Análise Arkade: Call of Duty – Infinite Warfare é o futuro olhando para o passado

16 de novembro de 2016
Autor: Junior Candido

Análise Arkade: Call of Duty - Infinite Warfare é o futuro olhando para o passado

Mais um jogo de guerra no futuro? Sim. A Actvision e a Infinity Ward te levarão novamente para alguns anos no futuro em Infinite Warfare, mas de uma maneira um pouco diferente, se comparar com os outros games da série que também estão anos a frente. Misturando elementos futuristas com um “pé no chão” que garantem combates “como nos velhos tempos”, o jogo também propõe um pouco mais de liberdade, saindo de maneira tímida do “trilho de trem” que sempre guiou os jogadores de Call of Duty.

Desde Black Ops II, passando por Advanced Warfare e chegando ao Black Ops III, os games futuristas da série sempre foram implementando mais e mais mecanismos surreais e inacessíveis, pelo menos nos nossos dias. Mas ao mesmo tempo que geravam games que impressionavam, pois tais efeitos chamavam de fato a atenção, os jogadores estavam um tanto de saco cheio de apenas sair pulando mais alto que o normal ou atirar com armas muito avançadas. A Infinity Ward, pelo visto, ouviu muito dos comentários dos jogadores, se baseou no que ela própria já havia oferecido na série Modern Warfare e trouxe uma proposta bem equilibrada, o qual iremos comentar melhor já!

Bem-vindo ao futuro (de novo)

Desta vez, o futuro é sombrio, pois a Terra não conta mais com recursos para se sustentar, e em meio as dificuldades, temos a Settlement Defense Front, que criaram seus próprios terrenos, regras e agora querem tomar todos os recursos para continuar expandindo suas forças. Sim, é uma narrativa bem simples, mas na altura do campeonato, Call of Duty não precisa de histórias milaborantes, como tentaram fazer nos últimos anos, prova disso é o modo Zombie.

Porém, embora a história seja previsível, é suficiente para inserir o jogador no contexto cinematográfico e intenso das missões, já conhecidas dos jogadores. E o mais bacana neste futuro apresentado, é que ele é palpável, com elementos altamente tecnológicos, mas sem a necessidade de exagerar. Tecnicamente falamos, temos aqui um ótimo jogo Modern Warfare, com necessárias adições para o clima de futuro. Temos criativas granadas, como a que persegue um alvo e explode quem mais tiver por perto, suporte aéreo bem útil e até armas gigantes feitas para destruir robôs gigantes, mas boa parte do game te deixará com uma boa e velha arma com “balas ultrapassadas”.

O tiroteio oferece novas maneiras de jogar, já que robôs entram em combate também, e temos também inimigos com armaduras, que exigem que você praticamente descarregue um pente todo de balas para derrubá-lo. Ao final, temos um futuro acessível, com cara de “isso pode acontecer mesmo”, em um game que, mesmo ficando no futuro, oferece, na medida do possível, uma leve sensação de Modern Warfare. Mas não entenda isso como uma evolução ou um atraso, é apenas o fato de que a Infinity Ward continua a produzir bons games da franquia, e que mesmo com a já mencionada história bem simples, também consegue trazer bons enredos.

Mais do mesmo, de novo

Temos uma das melhores campanhas dos últimos anos para a franquia e esta é uma excelente notícia. Mas a má notícia é que ela ainda é curta e sem a ousadia que já temos saudades nos jogos antigos em que o estúdio foi o responsável. Mesmo assim, não tem como não mencionar o esforço para “destrilhar” um pouco o jogador durante o jogo principal, com missões secundárias, e a nave-mãe a qual você acaba comandando, que te libera para escolher a missão — sem a mesma liberdade de outros jogos — e se preparar para ela, escolhendo quais armas serão utilizadas. Ainda é algo muito primitivo, porém é uma ótima ideia que merece sim ser melhor explorado pela Actvision, Infinity Ward e todos os outros envolvidos com Call of Duty.

Quanto ao visual, tudo igual como sempre. É claro que locais e acontecimentos diferentes geram efeitos impressionantes novos, mas no geral, temos os mesmos gráficos, os mesmos bugs e os mesmos sons. Tudo indica uma postura de “time que ganha não se mexe”, e em nenhum momento o aspecto visual compromete. E o combate com veículos também retorna, com uma divertida batalha de naves, com elementos emprestados dos jogos Ace Combat, incluindo a bacana e cinematográfica mira de perseguição, no qual a câmera trava na nave inimiga enquanto você desce o chumbo nele.

Este “mais do mesmo”, neste ano, não quer dizer que o jogo está repetitivo ou sem inovação. E sim que tudo o que jogadores de Call of Duty estão acostumados a jogar continuam no menu, com poucas e leves novidades sendo colocadas em pontos chave do jogo, dando a impressão de que seja algo bem experimental, a ser melhor explorada em jogos futuros.

No multiplayer, Black Ops III garantiu uma comunidade fiel e ativa, e com isso, o novo CoD acaba virando um concorrente involuntário, pois precisa, pelo bem dos negócios, superar o seu antecessor. Porém isso não vai acontecer com tanta facilidade, já que não há nada que justifique, a não ser o fator novidade, a troca imediata da comunidade de um CoD para o outro.

Temos seis classes de guerreiros disponíveis, com suas óbvias diferenças, para conhecer, dominar e utilizar nos mapas: Merc, FTL, Stryker, Warfighter, Phantom, e Synaptic. Mas não espere por nada de muito novo não, pois temos praticamente as mesmas atividades em mapas novos, chegando a ser uma cópia bem simplória do game do ano passado. CoD estava sendo conhecido pelos últimos anos por fornecer um multiplayer bem superior ao seu modo campanha, mas esta é a primeira vez em anos que a mesa virou e um single-player da franquia consegue segurar mais o jogador do que seus modos para vários jogadores.

Para confirmar o foco mais intenso no single-player, temos os zumbis, que retornam neste ano “dançando” no ritmo dos anos 80. Se por um lado, o modo também está quase que intacto, por outro, a adição de “oitentices” ao game o dão um ar novo e o deixam com um ar novo, mesmo sendo o mesmo modo que já jogamos há tanto tempo.

O melhor “brinde” de todos os tempos

Junto com Infinite Warfare, a Actvision colocou no pacote o remaster de Modern Warfare, o Call of Duty 4 lançado em 2007 e que redefiniu a maneira de se jogar FPS desde então. E, se há muita reclamação com remasterizações para a atual geração de consoles, estas critícas não podem ser aplicadas a clássico jogo.

Com nove anos de vida, a remasterização fez muito bem ao game, melhorando o que já era bom e dando liberdade para a Infinity Ward usar seu game de playground para desenhar Infinite Warfare. Não que os games sejam idênticos, mas é possível notar sim que o novo game emprestou muita coisa do anterior. E para nós, brasileiros, uma novidade importantíssima: legendas em português, que ajudam muita gente a compreender ainda mais o enredo, que é tenso, continua atual e ainda intriga.

Um futuro melhor para Call of Duty

Análise Arkade: Call of Duty - Infinite Warfare é o futuro olhando para o passado

Sabemos que, tanto no Arkade quanto em outros sites de games Brasil afora, a reclamação quanto aos games futuristas de Call of Duty existem, muito por causa da saudade que a série Modern Warfare apresentou. Após a querida franquia, a Infinity Ward tentou, sem sucesso, uma prequela com Ghosts, mas conseguiu fazer um game competente com o futuro como palco, mas o tiroteio balanceado e divertido, assim como era em anos anteriores.

Mas Infinite Warfare resgata, mesmo que de maneira distante, alguns destes bons momentos. Um single-player interessante e que de forma tímida, foge um pouco dos trilhos tão comuns nos jogos da franquia e um Zombie Mode divertido, fazem do game algo para fazer com que aquele jogador que já havia perdido a paciência com “tanto futuro” dar uma nova chance à franquia. Peca pelo multiplayer, mas não entrega um pacote ruim, afinal. E o “brinde”, o remaster de CoD 4, é o melhor que um fã da série poderia receber.

Call of Duty: Infinite Warfare está disponível para PS4, Xbox One e PC.

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