Análise Arkade: Battlefield V leva a série de volta à Segunda Guerra Mundial

11 de dezembro de 2018
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: Battlefield V leva a série de volta à Segunda Guerra Mundial

Toda grande série teve um ponto de origem. Seja um mundo de fantasia específico, um estilo de gameplay, uma plataforma, ou um período histórico em que se baseia. E quando um game acaba divergindo daquilo que o tornou famoso, as coisas normalmente não dão muito certo. E como num ciclo, a origem se torna algo velho, o velho se torna algo desejado, o desejado se torna a exigência, e a origem ganha novamente seu lugar ao sol.

E assim, Battlefield enfim volta às suas origens da Segunda Guerra Mundial, trazendo mais um grande game ambientado no período que todos pediam a muito tempo, apesar de certas polêmicas envolvendo fidelidade história. E então é hora de avaliarmos o game, em nossa análise completa de Battlefield V.

Histórias não contadas da Segunda Guerra

Análise Arkade: Battlefield V leva a série de volta à Segunda Guerra Mundial

Battlefield V teve como proposta contar a história de batalhas menos conhecidas da Segunda Guerra Mundial, ou melhor dizendo, batalhas pouco ou nunca exploradas nos video games, saindo das batalhas na Normandia, Paris e Polônia, por exemplo, as mais comumente exploradas nos video games.

Assim como em Battlefield 1, o game conta com várias mini campanhas de diferentes personagens, com três missões cada. São missões que contam histórias interessantes, cada uma abordando algum aspecto diferente de gameplay, deixando claro que essas campanhas servem como tutoriais para o modo online do game.

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Entre essas campanhas, temos algumas bem interessantes, como a Nordlys, uma campanha com foco em Stealth em que você controla uma jovem guerrilheira norueguesa que tenta resgatar sua mãe, capturada pelos Nazistas ocupando a Noruega. Outra bem interessante é a Tiralleur, uma campanha que mostra a participação das tropas Tiralleurs da França, soldados africanos de países colonizados pela França, recrutados para defender o país na Europa, não recebendo nenhum reconhecimento por sua participação e atos de bravura.

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Cada campanha tem uma progressão diferente. Algumas permitindo que o jogador explore mapas gigantescos livremente, enquanto outras tem uma progressão mais linear, mas permitindo que o jogador aja como bem entender. Cada missão do game ainda oferece um conjunto de desafios para o jogador cumprir, que o premiam com itens cosméticos raros para o Multiplayer.

Caindo na Guerra no Multiplayer

O foco do game claramente é seu multiplayer, felizmente não comprometendo o conteúdo single player, apesar de ter apenas as campanhas e o novo modo de treinamento adicionado no game via atualização gratuita. O multiplayer de larga escala continua intenso como é de se esperar de um game da série Battlefield.

As partidas multiplayer para até 64 jogadores continua intensa e explosiva como sempre, mas agora com gameplay e mecânicas mais refinadas, tornando mais amigável o aprendizado de seu gameplay e de cada classe do game. Eu mesmo sou um péssimo jogador em FPS online, em Battlefield 1 se eu matasse 5 inimigos em um partida era muito. Aqui felizmente o gameplay é mais dinâmico, mais fácil de dominar, melhor em dar senso de progresso e evolução aos jogadores, realmente mostrando verdadeira melhora quanto mais se joga.

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Battlefield V possui vários modos online diferentes, ainda que haja uma repetição de objetivos na maioria deles. Os modos de jogo multiplayer tem como objetivo comum a dominação de pontos no mapa, alguns com certas diferenças entre si. Os modos de jogo multiplayer Conquista, Ruptura e Dominação possuem os mesmos tipos de objetivos, que é controlar pontos no mapa e matar inimigos até que seu número de respawn chegue a zero.

O modo Linhas de frente coloca um time controlando todo o mapa e outro tentando controlar pedaço a pedaço, até encurralar o time defensivo e eliminar suas bases. O modo Cada Equipe por Si é o tradicional Team Deathmatch, onde só a matança conta. Por fim, o modo Grandes Operações adiciona bastante complexidade. Esse é um modo de jogo em larga escala e de alta duração. Em que os jogadores participam de várias batalhas seguidas de diferentes tipos, o time com mais vitórias vence no final.

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Há ainda um novo modo adicionado na primeira atualização do game: Cursos de Guerra. Esse é um modo que, como o nome diz, tem por objetivo ensinar aos jogadores a jogar com cada classe. Trata-se de eventos de tempo limitado que dão diversas missões aos jogadores, como curar X jogadores jogando como médico, matar X jogadores jogando de assalto e etc.

Por fim, há o modo Battle Royale do game, Firestorm. No entanto, esse modo ainda não está presente no game, e só será lançado em 2019. Dessa forma, não falaremos dele aqui, deixando sua análise para quando for devidamente lançada dentro do game.

Uma evolução de si próprio, mas ainda com cara de Battlefield 1

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Battlefield V sem dúvidas é uma evolução sobre si próprio, melhorando seu gameplay, deixando-o mais simplificado, apesar de haver de verdade poucas mudanças significativas. A adição do modo de Treinamento é algo muito bem-vindo, pois adiciona desafios para ajudar o jogador a treinar com classes e armas diferentes, além de permitir que controle veículos livremente, ajudando a aprender a manuseá-los.

Porém, o game não tira a sensação de familiaridade, pois na prática trata-se de uma versão melhorada de Battlefield 1, e não falo isso de uma forma negativa. Muito pelo contrário, Battlefield 1 foi um ótimo game e Battlefield V é ainda melhor. Mas é inegável que as mecânicas, gameplay e visual são os mesmos do game da Primeira Guerra Mundial.

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Isso significa que apesar do game ser realmente uma evolução, é uma evolução pequena, que sim, diverte muito e tem bastante conteúdo interessante e divertido, porém não consegue apagar a sensação de familiaridade. Não que qualquer um esperasse mudanças gigantescas acontecendo, isso sim seria algo (infelizmente) irreal, pois essas maiores evoluções correm gradualmente, pois se algo está funcionando de forma adequada, não há porque tentar mudá-la, apesar de que sim, o que puder ser melhorado, normalmente será (ou assim sempre se espera).

Há uma mudança significativa, no entanto, os Behemots, grandes veículos que apareciam durante as partidas para o time perdedor controlar e tentar virar o jogo foram removidos. Agora as batalhas ocorrem de forma mais pura, com soldados em terra, aviões, carros e tanques e a possibilidade do jogador convocar reforço aéreo, como munição, veículos e bombardeios.

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Uma grande evolução do game, em vista das recentes polêmicas da indústria dos games, é que não há microtransações nem lootboxes no game. O que é algo que, por incrível que pareça, merece ser elogiado. Nem toda microtransação é ruim, e isso é claro, mas dada a crítica situação dessas práticas atualmente, envolvendo principalmente a própria EA Games, que está sendo processada por conta disso na Europa, sua ausência já é um grande ponto positivo.

Todos os itens presentes no game são desbloqueados jogando. Armas são facilmente desbloqueadas, basta que você jogue com cada classe que, conforme você sobe seu ranking, desbloqueia novos equipamentos, sem a necessidade de jogar por um tempo absurdo para liberar tudo, jogando moderadamente você conseguirá liberar todas as armas de uma classe em pouco tempo.

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Todo o resto é composto de itens cosméticos, que não são adquiridos aleatoriamente. Você desbloqueia itens cosméticos para seus personagens e armas simplesmente ao subir de ranking em uma classe ou no ranking geral, ou cumprindo as Designações, desafios que você libera quanto mais joga, como matar tantos inimigos com determinada arma, realizar certas ações jogando com uma classe específica e etc. Tudo isso premia o jogador com itens e sucata, que é usada como moeda para comprar esses itens. Resumidamente, não há aleatoriedade nenhuma aqui, basta que você jogue e você saberá o que você ganha.

Audiovisual

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Como já dito, Battlefield V tem o mesmo poder gráfico de Battlefield 1. Ambos os games são belíssimos e riquíssimos em detalhes. Battlefield V conta com tudo de bom de seu antecessor, os mapas gigantescos, construções e geografias altamente detalhadas e é claro, a maravilhosa destruição de cenários.

Uma das coisas mais legais de se fazer no game é entrar num tanque de guerra e simplesmente demolir uma casa inteira passando por dentro dela, ou ordenar um bombardeio aéreo e ver rocha, podeira e escombros voando para todo lado, contando ainda com danos permanentes no solo, com grandes crateras se abrindo nos locais de explosão ou queda de mísseis. Não há muito o que se falar do visual do game, apenas de que ele é belíssimo.

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Algo que vale a pena mencionar é a polêmica envolvendo o game da participação de mulheres no front de batalha, ou de personagens com braços mecânicos ou equipamentos muito avançados para a Segunda Guerra. A verdade é que dentro do game, não há nada de anormal. Personagens femininas já foram protagonistas de games de guerra no passado, em especial a protagonista do clássico Medal of Honor Underground.

Nas campanhas do game, há apenas uma com participação feminina, Nordlys, que pessoalmente foi a campanha que eu mais gostei, tendo elementos únicos não presentes nas outras campanhas, como facas de arremesso, um belíssimo mapa nas montanhas nevadas da Noruega, a possibilidade de usar esquis para atravessar a neve em alta velocidade e um foco em stealth muito bem feito.

Análise Arkade: Battlefield V leva a série de volta à Segunda Guerra Mundial

No multiplayer, os jogadores podem customizar seus personagens de diferentes formas. Existem vários modelos pré-definidos de personagens masculinos e femininos, de diferentes etnias, além de várias roupas e camuflagens diferentes. O jogador ainda pode customizar cada classe de personagem individualmente. E honestamente, não há nada de errado nessa diversidade aqui. Trata-se simplesmente do modo multiplayer, onde o que impera é o gameplay e a diversão, não se o mapa que você está jogando existiu no mundo real ou se a batalha ali apresentada aconteceu ou não.

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Já o modo Battle Royale, esse sim não tem nenhuma precisão histórica, e sinceramente nem precisa. Assim como Call of Duty Zombies, é um modo a parte, com seu próprio “universo”. Apesar de que o modo Battle Royale ainda vai demorar para ser lançado. A verdadeira polêmica não é nem de perto a não-fidelidade histórica do game, mas sim a resposta que a EA deu ao ser questionada sobre isso, respondendo que “essa é a NOSSA visão da Segunda Guerra, lidem com isso” (eles não disseram exatamente isso, mas a ideia foi essa).

Uma resposta diferente (e mais correta) teria evitado tudo isso, pois 1: As campanhas do game são satisfatórias, tendo sim bases históricas, com liberdades criativas. E 2: Como já dito, realismo histórico não tem importância no multiplayer, simplesmente porque a própria EA não se aprofundou muito nisso. Em resumo, o multiplayer de Battlefield V consiste de batalhas rápidas, para dezenas de jogadores que querendo ou não, não se importam se no modo Conquista conta uma história ou se o modo Linhas de Frente é preciso historicamente.

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Saindo dessa polêmica, sobra apenas falar do departamento sonoro de Battlefield V, que novamente faz um trabalho primoroso. Algo bem legal do game é que as campanhas estão todas no idioma nativo de seus personagens: inglês, alemão, norueguês e francês. Isso dá mais realismo e imersão a essas campanhas, pois não acontece por exemplo de rolar inglês predominando em todas as cenas.

O game possui dublagem em português somente no multiplayer, com o detalhe de que os soldados alemães falam somente alemão, todos os outros falam português, incluindo os narradores e vozes de comando, que avisam de objetivos perdidos, conquistados e etc. Além disso, o game está 100% localizado em português brasileiro em textos e menus, com todo os seu trabalho de localização e dublagem de excelente qualidade.

Conclusão

Análise Arkade: Battlefield V leva a série de volta à Segunda Guerra Mundial

Battlefield V mais uma vez entrega uma grande experiência, voltando às suas origens da Segunda Guerra Mundial depois de muitos anos sem um game nesse período. Ainda que o game tenha uma grande cara de Battlefield 1 melhorado, ele diverte bastante e é mais amigável com novos jogadores, recompensando suas ações e incentivando a aprendizagem.

No passado, os games da Segunda Guerra Mundial dominavam o mercado. Até o ponto de cansarem devido a constante repetição, levando os FPS cada vez mais para o futuro, do Vietnã, aos dias contemporâneos até a ao futuro distante e tecnológico, o que também acabou cansando, fazendo com que os jogadores reacendessem a vontade de vivenciar os clássicos do gênero. E essa foi a resposta em Battlefield V!

Battlefield V foi lançado no dia 9 de novembro, com versões para PC, Playstation 4 Xbox One. O modo Battle Royale, Firestorm, será lançado somente em 2019.

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