Análise Arkade: Ape Out é instinto animal (e musical) em uma fuga alucinada

9 de março de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Ape Out é instinto animal (e musical) em uma fuga alucinada

Quando um gorila estoura sua jaula para fugir de um laboratório, o caos se instaura. Em Ape Out, você é esse gorila, e terá que abrir caminho na marra entre seguranças fortemente armados, sistemas de alarme, e muito mais. Aqui está nossa análise do insano Ape Out!

Uma fuga alucinada

Ape Out não perde tempo. No papel do gorila, a primeira coisa que fazemos no game é estourar a porta de nossa jaula. Daí em diante, é “salve-se quem puder”, e você deve simplesmente seguir para a direita, na esperança de cair fora dali antes de ser morto.

Não há realmente uma história sendo desenvolvida. Tal qual um gorila enfurecido, Ape Out é um jogo instintivo e visceral, onde só o que importa é sobreviver e achar a saída. Seus captores são implacáveis, e a única maneira de livrar-se deles é esmagando-os contra as paredes.

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E quando você acha que conseguiu fugir… o jogo continua, e você terá que lidar com policiais, caçadores, trânsito e muito mais. A vida de um gorila em fuga definitivamente não é fácil.

Instinto Animal

Ape Out é um jogo pautado por suas mecânicas. E elas são bem simples, mas criam um loop de gameplay que é fácil de aprender e extremamente viciante. Visto de cima, nosso primata fugitivo pode executar 2 ações básicas: segurar/carregar coisas e esmurrar coisas.

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Quando disparam os alarmes, as luzes piscantes deixam tudo ainda mais psicodélico

E isso é tudo o que você precisa para correr rumo a liberdade. Bata, esmurre, arranque, taque e fuja do campo de visão de inimigos fortemente armados, seguindo sempre da esquerda para a direita, que é onde a porta de saída deve estar.

A simplicidade de seu gameplay mascara algumas mecânicas bem eficientes: você pode, por exemplo, usar alguém de escudo humano, e um tiro recebido de frente irá dar cabo dele, sem machucar o gorila. Além disso, quando você agarra um segurança imediatamente antes dele atirar, poderá virá-lo e fazer com que ele atire em outro inimigo que esteja por perto.

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Use um inimigo para atirar em outro!

Jogar um inimigo em cima de outro é muito útil — ambos explodem em sangue e membros –, ou você pode simplesmente sair esmurrando todo mundo pelas paredes. Quando se deparar com uma porta blindada, você pode arrancá-la e utilizá-la como escudo, outra coisa bem útil.

Laboratório ou Labirinto?

Um detalhe interessante é que Ape Out é um jogo procedural, então, por mais que ele seja pautado por tentativa, erro e repetição, aqui não tem decoreba, visto que cada vez que você recomeça uma fase, seu layout e a disposição dos inimigos será totalmente reformulado.

Isso é bacana não só por aumentar o fator replay, mas por trazer um senso de urgência e imprevisibilidade que combina muito com a temática “fuga do laboratório”. Aliás, sempre que morremos, podemos ver o layout total da fase e o caminho que percorremos, o que evidencia o quanto cada laboratório é um verdadeiro labirinto gerado aleatoriamente.

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Tipo assim. O risco branco foi meu trajeto

E quando você acha que começou a sacar o jogo, ele vai lá e acrescenta algum novo elemento: alarmes que chamam capangas, fases sem luz onde só o que vemos são fachos de luz de lanternas, e por aí vai. Não há “zona de conforto” aqui, Ape Out está o tempo todo surpreendendo o jogador com alguma novidade — geralmente para dificultar ainda mais a sua vida.

Uma jornada musical

Ape Out não é realmente um jogo de ritmo, mas a música tem um papel muito importante aqui. Com uma pegada de jazz instrumental fortemente levado por bateria e percussão, a música vai “crescendo” conforme o jogo se desenrola, e suas ações acrescentam pratos e efeitos novos à trilha, que também vai se alterando conforme as suas ações.

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As fases sem luz são muito estilosas

Ainda que essa trilha animada não converse realmente com a ação, ela sem dúvida é contagiante, e até alivia um pouco a tensão da situação, dando um ar mais “festivo” ao conjunto da obra.

O fato é: Ape Out funcionaria sem este recurso musical inusitado? Provavelmente. Mas aí o jogo teria outro vibe, e provavelmente seria bem mais “pesado”. A música, aliada a sua cadência frenética e seu jeitão de jogo de arcade torna a experiência como um todo muito mais leve, divertida e viciante.

Confira um pouco desse gameplay para entender melhor como gameplay e música se fundem:

Em termos de visual, não tem muito o que falar: o jogo parece 2D, mas na verdade é um 3D visto de cima bastante estilizado. Nada é muito detalhado e tudo são silhuetas coloridas mas não se pode negar que o visual é estiloso, ainda que bastante simples.

Conclusão

Ape Out é um jogo bastante simples, mas é sua simplicidade que torna-o tão aditivo e viciante. É aquele tipo de jogo que a gente fala “na próxima tentativa eu passo”, e quando percebe, se passaram 40 minutos, você já passou de umas 8 fases, mas ainda está jogando — e se divertindo.

Análise Arkade: Ape Out é instinto animal (e musical) em uma fuga alucinada

É fácil recomendar Ape Out para quem curte Hotline Miami e outros jogos top view frenéticos — como o interessante Mr. Shifty –, e esse ainda tem uma pegada meio rítmica que funciona muito bem, e dá outra cara para o jogo.  Se você se identifica com estes predicados, vai fundo, que você com certeza vai curtir. É uma experiência visceral (e musical) difícil de largar.

Ape Out foi lançado em fevereiro, e está disponível para PC e Nintendo Switch, com menus e legendas em português brasileiro.

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