Análise Arkade: Halo 5 Guardians traz gameplay refinado e muita ação ao Xbox One

26 de outubro de 2015
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Halo 5 Guardians traz gameplay refinado e muita ação ao Xbox One

Prepare-se para a batalha, Spartan! Na sequência você confere nossa análise completa de Halo 5: Guardians, game que será lançado amanhã, exclusivamente para o Xbox One!

Uma franquia em constante evolução

Pode não parecer, mas já estamos jogando Halo há quase 15 anos. O primeiro jogo — ainda no Xbox — foi lançado em 2001, e foi um marco na história dos games, revolucionando o gênero FPS — principalmente em termos de narrativa, mas também agregando novidades de gameplay — e servindo de referência para praticamente todo jogo do gênero que foi lançado depois dele.

Com um patamar tão alto alcançado já de cara, a própria Bungie — e, posteriormente a 343 Industries — tiveram que ralar muito para superar o jogo original, e acho que é seguro dizer que elas foram bem sucedidas nesta missão: salvo uma ou outra escorregada, cada novo Halo conseguiu ser mais intenso e cinematográfico que o anterior, ainda que nenhum deles tenha sido tão inovador e vanguardista quanto o bom e velho Combat Evolved.

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Isso para não mencionar que a série ainda teve culhões de sair da sua zona de conforto — o FPS — e se aventurar por outros territórios, com jogos de estratégia em tempo real (Halo Wars) e shooters isométricos estilo arcade (Halo Spartan Assault) que, se não necessariamente enriquecem a franquia, também não a denigrem.

E Halo 5: Guardians chega carregado de responsabilidade, pois ele deve não só manter a qualidade que se espera da franquia, como também o primeiro Halo pensado e criado exclusivamente para o Xbox One. Será que ele correspondeu às expectativas? Vamos descobrir!

2 grupos, 1 história

Quem jogou Halo 4 sabe que o fim do jogo foi, no mínimo, melancólico. Este aqui começa em um tom bem diferente: já de início somos apresentados ao FireTeam Osiris, esquadrão de Spartans comandado pelo “novo protagonista” Spartan Locke, típico soldado cumpridor de missões que está encarregado de resgatar a Doutora Halsey, que está sob custódia dos Covenants.

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O FireTeam Osiris está sempre pronto para a ação.

Em paralelo a isso, o Blue Team está sendo capitaneado por um instável Master Chief, que está se afogando no trabalho para tentar esquecer seus problemas. Porém, tudo muda quando ele sofre um tipo de alucinação onde Cortana solta algumas informações vagas. Confuso, ele parte em uma missão rumo ao desconhecido na esperança de reencontrar sua parceira de tantas missões.

Deste modo, acompanhamos a trama de Halo 5 por dois pontos de vista diferentes: o FireTeam Osiris acaba sendo designado para encontrar o Blue Team, que por sua vez está em busca de Cortana. Porém, o surgimento dos Guardians — enormes entidades metálicas criadas pelos Forerunners — prenuncia que um cataclisma conhecido como Reclamation está prestes a acontecer.

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Essa coisa enorme é um Guardian.

Como resultado, o foco está muito mais no FireTeam Osiris e nos Guardians do que em Chief e Cortana, ainda que ambos ainda sejam peças fundamentais da trama, pois, mesmo estando em missões separadas, FireTeam Osiris e Blue Team acabam meio que unindo forças contra esta nova ameaça, pois a galáxia (e a raça humana) estão novamente em perigo.

A história aqui não é necessariamente épica, mas a maneira com que a trama interliga as duas equipes é muito bacana, e deixa o andamento da campanha bem dinâmico. E, considerando que a franquia Halo já se espalhou por várias outras mídias — HQs, séries, animações — e está em sua “segunda trilogia” nos games, o pleno entendimento da trama demanda algum conhecimento prévio.

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O Warden Eternal visto de perto.

Particularmente, a única coisa que me incomodou na campanha foi o Warden Eternal, entidade robótica que vai estar o tempo todo se colocando entre você e o seu objetivo. Não dá nem para chamá-lo de chefão: ele é só um inimigo mais poderoso que aparece mais do que deveria para lhe atrasar em combates repetitivos (muitos dos quais, para piorar, ele ainda conjura cópias de si mesmo). Entendo a importância dele para a narrativa, mas os embates que tive com ele sempre foram meio chatos.

Jogabilidade aprimorada

Ainda que tenha servido de referência para tantos outros FPS, é fato que a jogabilidade da série Halo ficou meio estagnada por um tempo, afinal, “em time que está ganhando não se mexe”. Isso muda completamente com a chegada de Halo 5. Se você pegar para jogar a Halo: The Master Chief Collection — coletânea remasterizada lançada há alguns meses para o Xbox One — e na sequência já emendar Halo 5 (algo que eu recomendo que você faça), verá como a evolução deste título para os anteriores foi enorme.

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Veja bem, eu não estou dizendo que a jogabilidade da série Halo é ruim. Ela só é diferente dos padrões atuais. Por exemplo: hoje em dia é comum usarmos o gatilho esquerdo para mirar e o direito para atirar, certo? Até Halo 4 isso não era possível, pois o gatilho esquerdo — que a gente já associa inconscientemente à mira — era usado para lançar granadas, e só armas de precisão tinham miras mais efetivas. Você até podia aproximar a mira pressionando o direcional analógico, mas esse recurso não era tão prático quanto um shooter demanda.

Em Halo 5, o gatilho esquerdo serve para mirar com qualquer arma — inclusive pistolas — e mesmo armas clássicas da franquia ganharam animações e recursos de mira que as deixam ainda mais “invocadas” e valorizam o estiloso design futurista/alienígena de cada uma. O gatilho direito obviamente atira, e a recarga foi realocada para o botão X, pois agora o LB é que fica encarregado das granadas, enquanto o RB assume os ataques melee.

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Este é o “modo mira” do bom e velho Light Rifle.

Outro ponto interessante: até Halo 4 não era possível correr, e quando este recurso surgiu, era acionado pelo RB. Entre outras pequenas mudanças, em Halo 5 você pode correr (pressionando o analógico esquerdo) e há ainda uma espécia de dash multidirecional acionado com o botão B.

Se você correr e depois aplicar um golpe físico, seu personagem irá aplicar um Spartan Charge, novidade que é um mix de soco com empurrão que é muito útil para quebrar certos tipos de paredes e rechaçar inimigos. Já mantendo o RB pressionado durante um salto, você aplica um Ground Pound, que é literalmente um murro no chão, cuja onda de choque pode afastar inimigos próximos.

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O Ground Pound é ótimo para afastar grupos grandes de inimigos.

E falando em saltos, a mobilidade também está muito mais fluida, pois os personagens agora podem se agarrar à beiradas e saltar sobre obstáculos com um segundo toque no A. Não é o parkour maluco de Titanfall, é algo simples, mas que deixa a movimentação dos guerreiros muito mais natural.

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Acho que só tem uma coisa que não consegue acompanhar toda a evolução e a qualidade do gameplay: a dirigibilidade de veículos. Seja uma nave Banshee, um enorme tanque Scorpion ou o bom e velho “jipe” Warthog, a pilotagem ainda é meio confusa, estranha, e mesmo veículos enormes capotam como se fossem feitos de isopor.

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No mais, o gameplay de Halo 5 é exatamente como deve ser; sólido e bem calibrado, com respostas rápidas aos comandos, algumas armas novas para acompanhar velhas favoritas, e tiroteios frenéticos que são tão divertidos quanto viciantes.

A união faz a força

Em Halo 5 você está o tempo todo integrado à um esquadrão. Mesmo jogando a campanha sozinho, seu time estará lá, sendo controlado pela inteligência artificial. E — atenção para isso — mesmo seus aliados controlados pela IA podem te ressuscitar, caso você caia em combate.

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Pode não parecer nada, mas isso altera bastante a dinâmica do jogo, pois você vai morrer menos (teoricamente) e vai se esforçar para também salvar seus aliados, pois sabe que eles estarão lá para fazer o mesmo por você, caso seja abatido. Claro que ocasionalmente eles não conseguirão te salvar ou acabarão morrendo no processo, mas no geral esse recurso torna as coisas muito mais rápidas e divertidas, pois evita “respaws” em checkpoints que tenham ficado para trás.

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Obviamente, a campanha também pode ser jogada cooperativamente em 4 pessoas, o que deixa tudo muito mais legal e também mais desafiador, pois, como em Borderlands, quanto mais jogadores humanos estiverem jogando, mais poderosos e “apelões” ficam os inimigos. Arme sua party e chame seus amigos para curtir a campanha em coop, pois essa é a melhor maneira de curtir Halo 5!

Audiovisual

De maneira ousada, a 343 Industries conseguiu o que muitos julgavam impossível: Halo 5 roda o tempo todo em 60fps, e isso torna a movimentação mais fluida, e também afeta (positivamente) a velocidade do gameplay, que se torna mais ágil e responsivo, pois o command input reduzido oferece mais rapidez e precisão.

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Para conseguir esta façanha, a 343 apostou em um sistema de “resolução progressiva” que alcança os 1080p sempre que possível, mas diminui um pouco resolução em momentos muito agitados para que não rolem as temíveis quedas de framerate. Na prática, ele sacrifica a resolução em prol da fluidez dos 60 frames por segundos.

Isso quer dizer que o jogo “fica mais feio” de uma hora para outra? Longe disso: a mudança de resolução é imperceptível, e você vai ficar babando não só com a qualidade do visual — e principalmente da direção de arte — do game, mas pela quantidade de elementos que ele consegue colocar na tela sem engasgar.

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Natureza e tecnologia se fundem nos belíssimos cenários do game.

Grandes cenários sempre foram uma característica da série Halo, e aqui eles continuam enormes (em sua maioria), mas agora estão mais cheios de vida — e de inimigos. E mesmo entre tiros, faíscas, explosões e tudo mais o que vai pipocando pela tela, Halo 5 continua impressionante, rodando suave e nos brindando com alguns dos cenários mais belos já vistos na franquia, pois vão de bases espaciais soturnas até belos e ensolarados planetas alienígenas repletos de cachoeiras, cânions e plantas.

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Inteligente, a 343 mascara a maior parte dos loadings do game em cutscenes, de modo que o jogo carrega a próxima missão enquanto você acompanha o desenrolar da história. Graças a este simples mas engenhoso artifício, Halo 5 é um jogo praticamente sem loadings, e este é um ponto muito positivo em se tratando de um triple A desta magnitude.

A trilha sonora — orquestrada e cinematográfica — continua sendo um espetáculo à parte, e é daquelas que merece ser ouvida mesmo fora do jogo, de tão boa. O tema principal de Halo obviamente não pode faltar, mas ele volta repaginado, e acompanhado de várias outras faixas igualmente impactantes e memoráveis, que mesclam arranjos orquestrados com batidas eletrônicas e ajudam muito a compor o clima de cada parte do jogo.

Na dublagem, a Microsoft repete o bom trabalho de localização que vem fazendo com todos os seus grandes lançamentos: o jogo está 100% em português, com dublagens, menus e legendas em nosso idioma. O único ponto negativo aqui é que para jogar na língua original, é necessário mudar o idioma do console, e aí fica tudo em inglês, inclusive as legendas.

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O ator Nathan Fillion empresta suas feições (e sua voz) para Buck, um dos integrantes do FireTeam Osiris.

Sinceramente eu não entendo qual a dificuldade que as empresas têm em nos oferecer áudio em um idioma e legenda em outro (algo que filmes em DVD fazem já faziam há mais de uma década), mas enfim. Se você pretende curtir o jogo em português, ele definitivamente não vai te desapontar.

Multiplayer

Ainda que sempre conte com uma campanha intensa e cinematográfica, para muitos a cereja do bolo de Halo costuma ser o multiplayer. Infelizmente, não conseguimos testá-lo a tempo para esta resenha. Estavam programadas partidas mediadas para imprensa, mas encontramos apenas servidores vazios em todos os horários que tentamos acessá-las.

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Apesar disso, pelo papo que batemos com Quinn Del Hoyo durante a Brasil Game Show, ficou claro que o multiplayer do jogo deve evoluir o que já era bom, pois a Microsoft e a 343 Industries querem entrar de cabeça nos e-Sports com Halo 5, que oferece tanto partidas “convencionais” no modo Arena quanto um novo e frenético modo Warzone que coloca até 24 jogadores em enormes arenas onde rolam tanto desafios PvP quanto PvE.

Atualizaremos esta análise quando pudermos de fato testar o multiplayer de Halo 5, então fique ligado. ;)

Conclusão

Halo 5: Guardians deixa claro que a 343 Industries sabe o que está fazendo com a série e para onde quer levá-la. A empresa já se mostrou competente no game anterior (e nas remasterizações das quais participou), mas aqui temos um Halo mais maduro, bonito e fluido do que antes.

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Ainda que a campanha acabe de forma meio anti-climática (afinal, estamos falando do jogo que é “o meio” de uma provável trilogia), ela oferece no mínimo 10 horas de muita diversão e adrenalina, com tiroteios intensos, cutscenes cinematográficas e a promessa de um futuro ainda mais épico tanto para o veterano Master Chief quanto para o novato Spartan Locke.

Se você tem um Xbox One  e é fã da série, não pense duas vezes: Halo 5: Guardians é um jogo que você precisa ter na sua coleção.

Produzido pela 343 Indutries e distribuído pela Microsoft, Halo 5: Guardians chega às prateleiras amanhã, dia 27/10.

2 Respostas para “Análise Arkade: Halo 5 Guardians traz gameplay refinado e muita ação ao Xbox One”

  • 26 de outubro de 2015 às 19:10 -

    Leandro alves

  • não sabia que o Castle (Nathan Fillion) seria um dos personagens do jogo!!!

    otima analise

  • 8 de outubro de 2016 às 21:13 -

    Luan Alves

  • Uma ótima analise, mas uma correção que devo pedir é o fato da afirmação que no Halo 4 você não pode correr. Inclusive a partir do Halo Reach já é possível correr mas tanto no Halo 4 quanto no Reach depois de um certo tempo correndo, seu personagem cansa.

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