Análise Arkade: Guacamelee! 2 é o MetroidVania definitivo (com tempero mexicano)

21 de agosto de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Guacamelee! 2 é o MetroidVania definitivo (com tempero mexicano)

Um dos melhores MetroidVanias dos últimos anos enfim está ganhando uma continuação: Guacamelee! 2 chega hoje, trazendo muito mais ação, pancadaria, bom humor… e muito mais galinhas, confira nossa análise!

Salvando o Mexiverso

Guacamelee! nunca se levou muito a sério, mas o novo jogo chega mais zoeiro do que nunca: após uma rápida recapitulação dos eventos finais do primeiro game, o tempo avança e encontramos Juan 7 anos depois. Casado, barrigudo, pai de dois filhos, ele é feliz, mas sente falta de seus tempos de “luchador”.

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O tempo foi meio cruel com Juan…

Felizmente a aposentadoria dele não dura muito, pois quando um perigoso luchador chamado Salvador decide descobrir a receita do Guacamole Sagrado, o destino de todo o Mexiverso — aka as diferentes versões/linhas temporais do México — é colocado em cheque.

O Juan que conhecemos foi o único (dentre os outros Juans de outras linhas temporais do Mexiverso) a encarar o Calaca e sair vivo, logo, ele parece ser a melhor opção para enfrentar este novo desafio. Assim, ele reencontra Tostada, veste mais uma vez a máscara mágica que lhe concede as fantásticas habilidades de “luchador” que ele vai precisar para enfrentar hordas de esqueletos, monstros e vilões!

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Mas ele logo está de volta à boa forma!

Toda essa maluquice de Mexiverso é uma clara tiração de sarro aos “universos cinematográficos” de hoje em dia, e o pessoal da Drinkbox não mediu esforços no que diz respeito à zoeira: de referências a jogos, filmes e séries de sucesso até um culto secreto de galinhas Illuminati (?!), Guacamelee! 2 conta uma história bobinha, mas bem divertida, e é fácil acompanhá-la graças ao excelente trabalho de localização, que traz menus e legendas em português brasileiro!

MetroidVania com muita pancadaria

Quem jogou o primeiro Guacamelee! (e se você não jogou, recomendo fortemente que faça isso) vai se sentir em casa aqui. O gameplay é imediatamente familiar, e ainda que conte com um bom número de novas habilidades, muita coisa do primeiro jogo está de volta, como o “gancho do galo”, o “voo do bode” e por aí vai.

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Guacamelee! 2 é muito competente em integrar as habilidades de Juan ao contexto do jogo em si: boa parte de suas habilidades são golpes úteis tanto na hora da pancadaria quanto na exploração. O gameplay é afiadíssimo, fluido e com respostas imediatas aos comandos, algo nada menos do que necessário aqui, visto que o nível de desafio é alto e crescente.

Se liga em um trecho relativamente simples, onde as “ondas” alteram o cenário, tornando projéteis e outros perigos intangíveis, o que exige reflexos rápidos e atenção máxima do jogador:

Em tempos onde jogos procedurais estão na moda, Guacamelee! 2 dá uma aula de level design: os mapas do jogo são enormes, minunciosamente planejados para extraírem o máximo das mecânicas e das habilidades do jogador das formas mais desafiadoras e criativas possíveis. Como em todo Metroidvania que se preza, há algum backtracking aqui, mas o jogo oferece atalhos inteligentes e um sistema de fast travel que otimiza bastante as idas e vindas.

Há novidades, muchacho!

Não é de hoje que nosso amigo Juan pode se tornar galinha, mas agora ele não fica mais indefeso nesta forma: em sua forma de pollo ele possui seus próprios ataques — que também são integrados de formas muito criativas à exploração em si. Há nada menos do que 5 árvores de habilidades diferentes, além das boas e velhas estátuas de cabras (e galinhas) que nos concedem novos poderes quando destruídas.

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Até vilões do primeiro jogo te ensinam novos golpes!

Guacamelee! 2 é um jogo que vai ficando progressivamente mais difícil, mas seu timing, sua curva de aprendizado, é incrível: sempre que descobrir algo novo, você terá um tempo para se acostumar com o novo poder, e aprenderá na prática como combiná-lo com o que você já tinha. Aí vem mais uma nova habilidade, depois outra, e assim sucessivamente, e cada power up abre novas possibilidades de combate e exploração.

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Essa é só uma das milhões de referências do jogo

O bom humor do jogo não chega a ser uma novidade, mas este aqui está muito mais consciente de seu potencial humorístico, e abraça zoeiras e referências sem medo de ser feliz. O ritmo tanto do jogo quanto das piadas é acelerado o tempo todo, mas mesmo assim a Drinkbox arranjou espaço para meter alguns easter eggs que irão arrancar um sorriso dos jogadores.

Por exemplo: que tal visitar uma linha do tempo em que o jogo se comporta como um RPG por turnos? Isso está no jogo e temos como provar:

Acha pouco? prefere algo ainda mais old school? Então pegue essa fase bônus que é nada menos que uma recriação do labirinto do Pac-Man!

Guacamelee! 2 é praticamente um Deadpool do mundo dos games, pois está o tempo todo prestando homenagens e fazendo piadas e referências divertidas. Ele já seria um jogo excelente sem isso, mas esta veia humorística torna a experiência ainda mais prazerosa.

Ah e faltou falar sobre outra coisa maneiríssima: ele oferece coop local para até 4 jogadores! Acabei jogando a campanha toda sozinho para este review, mas se você tiver mais 3 amigos perseverantes e habilidosos para jogarem contigo, sem dúvida vai se divertir demais com 4 “luchadores” quebrando tudo na tela!

Audiovisual

A Drinkbox adota uma estética 2D meio low poly em todos os seus games, e Guacamelee! 2 mantém essa tradição. O visual do novo game não dá nenhum salto absurdo de qualidade se comparado ao jogo anterior, mas isso não é nenhum demérito, uma vez que ele já era muito bonito, dentro do que se propunha.

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Olha todas essas cores!

Guacamelee! 2 é colorido como poucos jogos ousam ser. Sua temática de Lo Dia dos Muertos abre espaço para isso, e os designers capricham, entregando uma paleta de cores exuberante, com detalhes que mudam conforme o mundo que você está — como no primeiro jogo, é possível alternar entre o mundo dos vivos e dos mortos.

A trilha sonora mantém essa vibe “chicana”, cheia de cornetas e violas, como se realmente estivesse sendo tocada por uma legítima banda mariachi. E ela sofre sutis mudanças em tempo real quando você viaja entre os mundos, o que é mais uma comprovação do capricho e da atenção aos detalhes dos produtores.

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Essas “peças de Tetris” representam o colapso do Mexiverso

Praticamente não há vozes no jogo, mas, como já dito, o game conta com menus e legendas em português brasileiro. Não faltam, porém, sons de pancadaria e cacarejos a rodo.

Conclusão

Sabe quando uma sequência não é necessariamente revolucionária, mas expande tudo o que foi visto antes? Guacamelee! 2 é tipo isso: não reinventa a roda, mas consegue ser maior e melhor que o primeiro jogo (que já era excelente), tomando como base tudo o que já tinha lá. É o mesmo caso de Uncharted 2, que consegue ser muito melhor que Uncharted 1 sem necessariamente trazer grandes inovações.

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Cuidado com o culto das galinhas Illuminati!

É difícil um jogo acertar em praticamente tudo o que se propõem, mas Guacamelee! 2 consegue esta façanha: seu audiovisual é deslumbrante, seu gameplay é impecável, seu nível de desafio é estimulante e seu level design é sem dúvida um dos melhores dentro do gênero MetroidVania.

Guacamelee! 2 é simplesmente imperdível. Uma aula de game design que oferece muitas horas de diversão, temperadas com muito bom humor e um legítimo gostinho mexicano. Entra fácil para qualquer lista de “melhores MetroidVanias” que vá ser feita no futuro, e sem dúvida merece figurar também nas listas de melhores jogos desta geração.

Parabéns Drinkbox, vocês se superaram!

Guacamelee! 2 está sendo lançado hoje, com versões para Playstation 4 e Steam.

11 Respostas para “Análise Arkade: Guacamelee! 2 é o MetroidVania definitivo (com tempero mexicano)”

  • 22 de agosto de 2018 às 09:34 -

    Hudson

  • A trilha sonora do primeiro game não me sai da cabeça até hoje! Tan-tan, tan-tan, tan-tan, tan-tan, tan-tan-tan, tan-tan-tan. Rsrs

    • 22 de agosto de 2018 às 10:21 -

      Robson Rodrigues

    • é vdd! eu tbm! kkkk

    • 22 de agosto de 2018 às 11:18 -

      Rodrigo Pscheidt

    • As músicas desse jogo são muito grudentas, mesmo, haha! Só de pensar já me dá vontade de comer um burrito e tomar uma tequila! XD

      Falando nisso, tem uma música que eu trago na minha cabeça desde os tempos do Atari: a de Bobby is Going Home. Vou deixar ela aqui pra amaldiçoar vcs:

      https://youtu.be/oKm3JIv0iQ8

      Curiosidade aleatória: essa música do Bobby is Going Home é baseada em uma música cristã das antigas chamada “What a Friend We Have in Jesus”. o.O

  • 22 de agosto de 2018 às 10:20 -

    Robson Rodrigues

  • logo quando foi anunciado fiquei empolgadissimo! lendo a analise fiquei muito mais! só uma coisa que notei foi alguns errinhos de portugues no texto talvez uma revisão antes da publicação resolva de resto esta impecavel! Ah e no Guacameelee 1 já dava pra jogar coop local com 4 pessoas! continuem com o otimo trabalho de vcs sem duvidas é um dos melhores que conheço!

    • 22 de agosto de 2018 às 11:14 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Valeu, Robson! Reli aqui e arrumei duas coisas que achei erradas, mas se tiver mais algum errinho que passou batido, por favor, avise.

      E sério que o primeiro já rolava em 4 pessoas? Te juro que na minha cabeça eram no máximo 2 players. Eu até rejoguei ele recentemente, mas foi no Vita. Ali definitivamente não dava pra tirar essa dúvida, haha! XD

      Abraço!

  • 22 de agosto de 2018 às 22:01 -

    André Diniz

  • Preciso jogar o 1º ou posso ir direto pro 2º?

    • 23 de agosto de 2018 às 08:31 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Olha, eu recomendaria que você jogasse o primeiro simplesmente porque ele também é muito bom, mas em termos de história não é realmente necessário.

      Na verdade o novo jogo começa com uma breve “retrospectiva” do final do 1º, então pelo menos o básico você vai saber. :)

      • 26 de agosto de 2018 às 22:30 -

        André Lima

      • Vlw maan!!

  • 23 de agosto de 2018 às 17:56 -

    Metal Avanger

  • Pedi refund no Steam da bomba nuclear chamada Death Gambit e peguei Guacamelee 2.
    OMG, que jogo maravilhoso, um dos melhores do ano, a OST ja é a melhor.
    Hollow Knight e Ori agora tem um novo companheiro pra completar o podium de melhores metroidvanias da geração atual.

    • 24 de agosto de 2018 às 14:00 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Olha, eu não joguei Death’s Gambit, mas o jogo anda sendo bem recebido por aí. O próprio Renan, que assinou o review dele aqui no site, gostou bastante. :)

      Mas, Guacamelee 2 é maravilhoso, msm. Por mim o termo “MetroidVania” deveria ser atualizado para “GuacaOriano”, hahaha! XD

      • 24 de agosto de 2018 às 17:47 -

        Metal Avanger

      • As opiniões estão bem divididas, mas pelo que joguei e tenho lido por aí, os problemas do game são muito evidentes, principalmente no que tange a jogabilidade e as animações bizarras, acredito ter sido o primeiro game indie que pedi refund.

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