Análise Arkade: Guilty Gear Xrd REV 2 é um update digno para quem curte fighting games 2D
Na semana passada, um novo Guilty Gear chegou aos consoles da família Playstation. Confira nossas impressões (e nossos vídeos de gameplay) deste ótimo update de uma das maiores franquias da Arc System Works!
Esta matéria é de 2017 e pode estar desatualizada.
Quem curte pancadaria 2D de qualidade sem dúvida já conhece de longa data a série Guilty Gear. Recentemente a Arc System Works lançou uma atualização da saga — Guilty Gear Xrd REV 2 — e é claro que a gente foi jogar para te contar se vale a pena ou não!
Antes de mais nada
É bom deixar claro que o que temos aqui não é um jogo 100% novo, mas uma versão atualizada de Guilty Gear Xrd Revelator, lançado originalmente em 2014. Isso quer dizer que o conteúdo base é essencialmente o mesmo, mas com algumas novidades. São elas:
- Novos Personagens: Answer e Baiken.
- Novas Histórias de Personagens: O Episodes Mode agora traz histórias para os personagens Jam, Kum, Raven, Dizzy, e para os novatos Answer e Baiken.
- Novos Cenários: Novas arenas integram os novos capítulos da narrativa e podem ser usados em outros modos de jogo.
- Novos Golpes: Todos os personagens receberam novos golpes e animações.
- Rebalanceamento: O movie set de todos os personagens foi reajustado, atualizado e rebalanceado.
- Online: Melhorias que otimizam a experiência online e estabilizam os servidores.
Confira abaixo um gameplay que gravamos com um embate entre os 2 novos lutadores, Baiken e Answer:
Dito isso, é válido ressaltar que o novo conteúdo pode ser adquirido de duas maneiras: quem já tinha o Revelator original pode comprar uma atualização para transformá-lo em REV 2, ou quem não tinha o primeiro jogo pode comprar a versão REV 2 direto. Em ambos os casos, você terá a versão completa e atualizada do game.
História para assistir
Quem acompanha a série Guilty Gear sabe que há uma narrativa sendo construída e expandida dentro e fora dos games — existem até áudio dramas em CD que aprofundam a narrativa da série. E Guilty Gear Xrd REV 2 dá seguimento a esta história de um jeito… curioso.

Fazia um tempinho que eu não jogava Guilty Gear, e me espantei ao perceber que, ao começar o modo História, o jogo literalmente sugeriu que eu deixasse o controle de lado. Pois é, indo na contramão de jogos como Injustice 2, a História de Guilty Gear Xrd REV 2 está ali para ser assistida, não jogada.
E olha que tem muita história por aqui. Acompanhar todo o Story Mode é como assistir um enorme anime, mais focado em diálogos e tretas entre o elenco do que em ação e pancadaria. Só a “retrospectiva” da história leva cerca de 30 minutos, ou seja, quando resolver assistir o modo Story, faça isso com tempo (fique tranquilo, é possível salvar entre um capítulo e outro).

O mais curioso é que a Arc System Works leva a sua narrativa tão a sério que desativa a função de capturar/transmitir vídeos ou tirar screenshots do PS4 no Story Mode. No geral, quem é fã das antigas vai curtir, mas quem está atrás de pancadaria 2D pura e simples talvez acabe se entediando com este “longa metragem” não-interativo em animação.
Pancadaria de qualidade
Bom, mas como nem só de história se faz um bom jogo de luta, e a pancadaria, como está? Muito boa! Eu sou um grande fã do trabalho da Arc System Works e do estilo de gameplay de seus jogos, e ele continua afiado e responsivo como deve ser.

Mantendo 4 botões de ataque — punch, kick, slash e heavy slash — e permitindo que o jogador escolha se quer jogar de forma “técnica” (realmente executando cada comando com precisão) ou de forma “estilosa” (combos e golpes especiais saem com mais facilidade). Em ambos os casos, o gameplay é dinâmico e responsivo como deve ser um bom jogo de luta.
Com a chegada dos novos personagens, Guilty Gear Xrd REV 2 chega à respeitável marca de 25 lutadores, um mais estiloso (ou bizarro) do que o outro. Cada personagem possui um estilo característico de gameplay, e dominar as nuances de todo o elenco é algo que demanda alguma dedicação do jogador.

Não temos uma grande variedade de modos de jogo aqui, mas um pacote básico que oferece o que se espera de um jogo de luta: além do já mencionado Story Mode, temos Versus local e online, o modo Episodes (que é meio que um Arcade Mode), outro modo de jogo onde você vai acumulando medalhas e customizando seu personagem, e a sempre bem-vinda área de treinamento.

Para quem é realmente fã da série, há o, onde pode-se criar dioramas com personagens, conforme você vai habilitando suas estatuetas. E não podemos deixar de mencionar o pitoresco modo Fishing, onde assumimos o controle de um simpático bonequinho (que parece feito de caixas de papelão) e usamos as moedas acumuladas in-game para desbloquear badges, novas cores de roupas para personagens e muito mais.
Audiovisual
Não sei você, mas eu realmente acho uma pena que tantos jogos de luta 2D tenham se rendido ao 3D. Ok, jogos como Street Fighter V e The King of Fighters XIV são incríveis, mas faz falta aquele bom e velho sprite 2D, que traz consigo um feeling de fliperama.

Guilty Gear sempre foi uma série puramente 2D, e, embora tenha se rendido à poderosa Unreal Engine 4, o trabalho feito aqui é simplesmente uma das coisas mais incríveis que vi em um fighting game recentemente. O que temos são personagens totalmente modelados em 3D que atuam em um ambiente 2D.
O início das lutas deixa isso bem claro: sempre rola uma brincadeira com a perspectiva para mostrar que os personagens não são “planos” como folhas de papel. Eles possuem profundidade, assim como o cenário. Golpes especias e finalizações também exploram este aspecto 3D do jogo, mas o gameplay em si permanece totalmente fiel ao gênero 2D, e mesmo os modelos tridimensionais dos personagens parecem (e se comportam) como os bons e velhos personagens 2D de outrora.
Confira mais um gameplay abaixo, e bote um reparo especial na intro da luta, que faz essa brincadeira com a perspectiva para mostrar as reais dimensões do cenário e dos personagens:
O resultado é um jogo deslumbrante, que modernizou seu estilo sem perder sua identidade. O character design continua inspiradíssimo, trazendo personagens com trajes, armas e trejeitos estilosos. Um dos novatos, Answer, passa a luta toda “falando ao celular”, algo que, ouso afirmar, nunca havia sido feito em um game do gênero. Isso para não mencionar lutadores clássicos como Venom — que usa um taco e bolas de sinuca como armas — e Bedman, que é literalmente um corpo preso a uma cama maluca e cheia de poderes.

A trilha sonora mantém o estilo pauleiro que a Arc System Works adora, misturando heavy metal com rock industrial e algumas batidas eletrônicas. O áudio do game está em japonês, e as legendas, infelizmente, só em inglês, então se quiser acompanhar o longo anime do Story Mode, é bom que seu inglês esteja em dia.
Conclusão
Ainda que não seja necessariamente um jogo novo — mas uma atualização de um jogo de 2014 — Guilty Gear Xrd REV 2 é um jogaço, que chega mais completo e balanceado do que nunca. Confesso que não me agrada a forma como seu Story Mode é apresentado — só assistimos, sem jogar nada — mas de resto é o Guilty Gear que a gente já conhece, com audiovisual incrível, gameplay afiado e um ótimo elenco personagens esquisitos e interessantes.

Se você já acompanha a série há anos, Guilty Gear Xrd REV 2 representa o ápice da franquia. Se você não é ligado em toda a confusa cronologia da saga, mas curte um bom fighting game 2D, o game também é uma ótima pedida.
Guilty Gear Xrd REV 2 foi lançado em 26 de maio, com versões para Playstation 4 e Playstation 3.
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- PlayStation




