Análise Arkade: Voltando a morrer em Lordran em Dark Souls Remastered

14 de junho de 2018
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: Voltando a morrer em Lordran em Dark Souls Remastered

Toda grande série tem um começo, aquela que dá o pontapé inicial em sua história que se ramifica e cresce a cada sequência lançada. Ou que vai se tornando mais e mais misteriosa com os fragmentos de história espalhados para que o jogador os encontre.

Dark Souls é sem dúvida um game amado e odiado por muitos, pois foi o game (após Demon’s Souls) que estabeleceu um novo subgênero que acabou inspirando milhares de outros games que vieram depois dele. E ele está de volta em uma versão completamente remasterizada! É hora de sentar-se de frente a uma fogueira, tentar não morrer e conferir nossa análise completa de Dark Souls Remastered!

“E então houve fogo. E com o fogo veio a disparidade”

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Dark Souls conta a história de um mundo em ruínas. No início haviam apenas dos Dragões Eternos como governantes do mundo, até o dia em que a Primeira Chama surgiu, dando vida à humanidade, aos gigantes e aos deuses. Os deuses então desafiaram e derrotaram os Dragões, dando assim início a Era do Fogo.

Mas a Primeira Chama não era eterna, e começou a se apagar. E então, surgiu a maldição dos não-mortos. Todos aqueles que morressem, voltavam a vida na forma de Mortos-Vivos, ainda mantendo suas mentes e sanidades, mas lentamente perdendo-as, até o ponto em que todos estão condenados a se tornar Vazios. Enlouquecendo e matando quem quer que vejam para devorar suas almas e humanidades, numa tentativa inútil de voltarem ao normal.

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Glória ao sol! \[T]/

E nesse mundo em ruínas está você, na pele do Morto-Vivo Escolhido, que chega até o reino de Lordran sem ao menos saber porque está lá. Tendo apenas uma dica, dada por um personagem que você encontra ao chegar nesse novo reino: Toque os dois Sinos do Despertar e algo irá acontecer.

Dark Souls não tem uma história contada diretamente ao jogador, não espere que os NPCs dirão o que você deve fazer ou pra onde deve ir. Ou mesmo o que está acontecendo com o mundo. Se quiser descobrir, você precisará se aprofundar no lore do game, procurando informações em diálogos e na descrição de itens. Parece complicado, mas ao juntar as peças o mundo a sua volta começa a se revelar para você.

Lordran a 60 fps

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A bela e traiçoeira Anor Londo

Dark Souls Remastered contém tudo o que havia na versão Prepare to Die Edition. Contando com o game original e a DLC Artorias of the Abyss já inclusas. A remasterização ainda adiciona algumas pequenas, mas bem vindas melhorias, como a possibilidade de trocar de Pactos através das fogueiras, evitando que o jogador tenha que viajar longas distâncias para fazer isso. E uma nova fogueira em frente ao ferreiro das Catacumbas.

Mas a principal melhoria é que o game roda inteiro a 60 fps. Se você jogou o primeiro Dark Souls então você já sabe porque isso é importante. A remasterização melhorou o problema de fps inconstante da versão original, que tornava certos lugares em verdadeiros pesadelos de tão lentos que eram.

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O grande pesadelo dos jogadores do passado

E estou falando justamente de Blighttown, ou em português, A Cidade das Moléstias. Essa é uma área importante do game, que os jogadores precisam atravessar para alcançar um dos dois sinos a serem tocados. Trata-se de uma área totalmente vertical, formada por dezenas de plataformas perigosas de madeira podre que descem até um enorme pântano envenenado. E que no passado era um pesadelo, pois o framerate do game caía absurdamente ao visitar esse local, ao ponto de praticamente travar a movimentação do personagem e causar muitas mortes acidentais.

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Já dizia o ditado, “Cão que ladra…”

Agora não há mais esse problema e todo o game roda liso a 60 fps. Há porém alguns engasgos aleatórios em momentos estranhos. Comigo apenas dois engasgos aconteceram em todo o game. O primeiro quando acessei uma área que não deveria ser acessada normalmente, e a outra enquanto estava parado apenas apreciando a vista, felizmente foram engasgos de apenas 2 segundos e casos isolados.

O mesmo visual, mas ainda assim bonito

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Se você conhece essa cena, você já chorou por ela

Dark Souls é uma série com um visual bem característico, com suas armaduras cuja beleza não está em seus brilhos, mas em suas falhas. Roupas rasgadas, armaduras enferrujadas, túnicas sujas e amassadas. A grande beleza de Dark Souls está em sua “repulsa”. O game possui exatamente o mesmo visual de antigamente, apenas com uma leve atualizada para deixar tudo ainda mais bonito, com modelos 3D levemente reconstruídos e texturas ainda melhores do que antes.

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Seath, o Duque

Em minha opinião, a grande beleza de toda a série Souls está em sua sujeira. Demon’s tinha bosses com texturas grotescas e muita destruição. Bloodborne tinha todo o seu sangue, lama e carne exposta. Dark Souls III tinha pântanos, poeira, sangue, ferrugem. Exceto em Dark Souls II, que tinha um visual mais “achatado” em suas texturas, com um visual mais “poligonal” ou “plástico”. Já o primeiro Dark Souls tinha incríveis texturas.

Já começando na primeira área do game, o Asilo dos Mortos-Vivos podemos ver paredes com texturas úmidas e envelhecidas, a ferrugem nas armas e portas, paredes esverdeadas e brilhantes de limo e etc. Além das texturas no pântano da Cidade das Moléstias e o chão coberto de piche no fundo da Fortaleza de Sen.

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A luta que separa as crianças dos adultos em Dark Souls

Os bosses também receberam tratamentos em seus visuais, como mais iluminação nas cutscenes de Ornstein Smough, mais brilho na pele do Dragão Abocanhante (O Gaping Dragon) entre outras melhorias. Esse é um game que ainda é muito belo, mesmo já sendo considerado “antigo”. E ficou ainda mais belo nessa remasterização.

E há ainda sua inesquecível trilha sonora, impecável e que fica marcada em sua mente como uma cicatriz de uma espada rachando seu crânio. Quem já jogou o game sabe do que estou falando, e basta mencionar os nomes Ornstein & Smough que a música tema deles já vem a mente. Ou a magnífica melodia em piano da batalha contra o próprio Gwyn.

Assista aí minha luta contra a dupla e relembre sua bela trilha sonora

Há porém alguns pequenos defeitos no departamento sonoro. As vozes dos personagens são um pouco baixas, apesar de você poder alterar o volume das vozes e sons do game. E em certos lugares os sons não são emitidos corretamente. Certos inimigos não emitem sons, como o gigante da Fortaleza de Sen. E em outros lugares sons como o de Parry e Backstab não acontecem, mas se você se mover um pouco para o lado, eles saem normalmente. Para quem já é acostumado com o game, isso fica bem notável e estranho.

O clássico gameplay e dificuldade

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O Lendário Sir Artorias, o Andarilho do Abismo

Quem já jogou o Dark Souls original já sabe o que esperar aqui. Todas as características e dificuldades estão aqui exatamente como eram antes. Mas se você conheceu a série através de Dark Souls 2, 3 ou por Bloodborne, prepare-se para sofrer muito.

A jogabilidade é exatamente a mesma de qualquer outro game da série soul. Ataques fortes e fracos, defesa, e esquiva, tudo isso consumindo sua barra de stamina. Porém, há muitas diferenças em relação a seus sucessores. Começando pela velocidade, Dark Souls é um game com ritmo de combate um pouco mais lento e pesado.

Enquanto os últimos “Souls” tem um ritmo mais rápido, com ataques e esquivas rápidas, aqui as coisas são mais “pé no chão”. O que significa que os ataques dos inimigos tem muito mais peso, e toda a construção de seu personagem, aliada a sua própria habilidade é o que faz a diferença. E isso é porque aqui há um status que foi removido dos games subsequentes: O equilíbrio.

Equilíbrio é quantidade de dano que seu personagem pode sofrer sem perder a postura (sem ser atordoado ou cair no chão), e que está diretamente ligado com seu equipamento. Armaduras pesadas te dão mais equilíbrio, porém sacrificam sua velocidade de movimentação e ataque. Ao mesmo tempo, muitos inimigos possuem ataque com dano em área, que irá lhe causar dano mesmo que você não seja diretamente atingido. E a menos que você saiba usar esquiva perfeitamente e tenha um personagem bem leve, não poderá escapar do dano.

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A inocente, gentil e perigosa Priscilla

Outra diferença fundamental são os equipamentos. Enquanto em Dark Souls 3 você pode equipar 3 equipamentos em cada mãos e quatro anéis para dar buffs em seu personagem, aqui você equipa apenas dois itens por mão e 2 anéis. A construção de seu personagem deve ser bem pensada, do contrário você não sentirá sua evolução e sofrerá mais do que deveria.

E a última diferença é que aqui o game realmente não te dá a mão para nada. Você só poderá se transportar entre fogueiras (e somente entre algumas delas) após pegar a Urna dos Lordes em Anor Londo. Existem três ferreiros no game, e você terá que viajar entre os três para melhorar suas armas. E não há meio fácil de melhorar seus itens de cura e habilitar os recurso online, você precisará de humanidade.

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“Acho melhor voltar, eu nem queria ir por ali mesmo”

Humanidade é o item mais significativo do game, abaixo é claro das almas, que servem de XP e dinheiro. Ela serve para fortalecer as fogueiras do game, assim te dando mais Frascos de Estus, o item de cura do game, além de fazer com que seu personagem retorne à forma humana após morrer. Se você morrer, seu personagem se torna um Morto-Vivo, com um visual decrépito, com o corpo ressecado. Nessa forma nada muda, exceto que seu personagem fica isolado dos recursos online.

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Esse é seu visual como um Morto-Vivo

E se seu personagem estiver na forma humana, pode fortalecer as fogueiras e interagir online, podendo invocar jogadores para te ajudar. Mas você também fica vulnerável a invasões. Por fim, quanto mais humanidade seu personagem tiver acumulada, marcada nos número a esquerda de sua barra de vida, mais poderoso ele fica. Porém, humanidade é um item raro e difícil de se encontrar, e perder muitas humanidades é uma verdadeira tragédia, dada sua utilidade de melhorar fogueiras.

Conclusão

Análise Arkade: Voltando a morrer em Lordran em Dark Souls Remastered

Dark Souls Remastered é um título obrigatório para qualquer um que seja fã do estilo Souls-like mas que sabe-se lá como nunca pode conferir o game original. Esse foi o game que popularizou um novo sub-gênero que espalhou amor e ódio ao redor de todo o mundo, trazendo uma aventura que não te carrega pela mão, mas te dá uma rasteira a cada passo, mas que ainda assim você a ama.

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A boa e velha “jolly cooperation”

Além é claro de possuir uma inesquecível trilha sonora que acompanha o jogador apenas nas batalhas contra os chefões. Dark Souls é um game com uma prazerosa jornada de retorno para quem jogou o game original. Aliás, em termos de dificuldade, se você já jogou toda a série Souls, notará um melhor desempenho aqui, pois você já vai estar calejado. E se você for novo, boa sorte, você vai precisar.

O game ainda conta com legendas e menus totalmente localizados em português brasileiro, com um excelente trabalho de localização, apesar de haver alguns errinhos que acabaram passando na descrição de alguns itens. Além de reabrir novos servidores para a jogatina online, com co-op por invocação de jogadores, invasões e o movo PvP na arena da Batalha do Estoicismo.

Dark Souls Remastered foi lançado no dia 25 de maio para PCs, Playstation 4 Xbox One. O game será lançado ainda este ano para o Nintendo Switch, ainda sem data confirmada.

2 Respostas para “Análise Arkade: Voltando a morrer em Lordran em Dark Souls Remastered”

  • 14 de junho de 2018 às 18:03 -

    Ronnie

  • Fiquei decepcionado com esse remaster com preço de remake… Se for para fazer coisas assim melhor deixar quieto, já existem mods para o que já foi feito. Mas vejo isso como um sinal de que, assim que a produtora quiser angariar dinheiro de novo com a franquia, certamente fará mais coisas como essa… quem sabe até um DS4 para a geração faggot, com gameplay e enredo mais “acessíveis”.

    • 14 de junho de 2018 às 20:55 -

      Rodrigo

    • Realmente o valor da steam 130 esta caro apesar da novidade do multiplayer online,quem já tem o jogo Prepare to Die paga 65 reais como foi meu caso, compensou.E a tradução oficial agora.

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