert 3, lançado para Super Nintendo no mesmo ano. Em 1999, o game ganhou uma repaginada poligonal e chegou ao Dreamcast e ao Playstation 1, trazendo um modo competitivo para 2 jogadores.

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Em 2003, a Sony Pictures Mobile aproveitou a linguagem Java para levar Q*bert para os celulares, em um port que era competente, mas não oferecia controles muito precisos (estamos falando de uma época anterior à dos smartphones). Em 2007 ele chegou ao Playstation 3 através da PSN, trazendo recursos atuais como leaderboards online e visual compatível com o formato 720p.

Ao contrário de outros mascotes que foram vivendo aventuras cada vez mais mirabolantes, Q*bert sempre apostou na simplicidade. Alguns novos elementos foram surgindo a cada novo jogo, mas a essência do tabuleiro isométrico de cubos continuava ali, intacta. O que não impediu o personagem de manter um relativo sucesso e participar até mesmo de grandes produções cinematográficas!

Carreira no cinema

Depois de passar um tempo longe dos holofotes, Q*bert ressurgiu com tudo em 2012, como um coadjuvantes da divertida animação gamer Detona Ralph, da Disney. No filme, ele e seus companheiros de jogo vivam na Game Central Station — local para onde personagens iam quando suas respectivas máquinas eram desligadas — mas seu encontro com Ralph mudou seu destino, e Q*bert inclusive ajudou o protagonista mais de uma vez durante o filme, e ao final, mudou-se para o jogo Fix-it Felix Jr, game (criado para o filme).

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Ralph entrega a cereja do Pac-Man para Q*bert e sua turma.

A imagem de Q*bert foi amplamente utilizada durante a campanha de marketing do filme, talvez para assegurar aos gamers em geral que o filme realmente teria um vínculo real com jogos clássicos. Curiosamente, nenhum dos responsáveis pela criação dele recebe um tostão de royalties, simplesmente porque a Gottlieb não criara nenhum tipo de “proteção” para o uso da imagem do personagem.

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Mais recentemente — em 2015 — Q*bert voltou às telas do cinema, desta vez ao lado de atores de carne e osso. Na comédia Pixels, o mundo real é invadido por aliens que assumem a forma de personagens de videogame. Q*bert é meio que dado de presente aos protagonistas, e se mantém junto com eles até o final do filme, onde assume a forma de um outro personagem criado especificamente para o filme.

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Q*bert “pixelado” em cena de Pixels.

Além destas participações diretas, Q*bert fez aparições curtas ou foi mencionado em diversas séries animadas de sucesso: Os Simpsons, Futurama, Family Guy South Park já fizeram algum tipo de piada, homenagem ou paródia envolvendo o personagem.

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O visual dos personagens mudou um pouquinho n’Os Simpsons, mas tá de boa.

Q*bert Rebooted

Em fevereiro de 2015, Q*bert Rebooted foi lançado para diversas plataformas, incluindo PC, Playstation 4, PS Vita e iPad. O jogo mantém exatamente o mesmo estilo do game original, mas seu visual foi todo remodelado, e agora está mais colorido, vibrante e bonito do que nunca.

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Ainda que continue reclamão, Q*bert está mais fofinho do que nunca, pois seu visual empresta um pouco do que vimos no filme da Disney. Para quem curtia o game “das antigas”, a versão Rebooted é um prato cheio, pois traz tanto o jogo novo quanto uma recriação fiel do jogo original para arcade, que inclusive é jogado em um arcade!

A chegada ao Xbox One

Ficou com saudade de curtir Q*bert? Pois esta semana você terá uma excelente oportunidade de revisitar este clássico: nossos camaradas da Loot Entertainment — em parceria com a Sony Pictures e a Gonzo Games — estão trazendo Q*bert Rebooted para o Xbox One!

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O reboot traz o jogo original “de brinde”. =)

A nova versão do game é essencialmente igual ao reboot que chegou às demais plataformas no ano passado, mas traz boas novidades: temos 5 novos personagens que podem desbloqueados e uma nova trilha sonora by EnV — o cara que assina a trilha sonora do viciante Electronic Super Joy, que também chegou recentemente ao Xbox One.

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Na versão Xbox One também é possível curtir tanto a nova versão do jogo como sua versão clássica, que, como nas demais plataformas, continua sagazmente emulada em um gabinete de arcade idêntico ao original dos anos 80.

Confira abaixo um trailer da nova versão do reboot:

Se você estava com saudade da simplicidade desafiadora de Q*bert, ou quer mostrar para aquele seu priminho que se acha “o cara” por ter zerado Dark Souls, aí está uma boa chance de mostrar o que é dificuldade old school nos videogames!

Q*bert chega ao Xbox One no dia 12 de fevereiro, mas já está disponível para pré-compra na Xbox Live por um precinho super camarada. Reserve o seu aqui e aproveite!

2 Respostas para “RetroArkade: relembrando Q*bert, um dos primeiros mascotes do mundo dos games”

  • 7 de fevereiro de 2016 às 22:12 -

    Roney Colella De Souza

  • Esse texto me fez cogitar uma ideia interessante: Lançarem jogos de plataforma como Sonic para Fliperama. O primeiro por exemplo eu consigo terminar em uma hora e vinte minutos. Observação: A fase que o pessoal  provavelmente mais iria gastar ficha é a da água.

    • 7 de fevereiro de 2016 às 22:17 -

      Roney Colella De Souza

    • Talvez esse meu recado por ser uma ideia de “item para venda” vai estar infringindo a primeira regra quanto à comentários. Se for o caso eu peço desculpas adiantado. O que me veio em mente; Cada vez que lançassem um filme (geralmente de ação ou terror) no cinema: Um jogo de plataforma baseado no filme seria colocado nos fliperamas da Loja de games do Shopping.O jogo ficaria na loja de games durante o mesmo período em que o filme estivesse em cartaz. Valor de cada ficha: R$ 0,25 Tempo médio dos jogos: Uma hora e meia avançando continuamente. Se em média uma pessoa gastasse uma ficha à cada 5 minutos seriam necessários 18 fichas para concluir cada jogo. Hoje por exemplo estaria Guerra nas Estrelas 7 e a Quinta Onda. Alavanca Movimenta, um dos botões pula e um dos botões ataca.

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