Voice-Chat Arkade: Eu não consigo ser mau!

28 de fevereiro de 2015
Autor: Gui Mendes

Voice-Chat Arkade: Eu não consigo ser mau!

Eu sou o tipo de pessoa que é altamente influenciável, admito. Sempre é assim, vejo um vídeo na interwebs, um comentário do desenvolvedor, ou uma imagem de título e fico alvoroçado. Não tenho vergonha em afirmar que sou um passageiro recorrente do hype train.

Eis que vejo um comentário do Chris Wynn, diretor e desenvolvedor sênior da série Mass Effect, afirmando que o modo single player do novo jogo da franquia, será bem melhor que Dragon Age: Inquisition, pra mim só o melhor jogo lançado no ano passado. Sim, sou bitch da Bioware, me julguem.

Foi aí que comecei uma das minhas antigas promessas de alguns muitos anos atrás. Rejogar toda a série no full renegade, com uma Shepard chuta-bundas… Será que conseguiria eu tal façanha?

Voice-Chat Arkade: Eu não consigo ser mau!

Não foi a primeira vez que tentei este feito. Após o final, duvidoso, do terceiro jogo da franquia, eu havia prometido voltar imediatamente aos primeiros episódios com o intuito de relembrar o quão interessante o universo de Mass Effect era, diferente do final lançado “nas coxas” pela EA. Eis que, aos primeiros minutos jogados, eu não consigo. É maior do que eu. Não pelo fato do Shepard, ser um simulacro das suas ações (no primeiro e segundo), mas sim pelo simples conceito de que ser renegade, é na verdade ser um babaca.

Me peguei nesse questionamento à medida que continuava minha peleja por Eden Prime. Lembrei-me dos tantos outros jogos com a premissa da escolha de um lado, sendo assim tão preto no branco quanto aquele clipe do Michael Jackson. Percebi que, a culpa era da Bioware, depois de muito matutar.

Voice-Chat Arkade: Eu não consigo ser mau!

Foi em Star Wars: Jedi Academy que primeiro me veio a escolha, pelo que me lembro. Eu me recordo de como tudo era bem construído, com direito a traição, plot-twist, e afins. Claro, relembrando a limitação da época. Já em Infamous, você amadurece sua “fama” para um dos lados da moeda, sendo ele o lado bom ou o negro (literalmente, já que seu próprio poder fica obscuro). Em Mass Effect não, o Shepard renegade é, simplesmente, um babaca que gosta de dar patadas nos outros sem motivo aparente. O tipo de pessoa que anda de mau-humor para justificar seus atos, o que para mim não é uma escolha muito inteligente. O que torna essa triagem ainda mais destoante quando o jogador decide escolher o lado cinza da força, coagindo o personagem a se tornar um bipolar lunático que não sabe quando está de bom humor, ou quando está com raiva.

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O que não entendo é como que a Bioware consegue montar uma escolha tão difícil em Bring Down the Sky (dlc), onde não necessariamente renegade e paragon são escolhas tão simples quanto ser “gente boa” ou “babaca”, mas parece esquecer isso em muitas vezes durante todo o resto do percurso. O que espero, do fundo do meu coração apaixonado pela série, é que eles acertem neste novo jogo como acertaram no dlc do ME1, ou do ME2 (Shadow Broker), ou mesmo na construção do Inquisidor — a ponto de respostas a perguntas como “Você acredita no Criador?” determinar a maneira como seu personagem vai agir diante da própria fé, sendo um crente ou ateu (ou até mesmo politeísta) — de modo que a diferença entre os personagens não seja apenas o humor bipolar, ou mesmo um grau diferente de pela-saquismo. Uma coisa é certa, se realmente for melhor que DAI então podemos ficar tranquilos… Só nos resta esperar.

E vocês, caros leitores, conseguem controlar personagens que fogem do seu alinhamento natural?

6 Respostas para “Voice-Chat Arkade: Eu não consigo ser mau!”

  • 28 de fevereiro de 2015 às 16:45 -

    Rogério Ketzer

  • Excelente texto… também passo pelo mesmo “problema”. Gosto de jogar RPG para me projetar no personagem… então, o crio, geralmente, semelhante, inclusive, aos meus traços físicos… ajo da forma que eu mesmo agiria se estivesse lá. Também, por isso, tenho problemas, não só com personagens “maus”, como também femininos… simplesmente, por mais que a história seja legal, não consigo tomar decisões tentando imaginar alguém que eu não seria nunca… enfim, de certa forma, sou eu ali, através de um avatar… então, eu sou o Shepard, o Inquisitor, o Geralt of Rivia, Jedis e outros personagens de jogos que eu gosto… 

  • 28 de fevereiro de 2015 às 17:45 -

    leandro leon belmont alves

  • eu não consigo ser um personagem mau, até em Gtas da vida quando estou ali, faço o possível para não parecer ruim. acho que nos jogos, a maioria age com a sua idole, que a dos gamers é geralmente se o heroí, o cara bom, é dificil achar alguém sendo um FDP em algum jogo onde envolve escolhas.

  • 28 de fevereiro de 2015 às 20:52 -

    Nymer

  • Interessante esse tema. Acho que essas escolhas nos jogos até servem de experimento, sobre decisões que você não tomaria na vida real. Porém, mesmo num universo virtual com história fictícia, fica complicado para alguns desenvolver o lado mau de um personagem.Já terminei jogos montando um personagem de má índole, e engraçado, fiquei bastante incomodado. Alguns títulos então, parei no meio e reiniciei o game mudando de postura.É lógico que isso não significa que através de um jogo pode-se julgar o caráter de uma pessoa. Até porque fazer loucuras em jogos, que jamais faríamos na vida real, é uma válvula de escape. O bacana disso tudo é como funciona o nosso código moral, em se sentir incomodado com algo irreal.

  • 1 de março de 2015 às 00:37 -

    Kubrick Stare Nun

  • Essa é uma das razões pelas quais eu gosto tanto de The Witcher e de Fallout New Vegas, as escolhas que você tem que tomar e que caracterizam o seu personagem nunca são tão simples quanto ser mal ou bom (ou pior ainda, como babaca ou pessoa razoável (como é o caso com Mass Effect)) tudo sempre tem mais a ver é com ideologias e com o que você acredita ser a melhor escolha.

  • 1 de março de 2015 às 18:06 -

    Onigumo

  • Concordo com Kubrick, acho que o problema e o jogo em si, fallout foi o melhor exemplo, a culpa e dos desenvolvedores que alem de mercenarios sao preguiçosos a bioware mesmo e uma bosta, com a tecnologia que temos hoje e com os investimentos que sao feitos no mercado de games a unica coisa que consigo pensar para justificar esses resultados e o descaso, nao prescisa ser new vegas nao, qualquer fallout e mais imersivo que mass effect, planescape e mais um exemplo, a verdade e que nos caimos na armadilha com facilidade, feito patinhos e o pior sabemos disso e nao mudamos nada, ai depois vamos criticar os jogos, quando mass effect 1 saio eu fiz esse mesmo comentario, nao me lembro bem se foi aqui ou no kotaku, me cruscificarao, ai, depois de ja ter comprado e babado ovo de todos os jogos pessoal vem fazer criticas, pelo amor de deus vio, mas que post infeliz foi esse hein?

    • 2 de março de 2015 às 09:37 -

      Gui Mendes

    • Assim, se você realmente julgar ME(a franquia) como boa ou ruim só por conta de uma das mecânicas dele, então realmente é possível que o jogo não te agrade… Discordo que Mass Effect seja um jogo ruim, no entanto, porque se colocar na balança todo o universo criado, a história, e os personagens(além da jogabilidade em alguns dos jogos) acredito ainda que é um dos melhores “RPGS” ocidentais da ultima geração(incluindo também os que você citou, porque eles são coexistentes, há espaço para todos). O que critiquei foi apenas a construção do Sheppard renegade, em comparação a outros jogos que faz isso muito bem de criar um crescendo em personagens antagonistas. Agora falar que Fallout(já zerei todos) tem uma melhor composição de protagonista, aí é forçar… Não acha? Você controla um boneco sem emoções, é muito mais fácil dar escolhas mais difíceis para uma figura sem expressão do que a outra que reage ao mundo a sua volta. 

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