Sound Test Arkade Faixa 19 – Norihiko Hibino / Cynthia Harrell – Snake Eater (MGS 3)

Em 2004, Hideo Kojima surpreendeu — de novo — o mundo ao levar a sua franquia Metal Gear Solid do futuro próximo ao passado dos anos 60. Além de presentear o mundo sobre as origens de Big Boss, que mais tarde ganharia tanta popularidade quanto seu filho Solid Snake, também recebemos uma das maiores músicas de todos os tempos da game music. Vamos ouvir e conhecer mais sobre Snake Eater.

O Jogo

Um clássico. Metal Gear Solid 3 não só evoluiu a franquia, como também marcou época, sendo um dos melhores games da série, do Playstation 2 e de todos os tempos. O game surpreendeu em vários aspectos, como por exemplo, no reaprendizado do gameplay, já que por estarmos de volta nos anos 60 e na Guerra Fria, não tínhamos mais a disposição Soliton Radar, nem Codec, nem nada que envolvesse a alta tecnologia.

No lugar, ganhamos técnicas de sobrevivência, como a habilidade de se ‘auto costurar’, se curando de tiros, cortes e outros machucados, além da fome, já que o Big Boss deveria comer para manter sua integridade física, além de evitar fazer com que sua barriga ronque na hora errada. Mas em meio a um novo cenário e um novo personagem, tudo o que Metal Gear Solid tinha de melhor estava lá: enredo espetacular, ideias fora da caixa (derrotar um chefe apenas ficando duas semanas sem ligar o game e jogar um pesadelo estão entre as surpresas) e o gameplay inteligente completam o pacote, que ainda por cima conta com um teor de nostalgia, ao apresentar personagens conhecidos da série em versões mais jovens e abrir espaço para um enredo global ainda mais grandioso do que já tínhamos conhecimento.

O Compositor

Norihiko Hibino é ‘o cara’, que escreveu e compôs Snake Eater. O músico japonês, especializado no saxofone, se mudou para os Estados Unidos estudar e posteriormente, tentar carreira no jazz. Mas no começo dos anos 2000, acabou chegando na Konami, onde fez sua estreia em Metal Gear: Ghost Babel, aquele game para Game Boy Color, que não faz parte da cronologia oficial.

Logo após o trabalho com o portátil, Hibino se aproximou das franquias de Kojima, trabalhando em Zone of the Enders e em Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty. Depois trabalhou em mais games da Konami, como os da série Yu-Gi-Oh!, Beatmania e o remake de Metal Gear Solid para o Game Cube, o Twin Snakes, trabalhando neste último, apenas na abertura de cenas, já que a trilha original era praticamente a mesma de 1998.

Mas foi em Snake Eater que o músico se consagrou. Hibino fez, como de costume, as músicas in-game e trabalhou em algumas faixas das cutscenes, porém o destaque maior foi mesmo para a música-tema. A música serviu para introduzir o jogador nesta nova fase do game, apresentando o glamour da espionagem dos anos 60, sendo consagrada pelos fãs da franquia, sendo interpretada até hoje em diversos eventos de Game Music pelo mundo.

Para o game, ajudou Harry Gregson-Williams, que compôs diversas músicas para o game. Além dos games, Gregson-Williams tem parceria de longa data com o diretor Tony Scott, trabalhando juntos desde o filme Inimigo do Estado.

A cantora

Cynthia Harrell já era conhecida pelos fãs da Game Music bem antes de Snake Eater. Em 1997, ela cantou I am the Wind para o excelente Castlevania: Symphony of the Night. Pouco se sabe sobre sua carreira, mas sua presença nos jogos da Konami tem relação com outro nome muito importante da Game Music: Rika Muranaka. Cinthya cantou no disco de estreia de Muranaka, Slice of Life, de 1992, e depois cantou a já mencionada música de Castlevania, outra composição de Rika.

Muranaka também se faz presente na série Metal Gear Solid, e merece uma Sound Test só sua, onde poderemos conhecer melhor seu trabalho. Mas voltando a Cynthia, sua voz firme ajudou muito a deixar Snake Eater ainda mais grandiosa e marcante. Não há mais registro de trabalhos da cantora no mundo da Game Music, desde então.

A música

Snake Eater foi composta para funcionar como uma das lendárias introduções de filme do James Bond. Paul McCartney e os Wings em Com 007 Só se Viva ou Deixe Morrer, Carly Simon em O Espião que me Amava, ou Tina Turner em GoldenEye são alguns dos bons exemplos que as introduções dos filmes com o 007 tem até hoje, levando a excentricidade dos anos 60 com efeitos típicos e músicas fortes. Aproveite e ouça uma playlist que preparamos para você com todos os temas de 007, desde 1962:

Na introdução de Metal Gear Solid 3, temos tudo isso: o vídeo excêntrico com cobras deslizando suavemente a tela, vídeos de fatos da história do jogo e uma música muito forte, tanto em sonoridade, quanto em letra. Servindo para levar o clima da época e um pouco das novidades do game ao jogador, também somos introduzidos ao teor extremamente emocional do enredo, não só do game, mas como da vida de Big Boss. I give my life / Not for honor / but for you (Eu dei minha vida / Não por Honra / Mas por você) praticamente resume o que será Metal Gear Solid 3 e o restante da franquia, fazendo o enredo grandioso que envolve conspirações globais se tornar algo muito pessoal e íntimo, gerando ainda mais interesse pelas vidas em questão na história, dos games do MSX até o desfecho da série com Metal Gear Solid V.

A música está lá como um aviso: Snake Eater é uma introdução a um caminho sem volta na franquia. Grandiosa como a versão dos Wings e forte como a voz de Tina Turner em GoldenEye, temos aqui uma ‘legítima’ introdução de James Bond que, além de guiar o jogador para esta nova fase a série, também abriu nossas mentes para o que estava por vir.

Aproveite e confira nossa playlist com algumas das músicas mais queridas de Metal Gear Solid. Temos um perfil no Spotify, com boas playlists reunindo o que há de melhor no mundo da Game Music e temas relacionados. Siga-nos acessando este link.

Snake Eater ainda pode ser ouvida na subida histórica de escada rumo a Krasnogorje, nos cinco minutos finais da luta com The Boss, em versão remixada, chamada de Abstracted Camouflage, em versão de piano, nos flashbacks de Peace Walker, e em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, no iPod e ao equipar a lendária arma Patriot, e também no combate final com Liquid Ocelot, no qual a luta se dá com ares de nostalgia, revisitando todos os jogos da série, até então. Além disso, música também está diponível nos cassetes de MGS V: The Phantom Pain.

Para sempre comedores de cobras

Metal Gear Solid, independente do que acontecer no futuro, está eternizado como uma das maiores franquias de todos os tempos. Muitos são os aspectos que nos fazem afirmar isto, e entre eles, a música também tem papel importantíssimo na força que todos os seus jogos tem.

Metal Gear Solid 3 ampliou uma série que já era grande. Aumentou um universo já consolidado, respondeu muita coisa que os fãs queriam saber desde os anos 80 (ou 90, caso tenham sido introduzidos na franquia com o MGS) e abriu espaço para duas histórias distintas: a de Big Boss e a de Solid Snake. Snake Eater, a música, nos alertou para isso e por isso, ela será para sempre lembrada como um símbolo de uma nova era para uma gigante franquia.