Análise Arkade – BDSM: Big Drunk Satanic Massacre uma sátira infernal (e sem graça)

16 de novembro de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade - BDSM: Big Drunk Satanic Massacre uma sátira infernal (e sem graça)

Primeiramente, tenha muito cuidado ao pesquisar sobre esse jogo na internet: BDSM também é uma sigla para práticas sexuais sadomasoquistas, que envolvem cordas, algemas e coisas do tipo. Este trocadilho com a sigla até faz sentido aqui, uma vez que este BDSM: Big Drunk Satanic Massacre é uma grande sátira maluca.

Uma sátira infernal

BDSM: Big Drunk Satanic Massacre nos apresenta a Lou, príncipe do Inferno, que viu seus domínios serem invadidos por humanos e tomados por grandes corporações, redes de fast food e jogos de azar. Pois é, a humanidade capitalizou até o Inferno.

Desempregado e sem muita perspectiva, Lou passa os dias bebendo e arrumando confusões. Butcher, o dono do bar onde ele passou os últimos 33 anos (?!) bebendo não aguenta mais vê-lo por lá, e quando Lou destrói a TV do estabelecimento, Butcher decide “motivá-lo” a reclamar o que é seu por direito, e tomar o inferno de volta, nem que seja na porrada — na verdade ele só queria se livrar do cliente pentelho.

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Assim, Lou vai cruzar diversos cantos infernais, eliminando minions altamente aleatórios — que vão de versões deformadas de personagens de South Park e Family Guy até hambúrgueres zumbis e My Little Ponys nazistas! — em sua cruzada para reassumir o controle da firma.

BDSM: Big Drunk Satanic Massacre é uma grande paródia. Ele traz referências a diversos jogos, desenhos, filmes e outros elementos da cultura pop. É fácil notar que eles tiram sarro de Diablo, mas sobra até para John Wick, Youtubers famosos, marcas conhecidas (McDonalds aqui é o Big Wac, e serve hambúrgueres feitos com carne de demônio), e muito mais. O próprio Lou parece uma versão aposentada do Hellboy. O que temos aqui é um jogo que abraça a zoeira, ainda que muito do seu humor pareça mais voltado para o público norte-americano.

Gameplay

Em termos de gameplay, BDSM é um twin stick shooter bastante tradicional: em uma perspectiva isométrica você anda com um analógico e mira com o outro, usando o gatilho direito para atirar. Há também um botão de esquiva, além de outros que usam itens e magias.

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Até aí nada de muito inovador. Porém, ele acrescenta alguns elementos de RPG à receita, com pontos de experiência que aumentam o poder do protagonista e novas habilidades demoníacas que podem ser utilizadas em combate. Mas não espere muita profundidade: tudo é extremamente simples.

Estas habilidades são aprendidas com as Súcubos, diabinhas sensuais com pinta de pin ups que vão pedir alguns favores a Lou. Missão cumprida, somos levados a um sugestivo mini-game sexual com as meninas — no estilo daqueles que víamos na série God of War de antigamente, saca? Feito isso, a diabinha nos brinda com um novo poder demoníaco.

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Sendo bem honesto com você, o gameplay de BDSM nunca é realmente satisfatório, ele é apenas funcional. Esse não é um jogo fluido e gostoso de jogar, mas suas mecânicas são simples e, no geral, cumprem seu papel. Como em outros twin stick shooters, há alguma repetição envolvida: explore cenários enfrentando hordas e mais hordas de minions até ganhar acesso ao chefão.

Ou seja, se por um lado o jogo é criativo em suas paródias e sátiras, por outro entrega uma jogabilidade nem tão inspirada. É ruim? Não necessariamente. Mas, jogos como Enter the Gungeon já entregaram um conjunto muito mais robusto e agradável. BDSM cativa mais pelo humor e pelas referências do que por suas mecânicas, mas nem isso é bom o bastante para valer a experiência.

Audiovisual

BDSM: Big Drunk Satanic Massacre não é um jogo particularmente bonito. Há jogos isométricos belíssimos — a própria série Diablo é um bom exemplo, assim como Divinity: Original Sin –, mas aqui o visual como um todo é bastante genérico, sem vida. Esse lado “corporativista” do inferno que é apresentado no game rende um punhado de ambientes industriais sem graça.

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Claramente houve criatividade na concepção do lore do jogo: a variedade curiosa de inimigos sem dúvida é muito legal, e as imagens conceituais que parodiam DOOM e outras obras da cultura pop são bem bacanas. Não entendo a fixação dos devs em “demonizar” animações adultas como South Park e Family Guy, mas acho que muito do que era irado na cabeça deles não se traduziu em algo irado no jogo.

A trilha sonora, obviamente, é composta por heavy metal instrumental e, no geral, as músicas são legais, mas nem um pouco marcantes. Sons de explosões tiros e gritos são competentes, e há um locutor de voz grossa que faz comentários espirituosos conforme Lou perpetra sua carnificina infernal.

Conclusão

Eu gosto de jogos que não se levam a sério, e usam recursos de sátira e paródia para passarem uma mensagem de forma bem humorada. Porém, por mais que BDSM: Big Drunk Satanic Massacre faça tudo isso, ele também é extremamente genérico, e seu gameplay não é tão gostoso a fim de justificar o empenho do jogador.

Análise Arkade - BDSM: Big Drunk Satanic Massacre uma sátira infernal (e sem graça)

Como já dito, se você curte twin stick shooters isométricos, há diversas opções melhores disponíveis no mercado. Nem todas têm essa pegada divertida e zoeira, mas oferecem experiências muito mais satisfatórias.

BDSM: Big Drunk Satanic Massacre foi lançado em outubro, e está disponível para PC, Playstation 4 e Nintendo Switch. O game está 100 em inglês.

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