Análise Arkade: 80’s Overdrive traz corridas com vibe retrô e visual incrível

12 de maio de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: 80's Overdrive traz corridas com vibe retrô e visual incrível

Embora jogos de corrida estejam entre os que mais evoluem em termos de visual e realismo, é inegável o charme que produções como OutRun e Top Gear mantém até os dias atuais.

Se você curte este tipo de “corrida estilo arcade” e tem um Switch, vai gostar de saber que 80’s Overdrive, jogo originalmente lançado para o Nintendo 3DS, chegou recentemente ao novo console da Nintendo, e faz bonito, ainda que derrape em alguns pontos.

Corrida old school

Como nem todo jogo de corrida precisa ter história (especialmente os antigos, ou os que emulam o estilo dos antigos), a coisa aqui é bem direta ao ponto: você cria um piloto — na verdade só escolhe um nome e uma fotinho de avatar — e compra o carro que der para comprar com seus 3 mil dólares iniciais (só há 2 carros nesta faixa de preço). Feito isso, você perceberá que existem basicamente 2 modos de jogo principais: o modo Carreira e o modo Time Attack.

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Rumo ao pôr do sol

Na Carreira, há 20 corredores acima de você, e seu objetivo é se tornar o número 1, o que se consegue vencendo diversas corridas, espalhadas por um mapa. Vencer lhe rende coroas, e quanto mais coroas, mais status. O Time Attack, por sua vez “emenda” diversas pistas do jogo em uma única pista “infinita”. Seu objetivo é ir o mais longe possível, adicionando mais tempo ao cronômetro ao passar por checkpoints e dirigir perigosamente.

Por fim, o jogo também traz um Editor de Pistas, que não é lá muito profundo: ele lhe permite escolher e randomizar alguns elementos comuns de uma corrida (comprimento da pista, volume do tráfego, número de curvas, presença ou não de policiais) e experimentar sua pista. Você não “bota a mão na massa” de verdade, apenas seleciona coisas em um menu e depois testa.

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As corridas passam por praias, florestas, cidades, desertos…

Sentiu falta de alguma coisa? Pois é, não há nenhum componente multiplayer aqui. Simplesmente não tem como disputar um racha com seus amigos, nem local em tela dividida, nem online. Isso é um baita ponto negativo, pois diminui consideravelmente a vida útil do game.

Pisando fundo

Independente do modo de jogo, a jogabilidade de 80’s Overdrive se resume a pisar fundo no acelerador, tomando cuidado com as curvas e abrindo caminho em meio ao tráfego. O gameplay deveria ser a melhor parte do jogo mas, infelizmente, não é.

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O problema principal é bem óbvio: falta maciez na direção do carro. O jogo simplesmente não leva em consideração toques suaves no direcional, e isso arruína a sensibilidade para curvas e ultrapassagens. O jeito é ir dando toquinhos curtos mas vigorosos no direcional, para fazer o carro virar sem muita violência.

No vídeo de gameplay abaixo, você consegue ter uma noção de como isso funciona, especialmente nas ultrapassagens. Te juro que não é barbeiragem minha, a única forma de virar o carro nesse jogo sem sair da pista é assim, dando toquinhos no direcional:

É possível de se acostumar com isso enquanto joga? Até é. Mas isso não quer dizer que não seja um problema. Não lembro se os jogos antigos que 80’s Overdrive tenta emular também eram assim, mas já vimos outros jogos do tipo — como o excelente Horizon Chase Turbo — apresentando um bom mix de vibe retrô com controles atualizados.

Fora isso, as corridas trazem um nível de competitividade razoável. Na real, os pilotos adversários dão menos trabalho do que os meros civis, que mudam de faixa de repente, sem nenhum aviso (como na vida real, ninguém aprendeu a usar a seta). Algumas pistas também têm policiais, que vão tentar de tudo para te parar e te levar em cana.

Em busca de dinheiro

Conforme vence corridas no modo Carreira, você vai acumulando dinheiro para poder melhorar seu carro ou investir em novos veículos. Inicialmente, melhorar seu carro vale mais a pena do que adquirir um novo, mas inevitavelmente você acabará tendo que dar um upgrade, pois os carros mais caros são mais velozes do que os iniciais — ainda que a sensação de velocidade do jogo não seja lá das melhores.

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O drift aqui é meio capenga

Se a grana estiver curta, você pode revisitar corridas mas fáceis, pois vencê-las sempre rende uma graninha. Ocasionalmente, um sujeito estranho irá lhe pedir missões um tanto obscuras — tipo “chegue em 10 para minha equipe mostrar que é a melhor” ou “colete 4 fitas VHS pela pista” — e cumpri-las (mesmo perdendo a corrida) rende bônus para o seu bolso.

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Esse cara vai te pagar para fazer coisas tipo perder corridas

Um diferencial que temos aqui é que você precisa ficar de olho no combustível do seu carro e nos danos que ele sofre. Estes status não se recuperam sozinhos, e são levados com você de uma corrida para outra. Então, entre as corridas é bom ficar de olho, e se necessário pagar para encher o tanque e restaurar seu carro — quanto mais vazio o tanque/danificado o carro, mais caro para arrumar.

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Repare nos medidores de dano e gasolina no canto superior direito.

Vale ressaltar que participar das corridas também demanda o pagamento de uma taxa, então é sempre bom ficar com uns trocados no bolso. Se você acabar ficando sem um tostão no bolso, não se desespere: o jogo te permite lavar carros dos rivais para juntar o mínimo necessário (100 dólares) para ingressar na primeira corrida do modo Carreira. Com o prêmio dela, você já consegue se virar melhor.

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Lavar os carros dos rivais pode ser um mal necessário…

Audiovisual

80’s Overdrive é um jogo muito bonito. Ele resgata com perfeição a estética dos jogos de corrida esportivos que tínhamos nos arcades e consoles 16-bits sem parecer datado: as cores são muito vibrantes, e efeitos de luz muito mais elaborados do que tínhamos naquela época tornam o jogo ainda mais estiloso. Acho que, por ser mais “desenhado” e menos “poligonal”, ele até consegue emular melhor o visual dos clássicos do que o brasileiro Horizon Chase.

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Olha que jogo bonito!

A trilha sonora também honra o que há de melhor no gênero: muita música eletrônica, carregada de sintetizadores e cheias de ritmo. São 18 faixas de meia dúzia de artistas, e você pode escolher a que quiser, e alternar entre elas como se estivesse mudando a sintonia do rádio.

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A seleção de músicas super combina com o jogo

O som de motores, derrapadas e buzinas cumpre seu papel, ainda que não se destaque, mas talvez nem fosse a ideia que eles se destacassem. Se a ideia é “mergulhar” na vibe oitentista do jogo, a trilha sonora é o que realmente merece ser ouvido, e no geral ela é ótima (mas é triste que não haja uma música específica para cada pista)

Conclusão

80’s Overdrive é muito competente como “jogo que presta homenagem aos clássicos dos anos 90”, ainda que não consiga ser realmente bom como “jogo de corrida”. Tudo o que o jogo acerta no audiovisual, ele derrapa na jogabilidade, com um gameplay duro e sem nenhuma sensibilidade.

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É jogável e diverte, mas nunca é suave e responsivo como deveria. Até jogos que nem são de corrida — como Rocket League — entregam um gameplay mais macio, preciso e dinâmico. Mas, no geral acho que a falta de multiplayer incomoda mais do que os controles.

De qualquer jeito, se você curte games com essa vibe retrô, 80′ Overdrive sem dúvida vai gostar de ter mais este jogo na sua coleção. É uma experiência um tanto limitada, mas que enche os olhos.

80’s Overdrive estava disponível para o Nintendo 3DS desde 2017, e em 7 de maio deste ano, chegou ao Nintendo Switch. O game está 100% em inglês.

Uma resposta para “Análise Arkade: 80’s Overdrive traz corridas com vibe retrô e visual incrível”

  • 12 de maio de 2020 às 22:31 -

    Helinux

  • Me fez lembrar dos clássicos Série Lotus do PC-Amiga…que depois foi para o poderoso Mega Drive, a série Out run e finalmente o clássico série dos anos 90, Top Gear do SNES!!!! Jogos simples, sofisticado, gráficos dukralho e músicas de primeira…melhor do que muitos jogos atuais!!!! valeu!!!!

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