Análise Arkade: Ginger: Beyond the Crystal tenta ressuscitar os “jogos de mascotes” de antigamente

5 de novembro de 2016
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Ginger: Beyond the Crystal tenta ressuscitar os "jogos de mascotes" de antigamente

Lembra dos tempos áureos dos mascotes dos jogos de plataforma 3D? Crash Bandicoot, Spyro The Dragon, Banjo-Kazooie e tantos outos personagens marcaram o início dos anos 2000. Ginger: Beyond the Crystal é um remanescente atrasado desta época, confira nosso review!

Um mundo regido por cristais

Ginger: Beyond the Crystal nos apresenta um mundo de fantasia regido por cristais mágicos. Tudo ia bem, até que os cristais começaram a entrar em colapso, destruindo cidades e vilarejos inteiros. Neste momento de caos, a entidade mística de um dos cristais cria o Ginger, uma simpática criaturinha azul cujo objetivo é purificar os cristais e restabelecer a ordem no mundo.

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Assim, no controle do pequenino e valente Ginger, você irá encarar muitos desafios e cumprir missões variadas para encontrar e purificar os cristais, a fim de botar o mundo nos eixos novamente. Aliás, purificar os cristais é só uma parte do seu trabalho, pois Ginger também precisa “botar a mão na massa” e reconstruir os vilarejos que foram destruídos.

Reconstruindo o mundo, um pulo de cada vez

Ginger: Beyond the Crystal se apresenta como um jogo de aventura e plataforma que é ora 3D, ora 2.5D. Os vilarejos que você deve reconstruir funcionam como grandes hubs, por onde você acessa diversas fases, cada uma com um cristal esperando para ser purificado. Além disso, cada vila possui um enorme cristal no centro onde seus aldeões estão aprisionados: você deve “pagar a fiança” deles (usando cristais colecionáveis) para libertá-los, e aí reconstruir a vila para eles morarem.

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A exploração em si lhe recompensa com matéria-prima para a construção de casas, fazendas, templos e tudo o mais que um vilarejo precisa para se tornar próspero e seguro. Cada construção demanda um número específico de materiais (madeira, pedras, etc.), e geralmente quanto mais dispendiosa uma construção, mais ela contribui com a “moral” do vilarejo.

Confira abaixo um pouquinho de gameplay que mostra exploração de um vilarejo, cumprimento de pequenas quests, construção de casas e coleta de recursos. Ao final do vídeo, temos ainda uma fase bônus para liberar um cristal:

Talvez não tenha ficado muito claro no vídeo, mas o jogo também possui um pouco de combate. O problema é que os bracinhos curtos do personagem não ajudam muito (sim, há um botão para ele dar socos). Por conta disso, a melhor maneira é usar aquela boa e velha tática de Super Mario, e matar os inimigos “na bundada”, pulando e caindo com tudo em cima deles.

Trocando de roupa

Os jogos da série The Legend of Zelda que saíram para o Nintendo 64 possuem características bem específicas: em Ocarina of Time, Link pode aprender diferentes melodias para sua Ocarina, e cada canção possui uma função. Em Majora’s Mask, Link ganha novos poderes e habilidades ao colocar diferentes máscaras.

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Ginger traz um mix destes dois recursos em um só jogo: conforme joga você vai adquirindo novos trajes, e cada traje possui uma habilidade específica. Por exemplo, quando usa sua roupa de rato, Ginger pode ficar bem pequenininho, o que lhe torna capaz de passar por buracos e passagens estreitas. Já seu traje de dragão lhe concede uma baforada de fogo, muito útil para queimar teias de aranha e liberar passagens.

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E onde entra o Ocarina of Time nesta história? No traje de bardo! O traje inclui um violão, e com ele, Ginger pode aprender diferentes músicas (imagem acima), cada uma com sua respectiva função. Há a música que faz as plantas florescerem (folhas e cogumelos viram plataformas), a canção para reconstruir pontes, e por aí vai. Se não é uma mecânica inovadora, pelo menos é nostálgica e interessante.

Audiovisual

Lembra que falei de Spyro e Crash lá no início deste texto? Pois é, eles foram jogos de Playstation 1 que, apesar das limitações técnicas da época, conseguiram construir uma identidade visual simpática e marcante. Ginger tenta seguir o mesmo caminho: o game é bem colorido, possui uma profundidade de campo respeitável, e seu ar cartunesco casa muito bem com a proposta do game.

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O protagonista Ginger em si é um daqueles personagens que merecia um boneco de pelúcia, de tão fofinho que é. Infelizmente, nem toda a fofura do mundo salva este jogo de uma avalanche de bugs, glitches e problemas de desempenho.

E não são problemas pequenos, não: o framerate é super zoado, variando de slowdowns até irritantes (e constantes) “travadinhas”. Isso para não mencionar os momentos em que seu personagem simplesmente cai do cenário, ou pior: cai entre 2 plataformas e fica preso em um espacinho bugado. Até gravei um desses momentos para você não achar que estou exagerando:

Gostaria de poder dizer que este foi um caso a parte, mas infelizmente não foi: Ginger é um jogo cheio de bugs (uns mais graves que outros), e eles sem dúvida conseguem arruinar a experiência de um joguinho que, com um polimento melhor, sem dúvida seria bem divertido.

Conclusão

Ginger: Beyond the Crystal é um joguinho simpático e que tinha potencial. Infelizmente, este potencial afunda em um mar de bugs e problemas de desempenho que conseguem transformar a diversão em frustração e até irritação.

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Acredito que boa parte dos problemas possa ser resolvido através de patches, e torço para que o pessoal do Drakhar Studio esteja trabalhando nisso neste momento. Eu adoro “jogos de mascotes” e estava super disposto a gostar de Ginger, mas esse jeitão “mal acabado” dele não me deixou curtir a experiência como eu gostaria.

Ginger: Beyond the Crystal foi lançado em 25 de outubro, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. O game possui menus e legendas somente em inglês.

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