Análise Arkade: Dishonored: Death of the Outsider é um jogo cheio de possibilidades

25 de setembro de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Dishonored: Death of the Outsider é um jogo cheio de possibilidades

Hora de retornarmos à incrível (e sórdida) Karnaca para o acerto de contas final: Dishonored: Death of the Outsider é meio expansão, meio jogo novo e mantém a qualidade da franquia, confira nossa análise!

Mais que um “simples” DLC

Dishonored: Death of the Outsider chega de forma semelhante ao ótimo Uncharted: The Lost Legacy: o que temos aqui é um jogo que nasceu como um DLC para Dishonored 2, mas acabou aumentando tanto que acabou virando uma aventura à parte. Ele se passa no mesmo cenário do segundo game, mas mesmo quem não tem o jogo pode comprar e jogar Death of the Outsider numa boa; ele é um conteúdo à parte, que chega com um precinho bem mais em conta que um lançamento tradicional.

Se na segunda aventura canônica da série tivemos Emily Kaldwin e Corvo como protagonistas, quem brilha agora é Billie Lurk, jovem assassina que foi treinada por ninguém menos que Daud (o verdadeiro assassino da rainha Jessamine Kaldwin, crime pelo qual Corvo foi acusado e preso, lembra?).

Billie vai à Karnaca para tentar encontrar seu mestre desaparecido, mas ao chegar lá, começa a ter pesadelos estranhos, e depara-se com uma sinistra seita de seguidores do Outsider (figura famosa da série) que está aterrorizando a cidade. Como a seita, o Outsider e o desaparecimento de Daud parecem estar relacionados, sua missão logo fica claro: eliminar o Outsider, descobrir o paradeiro de Daud e restabelecer a paz às ruas de Karnaca.

Jogue como quiser

Ainda que seja um jogo de escopo um tanto menor que os episódios principais da saga DishonoredDeath of the Outsider mantém  firme e forte a principal característica da franquia: a liberdade que o jogador possui de fazer as coisas como quiser. Você decide como quer superar os desafios do game, e o engenhoso game design oferece múltiplas opções de abordagem para todos as situações propostas.

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Death of the Outsider é uma aventura mais curta, linear e direto ao ponto, mas isso não significa que ela traz menos liberdade: o primoroso level design continua entregando áreas muito variadas, que possibilitam diferentes abordagens de acordo com o estilo de gameplay de cada jogador.

Como de praxe, é possível zerar o jogo sem matar ninguém — usando um mix de distrações com stealth e armas/golpes não letais –, mas se você quiser transformar sua jornada em um banho de sangue, terá poderes e ferramentas de sobra para fazer isso. Não há mais o “medidor de Caos”, de modo que um assassinato acidental não é tão penalizador quanto era antes. Isso também significa que agora você pode cumprir Contratos do tipo “mate todos os guardas” sem que isso afete o seu status purista de não matador da campanha em si.

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Eu optei por usar um mix de stealh não letal + assassinato de vez em quando — é difícil resistir quando as mortes são tão graficamente explícitas e sangrentas — e tive uma experiência incrível, mas você pode usar a abordagem que preferir, e terá sua própria jornada. Esta é a graça de Dishonored: cada um constrói a jornada que preferir, pois o jogo nos dá a liberdade e as ferramentas necessárias para isso.

Novas habilidades

Ainda que o jogo nos ofereça menos poderes do que os anteriores, todos são bem úteis, seja em combate ou para evitar confrontos diretos. Uma das novas habilidades de Billie é chamada Semblance, e permite ao jogador assumir o visual de um inimigo abatido — mais ou menos como as trocas de roupas em Hitman. Isso pode evitar muitos confrontos, mas fique ligado, pois se o corpo de quem você roubou o visual for encontrado, seu disfarce cai por terra e todos os guardas das redondezas estarão com “sangue no olho” para te encontrar.

A mobilidade em si também traz novidades: enquanto Corvo tinha seu famoso teleporte BlinkBillie traz uma variação dele chamada Displace; você coloca um “fantasma” seu onde estiver mirando e pode viajar para lá (mais ou menos como o Reaper de Overwatch) mesmo depois de realizar alguma outra ação. É um pequeno twist no gameplay que abre muitas novas possibilidades de exploração através de vigas de sustentação, dutos… ou simplesmente expande suas formas de matar:

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Outra nova habilidade muito útil é a chamada Foresight, que literalmente congela o tempo por alguns segundos e permite que o jogador “voe” pelo cenário, marcando inimigos e pontos de interesse e mantendo-os destacados para permitir que você elabore uma estratégia adequada.

Tipo assim, ó:

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E ainda temos habilidades passivas, que chegam na forma dos Amuletos de Ossos, que são verdadeiras facas de dois gumes: eles trazem algum benefício para Billie, mas também alguma consequência negativa. No geral, as habilidades de Billie lembram as de Corvo, mas são diferentes o bastante para trazer frescor ao gameplay.

E se você gosta MUITO das habilidades de Corvo, pode experimentar o New Game + diferenciado, que substitui os poderes de Billie pelas boas e velhas habilidades de Corvo. É um adendo interessante e que agrega um ótimo fator replay ao jogo, pois encarar as mesmas situações com outros tipos de poderes altera bastante a dinâmica do gameplay.

Audiovisual

Death of the Outsider mantém o visual estiloso que é marca registrada da série Dishonored: a cidade em si pode não ser nova, mas agora conheceremos novos lugares dela, que são tão belos quanto sombrios. Os personagens seguem a mesma pegada: são modelos realistas com traços exagerados — como caricaturas –, e possuem uma inteligência artificial bastante aguçada, que se mostra mais desafiadora de acordo com o nível de dificuldade.

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As animações de assassinato são um show à parte, e é isso o que mais deve fazer falta na experiência de quem opta por seguir um caminho não letal: usando sua estilosa espada, Billie corta braços, pernas e pescoços com graça e agilidade. Conforme você se habitua aos poderes da personagem, cada combate se torna um balé acrobático e sangrento repleto de desmembramentos e decapitações.

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No departamento sonoro, o game também mantém a qualidade que se espera da franquia: a trilha sonora é cinematográfica, mas só se faz presente quando é necessária. No restante do tempo, ouvimos o que merece ser ouvido — os passos e conversas dos guardas (que podem revelar coisas bem interessantes) — o vento e os arredores de Billie.

As dublagens em português brasileiro estão muito boas, mas no inglês quem encabeça o elenco é a atriz Rosario Dawson (que você deve conhecer como a enfermeira de todas as séries da Marvel na Netflix). Este é um daqueles jogos que merece ser jogado com um bom par de fones de ouvido, pois não só aumenta sua imersão, como lhe permite “mapear” o ambiente usando o posicionamento do som como referência.

Conclusão

Ainda que tenha um tom de encerramento para o arco narrativo iniciado no primeiro game, Dishonored: Death of the Outsider não é Dishonored 3: o que temos aqui é uma experiência menor, mais direta e mais focada, mas que mantém intactas as principais qualidades da franquia, especialmente a liberdade que é concedida ao jogador.

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Tudo é relativamente familiar para os fãs, mas os novos poderes e habilidades de Billie expandem o leque de possibilidades do jogador, e as novidades desta versão mais enxuta permitem que você “improvise” mais, se quiser, e improvisar é uma das melhores coisas para se fazer aqui.

Tal qual Uncharted: The Lost Legacy, este é um game que merece estar na coleção de quem é fã da saga, pois traz consigo o selo de qualidade desta que é uma das melhores IPs que surgiram nos últimos anos.

Dishonored: Death of the Outsider foi lançado em 15 de setembro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. O game está 100% em português brasileiro (dublagens, menus e legendas).

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