Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

21 de setembro de 2017
Autor: Renan do Prado

Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

É hora de conferir nossa análise completa de Evil Genome, um interessante Metroidvania que mistura diversos elementos em um mundo pós-apocalíptico controlado por facções tecnológicas em um mundo em ruínas. O game é criação do estúdio chinês Crystal Depths Studio e chegou recentemente a Steam trazendo uma divertida aventura. Então é hora de saber como o game acabou se saindo!

Um mundo em ruínas controlado pelos genes

Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

Em Evil Genome o mundo está em ruínas. Após mais uma grande guerra, o mundo se tornou selvagem novamente, com muitos desertos, ruínas, cavernas e poucas florestas que abrigam diferentes criaturas mutantes que matam tudo aquilo que aparecer em suas frentes.

Mas o maior perigo desse novo mundo é a “nova humanidade”, os descendentes dos humanos da Guerra que devastou o mundo e que acabaram fundindo a si próprios com máquinas, com quase todo ser humano vivo possuindo implantes tecnológicos, próteses mecânicas e armas extremamente potentes. E é nesse mundo em que vive a heroína Lachesis, que acaba se envolvendo em uma trama que decidirá o futuro não só do mundo, mas a ajudará a recobrar o seu passado.

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Lachesis é enviada em uma missão secreta junto de seu droide companheiro Alfa, mas teve sua aeronave abatida em pleno voo, e ao cair teve seu núcleo de memória roubado, perdendo assim todas as memórias sobre quem ela realmente é e qual é a sua missão, restando apenas fragmentos de informação sobre si própria e sobre o mundo. A missão agora de Lachesis é recuperar sua memória e retomar sua missão. E para isso ela deverá ajudar humanos sobreviventes a enfrentar a facção dos Grey Riflings, uma das mais poderosas e gananciosas corporações do mundo.

Uma confusa mistura de elementos narrativos

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Evil Genome mistura várias coisas diferentes para montar o seu universo. Além das ruínas de um mundo devastado pela guerra e que sobrevive graças a novas tecnologias, ainda há muito mais coisa na fórmula. As vezes, coisas até demais. Ao longo do game, o jogador encontra documentos com diversas informações sobre personagens e o mundo do game, que vão montando as peças do quebra cabeça sobre tudo.

Um dos pilares desse novo mundo são os genes. As diferentes facções presentes no game utilizam genes de humanos grandiosos do passado, obtendo assim mais poderes e uma conexão mais forte entre comandantes e soldados. Uma das facções do game é a Evil Genome, que descobriu uma forma de criar mutação em genes humanos, transformando todos os membros de seu grupo em violentos monstros mutantes, que também brigam por seu lugar no mundo. Mas é uma facção que acaba não sendo muito bem explorada, além de apresentar inimigos a serem derrotados.

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Porém, quanto mais você avança no game, conversa com NPCs e encontra documentos, as coisas começar a se misturar demais. Religião é envolvida na questão dos genes, que são tratados como os DNAs de antigos “deuses”. Alienígenas também entram na história de forma confusa, deixando a entender que também há a utilização de DNA alienígena nas pesquisas de armas feitas pelas grandes corporações. E por fim ainda temos magias e até profecias antigas.

É tanta coisa junta que tudo acaba ficando muito mais confuso do que deveria. A direção que o game toma em seu gameplay felizmente é simples. Lachesis perdeu sua memória, mas se lembra quem são seus inimigos, e precisa apenas relembrar qual é sua missão e pra quem ela serve. Os documentos, que por um lado ajudam a compreender um pouco mais o motivo da missão de Lachesis acabam por fim mais confundindo do que ajudando, até porque a tradução do game do chinês para o inglês possui muito erros que em vários momentos dificulta muito o entendimento de certos textos.

Um metroidvania competente e divertido, mas com defeitos

Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

Evil Genome é um Metroidvania com vários elementos de plataforma. O game é dividido em várias áreas diferentes, com layouts cada vez maiores e mais complexos. A progressão do game é bem fluída e simples, o game é dividido em quests principais e secundárias marcadas no mapa. Enquanto as Quests principais dão prosseguimento na história, as opcionais entregam missões mais difíceis de serem completadas, como procurar documentos espalhados pelos mapas, matar alguns inimigos em áreas determinadas ou descobrir senhas para portas trancadas.

As Quests secundárias recompensam o jogador com vários equipamentos para deixar Lachesis mais forte, como armas, armaduras e itens para fortificar a personagem. Lachesis possui uma grande árvore de habilidades que é acessada pelo menu de pausa do game, quanto mais se mata inimigos, ela vai ganhando XP e sobe de nível, ganhando pontos que habilitam novas habilidades passivas ou habilidades especiais. Ela pode estar equipada com até quatro habilidades, que vão desde tiros carregados, poderosos golpes de espada e etc. Além disso, o jogador pode encontrar armas e armaduras em baús ou ao matar inimigos, e eles podem ser melhorados com diversos materiais encontrados da mesma forma, deixando-a cada vez mais forte.

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Os controles de Lachesis são simples: ela pode correr, pular, esquivar-se, atacar com sua espada ou um par de pistolas e usar suas quatro habilidades equipadas. O gameplay funciona muito bem, mas possui certos defeitos que atrapalham muito a jogatina, sendo um deles as esquivas. Elas funcionam bem e deixam Lachesis invulnerável durante o movimento, mas esse é um recurso limitado, que só pode ser usado um número determinado de vezes até recarregar. O problema é que as esquivas demoram demais para recarregar, e muitas vezes você receberá muito dano de inimigos simplesmente porque não pode se esquivar nem fugir pra lado nenhum.

Outro erro é que combinar ações nem sempre funciona, por exemplo, se durante um ataque você precisar pular rápido para escapar de um golpe inimigo, muitas vezes não conseguirá, pois ao pular logo em seguida a um ataque uma espécie de teto invisível impede que Lachesis pule alto. Tudo depende de um timing demorado, que prejudica jogadores que tem reflexos rápidos, o que é realmente uma pena.

Audiovisual

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Evil Genome possui um visual muito bom. O game tem perspectiva 2.5D e muita riqueza de detalhes. Começando por Lachesis, que tem quatro roupas diferentes dentro do game, sua armadura padrão, uma versão branca de sua armadura e duas roupas casuais. A armadura de Lachesis possui muitos detalhes, além de contar com uma espécie de cachecol digital bem estiloso flutuando ao vento enquanto ela corre.

Os cenários são cheios de detalhes e profundidade. Em cenários abertos ou em fábricas e ruínas abandonadas existe muito entulho e objetos destrutíveis espalhados, enquanto ao fundo podemos ver várias paisagens diferentes, em especial o por-do-sol em algumas áreas, que deixa tudo muito bonito. Os inimigos também são muito bem feitos, todos com muitos detalhes e boas animações, desde simples humanos armados até monstros gigantescos ou personagens com poderosas armaduras.

Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

Na parte sonora temos altos e baixos. O game possui uma excelente trilha sonora, que vão desde músicas calmas quase ao estilo country, combinando com cenários de deserto e solidão, até trilhas com um rock mais futurista para áreas urbanas e batalhas contra chefões.

O problema está na dublagem, que não é muito boa. Com exceção de Lachesis Alfa, as dublagens dos outros personagens do game não são muito bem feitas. A maioria dos personagens possuem vozes estranhas e genéricas, que muitas vezes não batem com as legendas das falas, por conta dos problema de tradução do game para o inglês. Com isso, muitas vezes a entonação das falas acaba confundindo a situação, como um personagem falando em um tom alto e que aparenta nervosismo em uma fala simples, e Lachesis parecendo estranhamente calma em momentos tensos.

Conclusão

Análise Arkade: O divertido, mas confuso metroidvania futurista Evil Genome

Evil Genome é um metroidvania bem divertido, com várias missões para se cumprir, lugares para visitar e muito loot para se coletar. O game possui um combate rápido e bem divertido, cumprindo bem sua proposta de apresentar um game que mistura ação e plataforma. O game porém tem uma história simples que acaba se tornando confusa por conta dos muitos detalhes inseridos aqui e ali. Ao chegar no final do game você entenderá bem qual é o plot, mas talvez não consiga entender com clareza como tudo isso influencia o universo do game.

Apesar disso, é um game que, deixando todas essa confusões de lado, diverte bastante e entrega uma boa quantia de horas com bastante exploração e combates. O game se encerra com um final aberto, então há a possibilidade de que a história de Lachesis seja expandida no futuro, o que seria ótimo. Além de ser uma oportunidade para melhorar com os erros deste primeiro game.

Evil Genome ofi lançado no dia 7 de agosto exclusivamente para PCs.

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