Análise Arkade: Battle Princess Madelyn é um jogo 2 em 1 que homenageia o clássico Ghouls ‘n Ghosts
Saudade de um jogo no estilo do clássico Ghouls 'n Ghosts? Então dê uma conferida em nossa análise de Battle Princess Madelyn, já disponível para PC, PS4, XOne e Nintendo Switch!
Esta matéria é de 2019 e pode estar desatualizada.
Battle Princess Madelyn é um jogo 2 em 1, que revisita o estilo (e o desafio) de Ghouls ‘n Ghosts com muita propriedade… mas dá lá suas escorregadas. Confira agora nossa análise!
Um jogo de pai para filha
Battle Princess Madelyn é basicamente um conto de fadas que um avô está contando para sua netinha… aliás, “conto de fadas”, não, mas contos de aventura de uma princesa guerreira, a Madelyn do título!
A história tem esse viés “girl power” que é muito bem-vindo: é legal vermos a princesa retratada como uma guerreira, não como uma donzela em perigo. E é especialmente legal vasculharmos os bastidores da produção do jogo e descobrimos que seu criador trabalhou junto de sua filha (Maddi) na construção da personagem e do mundo do jogo.

Resumindo a história, ela não se identificava com as cuecas samba-canção do bom e velho Arthur, então seu pai decidiu criar um jogo bastante semelhante a Ghouls ‘n Ghosts, mas com uma garota como personagem principal. E mais: ele colocou sua filha na posição de guerreira protagonista, e ela faz isso sem deixar de ser uma princesa!
(Aliás, se o seu inglês está em dia, recomendo fortemente este ótimo artigo do DualShockers sobre os bastidores da produção do game).
Pois bem, ainda que trate de temas clichês — com um reino em perigo que precisa ser salvo de criaturas malignas, e tudo mais — Battle Princess Madelyn também é a história de vingança da protagonista contra o vilão que matou seu cãozinho (pois é, tem uma vibe bem John Wick).

Um detalhe simpático é que seu finado cãozinho, Fritzy, irá acompanhá-la ao longo de toda a aventura, como um fantasminha reluzente (aqui é impossível não traçarmos outra referência cinematográfica com o clássico O Estranho Mundo de Jack), algo que tira um pouco o peso da morte do bichinho — convenhamos, nunca é legal ver doguinhos morrendo. 🙁
Um jogo 2 em 1
Como já dito lá no primeiro parágrafo, Battle Princess Madelyn é um jogo 2 em 1, e oferece 2 experiências bastante diferentes. Ao iniciar o game, você dará de cara com dois modos de jogo: Arcade e Story.
O modo Arcade é uma experiência gamer super tradicional — e bastante parecida ao Ghouls ‘n Ghosts que serve de inspiração ao jogo: aqui temos uma fase depois da outra, e nosso objetivo é simplesmente seguir para a direita matando monstros, saltando por plataformas e tentando não morrer. Ao final de cada fase, um chefe apelão (e geralmente gigante) te espera. Não há muito espaço para narrativa, o lance aqui é superar desafios e acumular pontos.

Já o modo Story, traz uma experiência muito mais expansiva, que flerta com o gênero MetroidVania. Há um hub central interligando diversas áreas, NPCs com quem você pode conversar (e que inevitavelmente irão lhe passar sidequests), upgrades para seus equipamentos, e muito mais.
Os lugares pelos quais você vai passar — e os chefes que irá enfrentar — meio que são os mesmos nos dois modos de jogo, mas enquanto no Arcade temos um jogo de fases linear e direto ao ponto, no modo Story a coisa é mais cadenciada, e há foco em exploração, upgrade e muito (muito!) backtracking.

É uma abordagem bem interessante, capaz de agradar diferentes públicos: o jogador retrô sem tempo pode curtir uma jornada mais focada com o modo Arcade, ao passo que quem tem tempo e empenho para explorar cada cantinho do mapa encontra no modo Story uma jornada mais longa e talvez mais satisfatória.
Independente do modo de jogo, o gameplay em si é essencialmente o mesmo de Ghouls ‘n Ghosts: Madelyn pode atirar infinitas lanças em seus inimigos, e veste uma armadura que lhe protege de um ataque — só que aqui ela fica de pijama, não de samba-canção, quando o traje se quebra. Em cada tela, há tanto trechos de plataforma quanto inimigos e armadilhas para serem evitados.
Game design problemático
Se por um lado o jogo acerta a mão ao oferecer estas opções ao jogador, por outro ele escorrega em elementos de game design que, ainda que não arruínem a experiência, são chatinhos, e podem complicar consideravelmente a vida do jogador.

Coisas como escassez de checkpoints, chaves sem indicação de que portas abrem, ausência de um log e missões para sabermos as quests pendentes ou mesmo a falta de um mapa (?!) para o jogador se localizar são probleminhas que somam-se para dificultar ainda mais a jornada de Madelyn — especialmente no modo Story.
Essa questão do mapa é bem séria, dado o tamanho e a quantidade de áreas que temos para explorar. O jogo meio que espera que a gente saiba o que deve fazer e para onde ir, mas nem sempre isso é verdade. E, convenhamos, é bem chato você cruzar várias telas (repletas de perigos e inimigos) para dar de cara com uma passagem bloqueada e ter que dar meia volta e buscar outro caminho. Para piorar, há portais de fast travel, mas eles são bem menos eficientes do que deveriam.

Veja bem: uma coisa é o jogo ser difícil por suas mecânicas e desafios. E isso na verdade ele já é, afinal, sua maior inspiração é Ghouls ‘n Ghosts, título lembrado até hoje por sua dificuldade hardcore. Outra coisa completamente diferente é quando o jogo se torna difícil por questões equivocadas de game design. Algo que infelizmente acontece aqui, e pode tornar a experiência um exercício de resiliência e frustração.
Audiovisual
Ainda que adote uma pixel art estilo 16-bits que já está um tanto saturada, Battle Princess Madelyn se destaca por ter uma direção de arte caprichadíssima, com belos cenários e um ótimo design de monstros e chefes. É fácil visualizar ele rodando em um console dos anos 90, ao lado dos clássicos que lhe serviram de inspiração.

A trilha sonora também bate forte na nostalgia, oferecendo um mix de chiptune com instrumental cheio de melodias tão marcantes quanto grudentas. Não temos vozes aqui — apenas textos e legendas com alguns erros de digitação –, mas os efeitos sonoros contribuem com a experiência, e também parecem saídos diretamente dos tempos do Super Nintendo.
Conclusão
Battle Princess Madelyn é um jogo de altos e baixos: ele acerta ao oferecer 2 jornadas diferentes repletas de nostalgia, mas derrapa em conceitos de game design que definitivamente não favorecem o jogo.
Se você gosta de Ghouls ‘n Ghosts e sente falta da simplicidade de jogos com a mesma pegada, o modo Arcade sem dúvida vai te conquistar. O modo Story, por sua vez, é meio capenga, e não consegue figurar entre os bons MetroidVanias recentes — justamente pelas questões de game design mencionadas.
Battle Princess Madelyn está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch.
- Plataformas
- PlayStation, Nintendo, PC
- Lançamento
- 5 de dezembro de 2018
- Desenvolvedora
- Causal Bit Games Inc.
- Publicadora
- Monster Bath Studios Inc.
- Gênero
- Ação




