Análise Arkade: monte sua gangue e domine Londres em Assassin’s Creed Syndicate

12 de novembro de 2015
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: monte sua gangue e domine Londres em Assassin's Creed Syndicate

Entra ano, sai ano, e mais um Assassin’s Creed está entre nós. Após o problemático lançamento de AC Unity no ano passado, a Ubisoft tinha que caprichar para limpar a barra da série. Será que ela conseguiu? Descubra com a nossa resenha!

Quem acompanhou todas as tretas que acompanharam o lançamento de Assassin’s Creed Unity no ano passado deve ter perdido de vez o que ainda tinha de fé na série. Além de estar saturando o mercado com jogos demais, a Ubisoft ainda estava entregando jogos “quebrados”, cheios de bugs bizarros e com sérios problemas de desempenho.

Análise Arkade: monte sua gangue e domine Londres em Assassin's Creed Syndicate

Apesar disso, quem leu nossa análise do game sabe que, por baixo de todos aqueles problemas, havia um bom jogo, de visual incrível e com algumas novidades bacanas no gameplay. Mas é óbvio que seus bugs ganharam bem mais repercussão que suas qualidades, de modo que cabe ao novo jogo, Assassin’s Creed Syndicate, a ingrata missão de recolocar a série nos eixos.

Irmãos arruaceiros

O ano é 1868, e Jacob e Evie Frye são os protagonistas. Sim, protagonistas, no plural. Em uma manobra inédita na série, em Syndicate temos 2 personagens principais, irmãos gêmeos que foram criados no Credo dos Assassinos na pequena cidade de Crawley, mas logo partem para a enorme Londres, metrópole que ainda se habitua à todas as mudanças e modernidades que a Revolução Industrial trouxe.

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Jacob e Evie Frye chegam a Londres causando.

Os gêmeos são recepcionados pelo simpático Henry Green — que por sinal é filho de Arbaaz Mir, assassino indiano que já deu as caras em uma HQ — e logo descobrem que a situação ali não é muito boa: Londres está sendo comandada por Crawford Starrick e seus Templários, cujo poder se ramifica por toda a cidade através de atividades ilegais como contrabando, tráfico de armas e exploração infantil.

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Os Frye conhecem Henry Green, Assassino que será seu guia em Londres.

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E este bigodudo é Crawford Starrick, o grande vilão do jogo.

Além de Templários, as ruas da capital inglesa são uma terra sem lei graças à forte presença dos Blighters, gangue que intimida a população e mantém seus próprios negócios escusos. E assim, apesar das motivações diferentes — Evie busca (mais) uma Peça do Eden, Jacob que mais é formar uma gangue e tomar Londres na porrada — os irmãos Frye farão aliados e inimigos enquanto exploram a capital inglesa em busca de seus objetivos.

O gameplay ainda é aquele de sempre…

Embora tenhamos 2 personagens, não se engane: o gameplay de Jacob e Evie é idêntico, e é meio que “aquele de sempre”. O que muda é basicamente a árvore de evolução, que reserva alguns upgrades de força bruta para Jacob, e deixa Evie com habilidades mais voltadas para o stealth.

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Essa é a tela de habilidades do Jacob. Os quadrados demarcados com losangos azuis são exclusivos dele, os que tem um losango vermelho são exclusivas de sua irmã Evye.

Estando fora de uma missão, é possível alternar entre os irmãos a qualquer momento pelo menu de pausa — e a troca é feita de maneira bem grosseira, um simplesmente some e o outro aparece no mesmo lugar, bem diferente das trocas arrojadas e surpreendentes de GTA V.

O básico das mecânicas continua igual: você ainda vai correr por ruas e telhados dando saltos e piruetas, ainda vai se meter em brigas contra grandes grupos de inimigos, ainda vai coletar toneladas de tranqueiras espalhadas pela cidade, ainda vai “mapear” o ambiente subindo nas torres mais altas, e ainda vai se jogar lá de cima direto em carroças ou montes de feno…

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Certas coisas nunca mudam…

Mas tem espaço para novidades…

Se o núcleo do gameplay permanece o mesmo, é nos detalhes que as boas novidades aparecem: mais do que Assassinos, os gêmeos Frye são verdadeiros “lutadores de rua”, e isso se reflete no sistema de combate do game, que ainda soa familiar, mas agora está mais cadenciado, com mais opções de combos e algumas animações realmente bacanas, tipo essa:

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Por ter essa vibe mais “brawler”, a hidden blade — marca registrada da série — cede um pouco de seu espaço para novas armas igualmente estilosas, como socos ingleses, kukris (facas de lâmina curva) e as bengalas-espadas. Completam o arsenal armas já manjadas como dardos envenenados, pistolas e bombas de fumaça, que agora dividem espaço com as novíssimas bombas voltaicas, criadas por ninguém menos que Alexander Graham Bell ( ele mesmo, o inventor do telefone).

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Os irmãos Frye trocam uma ideia com Graham Bell.

O resultado é uma pancadaria mais fluida e divertida, que até lembra um pouco do que vimos na série Arkham, com ataques, contra-ataques e esquivas que se misturam na construção de combos e culminam em dolorosos ossos sendo quebrados e membros sendo torcidos.

Para você pegar o jeito deste “novo” sistema de combate, dê uma passadinha em um Clube da Luta: existem vários espalhados por Londres, e além de renderem bons prêmios em dinheiro, eles são bem divertidos. Armas não são permitidas… mas quem precisa de armas, né, Evie?

Assassinos elegantes

Como a pancadaria nem sempre é uma opção, Evie e Jacob também apresentam um novo sistema de stealth, que pode ser ativado ou desativado ao pressionar de um botão. Não sei você, mas eu sempre achei que os trajes espalhafatosos e os capuzes dos Assassinos não são lá muito discretos… agora, isso mudou (um pouco).

Você pode ficar “à paisana” numa boa, mantendo a postura e o visual de um típico cidadão inglês do século XIX de casaca e cartola. Porém, quando precisar ser furtivo, Jacob guarda a cartola e bota o capuz, assumindo uma postura mais agachada, com passos mais silenciosos.

Tipo assim:

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Ok, é só um detalhe que nem muda tanto assim a mecânica stealth em si,  mas acho que isso traz mais autenticidade; os personagens não ficam tão deslocados (e espalhafatosos) na rua, e realmente conseguem se misturar ao povo. Evie não usa cartola ou boina, mas a funcionalidade é parecida: sem capuz = à paisana; de capuz = stealth mode.

E tem ainda a corda do Batman!

Se tem algo que já cansou um pouco em Assassin’s Creed é a exploração. E a série já tentou mudar isso acrescentando tirolesas, cavalos e até navios, mas o resultado, com o tempo, sempre acaba ficando maçante e cansativo.

E é justamente neste setor problemático que temos o que considero as melhores novidades de Syndicate: suas novas formas de locomoção. A Ubisoft foi buscar inspiração nos jogos do Batman e até em GTA para oferecer novas e divertidas maneiras de explorarmos a cidade.

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O Lançador de Corda também cria tirolesas.

Claro que o free run ainda é bem presente  — e mantém a mecânica iniciada no Unity com um botão de parkour “para cima” e outro de parkour “para baixo” — mas até ele fica mais legal quando usado em conjunto com o Lançador de Corda, gadget que é meio que uma versão steampunk do grappling hook do Batman, e permite que você escale prédios enormes em poucos segundos, crie tirolesas, rotas de fuga e otimize muito sua mobilidade pelos telhados de Londres.

Fiz um vídeo para demonstrar a novidade na prática, confere aí:

O simples fato de você escalar prédios e torres enormes sem todas as “macaquices” de sempre já otimiza e muito a exploração. Mas isso não é tudo, pois….

Você também pode roubar carruagens como em GTA!

Achou o Lançador de Corda muito… vertical? Prefere manter os pés no chão e cruzar a cidade sem ficar escalando e se pendurando? Sem problemas: em Syndicate você pode simplesmente “pegar emprestada” qualquer carruagem que estiver pelas redondezas, esteja ela ocupada ou não!

E o negócio é tipo GTA mesmo, olha só esse gif que demonstra como rola a “tomada” de uma carruagem:

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E você ainda pode pular de uma carruagem para outra, participar de corridas de carruagens, impedir o contrabando roubando carruagens específicas, sequestrar pessoas usando carruagens (sim, agora você deve sequestrar alguns alvos, e não matá-los)… é praticamente um GTA no século XIV!

Figuras ilustres e brigas de gangue

Como sempre, a Ubisoft pontilhou o vasto mapa de Londres com toneladas de atividades para você passar o tempo. Já mencionamos duas destas novidades: você pode sair no braço em Clubes da Luta ou participar de intensas e divertidas Corridas de Carruagens.

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Mas não é só isso. Existem Bases Templárias para você desmantelar, cargas roubadas para você apreender, muamba de tráfico para você sabotar, crianças em regime de trabalho forçado para você resgatar, garrafas de cerveja (?!) para você encontrar, e, claro, figuras históricas ilustres para você ajudar!

E acho que este  bater o recorde de celebridades histórias: temos Charles Darwin, Alexander Graham BellFlorence Nightingale, Karl Marx, Charles Dickens… muita gente importante vai te pedir uns favores enquanto você monta sua gangue e luta para recuperar Londres dos Templários.

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Os Frye batem um papo com Charles Darwin.

E já que falamos em gangues, não podemos deixar de mencionar as brigas de gangue, outra novidade muito divertida deste jogo: sempre que você limpa uma determinada área de Londres, o chefe da gangue que comandava aquela região vai te chamar para definir quem será o “macho alfa” da região.

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Os upgrades dos Rooks não custam XP, mas dinheiro.

Os Rooks — esse é o nome da sua gangue — possuem seus próprios upgrades, treinamentos e habilidades. Você pode recrutá-los pela rua para te ajudar em missões a qualquer momento, mas é nessas guerras de gangues te dão uma boa ajuda!

Primeira Guerra Mundial

Eu falei que temos 2 protagonistas em Assassin’s Creed Syndicate, certo? Pois veja só, na verdade há uma terceira personagem controlável: Lydia Frye, descendente dos gêmeos Frye que vive na Londres de 1916, em plena época da Primeira Guerra Mundial.

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Se o Assassin’s Creed do ano passado já flertou um pouco com o tema ao jogar Arno em plena Segunda Guerra mundial graças à um bug na Animus, aqui temos algo muito mais completo: há um enorme glitch temporal (que aparece após você completar 5 ou 6 missões principais) que te leva para “o futuro”, onde Lydia deve unir forças com ninguém menos que Winston Churchill para localizar espiões infiltrados e sabotar comunicações inimigas.

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Lydia Frye e Winston Churchill conspiram em um beco.

Ainda que se passe no mesmo lugar (uma parte de Londres), o clima aqui é bem diferente, com soldados, zepelins, metralhadoras e aviões para todos os lados. E é aqui também que um pouco da mitologia fantástica da série retorna, com Juno (uma das entidades da Primeira Civilização) aparecendo ocasionalmente para lhe dar mais detalhes sobre os fatos.

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Juno traz de volta a psicodelia mística da franquia.

Esse é o tipo de conteúdo que sequer foi mostrado na divulgação do jogo e (conhecendo o lado capitalista da indústria) bem que poderia ser vendido como DLC. Mas está disponível direto no disco, para todo mundo e rende por si só um bom tempo extra de jogo, pois tem várias missões e seus próprios colecionáveis. É como um “mini Assassin’s Creed dentro de Assassin’s Creed.

Audiovisual

Aqui é onde a Ubi mais tinha que mostrar serviço, para apagar de vez a má impressão deixada com o Unity. A boa notícia é que o jogo está rodando muito bem, obrigado, sem quedas violentas de framerate nem nada do tipo. Ainda tem bugs? Claro que tem, mas em uma proporção bem menor, e nenhum deles “quebra” o jogo ou compromete a experiência.

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Jacob praticando o deboísmo…

Ainda que seja um jogo de encher os olhos, é fato que a AnvilNext já demonstra os sinais da idade simplesmente porque não consegue mais nos surpreender. Ela continua recriando cidades inteiras e monumentos com uma riqueza de detalhes incrível, e oferece belos efeitos de luz e personagens bem modelados… mas no geral, isso é o que a série já nos entrega há tempos.

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As texturas e detalhes das roupas são de primeira.

Claro que ela foi aprimorada e agora tem um sistema de iluminação melhorado, e a transição de dia para noite vista em time lapse é incrível. A água do jogo também está incrível, e a quantidade de personagens e elementos na tela ainda impressiona — embora tenha sido bem reduzida do jogo anterior para cá. É justo dizer que Assassin’s Creed Syndicate é um jogo absurdamente bonito, mas ele não entrega quase nada que já não tenhamos visto em jogos anteriores.

Mantendo a tradição, a Ubisoft traz o jogo 100% em português brasileiro (dublagem, menus e legendas), e o trabalho de localização está muito bem feito. A trilha sonora traz uma pegada clássica cheia de violinos e corais que é bem interessante, mas a maneira inconstante e aleatória com que ela aparece causa certa estranheza.

Conclusão

Não vou mentir para você: Assassin’s Creed Syndicate ainda é “aquele mesmo” Assassin’s Creed que a gente já conhece. Porém, acho justo dizer que ele é o que trouxe as novidades mais interessantes para a série nos últimos anos.

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Muita coisa foi deixada de fora (o multiplayer competitivo nunca mais voltou, mas as missões cooperativas e o sistema de customização do último jogo também sumiram), mas nenhuma delas chega realmente a fazer falta, ao passo que as novidades realmente agregam valor ao jogo.

O lançamento problemático de Unity e o simples excesso de jogos deixou os fãs meio reticentes com a franquia, e eu me incluo nesta lista. Porém, se você estava meio desencantado com a série, sugiro que dê uma chance para Syndicate. Ele é um “recomeço” digno para a série na nova geração, e acho que é o jogo mais enxuto, autêntico e divertido da série desde a saga de Ezio Auditore.

Assassin’s Creed Syndicate foi lançado no dia 23 de outubro para Playstation 4 e Xbox One. No dia 19 de novembro, ele chega aos PCs.

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