Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

30 de abril de 2018

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

Se você curte puzzle games criativos e diferentes, sugiro que dê uma atenção toda especial para Inked, game carismático e envolvente que alia uma história emocionante a puzzles geniais e estética única!

Um artista e sua obra

Inked meio que acompanha 2 histórias que correm em paralelo. No “mundo real” temos o desenhista, Adam, que parece estar tendo problemas para lidar com o término de um relacionamento.

No “papel”, temos a jornada do Herói sem Nome, um ronin (desenhado por Adam) que teve sua amada raptada por seu próprio criador, e irá enfrentar uma árdua jornada para reencontrá-la.

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

A narrativa do game é muito interessante, e a forma como os eventos do mundo real influenciam o mundinho de papel do Herói Sem Nome é simplesmente genial. Usando formas geométricas simples e uma quantidade limitada de tinta, o pequeno samurai terá que superar obstáculos usando nada menos que sua inteligência e perspicácia.

Um mundo desenhado

Geralmente eu divido minhas análises em subtítulos específicos para falar de gameplay e visual, mas neste caso é impossível, simplesmente porque o visual do game está totalmente ligado ao seu gameplay.

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

O jogo não se limita ao azul

Estamos em um mundo isométrico (dentro de uma folha em branco) onde tudo é desenhado, e Adam vai inserindo novos elementos enquanto jogamos. E nossa principal habilidade é justamente acrescentar mais alguns desenhos, para que possamos prosseguir, criando objetos que possam servir de plataformas, pontes ou mantenham botões pressionados.

Confira um pouquinho de gameplay abaixo:

Reparou que eu já dei uma travada ali, né? Pois é: os puzzles de Inked são até que simples, mas bem engenhosos, e demandam utilização inteligente do (escasso) estoque de tinta e das poucas formas que podemos criar. Combinar tudo de forma funcional é mais desafiador do que parece, e depois que a gente entende a lógica de um puzzle, fica com aquela sensação de “como não pensei nisso antes?” que os bons puzzles proporcionam.

Criatividade além do papel

A sinergia entre visual e gameplay é incrível, e torna Inked algo realmente único. E ele ainda se torna mais interessante ao “quebrar a quarta parede”, fazendo com que a realidade (aka o mundo de Adam) afete o mundo desenhado do game de formas criativas e imprevisíveis.

Por exemplo, em dado momento, Adam se apoia na mesa e acaba inclinando a folha de papel em que se passa o jogo. Isso afeta a gravidade daquele mundo, e de repente estamos subindo uma ladeira, pela qual rolam imensas bolas para nos esmagar.

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

Tipo assim

Esta é apenas uma de muitas situações interessantes e criativas que o jogo entrega, e todas elas demandam que o jogador saiba como utilizar suas habilidades, misturando-as e adaptando-as conforme a necessidade. Ainda que possamos criar algumas poucas formas geométricas simples, quando utilizadas juntas elas podem virar estruturas mais complexas (e úteis).

Conclusão

Eu adoro puzzle games que fogem do lugar-comum e conseguem nos surpreender com mecânicas inovadoras. Jogos como Typoman, o impressionante Gorogoa e agora Inked são assim, pérolas de criatividade e inovação que, apesar de sua simplicidade (em termos de gameplay), entregam experiências realmente únicas, diferente de quase tudo o que há por aí.

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

E, ainda que seja ótimo termos jogos ultra-realistas em 4K, também precisamos de jogos que sejam bonitos conceitualmente, não só pelos gráficos, mas pelo design e pela direção de arte em si. Inked traz tudo isso, acompanhado de uma trilha sonora melancólica e uma história — ou melhor, duas histórias — tocantes e cheias de significado.

Se tivesse que apontar uma falha é simplesmente que ele meio que se alonga demais, em dezenas de capítulos que, apesar de lindos, apoiam-se em variações de situações que já vivemos antes. Considerando que é possível chegar a mais de um final diferente, ver tudo o que o game oferece demanda algum empenho.

Análise Arkade: Inked conta duas belas histórias com tinta, papel e puzzles

No mais, se você curte puzzle games diferentes, dê uma chance para Inked. Ele vai te encantar com seu visual “desenhado à mão” e te surpreender com a genialidade simples de seus puzzles, e a força emotiva de sua história. Um joguinho imperdível, que nos faz pensar tanto pelos quebra-cabeças quanto pela temática.

https://youtu.be/dONjFyEFjz8

Inked foi lançado em 26 de abril. O game é exclusivo para PC, e está disponível na Steam.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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