Afinal, o SEGA Forever é bom mesmo?

22 de junho de 2017
Autor: Junior Candido

Afinal, o SEGA Forever é bom mesmo?

A verdade precisa ser dita: de todas as “ausências” no mundo dos games, a mais sentida, sem dúvida alguma, foi da SEGA. A ausência está entre aspas pelo simples motivo de que a companhia japonesa, embora não fabrique mais consoles e não seja mais protagonista da indústria dos games desde 2001, nunca deixou de atuar, lançando pérolas como Yakuza neste tempo, além de sofrer altos e baixos com o Sonic, que também tem retorno old-school garantido para agosto.

Mas, de certa forma, A SEGA voltou. Como disse, não a participar do mundo dos games, mas sim, para recuperar a atenção que um dia teve. E, entre várias novidades anunciadas neste ano, pela própria SEGA ou por seus parceiros, tivemos a grata surpresa do SEGA Forever, o já anunciado e conhecido programa de jogatina retrô da companhia, que usa a sua arma mais poderosa no momento, o seu acervo retrô, e o oferece de maneira gratuita, com propagandas, ou livre de anúncios e com direito a jogatina offline mediante pagamento.

Mas é claro que todos ficamos curiosos quanto ao que a SEGA estaria aprontando. Nossos leitores participaram de uma pesquisa, tentando adivinhar o que diabos a companhia estava para anunciar, na fase em que fitas eram enviadas para algumas pessoas pelo mundo. E não é que eles acertaram? Sim, o serviço consiste em relançamentos de grandes clássicos de vários consoles da empresa:

É claro que a SEGA escolheu o caminho mais simples, oferecendo os aplicativos para download e apenas removendo propagandas com pagamento, o que várias empresas já fazem. O interessante aqui, é que, além dos apps nas lojas digitais (Google Play e App Store), existe também uma comunidade, centralizada no site forever.sega.com, que anuncia os jogos que virão a seguir no extenso catálogo prometido, e também serve como ponto de encontro, para comentários e sugestões de jogos.

Mas o serviço é, de fato relevante? Para entender um pouco mais, conversamos com “a SEGA em pessoa”, que responde pelo nome A SEGA VOLTOU! no Twitter. Para quem não conhece ainda, este simpático perfil divulga com muita animação tudo o que envolve o universo da companhia japonesa. Veja só o que a “mãe do Sonic” comentou a respeito:

Eu conheci o projeto antecipadamente mas eu não podia falar nada pq a Sega me pediu. A primeira coisa que pensei foi QUE EMPRESA OUSADA. Pensei em caps lock. Pode nem parecer mas a maneira de tratar o catálogo de jogos e tornar eles acessíveis para qualquer pessoa é um passo bem grande.

Os videogames estão mudando. A forma de jogar está mudando muito e um console da geração atual não é mais a única porta de entrada para os jogos. Um projeto desse pode fazer muita diferença, talvez mais do que coletâneas republicadas em toda geração de console. O Sega Forever pode fazer bastante pelas IPs, pela marca, honrar o passado e preparar o presente para um futuro próximo. É quase romântico se você parar pra pensar.

Eu já testei os jogos. Eu gostei muito do que recebeu port, é o caso do Sonic the Hedgehog de 1991 e que foi atualizado para esse projeto. Os ports serão muito bem vindos, principalmente no que eles possam estar tramando em relação ao Saturn e o Dreamcast.

Eu também gostei do emulador e da interface, como ele pretende reunir o conteúdo da comunidade na aba do Fanzine. Ele precisa de algumas melhorias, incluindo sync de áudio e opção para filtros nos jogos mas conecta direto na maioria dos controles bluetooths e responde bem dentro do jogo quando usado apenas no touchscreen. Acho que ele ainda receberá uma polida, o projeto é longo, mas tudo correu bem aqui para jogar Comix Zone até a parte que eu morri por falta de destreza, cordenação motora e controle emocional.

Essa história toda revelou um pouco em como a Sega pensa o videogame. Existem múltiplos caminhos e mercados. Os games são feitos para todas as pessoas e o lugar deles é com elas, onde elas decidam estar.

Olha a experiência da SEGA “em pessoa” com o serviço:

E sim, a SEGA utiliza neste serviço o know-how adquirido pelos anos de experiência no mobile, com jogos que já haviam sido otimizados antes, como o Crazy Taxi ou o Virtua Tennis, que sempre foram jogos bem competentes em seus ports, além do “exagero” bacana de Sonic 1 e 2, que ganharam um interessante remaster, com direito a 60FPS, personagens a mais para controlar e sprites refeitos. Isso também fará a diferença no projeto, já que teremos games com a confiança de quem já os vende há tempos.

Os jogos, até o momento, estão do jeito que eram esperados: com botões na tela e boa emulação. Não há nada de novo, além de uma nova introdução bem nostálgica, e funções extra-jogo, como compartilhamento no Facebook e save na nuvem. No mais, são os mesmos jogos, tais quais eram em suas épocas, com as óbvias adaptações para as telas pequenas. Até o cheat de invencibilidade de Comix Zone foi efetuado com sucesso, o que significa que as dicas funcionarão na maioria dos games, nos levando de volta até a época dos caderninhos de anotações.

Afinal, o SEGA Forever é bom mesmo?

Comix Zone funciona com cheat e tudo!

Mas, confesso que fiquei levemente decepcionado, pois acreditava que um serviço de assinatura, no qual mediante um valor, toda a biblioteca ficaria disponível, seria algo incrível. Porém entendi perfeitamente a postura pé no chão da SEGA, e também entendo que a questão de conexão à Internet ainda é um problema em vários lugares, incluindo o Brasil, e para que funcionasse desse jeito, mais investimentos seriam exigidos, e seria uma aventura no escuro para a companhia. Que o Forever seja do jeito que está, então.

Mas, de qualquer forma, um sistema, mesmo que virtual, só sobrevive com jogos. É claro que neste quesito, a casa do Sonic larga na frente, mas o povo vai querer mais e mais, e o sucesso do projeto a médio e longo prazo vai depender do feeling, para ouvir esta comunidade e conseguir portar com qualidade o máximo de jogos possíveis, sejam eles clássicos bidimensionais, ou jogos mais complexos, como Shenmue, um dos preferidos. A galera já tá escolhendo algumas opções:

De minha parte, gostaria muito de que o SEGA Forever ganhe nos próximos meses alguns games arcades. É claro que jogos como Phantasy Star e Comix Zone são importantíssimos, mas quer algo mais casual — e que tem tudo a ver com o espírito móvel — do que Daytona USA e SEGA Rally? Ficarei muito feliz se puder ouvir em meu smartphone em breve os berros de DAYTONA!!!, mais uma vez. Além de serem jogos mais rápidos, os games de arcade também exigem menos do controle por toque, uma ajuda importante, já que muitos jogos móveis desapontam devido a “obrigação” de se comprar um controle bluetooth para se jogar de maneira adequada.

Mas no geral, a SEGA, além de “voltar”, também acertou. Ao invés de “apenas” trazer seus jogos em um formato que já é muito praticado no mundo dos games móveis, a companhia criou laços de amizade com aquele jogador que curtiu o seu Mega Drive antigamente, e agora vai poder levá-lo no bolso para qualquer lugar, e de graça ainda. Ás vezes, as pessoas querem ser surpreendidas com grandes anúncios, mas o que de fato faz a diferença é algo funcional. E, entre arriscar e oferecer algo bem feito, Sonic, Sketh Turner e todos os outros colegas de trabalho serão presença constante nos smartphones da galera por um bom tempo, ou melhor, “para sempre”.

Junior Candido é editor do Arkade e você pode seguí-lo no Twitter.

3 Respostas para “Afinal, o SEGA Forever é bom mesmo?”

  • 22 de junho de 2017 às 12:41 -

    DENIS

  • Muito boa a análise arkade,, parabéns primeiro site q vi uma análise desse game para PS4, Estava na dúvida sobre comprar esse jogo, depois dessa análise é compra certa

  • 23 de junho de 2017 às 09:59 -

    mikemwxs

  • Passei a vista em alguns jogos e os jogos me pareceram bem adaptados… Talvez eu já esteja velho para lidar com a jogabilidade no touch screen, minha tentativa de jogar Sonic foi sofrível, mas jogar os RPG como Phantasy Star é mais tranquilo.
    Queria muito que a Sega trabalhasse nesse nível de qualidade com o Sega Mega Drive Classics para Steam.

    • 24 de junho de 2017 às 17:41 -

      Gabo Kury

    • Eu concordo, RPGs de turno são bem tranquilos com o touch mas na maioria dos outros jogos complica, também estou tendo alguns problemas com o Sonic… Por isso penso em comprar um joystick para aproveitar melhor esses outros jogos e seria formidável se a Sega lançasse um baseado no Mega por exemplo.

Deixar um comentário (ver regras)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *