Cultura Arkade – Livro: Assassin’s Creed: Bandeira Negra

2 de março de 2014
Autor: Maurício Piccini

Cultura Arkade - Livro: Assassin's Creed: Bandeira Negra

Das telas de PCs e consoles, eis que temos mais um livro inspirado na saga dos Assassinos, desta vez com Assassin’s Creed: Bandeira Negra. Veja a análise completa.

Assassin’s Creed: Bandeira Negra é o título do novo livro da série, publicado no Brasil pela Galera Record, pode ser encontrado em versões digital e impressa, em edição de capa mole de 336 páginas. A história é dividida em quatro partes e acompanha a vida de Edward Kenway, protagonista do game Assassin’s Creed IV: Black Flag, de 1715 a 1722. A história é assinada por Oliver Bowden, mesmo pseudônimo usado nos livros anteriores.

1715 foi o ano em que todos os 11 navios da lendária frota espanhola da prata foi afundada durante um furacão nos mares do Caribe, o que atiçou a imaginação de miseráveis e mercenários marítimos que viam no tesouro afundado uma forma de redenção. Esse sonho de riqueza e glória seduz também Edward Kenway para a vida no mar, primeiro como corsário da Marinha Real Britânica, depois como pirata. Em sua vida no mar, Kenway tem contato com figuras históricas como Barba Negra, Benjamin Hornigold e Colico Jack. Também é através da pirataria que Kenway conhece a ordem dos Assassinos.

A estrutura da história do livro apresenta uma experiência interessante, uma vez que os jogadores que acompanham a saga Assassin’s Creed sabem como o protagonista morre e até qual é seu legado. A história se passa antes dos eventos de Assassin’s Creed: Renegado e Assassin’s Creed III, e durante os eventos de Assassin’s Creed IV: Black Flag.

Para quem já jogou ou pretende jogar Assassin’s Creed IV: Black Flag, cabe a dica de que a história do game está nas partes II e III do livro. Então, vale ler antes a Parte I do livro, para entender a motivação de Edward Kenway e algumas nuanças dos diálogos com sua esposa durante o game. As partes II e III acompanham o jogo e servem para dar mais informações sobre as personagens históricas, os lugares e o contexto das viagens marítimas. E a Parte IV oferece uma conclusão sobre a vida de Edward como homem de família, dando uma segunda perspectiva à imagem que seu filho Haytham e neto Ratonhnhaké:ton apresentaram em suas histórias. Como curiosidade, o texto do terceiro capítulo do livro pode ser encontrado em um computador hackeado da Abstergo Entertainment.

Assim como o game, a história do livro é cheia de clichés narrativos, em um clima muito romantizado do que seria a “vida de pirata”. O que ameniza um pouco essa sensação é o fato de o narrador ser o próprio Edward Kenway. Então, o narrador pode simplesmente estar mentindo sobre sua própria vida ou fantasiando um pouco para parecer mais “glorioso”.

As partes II e III são construídas em torno da ascensão de Kenway como pirata. Ela é apresentada em tempo linear, sem muito espaço para avanços e flashbacks na história – até por se tratar de eventos do jogo em si. Provavelmente, foi feita assim por precisar ser fiel à história fixa do jogo, prendendo qualquer espontaneidade do escritor. Por outro lado, a pirataria foi um caminho muito interessante trilhado pelos roteiristas. Apesar de o clima parecer mais “brando” na luta centenária entre Assassinos e Templários que já vínhamos acompanhando, é interessante notar que tanto os signos da Cruz de Malta e a caveira com ossos, vulgo Jolly Roger, são versões símbolos atribuídos aos Templários e a grupos dissidentes como a Hospitalaria. Ou como mesmo utilizado hoje em dia pela Skull and Bones, grupo discreto da Universidade de Yale, que tomou notoriedade como “a ordem secreta de George W. Bush”.

A Parte IV se torna a mais interessante, tanto pelo retorno da temática Assassinos versus templários, como pela adição de elementos mais elaborados (inclusive elementos narrativos, como referências aos eventos de outros games e livros da série) e outros inéditos à trama. Sem spoilers, a Parte IV serve para responder aquelas perguntas que ficaram no ar quando os créditos subiram ao fim de AC IV: Black Flag, amarrando a história para a sequência cronológica de Renegado.

No geral, o texto flui muito bem. Fãs sentirão falta de alguns detalhes, como o discurso de intimidação do Barba Negra. Seria muito interessante rever o discurso do ponto de vista “fleumático” e bem humorado de Edward. A impressão final é a de que Edward Kenway foi salvo de uma vida medíocre e “esquecível” ao ser lançado no meio da disputa entre Assassinos e Templários.

Cultura Arkade - Livro: Assassin's Creed: Bandeira Negra

5 Respostas para “Cultura Arkade – Livro: Assassin’s Creed: Bandeira Negra”

  • 2 de março de 2014 às 13:43 -

    Grassyara Tolentino

  • Gabriel Aller

  • 2 de março de 2014 às 13:43 -

    Gabriel Aller

  • Samuel Moreira João Victor Lune Alves

  • 2 de março de 2014 às 14:29 -

    Renan do Prado

  • Tenho o livro mas quero zerar o game primeiro antes de lê-lo, tenho toda a coleção de livros do AC, e gosto demais!!!!

  • 4 de março de 2014 às 09:50 -

    FeeH

  • Os livros do Assassinns Creed são muito bons ! O do Uncharted também é excelente .

  • 4 de março de 2014 às 17:45 -

    Ana

  • Depois que li o livro do AC II, fiquei meio indiferente aos livros. Pouquíssima coisa é adicionada, uma ou outra é mudada, mas no final parece mais uma narrativa literal do jogo (sem a quantidade de vezes que morremos, claro :B) e com direito à cutscenes mas enfim, não acho que valha muito a pena não…

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